segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

2º teste de Filosofia 2014/15 - Organização

No nosso segundo teste de filosofia são testados 2 tópicos da matéria:
- Ação humana.
- O problema do livre-arbítrio.
Relativamente ao primeiro tópico os conteúdos são mais ou menos simples. Envolve os seguintes conceitos principais:
Ação, acontecimento, intenção, crenças, desejos.
Para rematar estudamos um pouco a teoria do egoísmo psicológico que defende que todas as nossas ações são irremediavelmente egoístas e nada há mais a fazer. Contrastamos com as objeções altruístas, nomeadamente quando se referem a que o prazer obtido numa ação é consequência e não a causa da ação. Há mais para explorar, mas aqui apenas apresento a síntese.
Depois disto, e já com algumas definições de conceitos operacionais, partimos para o problema do livre-arbítrio. Estudamos as 3 respostas mais básicas ao problema: determinismo radical e libertismo como respostas incompatibilistas e determinismo moderado como resposta compatibilista. Para qualquer uma destas respostas estudamos os argumentos principais e as insuficiências que são apontadas a cada uma das teorias.
Como estudar então?
Uma vez ultrapassada a dúvida inicial de como é um teste de filosofia, estamos já na posição de pedir que se redija um pequeno ensaio* que manifeste a visão de cada um sobre os problemas, mas que a mesma seja fundamentada e discutida com a informação fornecida nas aulas. Assim, como tenho muitas vezes dito, os alunos que leram alguma coisa do recomendado, acabam sempre por estar em vantagem em relação aos restantes, já que adquiriram mais informação que os ajudará a compreender a estruturar a sua posição.

*Ensaio é um texto escrito no qual se faz uma tentativa de resposta ao problema, analisando os argumentos a favor e contra determinada teoria

Textos para estudar:
Compatibilismo, Robert Kane
Compatibilismo, W. T. Stace

O problema do livre-arbítrio, Andrew Brook e Robert J. Stainton

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Não existem ciências exatas e menos exatas

Acabei de ler num teste de um aluno que a filosofia é uma ciência não exata. Serve este post para esclarecer que esta ideia é incorreta.
Ocasionalmente lemos em alguns textos a distinção entre ciências exatas e ciências não exatas. Ora, isto está errado. Não existem umas ciências mais exatas e outras menos exatas. Seria muito menos errado se falássemos apenas em ciências e que todas são exatas. Mas isto também não é inteiramente correto já que a filosofia não é uma ciência e nem por isso podemos afirmar que não é exata. Portanto, a designação ciências exatas é desadequada. A ciência opera por elaboração de teorias após pesquisa que são sujeitas a testes da experiência. Se resistirem aos testes, então as teorias vão sendo corroboradas. Os testes são a prova dos nove das teorias científicas. São científicas as teorias que mais resistem aos testes empíricos. E é por esta razão também que a filosofia não é uma ciência, já que a natureza dos problemas filosóficos não permite este tipo de teste empírico.

Mas daí não se segue que a filosofia não seja exata, ou que seja menos exata que uma ciência. As melhores teorias para resolver um problema em filosofia são aquelas que resistem ao teste das objeções e contra argumentação. Enquanto resistem são boas teorias. Acontece que, ao contrário das ciências, na filosofia conseguimos para um mesmo problema ter duas teorias diferentes que resistem muito bem a objeções. Isto sucede porque os problemas da filosofia são muitas das vezes mais difíceis de obter resultados.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Janelas da filosofia e Pseudociência

O natal aproxima-se e a crise financeira não nos dá grande ânimo para pedir prendas caras ao pai natal. A solução para este trivial problema, como para a esmagadora maioria dos problemas, mesmo os mais complexos, pode passar pelos livros. São baratos (um deles que aqui falo custa apenas 3.15€) e muito úteis. Assim, aqui ficam duas sugestões. Falarei mais deles muito em breve. Para que nada se perca.


