quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011, The Best

Publiquei no blog da Crítica as minhas escolhas para as publicações em filosofia no ano de 2011. Espero que gostem. Visitem AQUI.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Nigel Warburton

O livro mais recente de Nigel Warburton (do qual já temos vários livros publicados em Portugal) é uma História da Filosofia contada aos mais jovens e novatos nesta aventura da discussão dos problemas da filosofia. Espero também a tradução deste livro. A escrita de Nigel, como sempre, é de uma clareza difícil de conseguir.

Novo livro de A. A. Grayling, em português

Aacaba de ser publicado pela Lua de Papel o novo livro do filósofo inglês, A. C. Grayling.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Layout dinâmico

Aproveitando as tecnologias mais recentes, resolvi alterar um pouco a imagem do Blogue, em fase de testes, para um modelo dinâmico. Espero que seja de fácil leitura e do agrado de todos os que por aqui param. Boas leituras. A partir de agora o leitor dispõe de uma barra onde pode escolher o modo de visualização que mais gostar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O que se descobre com a matemática?


Hoje mesmo comprei o último livro de Jorge Buesco. Começei a ler este autor por sugestão de alguns amigos e tenho todos os livros dele lidos. O primeiro capítulo prendeu logo a atenção já que, mais uma vez, são evidentes as preocupações do autor pelo estatuto epistemológico da ciência, assim como a divulgação da ciência ao grande público.

Dentro do livro vinha um folheto desdobrável que fazia divulgação de algumas edições recentes da Gradiva, bem como o plano de edições para a colecção Ciência Aberta para 2012. Confesso que, para ano de afundanços financeiros, a dose é forte e muito apelativa.

Assim, em 2012, para Fevereiro, temos o livro de Nicholas Humphrey, A poeira da alma. Desconheço integralmente este livro, mas já me despertou o interesse pelo que pude ver no Amazon.

Em Março, será mês da BD, ou de colocar a ciência e a filosofia aos quadradinhos com a publicação de Logicomix: uma demanda épica da verdade, um livro que creio em tempos ter falado aqui no blog.

Vamos ter de esperar até Maio de 2012 para ter nas bancas o livro de Timothy Ferris, A ciência da liberdade que reflecte sobre as relações entre ciência, democracia e Razão.

O último livro que me despertou a curiosidade é o de Lee Smolin, O problema da física. Ora o último capítulo deste livro consiste numa explicação de como se faz e funciona a ciência, o que faz dele um alvo para despender mais uns euros. Sairá em Setembro.

Se para muitos 2012 significa férias no estrangeiro suspensas tem aqui um modo mais económico de fazer a sua própria universidade de verão, sem sair de casa.

sábado, 26 de novembro de 2011

Concepções da Justiça

Numa época em que muito se discute a alteração dos modelos políticos vigentes, esta pequena introdução a algumas teorias clássicas de como reflectir a justiça, pode ser uma boa leitura. Ainda com tiques de linguagem algo técnica em algumas passagens, tornando por vezes o texto denso, a verdade é que o pequeno manual apresenta algumas concepções baseadas na bibliografia mais respeitada do problema. Entre elas, as concepções de Rawls e Nozick. Vale a pena espreitar. A edição é das Ed. 70. A autoria é de João Cardoso Rosas, provavelmente a pessoa neste momento em Portugal que mais conhece a filosofia política. 

Manual de Filosofia para Crianças

Para quem se preocupa em ter ideias boas sobre como ensinar filosofia aos mais jovens, aqui tem um bom guia em português. Tem textos sugestivos bem como uma exposição clara das metodologias a aplicar. A autoria resulta de uma colaboração de Maria João Lourenço no trabalho de Dina Mendonça. E a edição é da Plátano. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Domingos Faria sobre a Filosofia


Domingos Faria publicou um texto no Público acerca do dia da Filosofia, próxima quinta-feira. Pode ser lido AQUI. Sugeriu o FES como leitura para aprender filosofia. Obrigado ao Domingos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Será que a premissa "a vida é sagrada" é verdadeira?


