domingo, 28 de novembro de 2010

Filosofia para gestores

A revista Exame, uma revista de negócios para executivos traz na última edição um artigo de lições de filosofia para gestores. Vamos ver o que sai daí, já que é pouco habitual entre nós este tipo de associações.




REFLEXÃO SOBRE PROFISSÃO DOCENTE (SER PROFESSOR, HOJE) FUNCIONÁRIO OU PEDAGOGO?

Eis uma opinião que vale o que vale e encontrei aqui: 



Sou da opinião de que devemos encontrar tempos e espaços para reflexão conjunta, para que se faça o caminhos juntos em cooperação e não cada um para seu lado. Sou adepto da Cooperação (e do sporting) e adversário da Competição Profissional. Afnal de contastrabalhamos juntos e era bom que confrontássemos pontos de vista. Desse confronto nascerá alguma LUZ e mesmo que a Luz se apague, fica o conhecimento mútuo (entre pares) e o prazer da reflexão, que, no meu entender, é o nossso espaço de liberdade enquanto Professores de Filofofia.
Somos Professores, mas mais do que isso, Professores de FILOSOFIA. Se não for possível exercermos a nossa autonomia reflexiva (já nem digo opinativa ou valorativa), pelo menos poderemos falar uns com os outros.
Pena que já não haja tempo para falarmos sobre Filosofia, Padagogia… sobre os nossos alunos, as Didáticas, enfim essas coisas que são a essência da nossa Profissão. Sem issovamos morrendo aos poucos… será a morte profissional e identitária do Professor de Filosofia. Morte lenta!
Em vez disso discutimos … aliás, tomamos conhecimento das normas, do que há a fazer, repetimos procedimentos, funcionamos à pressão, sob pressão, à pressa, sem tempo para pensar as coisas essenciais e corresponder ao que faz falta: ser  pedagogo! Ficamos pelo acessáorio, que a função administrativa nos obriga.
Dar opinião (fundamentada) e manter o espírito Crítico eram privilégios do Professor DE FILOSOFIA. Privilégios herdados de uma Formação científica. Sem isso pouco temos que nos caracterize ou especifique. Sem isso seremos meros repetidores. Perdemos a alma! Sem anima somos como todos os outros e até poderemos ser meros funcionários públicos (que somos) e lecionar outra Ciência qualquer. Para além de funcionários somos Profissionais da inteligência (racionalidade) e da reflexão. Ajudamos os jovens a pensar por si. Se o deixarmos de fazer nós próprios, o que poderemos fazer? Aliás, o que andamos nós a fazer?
Ser crítico nós sabemos o que é. Sabemos que se trata de construir. Aliás, descontruir para depois construir. Construir a nossa subjetividade. A tal sujectividade… digo, intersubjectividade, que Kant nos ensinou. Assim se constroi o filosofar!
Sem isso, somos nada!
A minha Formação como Orientador de Estágio (durante 8 anos com a Católica e com a Fac de Letras), a Acreditação cmo Formador da Formação Contínua (desde 1997), a experiência como Professor/Facilitador de Aprendizagens e a Investigação de que faço parte na Faculdade de Ciências dea Educação de Lisboa (Grupo de Estudos sobre Ética e Deontologia Docente), entre outras experiências internacionais, ensinaram-me o que é essencial nesta Profissão e o que deve caracterizar o Professor: profissional autónomo, reflexivo, Crítico e gestor de pessoas.
Não queria abdicar disto!
Isto é que dizem as investigações!
Isto é o que nos caracteriza como Funcionários da Educação.
Se perdermos isto, perdemos a identidade profissonal!
Atenção! Estamos a morrer, salvo, profissionalmente.
E isto aplica-se a todos os Professores, em particular aos Professores de Filosofia.
Estou cansado
Desculpem o longo desabafo!
Luís Manuel 

Novo livro de João Carlos Silva


"Uma obra filosófica composta por 860 pensamentos, máximas,
aforismos e reflexões relativamente independentes entre si, cujas
dimensões oscilam entre uma linha e várias páginas, e cujo
conteúdo, como é patente no título, aspira à condição de um
conjunto de verdades tendencialmente universais e objectivas
sobre a natureza das coisas quando estas são encaradas do ponto
de vista da eternidade, isto é, quando se tem sobre elas uma visão
suficientemente liberta dos vários condicionamentos que nos
impedem ou dificultam vê-las tal como são, quer se trate do
Homem, da Vida, do Universo, de Deus ou do tempo presente."