Janelas da Filosofia (saber mais clicando AQUI)




Pseudociência (saber mais clicando AQUI

sábado, 8 de Novembro de 2014

Começar a estudar filosofia moral

De onde vem o «Bem»? Usamos as palavras «bem» e «bom» para descrever coisas de que gostamos, coisas que tornam a vida melhor e coisas gene­rosas que as pessoas fazem umas pelas outras. Descrevemos as pessoas como «boas» quando são honestas e simpáticas para com os outros, quando cumprem as promessas e se esforçam ao máximo. A bondade é muito importante porque ajuda mesmo a fazer do nosso mundo um lugar melhor.
Desde que as pessoas perguntaram a si próprias pela primeira vez «Qual é a melhor forma de nos comportarmos e de tratarmos os outros?» que se discute a natureza da bondade. Os antigos filósofos gregos começaram um debate sobre a bondade que dura até hoje. Ensinaram-nos a ver que a bondade não se refere ape­nas às coisas que fazemos, mas também à forma como pensamos. Isso quer dizer que as nossas atitudes são importantes, porque as ações vêm das atitudes; por isso, pensar sobre a melhor forma de viver e agir é algo que todos temos de fazer.
Portanto, temos de perguntar a nós próprios: «O que é para mim o bem? Por que motivo penso assim? Vou agora fazer uma coisa: está correta ou não?» Ao responder a estas pergun­tas, temos de ter a certeza de que a resposta convence tam­bém os outros; é demasiado fácil convencermo-nos só a nós próprios!
Pensar na bondade para podermos fazer coisas boas envolve falar com os outros, aprender o que pensam sociedades diferen­tes e por que motivo, e perguntar as razões das pessoas para con­siderar que uma coisa é boa ou má.
O que aprendemos com tudo isto é que o «bem» vem de pen­sarmos com responsabilidade e sensibilidade sobre o efeito que os nossos pensamentos e atos têm em nós, nos outros e no mundo que nos rodeia.


A.   C. Grayling, in: Gemma Elwin Harris, Grandes perguntas de gente miúda com respostas simples de gente graúda, Ed Presença, 2013

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

Sugestão da Margarida

A Margarida Magalhães, aluna do 10º43, sugeriu-me a audição deste compositor, Ben Caplan. Obrigado Margarida.


sábado, 1 de Novembro de 2014

Filosofia da Música, por Vitor Guerreiro

Finalmente saiu a antologia de textos sobre filosofia da música. Organizado e traduzido por Vítor Guerreiro e publicado na Dinalivro. Apetece. Fica uma pequena amostra. Ver mais AQUI.




segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

         
  A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E ao contrário da matemáti­ca não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.
            A preocupação fundamental da filosofia é questionar e compreender ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensar nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: «O que é o tempo?» Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: «o que é um número?» Um físico perguntará o que constitui os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisa fora das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: «Que faz uma palavra significar qualquer coisa?» Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar está errado, mas um filósofo perguntará: «O que torna uma acção correcta ou errada?»
            Não poderíamos viver sem tomar como garantidas as ideias de tempo, número, conhecimento, linguagem, correcto e errado, a maior parte do tempo; mas em filosofia investigamos essas mesmas coisas. O objectivo é levar o conhecimento do mundo e de nós um pouco mais longe. É óbvio que não é fácil. Quanto mais básicas são as ideias que tentamos investigar, menos instrumentos temos para nos ajudar. Não há muitas coisas que possamos assumir como verdadeiras ou tomar como garantidas. Por isso, a filosofia é uma actividade de certa forma vertiginosa, e poucos dos seus resultados ficam por desafiar por muito tempo.
            Uma vez que acredito que a melhor maneira de aprender algo acerca da filosofia é pensar acerca de questões determinadas, não tentarei dizer mais nada sobre a sua natureza geral. Os nove problemas filosóficos que iremos tratar são os seguintes:

            O conhecimento do mundo para além das nossas mentes
            O conhecimento de outras mentes para além das nossas
            A relação entre a mente e o cérebro
            Como é possível a linguagem
            Se temos livre arbítrio
            As bases da moral
            Que desigualdades são injustas
            A natureza da morte
            O sentido da vida

            Trata-se apenas de uma selecção; há muitos, muitos mais.

