quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O conhecimento como relação entre um sujeito e um objeto

A percepção é o modo como tomamos consciência dos objectos, em especial daquilo que nos é dado pelos sentidos. A pergunta que muitos filósofos colocam acerca da percepção é a seguinte: será que o facto de percepcionarmos objectos é suficiente para justificar a existência desses objectos fora da nossa consciência? A distinção entre aparência e realidade parece indicar que há diferença entre aquilo que as coisas são e a maneira como tomamos consciência delas, isto é, a maneira como as percepcionamos. O modo como funciona a percepção dá lugar a grandes disputas filosóficas e é um tema central nas discussões acerca da natureza do conhecimento. Há três grandes teorias da percepção, com diferentes implicações em termos epistemológicos: o realismo directo, o realismo representativo e o idealismoVer também realismo crítico e realismo ingénuo. (Aires Almeida)"

in. DEFnarede

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Reler Hilary Putnam

Hilary Putnam deve ser dos filósofos, senão mesmo o filósofo de expressão em língua inglesa da segunda metade do século xx, mais amplamente traduzido para português. Possivelmente por ser um caso isolado em matéria de tradução, e não fazendo escola a tradução de livros dos seus pares, muitas das vezes os conceitos são mal traduzidos, o que acaba por confundir não só a compreensão como também o estilo do próprio autor. Seja como for, num país com uma escala filosófica bastante reduzida (pelo menos antes da internet, já que uma boa parte destas traduções é anterior ao acesso generalizado á rede e ao consumo online) é salutar ter acesso na nossa língua a uma variedade considerável de livros de Putnam. Eles aparecem por via da publicação de diferentes editoras.

A produção de Putnam foi enormíssima com contributos para diferentes áreas da filosofia. É difícil delimitar uma área de maior intervenção, muito embora o maior conjunto dos seus trabalhos sejam nas áreas da filosofia da mente, ação, epistemologia e metafísica. Sempre foi um filósofo que produziu muito e mudou muitas vezes de argumentos e interesse. Deixo aqui a referência a algumas das traduções que ainda se encontram à venda nas livrarias. E com algum esforço ainda se encontram as traduções da D. Quixote, já dos anos 90 do século xx. 





domingo, 8 de janeiro de 2017

Bibliografia breve da identidade


Este mês ficou marcado na filosofia com o desaparecimento de Derek Parfit, o filósofo inglês. No meu tempo de Universidade nunca ouvi falar em tal nome. Conheci-o muito mais tarde e ainda só o conheço quase por referências indiretas. A vida de um professor de secundário dificilmente se compatibiliza com o estudo aturado de um só autor ou problema. Além disso há poucas traduções de Parfit em português. Assim, só se fica a saber que que se trata de um influente filósofo, mas sem perceber muito bem por quê. Bem, para o mero curioso não profissional da filosofia, talvez isso seja suficiente. Eu também não percebo a relevância de todas as teorias científicas que vou aprendendo, mas começo por aceitar alguma autoridade dos autores de bons livros de divulgação. Para colmatar essa lacuna e investir um pouco mais, vou aqui resumir uma pequena bibliografia para que se compreenda um pouco melhor um problema do qual Parfit se ocupou e avançou novos argumentos. Estou a falar do problema da identidade pessoal. Melhor que as minhas palavras é ler alguma coisa e ficar mais informado. Assim, e do que está disponível em português:

James Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva, Trad. Pedro Galvão. Todo o capítulo 5 é dedicado ao problema e segue de perto o seminal Reasons and persons de Derek Parfit. Melhor e mais clara introdução que esta, em língua portuguesa, não conheço.

Earl Conee e Theodore Sider, Enigmas da Existência, Uma visita guiada à metafísica, Bizâncio, Trad. Vítor Guerreiro. O capítulo 1 é uma boa introdução ao problema. A par com a de James Rachels forma o melhor duo em língua portuguesa para começar a matutar no problema.

