segunda-feira, 21 de Abril de 2014

LOne Survivor e Michael Sandel


Lone Survivor é um filme de 2013 sobre um episódio verídico vivido por soldados americanos no Afeganistão. Um pequeno grupo de soldados comandados por Marcus Luttrell é incubido de atacar uma tribo de soldados da Al-Qaeda, de forma a neutralizar as suas ações terroristas. Para tal refugiam-se nas montanhas. Enquanto preparam a sua missão deparam-se com um pequeno grupo de pastores acompanhados das cabras. Surge um dilema aos soldados. Por um lado não deviam matá-los pois eles não fazem parte da missão. Por outro não os matar e soltá-los pode implicar que vão alertar o grupo de terroristas da sua presença e nesse caso todo o grupo de soldados serão mortos, bem como não será neutralizado a célula terrorista. A decisão cabe a Marcus Luttrell, chefe da missão.
Este dilema, sobre o qual foi realizado o filme, aparece também no livro de Michael Sandel, Justiça, fazemos o que devemos?, Ed Presença, 2011, um dos livros mais acessíveis e apetecíveis sobre filosofia política que pode ser lido em língua portuguesa, mesmo sem dominar qualquer conteúdo de filosofia política.

O filme é um filme de guerra e algo pesado para pessoas mais sensíveis.  




Filosofia Política

Um excelente vídeo para as aulas de filosofia política que, tal como referido nas aulas, deve ser visto e estudado. Devem ativar as legendas na barra do vídeo.



sábado, 5 de Abril de 2014

Uma história de amor de Spike Jonze (Her) e a filosofia da mente

Agora que chegaram as férias da Páscoa, aqui está um filme interessante para ver. O protagonista deste filme estabelece uma relação com um sistema operativo capaz de produzir consciência. O filme pode ser relacionado com alguns problemas filosóficos da filosofia da mente, um tema que, infelizmente, não é abordado no programa de filosofia do secundário, pelo menos diretamente. Será que uma máquina pode ter uma mente? E será uma mente é separada de um corpo? 

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Como é que ensinamos a lógica informal no Como Pensar Tudo Isto?



Este é o resultado da nossa proposta para ensinar lógica informal no nosso manual. Só nos resta esperar após este esforço que vá de encontro às necessidades tanto de alunos como de professores pois esse foi sempre o nosso foco. Ver AQUI


sábado, 29 de Março de 2014

Ensaios 2014 - Olá pequenos e pequenas filósofos(as)!!!

O ensaio de filosofia é a oportunidade que vos dou de, no final do ano, se assumirem como verdadeiros e verdadeiras filósofos e filósofas. É uma boa oportunidade de mostrarem que sabem defender filosoficamente posições, que sabem argumentar em favor delas. Se o souberem fazer e trabalharem sempre para isso, vão ser de certeza pessoas mais capazes na vossa vida prática de resolverem problemas, convencerem as pessoas com boas razões do que é justo e injusto, do que é certo e errado, do que é o conhecimento e não é, de distinguir o que é ciência do que não o é e de, mesmo entre os vossos amigos, de saberem discutir com racionalidade as questões mais quotidianas como as do aborto, da arte, da guerra e da paz, da justiça, etc.

TEMAS DOS ENSAIOS:

·         A pobreza e a obrigação de ajudar
·         Aborto
·         A definição da arte
·         A existência de Deus
·         Distribuição da riqueza
·         O estatuto moral dos animais não humanos



Associados a estes temas, temos problemas filosóficos a tratar. Assim, segue a lista dos problemas:


·         Teremos obrigação moral de ajudar os mais pobres?
·         Será o aborto moralmente errado?
·         Poderá a arte ser definida?
·         Será que Deus existe?
·         Como fazer uma distribuição justa da riqueza?
·         Será que os animais não humanos têm direitos morais?

Se alguém quiser fazer outro tema dos não listados contactem-me via email para verificar se tenho disponível bibliografia adequada ao vosso nível. E, tal como vos disse na aula, também podem trabalhar temas e problemas relacionados com as teorias estudadas. Um exemplo é este: será que uma ação é certa ou errada dependendo apenas das suas consequências práticas?
Sobretudo, façam sobre um tema que gostem de aprender mais umas coisas.

