quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Eutanásia, tipos

Por manifesta falta de tempo não tenho participado nos debates em redes sociais ou outros meios sobre o problema moral da eutanásia. Antes de tudo o problema da eutanásia não é político, nem legal, mas moral. Exatamente por ser um problema difícil é que não sabemos que legislação aplicar a um problema tão complexo. E como problema moral que é, deem lá as voltas que quiserem mas é, antes de tudo, um problema filosófico. Claro que isso não impede as pessoas de terem opiniões sobre o problema. Afinal de contas os problemas da filosofia são problemas fundamentais da existência e é natural que as pessoas tenham mais opiniões sobre problemas filosóficos do que sobre buracos negros, conexões neuronais ou teoremas matemáticos. Daí não se segue que não exista um debate na especialidade. Ele existe. E não é feito nem por políticos, nem opinion makers, nem grupos de direitos disto e deveres daquilo. É feito a alto nível, academicamente e por filósofos. Ora, se é certo que não os conseguimos acompanhar de todo (nem eu que tenho formação intermédia em filosofia), também é igualmente certo que é errado promover um debate no qual a especialidade é completamente posta de lado, que é o que me parece estar a acontecer em Portugal, como de resto já aconteceu com o problema moral do aborto no passado. Assim o debate fica morto logo à partida porque os protagonistas do mesmo não têm a verdade por horizonte, mas correspondem a grupos de interesse particulares. Na verdade não há debate algum. Há uma berraria e um medir de forças para ver quem no final sai vencedor. Isto não é minimamente didático nem ajuda absolutamente em nada as pessoas que não têm grande formação em filosofia e em filosofia moral a compreender o debate. Também não vou aqui explorar (falta de tempo, já disse, pois este problema exige bastante esforço de exposição e compreensão) todos os argumentos a favor e contra. Mas vou exibir um esquema que fiz, baseado no texto que deixo aqui neste link, que mostra que existem pelo menos 6 tipos distintos de eutanásia e que se partirmos para o debate (como acontece) sem fazer estas separações, acaba por ser uma conversa de surdos pois as pessoas no fundo estão a falar de coisas bastante distintas, apesar de aparentemente semelhantes. Claro que podemos ser contra todo e qualquer tipo de eutanásia. Ou a favor. Mas mesmo que a nossa posição seja essa (e quem conhece as separações dificilmente é contra todos os tipos ou a favor de todos os tipos), temos de partir para o debate com estas divisões bastante claras na nossa cabeça, pois elas envolvem juízos morais por vezes muito diversos. Espero deste modo dar um pequeno contributo para que o debate seja mais limpo e organizado. Até porque há tipos de eutanásia que já se praticam de algum modo. O texto do Link deve ser lido pois ajuda bastante e não é muito extenso. No FES, aqui neste link, tenho disponível uma pequena bibliografia que é bastante rica a debater posições por vezes bastante diversas, mas todas elas com algum aprofundamento.
(clicar na imagem para aumentar)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Começar o ano com sugestões

Chegamos aos anos 20. Saber se isso é ou não relevante é uma resposta que ainda vem longe. Mas nada melhor que construir os anos 20 com mais conhecimento e partilha. Para tal começo com uma referência de um blogue de ensino de colegas brasileiros e que tenho seguido desde há uns meses. A organização do espaço está entre um blogue e um site com aspeto bastante profissional. Chama-se Filosofia na Escola e além de discutir problemas filosóficos, são disponibilizados materiais de ensino e sugestões de aulas, assim como modelos e métodos de ensinar a pensar e ensinar filosofia. O site pode ser consultado AQUI
(Foto do site Filosofia na Escola)


Para arrancar o ano publiquei um texto no Pequenas Luzes sobre ciência, factos, conhecimento e pensamento mágico. Pode ser lido AQUI

domingo, 1 de dezembro de 2019

Formações em lógica e pensamento crítico para 2020 na ilha da Madeira

Para este ano letivo e o início do próximo (2020-21) conto realizar 3 ações de formação creditadas para a progressão na carreira docente. Uma das formações, promovida pelo Sindicato dos Professores da Madeira e a decorrer durante o segundo período, é a reedição da formação que já ministrei 3 vezes em lógica proposicional e consiste em dotar os docentes do grupo 410 para uma prática letiva mais eficientes com melhor preparação nos conteúdos das Aprendizagens Essenciais. Esta formação é ligeiramente diferente das edições anteriores, até porque tem mais tempo, tendo passado de 12 para 15 horas. Está para já agendada uma outra formação no final do ano letivo promovida pelo Centro de Formação da Escola Secundária Jaime Moniz, extensível a todos os grupos disciplinares, com a duração de 15 horas para trabalhar ferramentas de pensamento crítico e aprender como as operacionalizar em situação de sala de aula. Esta sessão será menos técnica que a de lógica, mas ainda assim incidirá em alguns conteúdos da lógica formal e informal. Ambas as formações constam dos planos de atividades tanto do Sindicato (no caso da lógica) e da Escola Jaime Moniz (no caso do PC)