Numa aula do 11º ano, hoje ao fim da tarde, pretendi mostrar um argumento válido, mas com premissas menos plausíveis que a conclusão. Uma das premissas gerou uma discussão ainda algo desorganizada, mas muito interessante. A premissa indicava que “a vida é sagrada”. Um aluno chegou a apresentar uma ideia engenhosa: “a vida é tão sagrada para um crente como para um muçulmano ter mais que uma mulher também é sagrado”. As teses dividiram-se para discutir a premissa. Ao passo que alguns alunos defenderam que a premissa é sempre verdadeira, invocando que em causa está sempre em primeiro lugar a preservação da vida, outros achavam que a premissa não pode ser dada como verdadeira. Nesta animada discussão filosófica pouco pude intervir a não ser para gerir a discussão em alguns momentos de maior intensidade. Mas fica aqui o registo para reflexão para os meus alunos. Obviamente que para um crente católico não é difícil encarar a premissa como verdadeira. Mas como é que podemos pensar que a vida é sagrada se não nos importamos com as formigas que todos os dias pisamos e matamos, com os porcos e vacas que comemos nas nossas refeições, com o fiambre das nossas sandwichs, etc..? Pelo menos temos de reformular a premissa deste modo: “ a vida de alguns seres humanos é sagrada”. Será que assim a premissa fica verdadeira? Que acham? 

domingo, 13 de novembro de 2011

Para estudar

Para os meus alunos. Podem estudar duas formas de inferência válidas, Modus Tollens e Ponens entre as páginas 43 e 45 do vosso manual. As outras formas principais que servem para as derivações são dadas numa fotocópia nas próximas aulas. 

sábado, 12 de novembro de 2011

Dia da filosofia

Por ocasião do dia da filosofia, estarei na Escola Secundária Francisco Franco, a convite do Grupo de filosofia dessa escola a quem agradeço para dar uma aula pública sobre a utilidade da filosofia no próximo dia 18, pelas 10h, na sala de sessões com presença marcada para as turmas de filosofia, em especial as do 10º ano. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Formalização de argumentos


Para os meus alunos do 11º19, 11º17 e 11º35 praticar em casa:

a)      Se for à praia e tomar banho, leio um livro. Sucede que não leio um livro, portanto não vou à praia e tomo banho.
b)      Deus existe ou a Bíblia está errada. Se Deus existe, não existe o mal no mundo. Mas no mundo existe o mal. Daí que a Bíblia esteja errada.


Fonte: Arte de Pensar (Didáctica)

Formalização de frases


Para os meus alunos do 11º19, 11º17 e 11º35 praticar em casa a formalização das seguintes frases:


a)      A eutanásia é permitida por lei se for praticada na Holanda
b)      A eutanásia deve ser permitida se, e só se, for aplicada a doentes terminais
c)      Se Picasso é espanhol e está vivo, então não é pintor
d)      Não acontece depressa e bem
Fonte: Arte de Pensar (Didáctica)

Exercícios de inspectores de circunstâncias


Para os meus alunos do 11º19, 11º17 e 11º35 praticar em casa para o próximo teste, alguns inspectores de circunstâncias com 3 variáveis proposicionais


1)      P ˄ Q, PR, QR I= R
2)      PQ, QR I= PR
3)      PQ, QR I= PR
4)      P v R, I= Q v P
5)      P v (Q ˄ R) I= R (Q ˄ P)
6)      P v Q, (R Q) ˄ (R v P) I= P ˄ Q
7)      (Q v R) Q, Q v R I= (P ˄ Q)

Exame nacional e teste intermédio de filosofia.

O GAVE já publicou informação relativa tanto ao Exame Nacional de Filosofia, como do Teste Intermédio. A informação está disponível AQUI (Teste Intermédio) e AQUI (Exame Nacional). 
Não deixa de ser de observar que se pode ler no preâmbulo das orientações de exame que o programa de filosofia dá total liberdade aos professores para leccionarem os conteúdos que queiram desde que respeitem os temas, pelo que para a realização de exame tem de se vincular conteúdos. Ora cabe a questão para quando a reforma do programa e trabalha-se os conteúdos de uma só vez sem ter de elaborar documentos avulsos que nos chegam às mãos já o comboio vai em andamento? 

"O Programa da disciplina de Filosofia, em vigor nos 10.º e 11.º anos do ensino secundário, não foi construído tendo como horizonte a sua submissão a uma prova de exame nacional, pelo que a introdução do referido exame, mesmo com carater optativo, tornou necessária a produção de orientações de gestão do programa"

Muita tinta discorre no nosso tempo sobre a excelência, principalmente quando pensamos na educação que devemos dar às nossas crianças e jovens. Grayling, no seu livro traduzido para português (Gradiva, 2002), por Fátima ST. Aubyn, tem um texto sobre a excelência que traduz também um bom argumento em defesa da excelência. Creio que é um bom mote para pensar, quer para pais, estudantes, professores e demais interessados neste problema. Reproduzo aqui o texto.


