quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Festival de Filosofia de Abrantes




A inteligência artificial, o trabalho e o humano:
 automação e organização do trabalho,
primado do instrumental vsdo humano

De 9 a 18 novembro de 2018

Com o alto patrocínio de sua excelência o Presidente da República 

Organização do Município de Abrantes, em parceria com o Clube de Filosofia de Abrantes, o Município de Mação, o Município de Sardoal, a Palha de Abrantes - Associação de Desenvolvimento Cultural e os Agrupamentos de Escolas dos Concelhos de Abrantes, Mação e Sardoal e a Fundação Serralves

Comunitarismo

O comunitarismo é uma teoria da filosofia política que agora aparece para lecionação como obrigatória em resposta ao liberalismo de John Rawls no 10º ano. E é uma teoria bem interessante. Existe um comunitarismo mais progressista e outro mais conservador. Como introdução geral e dado o escasso tempo para preparar as aulas, recomendo esta introdução do Dicionário de Filosofa Moral e  Política do Instituto de Filosofia e Linguagem da FCSH, UNL.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Olha! Afinal já não somos todos filósofos!

Algumas vezes pode não ser simples estabelecer uma barreira que nos diga quando é que se começa a ser cientista ou quando é que se começa a fazer filosofia. Mas do mesmo modo que ninguém se pode considerar a si mesmo matemático porque quando vai às compras faz contas de cabeça, também ninguém se deve considerar filósofo apenas porque escreveu duas linhas desarticuladas sobre problemas fundamentais da vida humana, como a morte, o sentido da existência ou a justiça. Infelizmente não é de todo incomum entrar numa livraria e ver livros de autoajuda no lugar da psicologia ou livros de religião e espiritualidades no lugar da filosofia. Isto é apenas querer vender o que uma população incauta e desinformada compra. Já me deparei, a este propósito, com situações caricatas, como a de entrar em casa de alguém que não leu mais do que 2 livros na vida e encontrar O Sentido na vida de Susan Wolf (Bizâncio, 2011) numa prateleira. Claro que a pessoa que o comprou não sabia o que estava a comprar, pois o livro devia estar à venda entre livros de autoajuda ou espiritualidades. Com efeito trata-se de um denso ensaio de filosofia e quem não tem uma preparação base não irá avançar mais que duas ou três páginas. E este ainda que denso não é dos tecnicamente mais sofisticados. Ocasionalmente revistas e jornais lançam coleções de clássicos da filosofia, mas tenho muitas dúvidas do êxito comercial de livros de David Hume, Kant ou mesmo Platão. Talvez eu esteja enganado. Era bom era. Mas penso que estas coleções são material barato que se lança para o mercado. A ideia não é vender um livro de David Hume, mas com ele vender outras publicações. 
Mas regressando à ideia inicial, não basta pensar para ser filósofo. Já vi uma vez uma profissional da filosofia explicar a miúdos adolescentes que filosofar é pensar. Ora se pensar é uma condição necessária à filosofia, também é à matemática ou à química ou à própria vida. O meu avô foi mineiro e não consta que não pensasse, mas nunca foi tido como filósofo. Vem isto a propósito que a imagem que o senso comum guarda do filósofo é mais ou menos aquela que guarda do cientista, um tipo meio louco com umas ideias muito malucas e muito à frente, que não servem para nada e que somente ele e uns ilustres compreendem. E, pior ainda, até nas academias há quem se sirva bem desta imagem e a use sistematicamente. Mas isto acontece em regra como forma de disfarçar a ignorância. Não que um filósofo não possa ser meio louco. Mas não é por ser filósofo que é meio louco pois isso sempre o seria mesmo sem ser filósofo. Recordo que pelo menos por duas vezes na vida me disseram que eu era uma pessoa de filosofia normal. Ora, pessoalmente nem gostei muito do normal, pois sempre achei que o normal não é nada de especial. Mas penso ter percebido a associação da filosofia e da normalidade pois são duas categorias que no senso comum não costumam encaixar bem. Isso não é culpa das pessoas que não têm formação alguma em filosofia. Na verdade a ideia do intelectual de esquerda pós moderno que fala de modo tão sofisticado que ninguém o entende foi muito bem divulgada entre nós, provavelmente influência dos pós modernos franceses. Assim é, para muitas pessoas, incluindo muitas de formação filosófica, muito difícil aceitar que se seja lúcido, claro, sem recorrer ao terrorismo verbal e ao mesmo tempo rigoroso e, ei lá, filósofo. Essa é, penso, uma das razões que incita tanto ódio à filosofia de expressão anglo saxónica, vulgo filosofia analítica. Nesta o filósofo deixou de ser um malabarista da linguagem, uma espécie de rebelde intelectual que ninguém entende muito bem mas toda a gente gosta de ouvir sem perceber o que ouve. Deixa de ser um teórico da desconstrução e da teoria sistemática da suspeita, para ser alguém que raciocina com clareza, que desmonta com clareza os argumentos, que os analisa com rigor e que é capaz de espremer a suposta filosofia pós moderna mostrando que dali não vai surgir sumo algum. A filosofia analítica aproxima não só a filosofia do seu lugar mais tradicional, mas devolve-lhe vitalidade e coloca-a de novo a par e par com a ciência sem contudo se confundir com essa. 
Sempre gostei muito do trabalho dos Gato Fedorento. Souberam como poucos apanhar estes tiques culturais e expressá-los através da sua arte, o humor. Por isso vale a pena rever como os Gato Fedorento caricaturaram exatamente isto que aqui abordei neste texto de opinião. 


