sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Egoísmo psicológico

Na secção de textos deste mesmo blogue disponibilizo um texto sobre o Egoísmo Psicológico, o que nos ajuda a começar a compreender o problema da Filosofia da Ação, o do livre arbítrio que estudaremos ao longo da próxima semana. Atenção que o egoísmo psicológico é diferente do egoísmo ético. Ao passo que o egoísmo ético é uma teoria normativa, o psicológico é uma teoria descritiva. Uma teoria é normativa se é sobre o que é certo e errado, ao passo que uma teoria descritiva não se debruça sobre o certo e errado. Isso significa que o egoísmo psicológico não é uma teoria ética. Para os alunos basta lerem este excerto de todo o texto.

“O egoísmo psicológico é uma teoria da motivação que afirma que todos os nossos desejos últimos são auto-dirigidos. Sempre que queremos que os outros se saiam bem (ou mal), temos esses desejos dirigidos para os outros apenas instrumentalmente; preocupamo-nos com os outros apenas porque pensamos que o seu bem-estar influenciará o nosso próprio bem-estar. Como afirmei, o egoísmo é uma teoria descritiva, não é normativa. Procura caracterizar o que de facto motiva os seres humanos, mas nada diz sobre se essa motivação é certa ou errada.
O egoísmo tem exercido uma enorme influência nas ciências sociais e tem penetrado de forma ampla no pensamento das pessoas comuns. Os economistas pensam tipicamente que os seres humanos são movidos por “um interesse próprio racional”, o que excluí qualquer preocupação redutível ao bem-estar dos outros. Qualquer pessoa comum afirma frequentemente que as pessoas ajudam os outros, porque isso fá-las sentir bem com elas próprias ou porque procuram a aprovação de terceiros.
É fácil inventar explicações egoístas mesmo para os actos de auto-sacríficio mais horrendos. O soldado na trincheira que se faz rebentar junto com uma granada para salvar a vida dos seus camaradas, é um lugar-comum na literatura sobre o egoísmo. Como pode esse acto resultar do interesse próprio se o soldado sabe que acabará com a sua vida? O egoísta pode responder que o soldado percebe nesse instante que prefere morrer a sofrer a culpa que o perseguiria para sempre se se salvasse a si próprio e deixasse que os seus amigos morressem. O soldado prefere morrer e nada mais sentir, a viver e sofrer os tormentos dos condenados. Esta resposta pode parecer forçada, mas ainda está por determinar a razão por que a devemos considerar falsa.
As críticas que têm surgido contra o egoísmo podem ser divididas em três categorias. Primeiro, existe a tese de que não é genuinamente uma teoria. Segundo, há a alegação de que se trata de uma teoria que é refutada pelo que observamos no comportamento humano. Terceiro, existe a ideia de que, embora o egoísmo seja uma teoria consistente com o que observamos, existem outras considerações que não são evidentes que sugerem que deve ser rejeitada em favor de uma teoria alternativa, o pluralismo motivacional, segundo a qual os seres humanos possuem desejos últimos egoístas e altruístas.”


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Elídia, uma homenagem




Eu não sei como será o mundo da filosofia sem a Elídia. Mas sei que o mundo da filosofia na Jaime Moniz será mais pobre. Muito mais pobre. Até sempre colega. E obrigado à vida por um dia te ter conhecido. Por aqui, temos a memória da tua dedicação que nos ajuda todos os dias a ser melhores. Obrigado colega. Tive a felicidade de por duas vezes te ter dito que estarás sempre entre nós. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Filosofia da Ação e Problema do Livre Arbítrio



Vamos começar a estudar Filosofia da Ação. Na filosofia da ação vamos primeiro analisar o problema de saber se todas as nossas ações se traduzem ou não no interesse egoísta pessoal. De seguida analisaremos o que é o determinismo causal, fazendo a distinção entre mero fatalismo. Isto conduzir-nos-á ao problema do livre arbítrio que nos ocupará algumas aulas, dependendo também da vossa reação às discussões propostas.
Para começar a vislumbrar um pouco do problema nada melhor que fazer uma breve pesquisa nestes links.