Excelência
O igualitarismo acrítico representa uma ameaça à excelência, vista pelo homem democrático como uma causa facilmente eliminável de inveja e exclusão.
alexis de tocqueville
 
 
            Quando Matthew Arnold escreveu Culture and Anarchy, há mais de cem anos, definiu a procura da excelência no apoio à cultura como «chegar ao conhecimento, no que concerne todos os assuntos que mais nos interessam, do melhor que foi pensado e dito no mundo, e, através deste conhecimento, deixar fluir o pensamento novo e livre sobre as nossas noções e hábitos comuns». Matthew Arnold era inspector das escolas, um grande defensor do ensino superior, e acreditava na excelência do ensino como forma não apenas de prover a economia de pessoal habilitado como também de produzir uma sociedade culta que pusesse em prática o ideal referido na máxima aristotélica acerca da utilização culta do nosso lazer.
            Da China à França, todo o país que é ou aspira a ser desenvolvido tem um estrato educacional de elite que visa receber os estudantes mais dotados e oferecer-lhes a melhor formação intelectual possível. Na China, isto é feito desde tenra idade, havendo escolas especiais para as crianças mais inteligentes. Na França, o sistema das Hautes Écoles — universidades superiores o acesso às quais é ferozmente competitivo — selecciona os espíritos excepcionais e submete-os a uma disciplina rigorosa. Em todos os casos, o objectivo é realçar os melhores, por forma a obter a melhor qualidade nos domínios da ciência, da engenharia, do direito, na administração pública, na medicina e nas artes.
            Poucas pessoas poderão colocar objecções à base racional que se encontra por detrás disto. Exceptuam-se aquelas para quem a mediocridade universal constitui um preço que merece a pena pagar pela igualdade social. Mas há um perigo em que os meios meritocráticos para o cultivo da excelência podem incorrer: é como se, após o estabelecimento dos meios, o mérito, por si só, deixe de bastar, assumindo-se o dinheiro e a influência como critérios suplementares. Em muitos dos países do mundo — talvez a maioria —, o dinheiro e a influência são determinadores da progressão social, mesmo nos locais onde vigoram igualmente os critérios meritocráticos: na América, é necessário dinheiro para se obter vantagens sociais; na China, ajuda ser membro do Partido.
            Os ricos e bem relacionados não constituem o tipo de elite que um sistema educativo deveria encorajar. É fácil, para os jornais sensacionalistas e os políticos populistas, fazer uso pejorativo do termo «elite» para designar estas elites da injustiça — mas estes são igualmente rápidos a criticar os médicos, professores ou desportistas representantes do país que não correspondam às nossas maiores expectativas — se, em suma, eles não se revelarem, afinal, uma elite, no sentido correcto do termo.
            Embora existam poucas — a existirem algumas — democracias verdadeiras no mundo (a maior parte dos sistemas que reivindicam este título são oligarquias electivas), o espírito democrático, apesar disso, perpassa a vida ocidental, para o bem e para o mal. O bem reside na pressão que é feita no sentido de se tratar todas as pessoas de forma justa; o mal reside na pressão que é feita no sentido de tornar todas as pessoas idênticas. Este último constitui uma tendência de nivelamento, uma impulsão para baixo, à qual a excelência desagrada porque ergue montanhas onde o espírito democrático-negativo apenas deseja ver planícies. Mas a democracia não devia ter como objectivo reduzir as pessoas e os seus feitos a um denominador comum; devia visar elevá-las, ambiciosa e drasticamente, até tão perto quanto possível de um ideal. E isso significa, entre outras coisas, ter instituições, especialmente de ensino, que sejam as melhores e mais exigentes do seu género.
 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Robert Rowland Smith, Uma viagem com Platão