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Alteração da data da formação em Lógica

A data de início da formação em lógica marcada para amanhã foi alterada para dia 26 à mesma hora. Assim mais colegas podem fazer a inscrição e planificar a sua agenda com maior antecedência. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Documento para os alunos estudarem lógica proposicional - Oferta

Escrevi este pequeno documento para os meus alunos estudarem a lógica proposicional. Disponibilizo-o aqui para quem quiser usar nas suas aulas, completamente gratuito. O documento é um work in progress pelo que ainda faltam exercícios e alguns afinamentos. Em todo o caso os exercícios podem ser feitos nas aulas, e o documento é a orientação de estudo em casa para os alunos. O documento pode ser acedido AQUI



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Será que há duas lógicas?

Já aqui teci nos posts anteriores algumas falhas das Aprendizagens Essenciais. Mas no essencial concordo com a grande mudança de fundo que é a lógica ser lecionada logo no 10º ano e apenas a proposicional. Claro que acho perfeitamente discutível a lecionação de alguns conteúdos e também penso que algumas estratégias deviam ter sido melhor pensadas. E claro que também me parece correta a ideia de que alguns “interesseiros” se metem ao barulho com outros interesses mais particulares. Não coloco nada disto em causa, razão pela qual já escrevi o que escrevi. No entanto a mudança de fundo é totalmente justa. Não fazia qualquer sentido ensinar a lógica no 11º ano, a meio do percurso de uma aprendizagem. Se a lógica é o método, então devemos começar por ensinar o método, o como fazer para depois então, fazer. Por muitas divisões que existam na filosofia, há também muitos pontos comuns. E um deles, diria até, o principal, é que a filosofia é uma disciplina que ensina os jovens alunos a pensar com clareza. Ora para o fazer a lógica é certamente o principal método. Ensinar os alunos a pensar é também ensiná-los a estruturar logicamente os seus argumentos. E aplicando a lógica é exatamente isso que conseguimos fazer ao longo de todo o programa. O aluno aprende a saber o que está a defender, quais as razões e aprende sobretudo a poder avaliar criticamente os seus argumentos e dos outros incluindo os dos filósofos. Saber se um argumento é válido ou não é um dos primeiros e mais elementares passos para essa avaliação crítica. Mas não vejo como é que isto se faz de modo eficaz sem conhecimentos básicos de lógica. 
Este pequeno apontamento serve para corrigir – espero eu – um pequeno erro. Pelo menos assim me parece. Como aparecia a lógica até aqui no 11º ano (sendo este o último ano que é lecionada desse modo e nesse ano) dava a ideia que existem duas lógicas e que tanto vale optar por uma como por outra. Isso é errado. Não existem duas lógicas. A lógica proposicional foi a evolução natural da aristotélica, ainda que tenha levado muitos séculos para que tal tivesse acontecido. Há certamente muitos aspetos da lógica aristotélica que são ainda usados e corretos (pelo menos até os lógicos avançarem com melhores estudos). Por isso o quadrado das oposições ainda é contemplado nas AE, uma vez que ainda é a melhor maneira de ensinar alguém a refutar determinado tipo de proposições. Mas a teoria do silogismo é bastante limitada para ensinar filosofia, tanto que após ter sido ensinada raramente se usam silogismos para explicar as matérias filosóficas. É por isso que a lógica que lida com proposições que não têm necessariamente de estar quantificadas se adapta a um leque mais abrangente de argumentos e daí que resulte bastante mais eficaz como método. Pensar que podemos sem consequências para um bom ensino optar pela lógica aristotélica ou proposicional soa, arrisco a dizer, como se fosse igual optar pela física de Newton ou de Einstein. Certamente a física de Newton tem ainda muitos aspetos relevantes para a física que se faz nos nossos dias, mas grande parte dos seus aspetos principais já foram avançados por Einstein e outros. Agora imagine-se que se ensina a física de Newton a uns alunos e a de Einstein a outros. Quem fica a ganhar? Creio que os segundos ficarão sempre com uma compreensão mais alargada da relatividade geral. Nem se trata da desvalorização de uma das teorias em proveito da outra nem de alguma teoria da conspiração. É a evolução natural do saber.   Se a ideia é avaliar as ideias de Newton, claro que vale a pena estudar apenas Newton. Mas isso acontece mais por interesse histórico do que científico, já que se queremos saber física e compreender os fenómenos físicos não podemos ficar com a teoria de Newton quando temos teorias mais avançadas e que nos facilitam a compreensão desses mesmos fenómenos. Ora, é qualquer coisa como isto que se passa com a lógica. Tal qual estava no programa era um erro e passava a falsa ideia de que ambas tinham o mesmo poder explicativo, quando não é verdade. 
Outra coisa diferente é não usar a lógica proposicional para ensinar os alunos a argumentar. Para quem não se sente treinado na lógica proposicional vai levar tempo até que consiga desmontar os argumentos e trabalhá-los com a lógica. E neste aspeto também faço as minhas críticas às AE e à forma como elas estão concebidas, pois as estratégias e os materiais para auxiliar a lecionação são ainda bastante deficientes. Mas ressalve-se a ideia de que é errado pensar que existem duas lógicas concorrentes que se trata apenas de uma questão de gosto do freguês.  

sábado, 8 de setembro de 2018

Bom ano letivo com mais mudanças

(foto da minha autoria)