Thomas Nagel, Que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à filosofia 

Mas para que serve mesmo a filosofia?


A palavra «filosofia» tem conotações infelizes: coisas abstractas, remotas, esquisitas. Tenho a impressão de que todos os filósofos e estudantes de filosofia passam por aquele momento de embaraço silencioso quando alguém nos pergunta inocentemente o que fazemos. Eu preferiria apresentar-me como engenheiro conceptual. Pois, tal como um engenheiro estuda a estrutura das coisas materiais, o filósofo estuda a estrutura do pensamento. Para compreender a estrutura é necessário ver como as partes funcionam e como se conectam entre si, o que significa saber o que aconteceria de melhor ou pior se fizéssemos algumas mudanças. É este o nosso objectivo quando investigamos a estrutura que dá forma à nossa visão do mundo. Os nossos conceitos e ideias constituem o lar mental em que vivemos. No fim, talvez tenhamos orgulho nas estruturas que construímos. Ou talvez pensemos que esses conceitos precisam de ser desmantelados e que temos de começar a partir do zero. Mas primeiro, temos de saber o que são estes conceitos.

Simon Blackburne, Pense, ma Introdução à Filosofia

O que é a filosofia? Por Nigel Warburton

O que é a Filosofia? Esta é uma questão notoriamente difícil. Uma das formas mais fáceis de responder e dizer que a Filosofia é aquilo que os filósofos fazem, indicando de seguida os textos de Platão, Aristóteles, Descartes, Hume, Kant, Russell, Wittgenstein, Sartre e de outros filósofos famosos. Contudo, é improvável que esta resposta possa ser realmente útil se o leitor está a começar agora o seu estudo da Filosofia, uma vez que, nesse caso, não terá provavelmente lido nada desses autores. Mas, mesmo que já tenha lido alguma coisa, pode, ainda assim, ser difícil dizer o que tem em comum, se é que existe realmente uma característica relevante partilhada por todos. Outra forma de abordar a questão e indicar que a palavra filosofia deriva da palavra grega que significa amor da sabedoria.
Contudo, isto é muito vago e ainda nos ajuda menos do que dizer apenas que a Filosofia e aquilo que os filósofos fazem. Precisamos, por isso, de fazer alguns comentários gerais sobre o que é a Filosofia.
A Filosofia é uma actividade: e uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A actividade dos filósofos e, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas, ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. A palavra filosofia e, muitas vezes, usada num sentido muito mais lato do que este, para referir uma perspectiva geral da vida.

Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Trabalhos de filosofia (Ensaios) feitos por alunos

Para os alunos do 10º ano que querem antecipar algum trabalho que vão ter pela frente, como a redação do ensaio argumentativo, no 3º período, podem ver neste LINK(clicar aqui) alguns trabalhos de estudantes. Esta coleção de trabalhos pertence ao site do manual escolar, A Arte de Pensar (Plátano Editora) sendo que atualmente o manual se chama 50 Lições de Filosofia. Estes manuais são da autoria de várias pessoas, sendo que o núcleo forte é o filósofo português Desidério Murcho, um dos mais ativos dos últimos anos em Portugal e Aires Almeida, professor do ensino secundário e, entre outras atividades, diretor de uma das mais importantes coleções de livros de filosofia editadas no nosso país, a Filosofia Aberta, da editora Gradiva.