Ainda que pareça um assunto lateral a este blog, a verdade é que os cortes anunciados em Portugal, fruto da austeridade também chegam a esta casa de forma violenta e não vou poder comprar todos os poucos livros interessantes de filosofia que saem para o mercado, mesmo com a esperança que ainda vá dando para aqueles que considero essenciais. Esta assinalável e curiosa edição será um dos volumes sacrificados, pelo que se alguém por aí por caridade queira ler e escrever sobre o livro, este blog é, como sempre o foi, um espaço aberto de divulgação. A edição é da Lua de Papel

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Filosoficamente com ideias


A chegar brevemente às livrarias, este é o novo excelente livro de Desidério Murcho que coloca a filosofia ao serviço de todos, directamente escrito em língua portuguesa. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

I Pad, I Phone, I Mac e.... I Platão


Confesso que não li este livro, ainda que alguns colegas e amigos me tenham falado que é interessante. Mas fica aqui a lembrança desta edição como um manifesto da admiração que mantenho por Steve Jobs, mesmo não sendo um adepto apaixonado pelos dispositivos da Apple. E circulam cá por casa alguns.

Argumentos dedutivos válidos com premissa falsa e conclusão verdadeira


Um dos fenómenos mais estranhos para quem se inicia nos testes de validade dedutiva dos argumentos é constatar que há argumentos dedutivos que são válidos tendo ao mesmo tempo premissa falsa e conclusão verdadeira. Deixo aqui um pequeno exemplo:
Platão era grego e Kant americano
Logo, Platão era grego
A premissa é uma conjunção e a tabela de verdade da conjunção indica que só é verdadeira se ambos os conjuntos forem verdadeiros. Sabemos que pelo menos um dos conjuntos é falso, pois Kant não era americano, mas alemão. Vale a pena fazer a demonstração com o inspector de circunstâncias.

Forma lógica:
P ˄ Q
Logo, P


P Q
P ˄ Q

P
V V
V F
F V
F F
V
F
F
F
V
V
F
F








Pelo inspector facilmente percebemos que em alguma circunstância, a premissa é verdadeira e a conclusão falsa, pelo que dedutivamente o argumento é válido. E aqui temos um argumento dedutivo válido que pode ter uma premissa falsa e uma conclusão verdadeira.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Michael Sandel, Justiça


Acaba de ser lançado em Portugal, pela Presença, o livro de Michael Sandel, Justiça. Pelo site da editora não consegui apurar quem traduz para português. Tem sido um livro de filosofia muito bem recebido pelo público em geral e espero que o mesmo se venha a passar em Portugal. Para abrir o apetite fica uma das palestras de Sandel, uma das muitas que deram origem ao livro. 

video

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Indicadores de premissas e conclusão


Numa aula um estudante, antecipando-se ao conteúdo da própria aula, colocou a dúvida de como perceber quando estamos perante uma conclusão ou uma premissa. A verdade é que nem sempre é fácil identificar premissas e conclusão num argumento, uma vez que muitas vezes o discurso é ambíguo. Com efeito é perfeitamente possível elaborar uma pequena lista funcional de indicadores tanto para premissas como conclusão. E é isso que fazemos a seguir, numa das muitas listas que resultaram de uma pesquisa no Google.


domingo, 2 de outubro de 2011

Validade dedutiva


É recorrente observar esta definição de validade dedutiva: o argumento dedutivo é válido quando as premissas forem verdadeiras e a conclusão também o for. Só que esta definição é incompleta ou mesmo errada. Senão vejamos o seguinte exemplo:

O Rolando Almeida é professor de física e as nuvens são cor-de-rosa
Logo, o Rolando Almeida é professor de física.

Como sabemos o Rolando Almeida é professor de filosofia e não de física e as nuvens não são cor-de-rosa. A premissa é falsa e a conclusão também e ainda assim o argumento é dedutivamente válido, apesar de não ser sólido.
Então como sabemos que o argumento é válido? Vamos imaginar um mundo possível em que o Rolando tenha estudado física e ensine física. Nesse mundo possível também é verdade que as nuvens até são cor-de-rosa. Ora, nesse mundo possível, a premissa é verdadeira. Será que sendo a premissa verdadeira é possível que a conclusão seja falsa? A resposta é obviamente não, pelo que o argumento, apesar de não ser um bom argumento, tem uma forma lógica dedutivamente válida.