Pedro Galvão fez-nos o favor de traduzir o primeiro artigo de Parfit sobre o problema da identidade pessoal, que podemos encontrar aqui: TRADUÇÃO


Existe um excerto muito interessante para ler na Crítica traduzido por Galvão, de Reasons and Persons, AQUI

E temos aqui este vídeo que está muito divertido e claro. Basta acionar as legendas. Não são muito boas, mas entende-se mais ou menos sem atropelos:


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Editora Piaget com Grandes Noções da Filosofia

Se há dado que temos consumado é a divisão da filosofia a partir dos finais do século xix naquela que ficou entretanto conhecida por filosofia analítica por oposição à chamada filosofia continental. Não interessa aqui entrar de novo nesse debate já muito escrutinado. Se aplicássemos aqui vagamente as ideias de Kuhn relativamente à história da ciência, diríamos que provavelmente a filosofia atravessa a fase da “guerra” de paradigmas. Isto vem ao caso porque em regra esta divisão também acaba por se refletir e muito quando pegamos em livros de caráter mais geral, como dicionários, histórias da filosofia, etc… arrisco a afirmar que hoje em dia essas obras quando chegadas da tradição analítica falham menos que as da tradição continental. Isto é, as da tradição analítica são mais abrangentes. E a isto não está alheio o sucesso em matéria de investigação, se quisermos, do seu “paradigma”, para abusar dos termos de Kuhn. Este mote serve para a minha pequena apresentação deste extenso volume publicado pela Piaget no ano de 2003 e sendo o original em francês do ano anterior. Independentemente do conteúdo que não me é possível comentar de todo (é uma obra de consulta com mais de 1200 páginas na edição portuguesa), vale a pena apresentar em algumas palavras a sua organização.  Assim, para começar, as grandes noções mencionadas no título da obra, são as clássicas: consciência, direito, estado, história, imaginação, tempo, ciência, moral, metafísica, arte, linguagem, etc.. Cada tema corresponde a um capítulo e cada capítulo está organizado não só com a habitual exploração do subtema, como com os textos clássicos comentados. Para quem, como eu, está já acostumado com o modo de fazer filosofia da tradição analítica, não espere destes textos a clareza de exploração dos problemas no sistema de: problema, teorias, argumentos, objeções. Nem espere grandes análises aos problemas pelo binóculo da lógica. Não se segue daí, com efeito, que os textos fossem escritos por uma quantidade de discípulos de Nietzsche recorrendo a uma linguagem demasiado fechada e hermética. Aliás, por sinal, isto também acontece não raras vezes com filósofos da tradição analítica. Embora seja evidente que prezam muito mais a clareza da exposição nem todos, ainda assim, o conseguem fazer devido mais ao estilo da escrita do que à confusão argumentativa.

E a quem interessa este livro?
A todos, menos àqueles cujo contato com a filosofia passa apenas por uma ou duas pequenas introduções, já que no mercado português existe essa oferta.

Uma nota final
Pese embora o que comecei por esboçar neste pequeno texto de apresentação, não se pense que os autores presentes nesta coletânea revelam uma qualquer postura de ignorância relativamente aos cozinhados da tradição analítica. Nem pensar. Como se revela na leitura de pelo menos alguns dos artigos, são autores informados. Mas ao mesmo tempo é bem verdade que apenas pontualmente alguns estudos mais recentes sobre os problemas analisados são citados. E, na minha opinião, deviam ter maior lugar de destaque. Não dou aqui qualquer exemplo específico, já que esta circunstância está presente em todos os capítulos do livro. Alem de que as bibliografias citadas revelam esse mesmo esquecimento que, na minha opinião, empobrece a exploração dos problemas.

A edição portuguesa é de capa dura e num formato físico muito resistente. O que favorece a obra. Um belo livro de filosofia, portanto. 
Agradeço ao editor o envio desta obra para análise e opinião.


Autores Vários, As Grandes Noçõesda Filosofia, Ed Piaget, 2003, Tradução de Ana Rabaça, Coleção Pensamento e Filosofia (Direção de António Oliveira Cruz) 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Qual a diferença entre determinismo moderado (compatibilismo) e libertismo?

A diferença explica-se pelo critério da liberdade de escolha (condição do livre arbítrio)

Teoria
Critério diferenciador
Incompatibilista





Libertismo



Ausência de causalidade. O determinismo causal não se aplica à nossa capacidade de escolha
Compatibilista


Determinismo moderado
Ausência de coação, mas não de causalidade. As nossas ações estão causalmente determinadas, mas desde que não exista coação, doença ou qualquer tipo de controlo artificial, ainda assim temos capacidade de escolha.