sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Como estudar para exame nacional de filosofia?

Muitos alunos perguntam-me qual o melhor livro para preparação para exame nacional de filosofia. E obviamente o melhor é o livro para esse efeito da Porto Editora de Pedro Galvão e António Lopes. Felizmente a edição foi ajustada às Aprendizagens Essenciais, o que continua a justificar a minha sugestão. 


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Uma questão sobre ensino da filosofia e avaliação

Muitas das questões sobre o ensino da disciplina de filosofia devem ser colocadas e partilhadas nas escolas e nos grupos disciplinares. Ainda assim gostaria de alargar o âmbito desta questão / problema e colocá-la à discussão pelo menos no facebook do blogue. Como sabemos muitos professores de filosofia tem de lecionar por vezes 5 ou 6 ou mais turmas. Isso implica ter mais de 100 alunos por ano. Se um teste tiver duas páginas implica ter de ler e corrigir mais de 200 páginas por teste. Ora isso dá uma média de 1000 páginas por ano para avaliar (mais ou menos 5 testes não contando aqui com trabalhos ou ensaios). A questão é como fazer isto com o mínimo de rigor? Uma ideia é tornar os testes mais pequenos. Mas testes mais pequenos exigem que algumas questões tenham uma distribuição pouco equitativa de cotação de todo o teste. Como é que fazem? Testes mais pequenos? Se são longos, como organizam o tempo para a sua correção? Da minha parte, com dificuldade, tenho feito testes cada vez mais pequenos ou com muitas questões mas de resposta mais curta. Nunca fui a favor que o grupo de escolha múltipla tenha mais de 0,5 valores para cada questão, mas parece que o último exame nacional pretendeu mudar essa tendência. Se desejarem responder façam-no no Facebook do blogue. Obrigado.  

Duas novidades em formato essencial

Duas novidades que certamente são de todo o interesse para a primeira unidade a ser lecionada no 10º ano, a Lógica e a Unidade, agora obrigatória, a ser lecionada no 11º ano, da filosofia da arte. Conheço já o primeiro, o do Desidério Murcho e o livro está recheado de explicações acessíveis, passo a passo e, muito importante até, exemplos a serem aplicados nas aulas. Brevemente tentarei falar mais destes dois úteis livros. Para além disso serão certamente livros acessíveis a quem quer que se interesse por estes temas. Quem conhece os autores sabe o que esperar: rigor e clareza.


domingo, 27 de outubro de 2019

Exame de Filosofia 2020

Na secção Exames (VER AQUI) já disponibilizei as Informações Exame de 2020. Este ano existe um documento geral que deve ser lido e um específico para o exame de filosofia. Com algum esforço pode-se especular que o Exame incidirá este ano nos conteúdos que se cruzam entre o programa da disciplina e as Aprendizagens Essenciais, ou seja, o mesmo é dizer, que apenas incidirá nos conteúdos das Aprendizagens Essenciais. Podia estar lá escrito diretamente que o exame seguirá as Aprendizagens Essenciais, mas nestes documentos, como de resto estamos habituados, existe sempre um pouco de barafunda e ruído. O mesmo que depois não queremos que os nossos estudantes exibam nas suas respostas no exame. Belo exemplo, diria! Mais uma vez se perde uma oportunidade para escrever documentos claros até porque eles são orientadores também para os alunos. Além disso a matriz deveria mencionar claramente quantos grupos constarão no exame e a cotação destinada a cada grupo. Assim continuaremos a trabalhar no jogo da adivinha e da lotaria. 

sábado, 14 de setembro de 2019

Mas eu sou aluno, que é que devo ler?

Bem, se para um professor não se pensa em ritmos de leitura já que se pressupõe que todos os professores leem a bom ritmo, já para ti, aluno, não é bem assim. Não te posso recomendar um livro mais denso se não tens hábitos de leitura criados. Do mesmo modo tenho de ter cuidado com o vocabulário usado pelos autores. E não devo recomendar livros que não estejam escritos na tua língua materna. Mas vamos lá a algumas recomendações. Se tens poucos hábitos de leitura mas queres começar a compreender o que é e como se faz a filosofia, recomendo-te este livro que é uma espécie de micro enciclopédia da filosofia. Não é a leitura mais estimulante que se pode fazer em filosofia, mas pelo menos possibilita-te já um amplo conhecimento daquilo que é núcleo desta nova disciplina para ti: Os problemas, as teorias e os argumentos.




Mas se tens algum ritmo de leitura há outras opções que, na minha opinião, são até melhores que a anterior. Não te recomendo que comeces a ler filosofia pelo famoso livro O Mundo de Sofia. É um romance e só aborda a filosofia em termos históricos. Se vais por esse livro não chegas sequer a perceber a essência da filosofia. Deves estar a pensar:  "- Mas esse é o livro que toda a gente fala e leu!" É verdade. Mas esse livro foi publicado há muitos anos e nessa altura não havia grandes opções de escolha. Hoje em dia temos melhores livros para começares a filosofar, que é tudo o que te deve interessar quando começas a estudar filosofia. Do mesmo modo se queres nadar deves começar pelos treinos de natação.  

