sábado, 31 de janeiro de 2015

Semana da Filosofia na Escola Secundária Jaime Moniz

Na próxima semana decorre a Semana da Filosofia na Escola Secundária Jaime Moniz, Funchal. Entre todas as atividades, no dia 3, terça feira, pelas 15 horas, Auditório 1, darei uma aula pública procurando analisar com os alunos o problema “Deve o Estado impor limites à liberdade de expressão?”. Comigo levo o meu convidado e aluno, Bilal Hussein, natural de Caxemira, Paquistão. Nesta aula vou expor o argumento do dano que aparece na obra Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill, para além de tentar aplicar o argumento ao recente caso Charlie Hebdo. Estão todos convidados. O lote de filmes escolhidos pelos professores de filosofia proporcionará alguns debates interessantes. Além disso vale a pena destacar a atividade "valores, desafios e tolerância, que desafios para o século xxi?" com a participação em mesa redonda dos alunos da nossa escola. A revista de filosofia da escola Ágora, será apresentada pelo seu representante, professor de filosofia. O tema deste ano é: “Luzes e Sombras: O contributo da Filosofia para uma cultura da sabedoria”. A organização é da responsabilidade de todos os professores do grupo de Filosofia da escola. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Será que a perfeição existe?

A aluna, Joana Rodrigues, do curso de Artes do 10º ano da Escola Secundária Jaime Moniz, enviou-me um vídeo levantando, de forma inteligente, algumas questões interessantes e que vale a pena partilhar. Dada a pertinência das questões, vamos tentar arranjar tempo numa aula para trabalhar possíveis respostas aos problemas levantados.
Obrigado à Joana.

Reproduzo aqui as questões levantadas pela Joana:

Hoje, estive a ver alguns "short films" e encontrei este que, conquanto pequeno, consegue transmitir perfeitamente uma mensagem muito poderosa. Lembrei-me que poderia, eventualmente, gostar dele, visto que pode levantar algumas questões filosóficas: O que é a perfeição? Será que ela existe? Será a perfeição algo concreto, inquestionável, ou algo altamente subjectivo? 


domingo, 11 de janeiro de 2015

A liberdade de expressão para praticar na sala de aula

Pensando ainda nos recentes acontecimentos em Paris e sobre o jornal satírico Charlie Hebdo, levanta-se novamente o problema de saber quais os critérios que possam definir universalmente os limites da liberdade de expressão. No manual Como Pensar Tudo Isto? (2014, Sebenta) apresentamos um pequeno capítulo com um ensaio de resposta de Stuart Mill a este problema fundamental das sociedades e da vida dos seres humanos. Fica a sugestão de exploração com os alunos em sala de aula.

Como leitura sugere-se também este ensaio de Pedro Madeira.



domingo, 4 de janeiro de 2015

A moralidade vem da racionalidade ou da autoridade?

Este pequeno vídeo narrado por Stephen Fry, levanta a questão se os nossos juízos morais decorrem da racionalidade (capacidade argumentativa de pensar os problemas) ou da autoridade (religiosa ou outra). É um bom de partida para as matérias que se vão seguir e uma introdução ao problema que iremos tratar, o de tentar saber como devemos viver.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ciência, espiritualidade e humanidades

Um dos erros mais elementares consiste em pensar que uma pessoa ou é religiosa e por isso espiritual ou não é religiosa e por isso pouco ou nada espiritual. Na verdade uma pessoa pode ser religiosa e muito pouco espiritual (mesmo pensando que é profundamente espiritual) e pode ser não religiosa e profundamente espiritual. Isto porque a dimensão espiritual não é uma propriedade exclusiva das religiões nem das crenças religiosas.
Edward O. Wilson é talvez o biólogo vivo mais respeitado no mundo e professor emérito da Universidade de Harvard, com um currículo de mais de 100 prestigiados prémios.


"Uma das bases da força da ciência são as ligações feitas não apenas de várias maneiras dentro da física, química e biologia, mas também entre estas disciplinas primárias. Uma grande pergunta continua por responder na ciência e na filosofia. É a seguinte: pode esta consiliência (ligações feitas entre domínios bastante afastados do conhecimento) ser alargada às ciências sociais e às humanidades e até mesmo às artes criativas? Eu penso que pode a acredito ainda que a tentativa para fazer essas ligações será uma parte fundamental da vida intelectual do século XXI.Porque é que eu e outras pessoas pensamos desta maneira tão controversa? Porque a ciência é a fonte da civilização moderna. Não é apenas «outra maneira de saber», comparável à religião ou à meditação transcendental. Não reduz o génio das humanidades, nem mesmo das artes criativas. Pelo contrário, propicia o enriquecimento do seu conteúdo. O método científico tem explicado a origem  e o significado da humanidade de uma maneira mais consistente e melhor do que as crenças religiosas. As histórias da criação das religiões organizadas, tal como a ciência, propõem-se explicar a origem do mundo, o conteúdo da esfera celeste e até mesmo a natureza do tempo e do espaço. Na sua grande maioria, os relatos míticos, baseados nos sonhos e nas epifanias dos antigos profetas, variam entre as crenças religiosas. São atrativos e reconfortantes para as mentes dos crentes, mas cada um deles contradiz a outro e, depois de testados no mundo real, tem-se sempre verificado que estão errados, sempre errados.

 O malogro das histórias criacionistas é mais uma evidencia de que os mistérios do universo e da mente humana não podem ser resolvidos apenas pela intuição. O método científico por si só tem libertado a humanidade do estreito mundo sensório legado pelos nossos antepassados pré-humanos."