A maioria das pessoas não tem qualquer interesse real em
conhecer a verdade das coisas (mesmo que digam ou finjam o
contrário), como se pode constatar facilmente a partir da forma
como pensam e vivem as suas vidas. A atitude natural mais comum
entre os seres humanos relativamente às questões fundamentais,
ou bem que consiste em assumir inconscientemente tê-las
resolvido a priori, ou então em acreditar comodamente que não
têm solução, sem qualquer necessidade de uma justificação
racional e objectiva para o efeito, como se a verdade fosse uma
questão de gosto, opinião ou preferência pessoal, ou como se se
tratasse de uma escolha subjectiva que cada um livremente
pudesse fazer à medida dos seus desejos, interesses e necessidades,
e não objecto de uma descoberta racional e objectiva que
todos devem fazer, se quiserem realmente saber a verdade. É por
isso que questões como a da existência de Deus ou do sentido da
vida ficam assim sujeitas ao capricho arbitrário da subjectividade
pessoal, das crenças e opiniões particulares, preferindo uns acreditar
que sim e outros que não, uns numa coisa e outros noutra,
muitas vezes pelas mesmíssimas razões, porque dá jeito e é preciso
acreditar em alguma coisa que nos dê certezas e a segurança
ilusória de que sabemos muito bem quem somos, donde vimos,
para onde vamos e o que fazemos aqui. É claro que isto pode
resolver o problema subjectivo de acreditar ou não naquilo que nos
convém, mas não resolve o problema objectivo de saber qual é a
afinal a verdade das coisas.

Autor: João Carlos Silva
Editora: Chiado Editora
Mês de lançamento: Janeiro

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Edição para breve

Autores incluídos: Peter Singer, Tom Regan, Carl Cohen, Jan Narveson, J. Baird Callicott, James Rachels, Jeff McMahan.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Será a greve o único recurso?

Ao contrário do que muitas pessoas hoje em dia pensam, a greve não é o único recurso possível para mostrar o desagrado ao poder político pelo contexto social. A desobediência civil é também um recurso, ainda que cada vez mais em desuso e muito mal interpretado pelos meios de comunicação social. Hoje em dia não falta bibliografia que informa as pessoas das vantagens e desvantagens da desobediência civil. Em língua portuguesa temos um verdadeiro tratado sobre a liberdade que é o Sobre a Liberdade de John Stuart Mill. Mas lembrei-me da ocasião de publicar aqui um excerto do capítulo do livro Elementos Básicos de Filosofia de Nigel Warburton, que mostra as vantagens e desvantagens da desobediência civil. Este livro tem uma edição recente e encontra-se facilmente em qualquer livraria.