Antes tudo o desejo de um bom ano letivo 2018-19 que agora se inicia. Este ano é – mais uma vez – de mudanças. Só que desta vez, como aqui já escrevi, as mudanças afetam a filosofia. Como também já matutei aqui algumas mudanças são bem vindas. Outras, cheiram a mais do mesmo e sobram, como quase sempre, problemas evitáveis para resolver. Se houve alguma urgência em alterar conteúdos programáticos – com alterações justas entre os conteúdos do 10º e 11º ano arrumando melhor a casa – já a operacionalização desses conteúdos fica a nadar num mar de dúvidas. Desde as articulações propostas entre conteúdos da filosofia e matemática A,  esquecendo que muitos alunos nem sequer têm a disciplina de matemática A, até formações pagas e com uma eficácia apenas regional, manuais que ficam parcialmente desatualizados a meio do percurso (provando talvez que os manuais são cada vez mais dispensáveis, menos para o seu próprio comércio) e sugestões para operacionalização dos conteúdos que conseguem tocar o extremo do vago para não dizer, do impraticável. A cereja no topo do bolo com um Ministério que consegue homologar tudo isto apenas a dias de início de ano letivo, com uma discussão praticamente inexistente.
Mas os problemas para resolver não se ficam por aqui. Outras questões de reorganização deixam muitas mais dúvidas no ar, a começar pelos tempos letivos da disciplina que ora são de aulas com 50 minutos, ora de 90 minutos, como se esta divisão de tempos em diferentes escolas fosse algo claro quando se tem por objetivo um exame com o mesmo tempo e conteúdos para todos. 
E também (como se não chegasse já) as questões profissionais dos professores. Parece que professores e governos insistem na ideia do que está em causa é o interesse central dos alunos. Da minha parte (e, já agora, da parte de todos) não teria interesse algum pelos alunos se além de os ensinar essa minha atividade não fosse remunerada, que é a principal compensação motivadora de qualquer profissão. E não há, creio, profissionais motivados num ambiente de permanente desconfiança, de perda de qualidade do trabalho que se faz, com escolas onde escasseiam as tecnologias que tanto se apregoam como um dos principais fatores do nervo de uma aula, formações adequadas que cheguem a todos com boas condições para serem realizadas e participadas, com pequenos grupos de interesse instalados que se aproveitam sistematicamente do contexto, com um eterno problema de estabilidade na colocação de professores, distribuição de serviço, com uma gritante falta de equidade dentro das escolas e ainda com um controlo mediático que lança a cada dia que passa a suspeita sobre os professores como se estes fossem a causa dos maus resultados quando acontecem e nunca a dos bons.   