Edward O. Wilson, Cartas a um jovem cientista, Clube do Autor, 2014, Trad. Isabel Jardim,p.59

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ciência e dogmatismo


"Podemos reger-nos pelo dogma ou pela descoberta. O dogma (da palavra grega que significa opiniões recebidas que «parecem boas») bem pode procurar uniformizar as pessoas (como é a intenção implícita do dogma religioso, sendo religio um termo latino que significa «unir»), mas na verdade, na medida em que tem de ser adoptado com base em fé, acaba por dividir a humanidade entre um nós fiel e um outro suspeito. A descoberta científica poderia ter dividido o mundo, mas em vez disso revelou que todos os seres humanos são parentes (uns dos outros e de todos os outros seres vivos) num universo onde estrelas e estrelas-do-mar obedecem às mesmas leis físicas. Assim, à medida que os seres humanos passam do dogma à descoberta, vão percebendo cada vez melhor que habitam um só mundo.Esta evolução cria a expectativa de que, à medida que a influência da ciência for aumentando, as pessoas possam vir a ultrapassar velhos preconceitos e provincianismos e tratar-se umas às outras com mais liberalidade. Em certa medida, isso está já a acontecer (o mundo hoje é mais científico e mais liberal, mais bem informado e menos violento do que era há três séculos), mas estas mudanças trouxeram também consigo novos problemas.Os dogmáticos, religiosos ou políticos, reagem contra a ciência e o liberalismo com todos os meios ao seu alcance, da negação e da tentativa de supressão (por exemplo, do ensino da evolução biológica) ao terrorismo. As democracias liberais respondem muitas vezes a estas ameaças com insegurança em vez de força, revertendo em momentos de dificuldade para práticas antiliberais pouco melhores que as dos seus adversários. Entretanto, as descobertas científicas vão pondo em causa as ideias feitas que todos temos, enquanto a evolução da tecnologia vai criando problemas complexos (com o aquecimento global actualmente no topo da lista), que se não forem adequadamente abordados ameaçam anular grande parte dos progressos que a nossa espécie fez tão recentemente
(…) os cientistas tem uma história de descoberta para contar; os dogmáticos, uma história de obediência à autoridade."


Timothy Ferris, Ciência e Liberdade, Democracia, Razão e Leis da Natureza, Gradiva, Trad. Ana Sanpaio, pp.425,426 e 427

Melhores de 2014

No site do nosso manual, Como Pensar Tudo Isto? (2014, Sebenta, Leya), publicamos duas listas de recomendações de algumas edições de 2014 que valem a pena.








A filosofia morreu

No livro, O grande Desígnio, o físico Stephen Hawking escreve o seguinte:

"Como as pessoas só vivem uma vez neste mundo gigantesco, que umas vezes é benevolente e outras vezes cruel, a olharem para o céu interminável que se estende por cima delas, interrogam-se muito. Como podemos compreender o mundo em que vivemos? Como é o universo? Qual a natureza da realidade? De onde vem tudo isto? O universo precisa de um criador? A maioria de nós não gasta em geral muito tempo com estas perguntas mas quase todos pensamos nelas de vez em quando. Tradicionalmente, estas perguntas seriam para a filosofia mas a filosofia morreu. Ela não conseguiu acompanhar os novos desenvolvimentos das ciências da natureza, em especial na física. Agora são os cientistas da natureza que, com as suas descobertas, estimulam a procura de conhecimento."

Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, O grande desígnio, Gradiva, 2011


Hawking defende que a filosofia morreu pois as grandes questões são respondidas pelas ciências da natureza, nomeadamente a física. Mas parece existir um grande problema na afirmação de Hawking. Como é que a física pode mostrar cientificamente que a filosofia morreu? Como é que Hawking consegue responder a essa grande questão sobre a morte da filosofia sem, ao mesmo tempo, filosofar? Que pensar disto?


Factos, coisas e verdade


"Um facto é algo que constitui uma verdade em relação a tudo. É verdade, no que se refere à maçã, que se encontra na tigela. Os factos são, pelo menos para o mundo, tão importantes como as coisas ou como os objetos. E isto pode ser visto por meio de uma experiência de pensamento muito simples. Suponhamos que só há coisas e que não há factos. Nesse caso nada seria verdadeiro em relação a essas coisas. Mas só isto já seria um facto. Consequentemente seria verdade relativamente a essas coisas que nada seria verdade sobre elas. E esta objeção é bastante óbvia e até pior do que um infortúnio. Se há em qualquer cenário em que se possa pensar pelo menos um facto, em muitos cenários que podemos imaginar não há coisas. É o que também mostra outra simples experiência de pensamento. Imaginemos que nada disto existe: nem espaço-tempo nem suricatas nem meias em planetas nem Sol, nada. Nesta situação desesperada e extremamente desolada dar-se-ia o caso de não existir mesmo nada e o pensamento de que neste caso nada existe parece ser verdadeiro. Mas, em consequência, há pelo menos um facto neste nada desolado que é, nomeadamente, , o facto de haver esse nada desolado. Mas este facto já não seria, só por si, um facto. Pelo contrário, seria o facto decisivo, a verdade sobre essa terra de desolação absoluta. Assim, nessa desolação nada existe, o que é verdade no que se refere à própria desolação. Consequentemente será impossível existir um nada absoluto. Por isso terá de haver pelo menos um facto para que nada mais possa existir."



Markus Gabriel, Porque não existe o mundo, Temas & Debates, 2014, Trad. Pedro Rosad, p.42,43

Livros

A Secção de Livros foi atualizada.