Estudámos, até agora, as justificações para punir quem viola a lei. As razões para punir eram morais. Mas poderá alguma vez a violação da lei ser moralmente aceitável? Nesta secção, deito um olhar sobre um tipo particular de violação da lei que se justifica em termos morais: a desobediência civil.
            Algumas pessoas argumentam que a violação da lei nunca pode justificar-se: se não estamos satisfeitos com a lei devemos tentar mudá-la através dos meios legais, como as campanhas, a redacção de cartas, etc. Mas há muitos casos em que tais protestos legais são completamente inúteis. Há uma tradição de violação da lei em tais circunstâncias conhecida por desobediência civil. A ocasião para a desobediência civil emerge quando as pessoas descobrem que lhes é pedido que obedeçam a leis ou a políticas governamentais que consideram injustas.
            A desobediência civil trouxe mudanças importantes no direito e na governação. Um exemplo famoso é o movimento das sufragistas britânicas, que conseguiu publicitar o seu objectivo de dar o voto às mulheres através de uma campanha de desobediência civil pública que incluía o auto-acorrentamento das manifestantes. A emancipação limitada foi finalmente alcançada em 1918, quando foi permitido o voto às mulheres com mais de trinta anos, em parte devido ao impacto da Primeira Guerra Mundial. No entanto, o movimento das sufragistas desempenhou um papel significativo na mudança da lei injusta que impedia as mulheres de participar em eleições supostamente democráticas.
            Mahatma Gandi e Martin Luther King foram ambos defensores apaixonados da desobediência civil. Gandi influenciou decisivamente a independência indiana através do protesto ilegal não violento, que acabou por conduzir ao fim da soberania britânica na Índia; o desafio de Martin Luther King ao preconceito racial através de métodos análogos ajudou a garantir direitos civis básicos para os negros americanos nos Estados americanos do sul.
            Outro exemplo de desobediência civil está patente na recusa, por alguns americanos, de participar na Guerra do Vietname, apesar de serem requisitados pelo governo. Alguns americanos justificaram esta atitude afirmando acreditar que matar é moralmente errado, pensando por isso que era mais importante violar a lei do que lutar e possivelmente matar outros seres humanos. Outros havia que não objectavam a todas as guerras, mas sentiam que a guerra no Vietname era injusta e que sujeitava os civis a grandes riscos, sem nenhuma boa razão. A dimensão da oposição à guerra no Vietname acabou por conduzir os Estados Unidos à retirada. Sem dúvida que a violação pública da lei alimentou esta oposição.
            A desobediência civil corresponde a uma tradição de violação não violenta e pública da lei, concebida para chamar a atenção para leis ou políticas injustas. Os que agem nesta tradição de desobediência civil não violam a lei unicamente para seu benefício pessoal; fazem-no para chamar a atenção para uma lei injusta ou uma política moralmente objectável e para publicitar ao máximo a sua causa. Por isso é que estes protestos ocorrem habitualmente em lugares públicos, de preferência na presença de jornalistas, fotógrafos e câmaras de televisão. Por exemplo, um americano chamado para a guerra que deitasse fora a sua convocatória durante a Guerra do Vietname, escondendo-se de seguida do exército só por ter medo de ir para a guerra e por não querer morrer, não estaria a executar um acto de desobediência civil. Seria um acto de auto-preservação. Se agisse da mesma maneira, não por causa da sua segurança pessoal, mas por motivos morais, mas que no entanto o fizesse em segredo, não tornando público este caso de nenhuma forma, continuaria a não poder considerar-se um acto de desobediência civil. Pelo contrário, outro americano convocado para a guerra que queimasse a sua convocatória em público perante câmaras da televisão, comunicando ao mesmo tempo à imprensa as razões que o levavam a pensar que o envolvimento americano no Vietname era imoral, estaria a cometer um acto de desobediência civil.
            O objectivo da desobediência civil é, em última análise, mudar leis e políticas particulares e não arruinar completamente o Estado de Direito. Os que agem na tradição da desobediência civil evitam geralmente todos os tipos de violência, não apenas porque pode arruinar a sua causa ao encorajar a retaliação, conduzindo assim a um agravamento do conflito, mas sobretudo porque a sua justificação para violar a lei é moral, e a maior parte dos princípios morais só permite que se prejudique outras pessoas em situações extremas, tal como quando somos atacados e temos de nos defender.
            Os terroristas ou os combatentes pela liberdade (a maneira como lhes chamamos depende da simpatia que temos pelos seus objectivos), usam actos violentos com fins políticos. Tal como os que enveredam por actos de desobediência civil, também eles desejam mudar o estado de coisas existente, não para benefícios privados, mas para o bem geral, tal como este é por eles concebido; mas diferem nos métodos que estão preparados para usar para originar a mudança desejada.

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia Mundial da Filosofia

Por ocasião do Dia Mundial da Filosofia, Aires Almeida publica aqui um texto que ao mesmo tempo que homenageia o colega Rui Daniel Cunha, apresenta um bom lote de boas ideias.

sábado, 6 de novembro de 2010

Thomas Mautner agora em Português

Já usava a edição original da Penguin do Dicionário de Filosofia de Thomas Mautner. Sempre o preferi ao do Simon Blackburne. Adquiri hoje a nova edição portuguesa das Edições 70. Tem a vantagem de ter mais alguns artigos da responsabilidade do editor luso, mais uns upgrades especialmente úteis para quem quer fazer trabalho académico. A encadernação é de luxo e vale bem o preço cobrado. Já tínhamos disponível uma boa edição do dicionário de Simon Blackburn, ainda que esteja quase esgotada no mercado. Uma boa e sugestiva ferramenta. Mais informações AQUI.