Numa aula do 11º ano, hoje ao fim da tarde, pretendi mostrar
um argumento válido, mas com premissas menos plausíveis que a conclusão. Uma
das premissas gerou uma discussão ainda algo desorganizada, mas muito
interessante. A premissa indicava que “a vida é sagrada”. Um aluno chegou a
apresentar uma ideia engenhosa: “a vida é tão sagrada para um crente como para
um muçulmano ter mais que uma mulher também é sagrado”. As teses dividiram-se
para discutir a premissa. Ao passo que alguns alunos defenderam que a premissa
é sempre verdadeira, invocando que em causa está sempre em primeiro lugar a
preservação da vida, outros achavam que a premissa não pode ser dada como
verdadeira. Nesta animada discussão filosófica pouco pude intervir a não ser
para gerir a discussão em alguns momentos de maior intensidade. Mas fica aqui o
registo para reflexão para os meus alunos. Obviamente que para um crente
católico não é difícil encarar a premissa como verdadeira. Mas como é que
podemos pensar que a vida é sagrada se não nos importamos com as formigas que
todos os dias pisamos e matamos, com os porcos e vacas que comemos nas nossas
refeições, com o fiambre das nossas sandwichs, etc..? Pelo menos temos de
reformular a premissa deste modo: “ a vida de alguns seres humanos é sagrada”.
Será que assim a premissa fica verdadeira? Que acham?
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