Uma observação: com este exercício simples conseguimos também perceber a importância fundamental da imaginação para se fazer filosofia ou ciência, já que para raciocinar com consequência temos de supor aquilo que em filosofia chamamos muitas vezes de mundos possíveis. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Exame Nacional de Filosofia


Os alunos do secundário têm a partir deste ano lectivo o exame de filosofia referente ao 10º e 11º como prova de ingresso ao ensino superior. A lista de cursos e respectivas provas pode ser consultada AQUI

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Susan Wolf em português

"A maioria das pessoas, incluindo os filósofos, costuma classificar as motivações humanas em duas categorias: as egoístas ou altruístas, as interesseiras ou morais. Para Susan Wolf, porém, muitas das nossas motivações não se enquadram nestas categorias. Muitas vezes agimos por razões que não têm que ver com o nosso bem, com a noção de dever ou com o bem comum. Pelo contrário, agimos por amor para com objectos ou coisas que entendemos serem dignos do nosso amor e são estas acções que dão sentido à nossa vida. Susan Wolf defende que a par da felicidade e da moralidade este tipo de sentido constitui uma dimensão que caracteriza uma boa vida. Num estilo vivo e cativante, repleto de exemplos provocadores, O Sentido na Vida é uma reflexão profunda e original acerca de um tema que constitui uma preocupação constante da humanidade."

Mais um volume da Filosoficamente, da Bizâncio.
Mais informações Aqui.

sábado, 27 de agosto de 2011

Filosofia na pré adolescência


Muitos autores ligados à ciência e à filosofia tiveram como preocupação a orientação dos mais jovens desde tenra idade. Sócrates não viveu alheio a essa realidade ao ponto de pagar o preço da vida pela acusação de corromper os mais jovens. Parece justamente que essa é a preocupação de Stephen Law, desde que nos brindou com os mais que falados aqui no blog Philosophy Files. Os Philosophy Files ainda aguardam tradução, mas um destes dias fui surpreendido numa pesquisa que fiz no site da Fnac com a edição de Grandes, Grandes Questões. Trata-se de um volume destinado aos pré adolescentes para darem guia às suas primeiras e estruturadas preocupações com pendor filosófico. A matriz das preocupações humanas é também filosófica e a uma determinada altura há que dar seguimento académico a essas preocupações. Os livros aparecem assim como uma inegável boa ferramenta.
Este livro é ilustrado por Bishant Choksi, que aqui faz parceria com Law.
São 4 capítulos. Se o primeiro se destina às preocupações cosmológicas e do sentido da vida, segue-se o capítulo 2 dedicado a uma área que ainda está arredada dos currículos de filosofia do ensino secundário, a filosofia da mente. O Capítulo 3 é sobre ética e filosofia moral e no último capítulo s\ao as questões da filosofia do conhecimento as que merecem o destaque do autor.
O livro  está bem organizado e é uma proposta fiável para iniciar os mais imaturos no estudo e interesse pela filosofia. Como tradutor, a Texto editora menciona estranhamente só um nome, deste modo: “Cristin@”. E o ano de edição é 2010.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Alegrem-se os fãs de Harry Potter

A editora Sinais de Fogo está prestes a publicar o volume cordenado por William Irwin, Harry Potter e a Filosofia. Ver mais aqui:   Sinais de Fogo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De pequenino se torce o pepino


Tinha-me escapado a edição deste interessante livro de filosofia para jovens escrito por Stephen Law. A chancela é da Texto Editora e é mais um a descobrir para abrir o apetite aos mais novatos pela filosofia. Law tem já uma obra relevante no que toca a escrever filosofia para pré adolescentes.

sábado, 30 de julho de 2011

Erros comuns

O DEF, Dicionário Escolar de Filosofia, (Plátano Editora) organizado por Aires Almeida, já com duas edições e com uma edição on line AQUI, apresenta uma revisão muito útil a professores e alunos do secundário sobre erros comuns. Entre esses erros muitos ainda são frequentemente usados como o de que a extensão de um conceito varia em razão inversa com a sua compreensão ou as confusões habituais entre validade e verdade. Vale a pena rever alguns aspectos que nos ajudam a eliminar erros AQUI.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Roger Scruton na Guerra & Paz


O Guia de Filosofia para Pessoas Inteligentes, um livro de introdução à filosofia do filósofo inglês Roger Scruton, mereceu uma 2ª edição pela Guerra & Paz, sendo que agora passou a fazer parte da colecção Saber e Educação. Pode ler-se aqui uma parte em PDF.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Exames

Vale a pena recuperar aqui um texto de Aires Almeida, publicado no Público (ver aqui)