Enjoy!

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Inscrições na apresentação do manual Como Pensar Tudo Isto?


Estão abertas as inscrições para as nossas ações de apresentação do Como Pensar Tudo Isto? Inscrevam-se AQUI


Como decidimos a capa do Como Pensar Tudo isto?

Fazer uma capa de um manual, para a Sebenta/Manual Escolar 2.0 não é apenas encontrar um embrulho assético que sirva a todos os alunos e professores e, ao mesmo tempo, não sirva a nenhum.

A capa, para nós, é uma afirmação da identidade do manual e da editora.

A Sebenta/Manual Escolar 2.0 sempre se caracterizou por isso, o que a tornou reconhecida entre os professores e lhe granjeou um prémio de melhor design de manual escolar.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Ensinar lógica com o Como Pensar Tudo Isto?

Como é que no Como Pensar Tudo Isto? Tratamos a lógica silogística e proposicional? Apresentamos a nossa proposta AQUI (CLICAR)


Como Pensar Tudo Isto? Novo manual para o 11º ano

Apresentamos a capa do manual de Filosofia para o 11º ano que preparamos para ensinar filosofia, para alunos e professores. Vamos dando conta do que temos em termos de conteúdo. Numa primeira abordagem pública da face do manual, procuramos ser informais, mas sérios e ir de encontro aos nossos alunos, mas também aos professores. Esperamos que seja do vosso agrado e estamos convencidos que sim, até porque as nossas decisões são o produto da colaboração de muitos professores. Mais informações na nossa edição on line: CLICAR AQUI.


Como Pensar Tudo isto?

Como já é sabido o título do manual que está prestes a ser publicado pela Sebenta Editora, chama-se "Como Pensar Tudo Isto?". Muito em breve vou aqui apresentar novidades, bem como no site oficial do manual.

domingo, 23 de Março de 2014

Justifica-se a Desobediência Civil?

Este é o quadro síntese das últimas aulas


Problemas de Filosofia Moral (que já estudamos)
Problemas da Filosofia Política: (que vamos estudar)
Problemas da Filosofia do Direito (que estamos a estudar)
- Que quer dizer juízos morais?
- Como é possível saber o que é certo e errado?
- Quando, se é que alguma vez, é certo matar uma pessoa? (respostas de Mill e Kant)
- O que é o Estado?
- Os governos têm o direito de exigir obediência?
- O que é a justiça?
- O que é uma lei?
- Quando devemos obedecer à lei?
- Quando é que o castigo é moralmente justificável?



No que diz respeito ao problema da articulação entre ética, direito e política, optamos por formular o problema de tentar saber se a desobediência civil se justifica, pressupondo que existem leis injustas.
Para acompanhar bem o problema nada melhor que ler o texto que pode ser visto integralmente aqui (Trad. Alvaro Nunes): CLICAR
Deixo no entanto uma parte do texto aqui no blog:


Objecção: Não se justifica a desobediência civil em democracia. As leis injustas feitas por um poder legislativo democrático podem ser mudadas por um poder legislativo democrático.
Resposta: Thoreau, que praticou a desobediência civil numa democracia, defendeu que às vezes a constituição é o problema e não a solução. Defendeu também que nasceu para viver e não para fazer lobby; os canais legais podem levar demasiado tempo. O seu individualismo deu-lhe outra resposta: especialmente numa democracia, os indivíduos são soberanos e o governo detém o poder apenas por delegação dos indivíduos livres. Por isso, qualquer indivíduo pode decidir pôr-se fora do domínio da lei. Martin Luther King, Jr., que também praticou a desobediência civil numa democracia, pede-nos que olhemos mais de perto para os canais legais de mudança. Se em teoria estão abertos mas na prática estão fechados ou injustamente bloqueados, então o sistema não é democrático de forma a tornar a desobediência civil desnecessária. Outros activistas chamaram a atenção para o seguinte: se a revisão judicial é uma das características da democracia americana que supostamente torna a desobediência civil desnecessária, então ironicamente ela subverte este objectivo, porque para poder levar um decreto injusto a tribunal de modo a que este seja examinado, é frequente o queixoso ter de ser preso por violá-lo. Finalmente, os princípios de Nuremberga exigem que se desobedeça às leis nacionais ou às ordens que violem a lei internacional, um dever supremo mesmo (talvez especialmente) numa democracia.
Objecção: Mesmo que a desobediência civil às vezes se justifique numa democracia, os activistas devem primeiro esgotar os canais legais de mudança e optar pela desobediência civil apenas em último recurso.
Resposta: Os canais legais não podem ser «esgotados». Os activistas podem sempre escrever outra carta para sua delegação do congresso ou para os jornais; podem sempre esperar por outra eleição e votar de forma diferente. Mas, proclamou King, uma justiça que é adiada é uma justiça negada. King defendeu que, a partir de um certo ponto, a paciência na luta contra uma injustiça perpetua a injustiça e que este ponto fora há muito superado na luta de 340 anos contra a segregação na América. Na tradição que justifica a desobediência civil apelando a uma lei superior, as subtilezas legais contam relativamente pouco. Se a superioridade de Deus sobre César justifica a desobediência a uma lei injusta, então essa mesma superioridade permite que a desobediência ocorra mais cedo do que seria possível. Nesta tradição, A. J. Muste defendeu que usar canais legais para combater leis injustas é participar numa máquina diabólica e dissimular a dissidência sob a capa da conformidade; isto, por seu lado, corrompe o activista e desencoraja os outros levando-os a subestimar o número dos seus congéneres.
Objecção: O contrato com os outros membros da sociedade obriga-nos a obedecer à lei. Ao vivermos no estado e ao gozarmos dos seus benefícios aprovámos tacitamente as suas leis.
Resposta: Obviamente, esta objecção pode ser evitada por quem quer que recuse a teoria do contracto social. Mas, surpreendentemente, muitos activistas da desobediência aceitam esta teoria, sendo assim obrigados a responder a esta objecção. Sócrates faz esta objecção a Críton, que o instiga a desobedecer à lei fugindo da prisão antes de ser executado. Thoreau e Gandhi respondem ambos (como parte de respostas maiores e mais complexas) que aqueles que se opõem intensamente às injustiças cometidas pelo Estado podem, e devem, renunciar aos benefícios que recebem do Estado vivendo uma vida de simplicidade e pobreza voluntárias; esta forma de sacrifício é usada para anular o consentimento tácito em obedecer à lei. Outra resposta de Thoreau é que consentir em juntar-se a uma sociedade e obedecer às suas leis deve ser sempre um acto explícito e nunca tácito. Mas até para Locke, cuja teoria do contrato social introduz o termo «consentimento tácito», se o Estado quebra a sua parte do contrato, a teoria permite a desobediência e mesmo a revolução. Uma resposta da tradição da lei natural, usada por King, é que uma lei injusta não é sequer uma lei, mas uma perversão da lei (S. Agostinho, S. Tomás de Aquino). Por conseguinte, consentir em obedecer às leis não se estende às leis injustas. Uma resposta dada por muitos negros, mulheres e americanos nativos é que o dever de obedecer é uma questão de grau; se não são membros de pleno direito da sociedade americana, então não estão completamente submetidos às suas leis.
Objecção: O que aconteceria se toda a gente praticasse a desobediência civil? A desobediência civil não passa o teste da universalizabilidade de Kant. A maior parte dos críticos prefere expressar esta objecção como um argumento do declive ardiloso. A objecção tem assim uma versão descritiva e uma versão normativa. Na versão descritiva prediz-se que o exemplo dos que praticam a desobediência civil irá ser imitado, aumentando a ilegalidade e a tendência para a anarquia. Na versão normativa faz-se notar que, se a desobediência se justificada para um grupo cujas crenças morais condenam a lei, então justifica-se para qualquer grupo em situação semelhante, o que constitui uma receita para a anarquia.
Peter Suber 

segunda-feira, 17 de Março de 2014

A lógica argumentativa na prática do diálogo

Hoje pela tarde, a convite do Banco do Tempo, falei um pouco de algumas técnicas lógicas que podemos aplicar para a melhoria da qualidade dos nossos diálogos. E um agradecimento à Professora Carmo Araújo que me endereçou o convite. Foi um gosto.