quinta-feira, 23 de julho de 2015

Exame de Filosofia e Ensino da Filosofia

Não sou da opinião que o trabalho de um professor esteja relacionado diretamente com os resultados nos exames que os alunos fazem. Há muitas variáveis a ter em conta e muitas das vezes essas variáveis tem um peso demasiado grande nos resultados de exame. Mas sou da opinião que qualquer professor responsável (e há muitos, felizmente) trabalha no sentido de que os seus alunos sejam capazes de realizarem provas externas com êxito. E concordo que esse deva ser um objetivo dos professores. Também não me alarmo com diferenças entre classificações externas e internas. Só no 10º ano, por exemplo, muitas das vezes as classificações no domínio cognitivo não ultrapassam os 70%, ficando para a avaliação cerca de 3 ou 4 valores para outras variáveis que pouco tem que ver com a classificação de exame, embora um aluno que tenha classificação elevada em todas elas seja, em regra, um aluno que tem boa classificação em exame. E também não estou de acordo com os professores que apenas fazem publicidade dos seus êxitos. Mesmo os professores muito bons (e ser muito bom professor, muitas vezes – senão na maioria delas – é estar integrado num bom contexto de trabalho) têm os seus fracassos e todos eles têm alunos que fracassam nos exames e outros até, menos raro talvez, que têm melhores classificações nos exames do que nas classificações internas. No meio de tanta defesa minha (risos) também defendo que devemos ser vaidosos dos bons resultados, tanto professores como alunos. Nestes últimos anos tenho trabalhado com alunos do 10º ano. Em todos eles tive alunos que obtiveram classificações em exame de 17, 18 e 19, classificações muito acima da média. Dos casos que conheço, avaliei estes alunos com médias internas elevadas e o seu desempenho em avaliações externas não desapontou o desempenho na interna. E ainda bem. Fico feliz por isso. No manual do qual sou co-autor, Como Pensar Tudo Isto? (Sebenta, 2014) incluimos na Sebenta do Aluno, dois exemplos de ensaios argumentativos de dois alunos. Estes dois alunos, mesmo não sendo alunos do curso de humanidades, realizaram o exame de filosofia. E ambos obtiveram classificação de 19. Ambos tinham tido classificação de 19 quando fui professor deles. E mantiveram-nas no 11º ano, com outro professor, colega da escola. 
Na escola onde leciono há outros professores com resultados muito semelhantes. Para mim é um bom sinal para continuar a motivar e estimular alunos para o exame nacional de filosofia. Um aluno se sentir confiança no que aprende, decide fazer o exame.

Estou confiante que pelo país fora, há centenas de professores de filosofia com estas experiências. E por isso mesmo, interessa-me mais saber destas experiências e divulga-las do que propriamente passar o óbito à disciplina de filosofia, sem que ele ainda tenha sequer acontecido. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Livros Novos

Este mês saíram no mercado português duas traduções com interesse.



Stewart Shapiro, Filosofia da Matemática, Ed 70, Trad. Augusto J. Franco Oliveira

"Este é um livro de filosofia, sobre matemática. Há, primeiro, questões de metafísica: de que trata a matemática? Tem um conteúdo? Qual é esse conteúdo? O que são números, conjuntos, pontos, linhas, funções, e por aí adiante? E depois há questões semânticas: o que significam as proposições matemáticas? Qual a natureza da verdade matemática? E de epistemologia: como se conhece a matemática? Qual a sua metodologia? Está envolvida a observação, ou trata-se de um exercício puramente mental? Como são adjudicadas as disputas entre matemáticos? O que é uma demonstração? As demonstrações são absolutamente certas, imunes à dúvida racional? O que é a lógica da matemática? Há verdades matemáticas incognoscíveis?
O filósofo da matemática tem de dizer algo sobre a própria matemática, algo sobre o matemático humano, e algo sobre o mundo onde a matemática é aplicada. Uma tarefa de vulto."



