quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Filosofia, a aventura a começar


Ainda sem sequer dizermos os nossos nomes, sem sabermos quem é o professor desta nova disciplina, entramos na sala de aula e começamos, quase do nada, a ouvir esta música da Capicua. Enquanto isso, o professor escrevia no quadro:

Eu quero a vida como primeiro dia
Viver a vida como no primeiro dia
Cada dia como no primeiro dia

Mas para quê aquela história da Capícua numa primeira aula de filosofia? Quando entramos nesta sala de aula estávamos cheios de questões: que disciplina é esta? Será difícil ou fácil? Será que o professor é exigente? Que posso esperar disto tudo? O que é a filosofia?
Na verdade esta primeira aula é a melhor preparação para o que segue. A cada aula de filosofia eu devo entrar com cada vez mais e mais questões, dúvidas.
Sem dúvidas, sem questões, não há problemas. E sem compreender esta lição primeira e elementar, nada vamos conseguir desta nova aventura.

Portanto, miúdos e miúdas:

Na filosofia, “Nós… queremos a vida como no primeiro dia

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Capicua e Filosofia

Aos novos alunos de filosofia, 10º ano, peço que comecem o ano por ouvir esta introdução a um dos trabalhos da rapper do Porto, Capicua. Na aula falaremos o que queremos destas palavras. Os créditos a Almada Negreiros. 


quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Bom ano letivo a todos

Para todos as turmas às quais irei este ano ensinar filosofia, os meus desejos de um bom ano letivo. E habituem-se à imagem deste post, pois o que mais vamos fazer é aprender a raciocinar sobre argumentos.


segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Boas férias a todos

Regressamos em Setembro para mais um ano letivo. Até lá, boas férias.

(Foto de Rolando A. Garajau, Ilha da Madeira)



sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Nota de agradecimento com planificação anual


AQUI pode-se ler o nosso agradecimento às escolas e professores que optaram pelo Como Pensar Tudo isto?. E AQUI pode retirar-se a planificação anual para trabalhar com o manual.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Contestar não é o mesmo que criticar - Resposta aos posts do Orlando


O Orlando publicou dois posts( Post 1 e Post 2) a contestar que eu possa ensinar a perspetiva altruísta de Singer. Ele pressupõe, erradamente, que eu a ensino, o que não corresponde à verdade, pois não faz sequer parte do programa de ensino oficial da filosofia. No entanto uso-a ocasionalmente precisamente para realizar o exercício crítico pressuposto no programa.  Em primeiro lugar eu cometi o pecado capital destas coisas de troll na internet que foi ter colocado um link para o primeiro post nas redes sociais. O efeito foi o de aumentar o share do post, como prova uma pesquisa no Google. Não o devia ter feito e vou explicar resumidamente a razão.
O Orlando considera que eu deveria ser banido do ensino por mostrar a perspetiva altruísta de Peter Singer aos alunos (que segundo o autor não podem ser denotados como “meus alunos”). A defesa do Orlando é que Peter Singer defende o aborto e, em casos limite, até admite o infanticídio e tal é uma aberração ética. Na sua forma explícita o argumento do Orlando é este:

(1) Aberrações éticas não devem ser ensinadas,
(2) A teoria de Singer é uma aberração ética,
(3), Logo, a teoria de Singer não deve ser ensinada.

De (3) o Orlando ainda faz outra derivação:

(4) quem ensina a teoria de Singer nas aulas deve ser despedido com justa causa
(5) O Rolando ensina a teoria de Singer nas aulas
(6) Logo, o Rolando deve ser despedido por justa causa.

Para começar (5) é falsa. Mas é só porque tal teoria não é central no programa. No entanto praticamente todos os manuais de filosofia, quer do 10º ano, quer do 11º, abordam muitos aspetos das teorias morais de Peter Singer. Fazem-no porque é um autor central na ética aplicada. Só porque é engraçado lembrar, no meu manual (Como Pensar Tudo Isto? Sebenta Editora, 2014) não abordamos Peter Singer, apesar de termos capítulos opcionais sobre os problemas morais do aborto e eutanásia.
O problema é que (2) também é falso. Primeiro o Orlando teria de explicar por que é que considera a teoria de Singer uma aberração ética. Afirma que é, mas toma tal como uma conclusão verdadeira. Em que é que se baseia o Orlando para considerar a teoria de Singer uma aberração ética? O Orlando defende que perspetiva? Deontológica, utilitarista? E que afinações faz à teoria para a considerar uma aberração? O único vislumbre da análise supostamente crítica do Orlando consiste em afirmar que a ética não resulta de um cálculo racional, mas de uma sensibilidade resultante da educação:

O altruísmo — ao contrário do que o professor Rolando Almeida e Peter Singer pensam — não tem origem em um cálculo racional, mas antes tem origem na sensibilidade ética adquirida pela educação (mas não o tipo de educação que o professor Rolando Almeida dá aos seus alunos).”