A razão dos argumentos

                                                                    (Foto de Rolando Almeida, at.Escola Jaime Moniz, Funchal)

Por que razão argumentamos? A resposta é que os argumentos são uma técnica para defender teorias. Raciocinar é uma condição necessária para argumentar, mas nem sempre um raciocínio é um argumento, pois podemos raciocinar sem querer convencer alguém de uma teoria. Quando usamos um argumento queremos dar razões para alguém aceitar a nossa tese.
A filosofia é um saber a priori. Significa isso que não recorre à experiência para testar teorias. As teorias testam-se com argumentos. E como na filosofia a experiência não constitui prova de fogo, então é natural que os filósofos disputem constantemente as conclusões das suas teorias.
Há quem pense que estar sempre em desacordo não é lá uma grande vantagem. Bem pelo contrário. Questionar permanentemente as teorias uns dos outros traz grandes benefícios aos seres humanos. Sem esta capacidade crítica (de permanente questionar), a evolução do pensamento seria muito mais difícil, ou pelo menos imaginamos que sim, pois não estamos de momento a ver como evoluiria o pensamento, a ciência e todo o conhecimento sem esta capacidade em permanente exercício.
Por outro lado, é claro que estar sempre a levantar problemas parece uma grande chatice, pois, tal como na vida, gostamos sempre mais de regressar ao nosso lugar de conforto, ao mais fácil e óbvio da vida. Neste aspeto estudar filosofia não nos dá paz. Não! Estudar filosofia não é violento. Não é nada disso que queria dizer. O que quis dizer é que estudar filosofia não é estudar teorias perfeitas e acabadas, mas antes colocar-nos numa situação de perplexidade (ficarmos sem resposta) perante os problemas. Mas é isto que torna esta disciplina tão fascinante, senão pensem: se estamos perante problemas sem solução, por que não tentarmos nós mesmo resolvê-los?
Duas conclusões:
1ª a filosofia não se estuda os outros (filósofos) para bilhardar* o que eles pensam, mas antes para discutir o que eles pensam.
2º Para conseguir o expresso na linha anterior, temos de dominar bem a argumentação.



*termo muito usado na ilha da Madeira e que significa Cuscar. 

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Objetivos para o 1º teste

Aqui ficam os objetivos principais do primeiro teste desde ano (10º ano). Para fazer um bom teste é necessário dominar estes conteúdos:

- Distinguir entre definição explícita e implícita (condições necessárias e suficientes).
- Explicar por que razão não é possível uma definição explícita em filosofia.
- Explicar por que razão a definição etimológica é incompleta.
- Caracterizar a filosofia como: atividade crítica, tomada de posição e estudo a priori.
- Distinguir a filosofia da ciência: ao passo que os problemas da filosofia são a priori, os da ciência são empíricos (recurso à experiência como "método" de resolver problemas)
- Compreender que a filosofia anda em volta de problemas, teorias e argumentos.
- Distinguir um texto argumentativo de um não argumentativo.
- Saber o que são premissas e conclusão (composição de um argumento).
- Distinguir num argumento premissas de conclusão.
- Saber o que é uma proposição.
- Identificar se um argumento é válido distinguindo argumentos válidos de inválidos.
- Compreender as condições para um argumento ser um bom argumento: validade, solidez e cogência.
- Saber negar proposições universais, particulares e condicionais.
- Compreender que os conceitos são representações mentais. 

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Uma sugestão musical para os alunos e alunas

Uma sugestão musical para os meus alunos e alunas dos 10º 31, 33, 41, 43 e 20. Os Portishead foram uma banda da cidade costeira inglesa de Bristol e fizeram uma mistura de soul, com hip hop e alguns elementos da música clássica. O género ficou conhecido por Trip Hop e foi popularizado por outras bandas como Bomb The Bass, Massive Attack ou Tricky. Esta que escolhi vale pela profundidade e beleza. Desfrutem. 


quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Como Pensar Tudo Isto? Digital

A versão digital em Pen do Como Pensar Tudo Isto? está a chegar aos professores. Esperemos que seja do agrado de todos. E mais uma vez agradeço aos professores que optaram por este manual. O vosso feedback será o derradeiro teste à qualidade do manual.