Por fim, se os professores são competentes para organizar localmente as estratégias, não se percebe a insistência em impor nacionalmente os conteúdos. Isto soa a qualquer coisa como: podem abrir os restaurantes que quiserem, mas todos vão ter de servir bacalhau à Gomes de Sá porque eu sou o principal vendedor de bacalhau no país. Não se percebe de todo se os professores são produtores de conhecimento ou apenas consumidores de conhecimento. Se a definição é a de professores consumidores, então venha de lá o bacalhau e a receita. Se são produtores, então, por favor, venha de lá o incentivo a cada um formular a sua receita sem qualquer prejuízo de uma receita mais universal, mesmo acarretando todos os riscos que qualquer que seja a conceção acaba por implicar. Mas parece existir de muitos ventos resistências para que os professores sejam os arquitetos do ensino. Embora se lhes reconheça esse lado apenas para acartar tijolos. E assim mais uma vez será de todo fácil daqui a mais uns 2 ou 3 anos os acusar de não saberem exercer a sua função de arquitetos. Afinal, pouco mais podem fazer do acartar tijolos, tal é o asfixiamento das suas reais funções. 
Esta é a nossa realidade e essa realidade traduz o exercício de ensino que 2018-19 nos aguarda. Sempre, claro, a pensar no melhor para os nossos alunos. 
O meu primeiro gesto – o único que até agora consegui ter – para esta aventura anual – foi carregar o meu pão de forma de material de escrita. 
Feliz ano letivo a todos. 

Deixo aqui também uma pequena reflexão que publiquei em privado numa das redes sociais:

Do que podemos saber nos nossos dias, a educação é a melhor aposta para a garantia de uma sociedade de pessoas livres e mais ricas. Sabemos que os menos qualificados são sempre os primeiros a serem afetados pelas crises e pela pobreza. E por isso faz sentido encarar a educação básica como cada vez mais completa. É desse modo que - e bem - nos últimos anos vimos num país como em Portugal a escolaridade passar a ser obrigatória até aos 18 anos. Mas para que tal seja possível é preciso dotar as escolas de melhores condições e dar mais e melhores condições a todos os intervenientes no sistema educativo. Segue-se daí que neste contexto é politicamente incompreensível a forma como governos uns atrás dos outros têm tratado os professores, sobrecarregando-os cada vez mais de maiores pressões profissionais ao mesmo tempo que se degrada as suas condições profissionais. A desculpa é a de sempre, a de que o interesse primordial é a da educação das crianças. Acontece que exatamente por isso também não se consegue perceber o desleixo político em relação à profissão de professor. E é lamentável toda a manipulação mediática em torno desta questão. Na verdade se eu não estivesse do lado de dentro, provavelmente também me soaria que os professores estão a ser demasiado exigentes com o país. Acontece que a realidade é completamente oposta àquela que tem sido veiculada nos media. E nestas questões algum bom senso racional é sempre bem-vindo para não incorrer em opiniões mal formadas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Filosofia e flexibilidade curricular, o processo

(Ribeira, Porto)