Esta é uma perspetiva relativista já que então os princípios morais corretos são o resultado da educação moral. Se formos educados a aceitar o infanticídio, então, pelo mesmo critério, nada há de errado no infanticídio. Como o Orlando foi educado da forma X tudo o que escapa ao seu modelo é errado e deve ser banido. O problema é que eu ou qualquer pessoa pode pensar como o Orlando e aí sim, está a defender-se uma perspetiva relativista. X é correto se eu fui educado a aceitar X e é errado se eu fui educado a não aceitar. Como não fui educado a aceitar o aborto seja qual for a circunstância, então não posso considerar em qualquer circunstância que o aborto não envolva um problema moral.
O Orlando faz ainda mais confusões. Ele pensa que Peter Singer (e eu, já agora) defende que se deve abortar e que se deve matar as criancinhas. Isto é revelador do parco conhecimento do que são teorias éticas. Desconheço filósofos que defendam o aborto como moralmente correto. O que conheço são filósofos que defendem que o aborto em determinadas circunstâncias não é imoral, o que é diferente. Radicalizar as posições filosóficas porque não se as conhece é habitual quando temos um conhecimento vago da filosofia. Assim, o Orlando deve pensar que para Singer não há qualquer problema moral se uma mãe resolver abortar porque tinha umas férias de sonho marcadas para a China e teve o azar de engravidar. É este tipo de interpretações apressadas que conduzem pessoas como o Orlando a extremar posições.
O Orlando fala ainda em “desenvolvimento da sensibilidade moral” e pensa que esse desenvolvimento só é possível pela educação. Ora isso é errado precisamente porque a educação pode desenvolver sensibilidades morais profundamente irracionais, como apedrejar mortalmente mulheres que recusam casar com maridos impostos pela comunidade. Mas o Orlando acerta quando fala em “desenvolvimento moral”. O erro está em que o Orlando não percebe que esse desenvolvimento pode ser impulsionado pela reflexão crítica e racional. Aliás, se tal não fosse assim, como justificar que hoje em dia determinadas práticas são consideradas erradas moralmente quando aqui há escassos 100 anos eram consideradas corretas, como a escravatura, por exemplo? As pessoas eram educadas a aceitar a escravatura, pelo que não haveria qualquer necessidade de reflexão moral em torno do problema se se trata ou não de uma prática moralmente correta. Desconsiderar a reflexão crítica em moralidade é tornar qualquer discussão sobre o tema (incluindo esta) opaca. O Orlando até pode, como muitos filósofos de facto o fazem, defender uma perspetiva relativista e emotivista. Mas não se esquiva às objeções. E daí não pode concluir que uma pessoa deva ser banida da discussão só porque defende posições contrárias à que considera correta. Se em moralidade acertássemos à primeira, nenhuma discussão séria seria possível. E discutir seriamente teorias não é condenar pessoas que pensam de forma diferente da nossa ou, como no meu caso, apresentam aos alunos do secundário, perspetivas contrárias aos nossos próprios preconceitos ou teorias.
Por outro lado, se considerarmos a teoria moral de Singer uma aberração, por que não considerar as ideias de Platão muitíssimo mais aberrantes? E se tal consideração for feita por que razão não banir do ensino qualquer professor que lecione aos alunos (seus, claro, pois não se leciona aos alunos que não são seus alunos) as teorias de Platão?
Depois se defender que o aborto não é um erro moral em determinadas circunstâncias é uma aberração ética conduzirá à ideia consequente que qualquer lei que permita o aborto é uma aberração legal. No caso português então os juristas e políticos que aprovaram tal lei deveriam ser proibidos do exercício político e jurídico e, quem sabe, para o Orlando, até deviam ser expulsos do país e ir lá aprovar as suas aberrações legais para outros países.
Os posts do Orlando estão cheios de ataques pessoais (ainda que ele recuse) e de falácias. Ambos começam com falácias do espantalho, ao ponto de alegar que publica os meus comentários após correção para português correto. Para o Orlando português correto é escrever com a  antiga ortografia. O que até concordo. Acontece que a nova ortografia é oficialmente correta. Será que o Orlando quer expulsar do país quem escreve com a ortografia atual?  O Orlando parece querer banir tudo aquilo que não concorda. Se o mundo fosse assim então sim estaríamos em condições de falar em aberrações éticas, a começar pela falta de liberdade.
Há ainda aqui outro aspeto a considerar. Eu publico um post no qual exibo um vídeo de Singer a defender uma perspetiva altruísta. O Orlando não investiga nada sobre o meu trabalho, não quer saber sequer se nas aulas discutimos ou não a perspetiva, não quer saber sequer se abordamos perspetivas opostas com objeções à teoria de Singer, enfim, se fazemos o exame crítico da teoria. Para ele basta praticamente que se fale em Peter Singer que se deve ser logo banido da profissão. Estranho. Ou nem tanto pois uma pesquisa na internet permite-nos compreender que um filósofo como Singer suscita muitos ódios pelo mundo fora, principalmemte de pessoas como o Oralndo que nunca leram os livros de Peter Singer. O próprio Singer já fez esse exame no Apêndice do livro, Ética Prática, Ser silenciado na Alemanha.
O Orlando alega ainda que : “Dizer aos alunos que Peter Singer é um “filósofo altruísta” deveria dar direito a despedimento por justa causa.” Então devia dizer o quê? Que Peter Singer não é altruísta porque o Orlando diz que não? Singer defende em praticamente todos os seus livros a perspetiva altruísta. Tudo o que um professor responsável deve fazer é apresentar a teoria e as perspetivas críticas à teoria. Isto não é “dourtrinar”, como defende o Orlando, mas dar as ferramentas aos alunos para que pensem os problemas por si mesmos, dotados de conhecimento e liberdade para pensar de forma autónoma. Em filosofia é assim que se faz em qualquer parte do mundo. Mas o Orlando acha isso uma grande chatice. Paciência, eu também acho uma grande chatice muitas aspetos do programa de filosofia, mas aos meus alunos não tenho de ensinar o que eu acho e não acho, mas o que os autores mais centrais e atuais investigam sobre os problemas reais.
O Orlando é livre de expressar o que pensa, mesmo que tal resulte de más considerações críticas e seja o reflexo dos seus ódios pessoais. Mas devia ser mais comedido e responsável. E eu cometi o primeiro erro de engrenar esta trollice.