Nigel Warburton, Liberdade de Expressão, Uma Breve Introdução, Gradiva, Trad. Vitor Guerreiro
Um livro dezenas de vezes citado aqui no blogue.


"A liberdade de expressão deve ter limites ou, pelo contrário, ser total? Este é um livro essencial de análise dessa questão.

Acessível. Actual. Interessante. Esta obra analisa os principais argumentos a favor e contra o direito a manter a liberdade de expressão. «Desprezo o que dizes mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo.» A afirmação, atribuída a Voltaire, é frequentemente citada pelos defensores da liberdade de expressão. Porém, é difícil encontrar alguém preparado para defender toda a expressão em qualquer circunstância.

Num contexto em que cada vez mais o cidadão comum tem à sua disposição veículos de transmissão de opinião e de acesso à informação, este é um tema desafiante. Até onde pode ir a liberdade de expressão? Como se define? Será independente do contexto? O livro analisa temas que vão do Holocausto à pornografia. Apresentando argumentos filosóficos e casos de estudo actuais, combina áreas tradicionais de debate com novas áreas ou novos desafios à liberdade de expressão, decorrentes, por exemplo, da tecnologia digital e da internet. 

A liberdade de expressão é considerada um direito fundamental, estando no coração da democracia e sendo a sua protecção vista como marca das sociedades civilizadas. Mas o tema nada tem de simples. 
O autor analisa nesta obra importantes questões que a sociedade moderna enfrenta sobre o valor e os limites à liberdade de expressão. Onde deve ser desenhada a linha? O que veio a Internet mudar?
Este pequeno, mas entusiasmante livro, que às vezes assume um tom às vezes provocador, destina-se a um público vasto, onde se inserem leitores generalistas, mas também estudantes e professores, de filosofia e não só."

Ambos os textos de sinopse são retirados dos sites das editoras. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Exame Nacional de Filosofia 2015

Exame Nacional de Filosofia 2015



Critérios de correção

Uma nota para os meus alunos do 10º ano: podem tirar o exame e reparem como estão preparados para responder às questões das matérias referentes ao 10º ano. Não tenho uma bola mágica em casa para adivinhar, mas a última questão (em opção com a filosofia da arte) sobre a filosofia da religião é praticamente igual à questão de desenvolvimento que saiu no último teste que fizemos. Podem começar a praticar para o ano. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

10º 31, 33, 41, 43 e 20. Obrigado e boas férias a todos, miúdos e miúdas.

Mais um ano letivo termina e como tem sido hábito neste blogue faço publicação da foto de cada uma das turmas que comigo trabalharam e se iniciaram no estudo da filosofia. Foram praticamente 9 meses de trabalho. Os filósofos gregos chamaram “maiêutica” a este processo de fazer parir ideias a partir da arte do diálogo e das técnicas da argumentação. E nem de propósito foram 9 meses, exatamente o tempo de gestação para um ser humano até ao nascimento. Espero que a vossa curiosidade tenha despertado com a ajuda da filosofia. Foi um gosto enorme ter a vossa companhia. E obrigado, pois neste trabalho de partilhar o conhecimento e educar, Gratidão é a palavra mais certa.  Vou acrescentando fotos de todas as turmas até ao final da semana.




O 10º 41 (a minha Direção de Turma)




O 10º31, futuros economistas e com grande pinta para a argumentação. 



O 10º43, a irradiar simpatia. Faltaram muitos nesta foto :(


10º20, os artistas (curso de Artes)


10º 33, mais meninos e meninos para preparar a economia futura :)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ética com razões em debate

O livro "Ética com Razões", de Pedro Galvão, esteve em debate com a presença do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada. Foram debatidos os principais problemas abordados no livro: aborto, eutanásia e direitos dos animais.