As coisas parecem complicar-se para alguns estudantes apenas quando não conseguem controlar a ansiedade e ficam num estado de grande nervosismo. Mas isso só acontece porque a realização de exames se tornou, no percurso escolar dos estudantes portugueses, uma coisa rara. Estivessem os estudantes habituados a exames e certamente seriam encarados com naturalidade. 
Mas para quê fazer exames, afinal? Algumas pessoas acreditam que os exames nacionais não trazem qualquer vantagem ao processo de avaliação das aprendizagens dos estudantes e que, portanto, são dispensáveis. Há mesmo quem diga que os exames empobrecem e distorcem o processo de avaliação contínua desenvolvido pelos professores ao longo do ano lectivo. Argumentam frequentemente que 1) uma prova de exame nacional não permite avaliar a diversidade de aprendizagens e competências adquiridas durante todo um ano lectivo; que 2) é incorrecto e injusto deixar que o futuro dos alunos se decida numa só prova, podendo eles nem sequer estar nos seus melhores dias; que 3) tratam de forma igual o que é diferente, na medida em que os percursos de aprendizagem de cada aluno são os mais diversos e que 4) não permitem medir com o rigor apregoado o conhecimento dos alunos.
Acontece que nenhum desses argumentos é sólido. Curiosamente, alguns acabam por se refutar a si mesmos. 
Atente-se no primeiro. É certo que nenhuma actividade ou instrumento de avaliação permite, isoladamente, avaliar todas as aprendizagens adquiridas pelos alunos. Mas isso só milita a favor da ideia de que a avaliação deve ser tão diversificada quanto possível. Ora, é uma verdade conceptual que um processo de avaliação sem exame nacional é menos diversificado do que um processo de avaliação com exame nacional. Dado que o exame nacional não substitui os instrumentos utilizados pelos professores nas aulas, antes se lhes acrescenta, ele contribui para enriquecer o processo de avaliação, ao invés de o empobrecer. 
O segundo argumento tem subjacente uma premissa falsa, a saber, que tudo se decide numa prova de duas horas. Mas as provas de exame apenas contribuem, de forma algo modesta, para a média final de cada disciplina. De resto, ainda que isso não fosse falso, o mesmo raciocínio poderia ser aplicado a cada um dos testes realizados nas aulas. Também aí os alunos podem não estar nos seus melhores dias. Será, pois, que os testes também não devem contar? E será que, recorrendo ao mesmo tipo de argumento, se poderá anular a tal entrevista decisiva a que nos submetemos para obter o tão desejado emprego? 
O terceiro argumento é simplesmente inconsistente com a existência de programas nacionais para cada disciplina. Se há programas nacionais, é suposto que os alunos cheguem ao fim do percurso tendo aprendido as mesmas coisas, independentemente do modo como lá chegaram. 
Por sua vez, do facto de os exames não medirem tão rigorosamente quanto se supõe os conhecimentos adquiridos não se segue que os exames não tenham qualquer rigor. E muito menos se pode concluir que sejam dispensáveis. As melhores previsões meteorológicas também podem não exibir o rigor desejável, mas isso não as torna dispensáveis. 
Em contrapartida, há várias boas razões para a existência de exames nacionais. Em primeiro lugar, introduzem um elemento de maior transparência e equidade no processo de avaliação dos alunos, permitindo também avaliar melhor o próprio sistema. Em segundo lugar, estimulam a excelência do ensino muito mais do que qualquer processo de avaliação dos professores, pois é sobretudo aí que eles se sentem realmente postos à prova quando ensinam. Em terceiro lugar, promovem nos estudantes uma atitude cognitivamente mais responsável e empenhada. 
Todavia, isto só é possível com provas de exame bem concebidas. Uma prova bem concebida é uma prova que contenha alguma previsibilidade, mas que não apele ao “empinanço”. É, além disso, uma prova não demasiado longa e prolixa, dando tempo aos alunos para pensarem em vez de se exigir deles respostas apressadas. E não se devem deixar de fora disciplinas estruturantes, como a Filosofia.
A escola tem sido cada vez mais socialmente desvalorizada nos últimos tempos. Os exames podem contribuir para a revalorizar e lhe dar alguma credibilidade social. Uma escola sem exames é uma escola que corre o risco de se descredibilizar irremediavelmente. 
Professor de Filosofia