Link 1 (O que vamos estudar? Filosofia da ação e livre arbítrio)

Link 2 (Dilema do determinismo)

Link 3 (Argumentos a favor do libertismo)

Link 4 (2º teste de Filosofia 2014/15 - Organização)

Link 5 (Dicas para estudar para o teste de Filosofia da Acção)

Link 5 (Somos responsáveis pelo que fazemos?)

Link 6 (Libertismo)

 Podes também iniciar o teu estudo sobre o problema do livre arbítrio visualizando este vídeo (legendado)

 

sábado, 17 de outubro de 2015

Validade, solidez e cogência



Argumentamos para resolver problemas insuscetíveis de serem resolvidos empiricamente. Por essa razão a argumentação é central quando estudamos filosofia. Os bons argumentos reúnem 3 condições principais:
São válidos: se um argumento é válido isso significa que numa circunstância de verdade em que as premissas são todas verdadeiras, é impossível a conclusão ser falsa. Pode-se também dizer que a verdade da conclusão num argumento válido, implica a verdade da ou das premissas (um argumento pode ter uma ou mais premissas, mas só uma conclusão).
São sólidos: não queremos saber de falsidades, mas de verdades. A validade diz respeito à estrutura lógica do argumento. Assim, para um argumento ser bom, obviamente além de válido, convém que efetivamente as premissas sejam verdadeiras (e, por consequência, dado que é válido, a conclusão também). Chama-se sólido a um argumento válido com premissas verdadeiras.
São cogentes: Não basta que um argumento para ser bom seja sólido. É necessário que as premissas sejam mais credíveis (também se diz aceitáveis) que a própria conclusão. Quem aceita as premissas de um argumento sólido (e, claro, válido) aceita a conclusão. É a este efeito que se chama persuasão racional ou também honestidade intelectual.
Nota final
Obviamente os argumentos cogentes são muito difíceis de encontrar. Um argumento não é na maioria das vezes por si só, isoladamente, cogente. Isto acontece porque nos argumentos filosóficos raramente sabemos se as premissas são efetivamente verdadeiras ou falsas. É por isso que filosofamos. Filosofar é, neste sentido, encadear outros argumentos que justifiquem premissas. Podemos escrever um livro inteiro a justificar a verdade de uma premissa com recurso a argumentos. E por isso é que a filosofia é para muitas pessoas difícil, pois temos de seguir atentamente esse encadeamento de argumentos como se seguíssemos a construção de um puzzle. No caso da filosofia o puzzle é mental, já que as peças são as partes de um todo que é um raciocínio encadeado com outros raciocínios. 
Um pequeno exemplo
Assistimos hoje em dia a inúmeras discussões sobre a moralidade das touradas. Ocorre ocasionalmente o seguinte argumento:
“Os animais não humanos não têm quaisquer direitos morais, pois também não têm deveres. E só tem direitos quem tem deveres. Como os animais não têm deveres, logo, não têm direitos
Podemos recorrer a um argumento válido, sólido e cogente para refutar este argumento:
(P1) Se só possuísse direitos morais quem tem deveres morais, então os bebés não teriam direitos, pois não têm quaisquer deveres.
(P2) Ora, os bebés possuem direitos, mas não têm deveres morais
(c) Logo, é falso que só possui direitos quem tem deveres.

Para estudar a negação de proposições



Negar proposições é importante para saber refutar argumentos. Muitos dos erros de raciocínio aparecem por não sabermos negar corretamente as proposições. Nas aulas aprendemos a negar apenas alguns tipos de proposições, aquelas que se considera ocorrerem com maior frequência e sobre as quais cometemos mais erros. Aqui ficam os links para estudar com mais pormenor este ponto da matéria.