Regresso um pouco mais cedo que o prometido. Em altura de férias há mais tempo disponível para algumas pesquisas e reorganização do blogue. Para tal criei uma nova página neste blogue dedicada à flexibilidade curricular e às novas orientações para 2018-19. É dado adquirido que a flexibilidade curricular é para entrar já este ano letivo pelos currículos adentro. Mas os documentos produzidos até agora e que implicam alterações nos programas ainda são provisórios. E tenho dúvidas que este trabalho esteja já preparado na maioria senão mesmo em todas as escolas do país. Também, mais uma vez, não se sabe (pelo menos de modo oficial) os autores de tais alterações. Já se sabe que estas alterações muitas das vezes refletem visões e interesses particulares e já andamos há tempo suficiente nisto para perceber como alterações a currículos podem beneficiar interesses privados e particulares. 
No caso da filosofia as alterações não são radicais (o que produziria grande berraria, por certo, se o fossem). São alterações de “surdina”. A que produz maiores modificações é a introdução da lógica proposicional como obrigatória logo no 10º ano. Há naturalmente razões que ficam por esclarecer, até porque nada se pode esclarecer com autores anónimos e ministérios autistas que apenas colocam documentos sob auscultação geral para inglês ver e afirmar uma pseudodemocracia. Uma das principais razões é a dos manuais. Então e agora os manuais adotados ficam desautorizados para lecionação? Nada grave, pois apenas a lógica tem de merecer atenção. Mas noutros tempos, pequenos erros, imprecisões, etc de manuais também não deveriam ser graves, certo? Ao mesmo tempo as associações de filosofia promovem algumas formações pagas sobre o assunto e disponibilizam de forma algo confusa documentos que mais não são do que as sínteses e resumos dessas formações. Algumas das formações acenam com a bandeira da flexibilidade e das alterações curriculares, mas depois o conteúdo, ainda que de qualidade, nada tem que ver, pelo menos em parte, com as alterações ou a própria flexibilidade.  Mas pelo menos pela primeira vez nos últimos anos temos as duas principais associações ligadas ao ensino da filosofia unidas para um mesmo fim. Só temos todos a ganhar. Os que outrora se criticaram agora estão a trabalhar conjuntamente. A vida é assim e neste caso para bem de todos. Isto apesar que devo recordar que as “zangas” de outrora foram provocadas exatamente por diferendos em alterações a currículos, alterações essas que de um lado e de outro, tanto arrastavam razões pedagógicas como interesses particulares. 
Do meu ponto de vista, pedagogicamente estas alterações são bem vindas, mas vão acabar por ter mais implicações no trabalho de meia dúzia de pessoas do que no ensino da filosofia de um modo geral. Dá igual que se ensine a lógica ou uma suposta diferença entre juízo de facto e de valor se a forma de ensinar e a prática pedagógica for exatamente a mesma. Não estou a defender que sendo assim nada se deva alterar. Estou apenas a supor que as alterações curriculares acabam por beneficiar mais um pequeno grupo de pessoas e os seus interesses (mais ou menos honestos, como tudo) do que o ensino da filosofia. E a sobra de estranheza é que mesmo vindo de quem muitas vezes é critico em relação a trabalho feito em cima do joelho, a forma como a flexibilidade é “imposta” ´é em cima do joelho. Posso supor que não haveria outra forma de “melhorar” um pouco as coisas. E o problema é exatamente esse: é que apenas posso supor. Não posso saber nada, a não ser que de um dia para o outro as coisas vão mudar na minha sala de aula. Felizmente estou preparado. Aliás, mesmo sem qualquer projeto rápido de flexibilidade e alteração a currículo, já estava preparado. 
O que é que se ganha com estas minhas considerações? Em boa verdade apenas registo a indignação de mais uma vez verificar que tudo se faz igual, com os mesmos processos, as mesmas tiranias e golpes de outrora. Tudo na boa fé da preocupação pedagógica de sempre. Mas isso é o que todos defendem. Portanto, na filosofia, tudo continua igual por igual com igual. Apenas se mudam os postos de controlo. Mas ninguém tem de engolir a seco, pois afinal o lugar crítico da razão parece escassear em qualquer lugar, mesmo onde ele mais se apregoa. 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Até Setembro com BD

As férias começam aqui no FES. Regressamos em Setembro certamente com muito trabalho em cima do joelho para que o ano vá avançando com poucos atropelos a bem da filosofia, do seu ensino e sobretudo do gosto em aprender.Mas as férias são também um tempo ideal para algumas leituras. Deixo a recomendação desta BD publicada há semanas na Gradiva, Hereges. E deixo também uma foto de sol e mar que são os motivos das férias do verão para quem ensina e quem estuda.