terça-feira, 24 de março de 2015

O que o dinheiro não pode comprar, Michael Sandel


Acabo de saber que está publicado pela Presença o livro do filósofo político de Harvard, Michael Sandel, O que o dinheiro não pode comprar. Mais uma leitura a seguir com atenção para quem se interessa por estes problemas da filosofia política. Recordo que pela mesma editora temos já publicado o excelente Justiça


Devemos recompensar monetariamente as crianças por lerem livros ou terem boas notas? Deveremos permitir que as empresas paguem para obterem o direito de poluírem a atmosfera? É ético aceitar ser pago para tatuar o nosso corpo com mensagens publicitárias?

Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido. Nas últimas décadas, os valores do mercado infiltraram-se em quase todos os aspetos da nossa vida - saúde, educação, justiça, governo e até família -, e deixámos de ter uma economia de mercado para passarmos a ter uma sociedade de mercado. Mas que preço pagamos por vivermos numa sociedade em que tudo está à venda? 

Em O Que o Dinheiro Não Pode Comprar, o autor procura lançar o debate, de forma a repensar o papel e o alcance dos mercados nas nossas práticas sociais, nas relações humanas e na vida quotidiana. E, acima de tudo, Michael J.Sandel procura responder à questão fundamental: como podemos proteger aquilo que é verdadeiramente importante?

Alegoria da caverna, Platão

A alegoria da caverna é uma experiência de pensamento criada por Platão no livro A República (cap.vii) e tem servido para pensar vários problemas, desde epistemológicos a metafísicos ou políticos. Vale a pena ver este pequeno vídeo. 

terça-feira, 17 de março de 2015

Filosofia da Música na Gonçalves Zarco

Hoje estive na minha antiga escola, a Gonçalves Zarco, na cidade do Funchal, ilha da Madeira. Foi a convite (que agradeço) dos colegas de História, por ocasião da Semana da História da escola. Foi um prazer receber a visita de alguns colegas professores, assim como 2 turmas do 10º ano e mais uma do 12º. Os alunos intimidaram-se um pouco, talvez porque as teorias desta área lhes fosse inteiramente desconhecidas. Mesmo assim reagiram muito bem aos exemplos apresentados. Para mim foi uma oportunidade praticamente única de explorar a filosofia da música. Agradeço ao amigo Vitor Guerreiro* as inúmeras sugestões dadas. Foram sofisticadas, mas ajudaram-me a fazer uma boa síntese das teorias, apresentando-as com maior afinação. E, claro, foi um enorme gosto passar um pouco da manhã na companhia de funcionários, professores e alunos da Gonçalves Zarco. Obrigado a todos.

*organizador e tradutor do volume de textos publicado pela Dinalivro, Filosofia da Música (2014), que esteve na base da preparação desta sessão. 
Os sons de suporte passaram por Bach, Monteverdi, Pan Sonic, Naked City, John Cage, Capicua e Napalm Death. Em todos eles procuramos, de forma breve, analisar como se aplicam as teorias expostas. 




sexta-feira, 13 de março de 2015

Filosofia da Música, dia 17

Na próxima terça-feira, 9 horas, estarei na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Biblioteca, com algumas turmas do secundário, para expor e abordar alguns dos principais problemas da filosofia da música.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Revisão por pares