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

João Magueijo, ciência e filosofia da ciência

Esta entrevista com o físico português João Magueijo é muito útil para lecionar filosofia da ciência no 11º ano. Na altura vi a entrevista na RTP. Enviei um email à RTP explicando que sou professor e que esta entrevista tinha interesse didáctico, só que o vídeo foi embutido no site da RTP e era impossível fazer o download, a menos que tivéssemos rede nas escolas, o que nem sempre acontece. Nunca recebi resposta e resolvi eu mesmo fazer o serviço público, com uma ad on pirata que me permite “sacar” vídeos lacrados a sites específicos. Hoje resolvi tornar este vídeo público. Tenho-o usado nas aulas com resultados sempre bons. 


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Como estudar para exame nacional de filosofia?

Muitos alunos perguntam-me qual o melhor livro para preparação para exame nacional de filosofia. E obviamente o melhor é o livro para esse efeito da Porto Editora de Pedro Galvão e António Lopes. Felizmente a edição foi ajustada às Aprendizagens Essenciais, o que continua a justificar a minha sugestão. 


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Uma questão sobre ensino da filosofia e avaliação

Muitas das questões sobre o ensino da disciplina de filosofia devem ser colocadas e partilhadas nas escolas e nos grupos disciplinares. Ainda assim gostaria de alargar o âmbito desta questão / problema e colocá-la à discussão pelo menos no facebook do blogue. Como sabemos muitos professores de filosofia tem de lecionar por vezes 5 ou 6 ou mais turmas. Isso implica ter mais de 100 alunos por ano. Se um teste tiver duas páginas implica ter de ler e corrigir mais de 200 páginas por teste. Ora isso dá uma média de 1000 páginas por ano para avaliar (mais ou menos 5 testes não contando aqui com trabalhos ou ensaios). A questão é como fazer isto com o mínimo de rigor? Uma ideia é tornar os testes mais pequenos. Mas testes mais pequenos exigem que algumas questões tenham uma distribuição pouco equitativa de cotação de todo o teste. Como é que fazem? Testes mais pequenos? Se são longos, como organizam o tempo para a sua correção? Da minha parte, com dificuldade, tenho feito testes cada vez mais pequenos ou com muitas questões mas de resposta mais curta. Nunca fui a favor que o grupo de escolha múltipla tenha mais de 0,5 valores para cada questão, mas parece que o último exame nacional pretendeu mudar essa tendência. Se desejarem responder façam-no no Facebook do blogue. Obrigado.  

Duas novidades em formato essencial

Duas novidades que certamente são de todo o interesse para a primeira unidade a ser lecionada no 10º ano, a Lógica e a Unidade, agora obrigatória, a ser lecionada no 11º ano, da filosofia da arte. Conheço já o primeiro, o do Desidério Murcho e o livro está recheado de explicações acessíveis, passo a passo e, muito importante até, exemplos a serem aplicados nas aulas. Brevemente tentarei falar mais destes dois úteis livros. Para além disso serão certamente livros acessíveis a quem quer que se interesse por estes temas. Quem conhece os autores sabe o que esperar: rigor e clareza.


domingo, 27 de outubro de 2019

Exame de Filosofia 2020

Na secção Exames (VER AQUI) já disponibilizei as Informações Exame de 2020. Este ano existe um documento geral que deve ser lido e um específico para o exame de filosofia. Com algum esforço pode-se especular que o Exame incidirá este ano nos conteúdos que se cruzam entre o programa da disciplina e as Aprendizagens Essenciais, ou seja, o mesmo é dizer, que apenas incidirá nos conteúdos das Aprendizagens Essenciais. Podia estar lá escrito diretamente que o exame seguirá as Aprendizagens Essenciais, mas nestes documentos, como de resto estamos habituados, existe sempre um pouco de barafunda e ruído. O mesmo que depois não queremos que os nossos estudantes exibam nas suas respostas no exame. Belo exemplo, diria! Mais uma vez se perde uma oportunidade para escrever documentos claros até porque eles são orientadores também para os alunos. Além disso a matriz deveria mencionar claramente quantos grupos constarão no exame e a cotação destinada a cada grupo. Assim continuaremos a trabalhar no jogo da adivinha e da lotaria.