Aqui pode-se ver sobre o problema das touradas:


Pedro Galvão é professor de ética na Faculdade de Filosofia da Universidade de Lisboa e autor de vários livros, além de tradutor de muitos outros. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ferramentas para exame de filosofia 2015

A primeira tarefa é ler as informações para exame (clicar para aceder), principalmente os conteúdos que são testados (páginas 2 a 7) e as competências correspondentes (páginas 1 e 2).
Em cada um dos anos a que se refere este exame existem conteúdos de opção. Assim, no 10º ano, estudam somente ou a dimensão dos valores religiosos ou estéticos. E no 11º ano ano, estudam ou a lógica Aristotélica ou a proposicional. Estas matérias aparecem sempre no exame como opção, pelo que não vale a pena estudar exaustivamente as duas.
A maioria dos manuais de filosofia oferece aos estudantes resumos das matérias de ambos os anos e muitas escolas têm já a prática de disponibilizar apoios para exames. A melhor estratégia é aproveitar esses apoios principalmente para dúvidas de matérias que não ficaram bem aprendidas.
Finalmente convém ficar familiarizado com o exame de filosofia. O IAVE (instituto tutelado pelo Ministério da Educação e responsável pelas provas de exame) disponibiliza vários exames (clicar aqui).

Para se obter boa classificação a fórmula não tem segredos: estudar e uma boa dose de motivação e confiança. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Compêndio em linha de Problemas de Filosofia Analítica

O Compêndio Em Linha de Problemas de Filosofia Analítica é um volume, em língua portuguesa e de acesso inteiramente livre, que consiste em ensaios especializados sobre questões e problemas pertencentes a um conjunto de áreas nucleares da Filosofia Analítica contemporânea. Num primeiro momento, a ênfase é colocada em áreas que tratam da natureza da linguagem, mente e cognição. O volume está organizado em torno de três grandes domínios:
  • Lógica e Linguagem, incluindo a Filosofia da Linguagem, a Lógica Filosófica, a Filosofia da Matemática, etc.
  • Mente e Cognição, incluindo a Epistemologia, a Filosofia da Mente, os Fundamentos da Ciência Cognitiva, etc.
  • Metafísica, incluindo a Ontologia, a Filosofia da Ciência, etc
Os artigos do Compêndio em Linha são ensaios de estado da arte sobre tópicos salientes na reflexão e investigação filosófica actuais. Tipicamente, cada artigo formula e caracteriza um tópico segundo o estado corrente da sua discussão, introduz as concepções principais e os argumentos associados acerca do tópico e examina criticamente os prós e os contras de cada uma dessas concepções e argumentos.
O volume é uma colecção do Repositório da ULisboa: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/15845
Novo site AQUI

Aristóteles em português

Um grupo de estudiosos da obra de Aristóteles tem traduzido e disponibilizado para o português, com traduções de qualidade, um conjunto muito interessante das suas obras. Este é mais um volume que apresentamos. As traduções são coordenadas por António Pedro Mesquista, professor de filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. As traduções entretanto lançadas podem ser descarregadas no site dedicado ao projeto, AQUI.


sábado, 9 de maio de 2015

Medo do conhecimento

O relativismo pós moderno invadiu a cultura e os departamentos universitários. A ideia base (grosso modo) consiste em presumir que qualquer ideia é verdadeira, dependendo dos contextos racionais nos quais ela se possa inscrever. Curiosamente a filosofia, pelo menos aquela que se tem praticado nos meios anglo-saxónicos e a que mais desenvolvimento filosófico tem proporcionado nas últimas décadas (por muito que isto desagrade aos mais conservadores), a filosofia analítica, tem resistido a esta investida relativista. É este debate que, de forma clara, este livro nos traz. Uma leitura que tem tanto de interessante como de relevante. Tem também a vantagem de explicar que o relativismo não é o que muitas vezes se fala, pelo menos o relativismo epistemológico.
Desengane-se quem pensar que vai encontrar neste livro um ataque pessoal a quem é relativista ou não pensa o mesmo que o autor do texto, como muitas vezes tem acontecido nas redes sociais e blogosfera. Trata-se de um texto adulto e maduro, como todos os bons textos, onde o interesse é discutir ideias e não perfis pessoais dos seus autores. O autor agradece cuidadosamente a quem, como Rorty, foi capaz de despertar o interesse para a discussão de alguns argumentos. Numa discussão com interesse intelectual é perfeitamente natural que se aprecie o argumento X sem, com efeito, ter de concordar com a conclusão. Alguém pode discordar das conclusões dos argumentos de Plantinga ou Swinburne (também com um livro incluído nesta coleção) sem, no entanto, deixar de apreciar a sofisticação dos seus argumentos. Logo, quem espera deste livro um “dizer mal de x”, mais vale procurar informação em outros livros que não este. Aqui apresenta-se uma boa discussão, concorde-se ou não com as conclusões.
Mais informações AQUI. A edição é de Abril de 2015. 