Não sei se é possível traduzir por “revisão por pares” a expressão em língua inglesa “peer review”. Para quem não sabe explico aqui rapidamente. Este processo, conhecido por revisão por pares (para todos os efeitos vou usar a expressão portuguesa), é o mais utilizado ao nível académico para aceitação de artigos. O autor submete o seu artigo a uma revista da especialidade. O artigo é anonimizado e depois é avaliado por especialistas da área que o aprovam ou rejeitam. Procura-se, deste modo, garantir rigor nas publicações e nas descobertas propostas pelos autores dos artigos. Como seria de esperar também este método de avaliação de artigos falha. E não falha somente em áreas como a filosofia. Em termos proporcionais, falha até muito mais em ciências como a matemática ou a física. É isso mesmo que nos revela Jorge Buescu no primeiro capítulo de Primos Gémeos, Triângulos Curvos e Outras Histórias da Matemática (Gradiva, 2014). O processo atinge dimensões astronómicas quando surgiu a internet. A internet democratiza o conhecimento, pois hoje em dia até numa universidade pobre se tem acesso aos melhores artigos científicos e filosóficos da atualidade. E com a expansão da internet os artigos passaram a estar disponíveis em modelo Open Access. Este modelo permite que os artigos estejam disponíveis de forma gratuita para que todos, mesmo aqueles que menos dinheiro têm, possam acedê-los. O problema é que alguém tem de os pagar. Então quem os paga? Os autores ou as instituições que os representam. Um autor para publicar um artigo numa revista da especialidade pode chegar a pagar milhares de euros. Repare-se que são especialistas que vão ter de ler aturadamente o artigo. O reverso do modelo são as revistas predadoras que procuram apenas extorquir dinheiro aos autores.
O mais interessante em todo este processo é que na filosofia as coisas não são diferentes do que se passa, por exemplo, na matemática. As revistas predadoras de OA abriram portas a toneladas de artigos que não passa de lixo científico. E isto na matemática. Ou seja, onde pensamos que o crivo do rigor é exímio é ao mesmo tempo onde há mais charlatanice. Dá que pensar?

Jorge Buescu é um matemático português e com vários livros publicados entre os quais parte são de divulgação científica. 
O filósofo inglês Nigel Warburton defende neste pequeno texto que é preferível um editor competente a um peer review incompetente. Não me parece de todo convincente pois num caso e no outro (editor ou peer review) o que se pretende é a competência e charlatanice na era da internet é coisa que não falta pelos mais variados motivos sendo que os ligados ao lucro fácil são aqueles que alcançam maior expressão. 
Em Portugal a publicação em filosofia com maior expressão em sistema de OA é a Disputatio, International Journal of Philosophy, publicada pelo LanCog

Um dos testes interessantes a aplicar nestas revistas em sistema OA é replicar o caso Bricmont, Sokal, tão bem exposto em Imposturas Intelectuais. Consiste em enviar textos para estas revistas, com erros grosseiros propositados e sujeitá-los à avaliação por pares. Jorge Buescu retrata bem esta situação e experiência no livro. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Olimpíadas de Filosofia 2015 - O cartaz


Ensinar filosofia? O que dizem os filósofos.

Acaba de me chegar mais um volume publicado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com o título Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos, coordenado por Maria Vaz Pinto e Maria Luísa Ferreira. O volume está organizado por filósofos de todas as épocas, desde Platão, Derrida ou Searle. Cada autor contribui com um texto de um filósofo e a devida contextualização. O volume é interessante pois confronta posições muito diversas sobre o ensino da filosofia. Pode ser encomendado no próprio centro que o publica ou diretamente na livraria do centro, em Lisboa. Especialmente interessante para professores de filosofia do ensino secundário.

“A obra Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos integra-se no Projecto O Ensino / Aprendizagem da Filosofia(PTDC/FIL-FIL/102893/2008) coordenado por Maria Luísa Ribeiro Ferreira, em que participam investigadores de várias nacionalidades, abrangendo quatro áreas principais, com objectivos distintos: 1. A Didáctica da Filosofia: a filosofia ensina-se e aprende-se. 2. O que os filósofos pensaram sobre o ensino da Filosofia. 3. Os programas de Filosofia em Portugal. 4. Novas metodologias do ensino da Filosofia.  Relativamente à área temática - a Didáctica da Filosofia -, foi publicado Ensinar e Aprender Filosofia num Mundo em Rede (Lisboa, CFUL, 2012), que reúne um conjunto de textos elaborados quer por membros do Projecto quer por especialistas convidados. Este primeiro volume centra-se sobre questões fulcrais da didáctica da Filosofia e sobre a especificidade da mesma, abrindo-se de modo particular à discussão de novas metodologias acessíveis ao ensino / aprendizagem da filosofia na era digital. O presente livro - Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos - é coordenado por Maria José Vaz Pinto e Maria Luísa Ribeiro Ferreira. Recorrendo a diferentes pensadores e pensadoras ao longo dos tempos, é seu objectivo mostrar que o ensino da filosofia é um problema eminentemente filosófico.”