O livro de Thomas Nagel tem a vantagem de ser pequeno e fazer uma boa abordagem de alguns dos problemas da filosofia. Além disso é um livro barato. Também é verdade que já tem uns anos, mas ainda assim não perdeu o valor. Está bem escrito e é bastante estimulante. Lembra-te que ler filosofia não é como ler romances. Primeiro podes saltar capítulos e ler primeiro o que mais te interessa. Depois ler filosofia é um pouco mais lento do que ler uma história, uma vez que não estás a apenas a seguir acontecimentos. Ler filosofia implica que tu és o protagonista da história. Tu estás a pensar se concordas ou não com o que estás a ler. E depois começas a discutir o que lês. E não esperes que um livro de filosofia te diga o que gostas e o que já sabes. Se a filosofia é estimulante é porque nos desafia permanentemente acerca daquilo que julgamos ser verdadeiro e pensamos já saber. É uma espécie de ginásio intelectual. Tal como vais ao ginásio treinar o corpo, na filosofia o ginásio implica um treinar das ideias. 



Já o livro do Nigel Warburton é bastante completo. É mais volumoso que o de Nagel, mas como te disse antes, não precisas de ler tudo de uma vez já que cada capítulo aborda um problema diferente. Com a vantagem de que a esmagadora maioria dos problemas são abordados na escola. 



Este é escrito por dois autores portugueses que são também autores de manuais. Por isso conhecem bem o que vais aprender. Os capítulos são curtos e interessantes embora a linguagem te possa parecer em alguns momentos um pouco mais pesada que os dois anteriores. Mas foi escrito nativamente isto é, por dois falantes da nossa língua, o que é sempre uma vantagem. 


(este livro está esgotado no editor mas podes encontrar ainda nas livrarias)
Espero que faças boas leituras. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Ensinar filosofia? Como? Duas leituras para começar...

Primeira leitura

Em início de ano letivo e ainda com tantas questões no ar, próprio de quem ensina filosofia e, eventualmente, um dever de quem ensina seja o que for, nada melhor do que começar com algumas leituras. Sem as leituras tudo se torna um pouco mais superficial, sem norte. A primeira das leituras não é de todo consagrada ao ensino secundário e muito menos ao ensino secundário português. Ainda assim é sempre bom partilhar a experiência de ensino que me parece sincera e sensata de um professor universitário que tem décadas de experiência. Até porque muitas das inquietações do autor são também a dos professores do secundário.



Segunda leitura

Se a dúvida caracteriza parte do que fazemos nas aulas de filosofia, a verdade é que militar na dúvida pode conduzir a uma ideia trapalhona do que é a filosofia. Até a dúvida deve ser arrumada (para aqui arranjar um termo que significa o mesmo que metódica para o nosso colega Descartes). E é exatamente isso que Baggini fez neste majestoso manifesto de como nos posicionarmos face ao carácter mais essencial da nossa disciplina, lidar com o ceticismo. Daqui não vamos retirar ensinamentos diretos para as nossas aulas nem tão pouco estratégias de lecionação. Com este livro raciocinamos o tempo todo acerca das nossas próprias convicções do que fazemos quando entramos numa sala de aula para ensinar filosofia. 

Espero que estas duas leituras sejam um bom auxiliar do nosso trabalho, o de despertar os miúdos para o universo das questões inteligentes e da discussão racional. 



sábado, 20 de julho de 2019

Democracia, conhecimento, liberdade e humanidades

Ao longo da minha carreira já conheci muitos estudantes brilhantes que me disseram não poder seguir filosofia pois filosofia não lhes garante emprego futuro. Esses estudantes fogem para medicina, economia ou áreas tecnológicas ligadas às engenharias. Sem estes talentos nos cursos de filosofia, história ou música dificilmente teremos no país uma cultura forte nestas áreas. Os melhores estudantes que me chegam às mãos com 15 anos já estão formatados para os cursos que devem seguir. Podem-me falar em exceções. Claro que as há. Mas são isso mesmo, exceções. Uma estatística claramente ad hoc diz-me que em cada 10 bons estudantes apenas 2 ou 3 seguem humanidades. Na escola onde trabalho há todos os anos cerca de 30 turmas novas do 10º ano. E basta espreitar as pautas no final do primeiro período para perceber o que aqui refiro. Um aluno de humanidades em regra teve já uma experiência de fracasso, nem que seja a matemática, da qual foge. Há umas semanas estava à conversa com uma colega de trabalho formada em ciências e discutíamos o que seria melhor para um aluno com rendimento fraco. E ela propôs esta solução: se calhar é melhor para ele seguir humanidades. De imediato apontei para a melhor aluna da turma e questionei por que razão não deveria essa seguir humanidades? Os professores sabem que os melhores alunos são os das turmas de ciências e por isso é uma luta nas escolas para ver quem fica com essas turmas. O professor que chega por último à escola fica com o que ninguém quer, no qual se inclui, claro, turmas de humanidades. Em regra dizem-me sempre: “Mas há turmas de humanidades boas”. Só que quem me diz isto quer apenas perpetuar os seus interesses privados. Por essa razão acho bastante pertinente o argumento a favor de uma educação liberal defendido por Martha Nussbaum neste livro. Não, não acho que nele se esteja apenas a fazer um lamento. O que se está a fazer é a argumentar em favor da tese de que sem um sério retorno às humanidades, todo o conhecimento e debate racional fica ameaçado. E eu gostei do livro. É de fácil leitura e promove o debate. Mas há o risco de em Portugal ser pouco lido e , mais grave, nunca ser lido por quem o deverá ler, as pessoas formadas em ciências e não as de humanidades. Para além disso é um livro estimulante para professores em geral, numa altura em que tanto se fala em escola inclusiva ao mesmo tempo que pautamos o ensino a partir de grelhas comparativas de resultados.