Boa leitura

sexta-feira, 1 de maio de 2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Ética na Escola Gonçalves Zarco

Falamos de ética, reflexão ética, cultura e valores. E também falamos da relação do pensamento crítico e da forma como podemos organizar um raciocínio moral. Oferecemos exemplos e contamos histórias para tentar mostrar como alguns argumentos funcionam. Agradeço aos colegas da Escola Gonçalves Zarco, Funchal e ao Dr. Rui Caetano, Presidente do Conselho Executivo por nos abrir as portas para este final de tarde. E agradeço a todos os professores presentes. A aluna Rufina Freitas, do 11º ano da Escola Jaime Moniz apresentou uma história com bons resultados. Obrigado também à Rufina por ter aceite o meu desafio, mesmo nesta altura de estudo intenso para os últimos testes e exames que se avizinham. Ficam as fotos de registo e o elenco das matérias. 





Parte I – teoria
1. O que é a ética?
2. As áreas da ética
3. Ética, argumentação e pensamento crítico
4. O que é que a ética pode ensinar aos professores?
Parte II – Aplicação prática
1. Viver com o erro
2. Pensar como um freak:
a. Steve jobs e «conecting dots»
b. José Mourinho e a confiança
c. O que é que Steve Jobs e o José Mourinho podem ensinar aos professores?
d. Crime e castigo: um exemplo prático.
Parte III – o eu e os outros
1. Pais e comunidade
2. Colegas
3. Alunos
4. Instituição, leis e regulamentos

domingo, 26 de abril de 2015

Filosofia da música no Questões Básicas

No passado mês pela primeira vez abordei publicamente – e para alunos do secundário – alguns problemas da música tratados pela filosofia. De todas as intervenções fora de aula que fiz confesso que foi a que mais me desafiou, pois desconheço literatura desta área destinada a adolescentes. Foi um trabalho de simplificação que sacrificou alguns aspetos. Na minha abordagem mais que expor os argumentos, procurei mostrar quais os problemas e como é que os mesmos surgem e se colocam. Neste texto de Aires Almeida, há mais algumas ideias interessantes e exploradas de modo claro que ajudam a levantar outros problemas, bem como algumas respostas, principalmente a de Jerrold Levinson. Vale a pena ler. É curto e claro.




“O que faz o cão desta famosa imagem diante do gramofone? Ouve música? Certamente que não, a não ser que seja um cão muito especial.”

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A ética e a arte de ensinar na Gonçalves Zarco - Funchal

No próximo dia 29, pelas 17 horas estarei na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Funchal, para uma atividade com professores abordando alguns tópicos que ajudem a refletir sobre ética e profissão docente. Deixo aqui o esboço do trabalho que tenho preparado, ainda sujeito a algumas revisões.





Parte I – teoria

1. O que é a ética?
2. As áreas da ética
3. Ética, argumentação e pensamento crítico
4. O que é que a ética pode ensinar aos professores?

Parte II – Aplicação prática

1. Viver com o erro
2. Pensar como um freak:
a. Steve jobs e «conecting dots»
b. José Mourinho e a confiança
c. O que é que Steve Jobs e o José Mourinho podem ensinar aos professores?
d. Crime e castigo: um exemplo prático.

Parte III – o eu e os outros

1. Pais e comunidade
2. Colegas
3. Alunos

4. Instituição, leis e regulamentos