Mais informações, clicar na imagem do livro. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Aborto, eutanásia e direitos morais dos animais: ética com razões

O problema moral do aborto, da eutanásia e dos direitos dos animais são os três tópicos principais abordados neste novo livro de Pedro Galvão. É claramente um livro de autor e não uma mera exposição introdutória aos problemas uma vez que, nele, o autor defende as suas próprias posições filosóficas sobre cada um dos problemas. Mas ao mesmo tempo é uma bem-vinda introdução a estes problemas, já que está escrito de forma clara e acessível ao leitor comum não especialista nos assuntos. Para além disso custa pouco mais que 3€. Não há desculpas para não estarmos um pouco mais informados sobre estes problemas que afetam de forma direta as nossas escolhas éticas. De salientar que nenhuma defesa própria do autor exclui a apresentação das teses contrárias deixando desse modo a liberdade ao leitor de poder pensar pela sua própria cabeça. E quando assim é, estamos perante um belo livro de filosofia e ética aplicada. De destacar também que a leitura deste livro de menos de 100 páginas permite ao leitor acompanhar a discussão mais atual na literatura filosófica sobre os problemas nele abordados.
A edição é da FFMS, Fundação Francisco Manuel dos Santos. Pode ser adquirida na cadeia de supermercados Pingo Doce ou encomendada diretamente no site da fundação com portes pagos. Também se encontra nas livrarias habituais. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Mais uma tradução de Simon Blackburn

Uma nova tradução de Simon Blackburn acaba de ser publicada em Portugal. Trata-se de Vaidade e Ganância no século xxi, Os usos e abusos do amor-próprio. A edição é da Temas & Debates.
Para já aqui fica a sinopse do livro:

Toda a gente odeia o narcisismo, especialmente nos outros. O vaidoso pode mostrar-se aborrecido ou absurdo, e ofende o próximo sem se aperceber disso ou, pelo contrário, orgulhosamente consciente do seu comportamento. Mas serão o narcisismo e a vaidade realmente tão maus como parecem? Neste livro, Simon Blackburn defende que o narcisismo, a vaidade, o orgulho e o amor-próprio são mais complexos do que aparentam e possuem inúmeras facetas boas e más. Baseando-se na filosofia, psicologia, literatura, história e cultura popular, Blackburn propõe uma análise do amor-próprio, desde o mito de Narciso e da narrativa cristã da expulsão do Éden até à atual indústria do amor-próprio. Em última análise, mostra porque é o amor-próprio uma parte necessária e saudável da nossa vida. Mas também sugere que perdemos a capacidade de distinguir entre - e, pior do que isso, de equilibrar - as boas e as más formas de amor-próprio.



De Simon Blackburn temos já publicadas em Portugal duas obras com muito interesse para o ensino da filosofia. Ambas publicadas pela Gradiva, são elas Pense, Um Introdução á Filosofia e o Dicionário de Filosofia, da coleção Filosofia Aberta.
Mais informações sobre este filósofo AQUI

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Filosofia no jornal Público

Na edição de hoje do jornal Público foi publicado um interessante artigo sobre os resultados do exame nacional de filosofia, para o qual dei um contributo. 



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Ensino Público da Filosofia em Livro

Especialmente para professores, este volume é provavelmente o único documento compilado que temos sobre o ensino da filosofia em Portugal e a sua longa história até aos dias de hoje. A edição é do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e é indispensável para professores do ensino secundário. Pode ser adquirido diretamente na Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa ou então encomendar no site do Centro, AQUI.


Revista Ágora na III Semana da Filosofia

Hoje à tarde, na Escola Secundária Jaime Moniz foi apresentada publicamente a revista Ágora, da responsabilidade do professor João Meneses. Presto aqui uma pequena homenagem a estas duas excelentes alunas que tive o ano passado, Catarina Gouveia e Nina Blakeway. Fizeram uma simples e bonita apresentação dos ensaios que publicaram na revista. É assim mesmo. Este dar voz aos alunos nas escolas faz cada vez mais sentido.