A frase que dá título a este post é do meu colega e amigo do Brasil, Alexandre Noronha Machado. Uma verdade banal, mas que deve ser sempre relembrada. 

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

3 sugestões de leitura para o verão

Deixo aqui 3 sugestões de leitura de filosofia para o verão. Qualquer um destes três livros proporciona uma boa aventura pelo espírito crítico filosófico. Deixo também links para saberem mais sobre cada um destes livros. Basta clicar no título de cada um dos livros. Todos estes livros podem ser adquiridos em livrarias como a Fnac, Bertrand ou pedidos em outras livrarias. 











sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Tabelas de verdade no Logicamente, ferramenta de lógica do Como Pensar Tudo Isto?

Uma das ferramentas digitais que disponibilizamos no Logicamente (parte integrante do manual Como Pensar Tudo Isto?) é a construção de tabelas de verdade. Disponibilizamos um tutorial para mostrar como funciona esta parte do nosso software.


sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Com o 10º32 foi sempre um sossego atento

E pronto, o painel deste ano letivo fica completo com a foto dos meninos e meninas do 10º32. E que devo salientar nesta turma? Primeiro tem lá no meio um cérebro como o do Einstein, não é Joana? Não esqueças do que conversamos e conserva sempre essa tua acuidade intelectual com muito estudo e criatividade. Depois tive alunos e alunas que durante 90 minutos nunca pregavam o olho, mesmo que a aula fosse intensamente expositiva, como muitas vezes acontece. A Regina e a Odília sabem do que falo. E ainda tivemos o João Francisco que dizia sempre: “gosto mesmo desta aula”. O João conservou essa ideia do princípio ao fim. Já a Laura tinha mais sono, mas nunca perdeu o tino e sempre se revelou um grande ser de apenas 15 anos. E o Óscar que nos seus melhores dias pegava em força com a sua curiosidade intelectual. E a Catarina que no final do ano fez uma revelação sobre o seu próprio trabalho verdadeiramente desconcertante tão cheia que estava de humildade e sinceridade. Nunca mais esquecerei que numa aula ao último tempo chamei um outro professor para espreitar como estes miúdos estavam sossegados a trabalhar. Foram excelentes kids e trabalhar com vocês foi sempre um prazer. Nesta foto temos a companhia da Professora Isabel que foi a Diretora de Turma e uma excelente colega e professora, sempre preocupada com o melhor para estes nossos alunos.

quarta-feira, 4 de Junho de 2014

Artes é com o 10º20

Estes miúdos escolheram as artes. E qual foi a nossa luta durante o ano? A Diana desafiou-nos sempre com as crenças mais imediatas. Não foi tarefa fácil mostrar que as nossas crenças não têm de ser as mais verdadeiras somente porque são nossas? Ou será esse um bom critério para avaliação de crenças? A Telma devolveu-nos o silêncio atento e a Laura desafiava com um interesse elegante. O Leandro começou virado do avesso, o que até nem foi mau, mas demorou tempo a conquistá-lo nas nossas discussões. E claro, como todos os bons alunos, também os alunos do 10º 20 terminaram o ano a defender: “as aulas mais interessantes são as que debatemos”. Como vos compreendo. Não podemos esquecer a Leandra com os nossos votos de que tudo lhe corra bem e muita força. E, certo, a Carolina que tanto falei dela quando nos abandonou na turma. 


Olá 10º30!

O 10º 30 foi a turma expert em debater. Eles adoraram os debates. E foi exatamente isso que expressaram no final do ano, quando mais de 70% dos alunos disseram na avaliação final de ano que o que mais apreciaram foram as discussões. Pois, compreendo. Dá muito mais prazer fazer do que ver fazer e estar o ano todo a olhar para um professor a debitar e fazer filosofia deve ser maçador. Esse foi o convite que vos fiz ao longo de todo o ano: “oK, eu ensino-vos o que disse o Stuart Mill sobre o problema X. Mas agora não temos de concordar com os seus argumentos”. Depois do passo inicial com a toolbox da filosofia, era vê-los em cada aula a abrir a malinha da qual retiravam argumentos, cogência, premissas, plausibilidade, objeções… e como estes rapazes e raparigas adoravam fazer objeções. A Madalena sempre na proa do barco. O Alexis muito teimoso a querer discordar inicialmente somente porque tudo aquilo era uma grande confusão: “Então profe, mas não há verdades? Se não temos essa possibilidade de que nos vale tudo isto?”. Mas ele lá foi. E no final lá soube dizer que afinal isto de filosofar vale mesmo a pena, que discutir com sofisticação científica é coisa fina! E o nosso Rachid (Né Zé?)?? Isto para não falar da Beatriz sempre questionante, da Ana que com o pé partido filosofa muito melhor, da Joana que estava sempre, mas sempre sempre, atenta, da Diana que é um exemplo de pessoa  e do António que destabiliza só porque alguém deu um atchim. E do João Francisco que de “terrorista” de aula passou a filósofo sempre presente. Todos estiveram a um excelente nível, mesmo nas aulas dos últimos tempos de sexta-feira. Quem disse que não se tem boas aulas de filosofia aos últimos tempos quando já se sai de noite da escola? E, já agora, muito obrigado pela lição que me deram quando foram todos (todinhos) à sala de professores buscar-me para vos dar a aula. Não esqueço, Kids. 
Ah, para se ter uma ideia como eles me abafabam a discutir filosofia: tal como na foto me abafam :-)

terça-feira, 3 de Junho de 2014

Agora o 10º42

O 10º42 foi especial porque foi a minha direção de turma. Foi uma batalha fazer com que estes rapazes e raparigas pegassem à séria nas discussões. Mas a turma esteve recheada de alunos e alunas excelentes. E muito (mas mesmo muito) boa gente que proporcionaram momentos de aula excelentes. Eu sei! Eu sei! Algumas aulas foram chatas. Mas, como disse a simpática Catarina, “só foram 3 em 100”, o que é uma média muito boa. Remember Kids, “A primeira aula é muito importante, pois é a que dou lições de vida. E eu só tenho 3 ou 4 lições de vida”. E eu avisei que um bom professor só o é se tiver bons alunos. Ao longo deste ano fizemo-nos todos muito melhores. E pelo meio metemos ao barulho intenso alguns amigos extra que não estão nesta fotografia. Por isso temos de nos lembrar deles também. Um grande abraço ao Kant, ao Mill, ao Rawls, ao S Tomás de Aquino, ao Pascal, ao Singer, ao Tooley, à Judith Thomson e aos velhinhos Platão, Aristótles e Descartes. Boas férias e o meu obrigado.


O 10º47

Olá. O ano termina esta semana e como tem sido hábito nos últimos anos, registo a fotografia de “família”. Esta “família” é o 10º47. Excelente turma. Boas aulas. Muita filosofia. Muita luta por boas notas, pela compreensão dos argumentos e sua posterior discussão. Quase só meninas, é verdade. Mas que bem se portaram ao longo do ano. Obrigado e boas férias miúdas (e miúdo). Tudo de bom para vocês.


segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Sessão de Apresentação no Funchal do Como Pensar Tudo Isto?

É já no próximo Sábado, dia 31, pelas 12 horas que apresento o Como Pensar Tudo Isto? Na Escola Básica Horácio Bento Gouveia, no Funchal. As inscrições podem ainda ser feitas AQUI.