Para melhor responder a este problema podes ler este texto (clica
AQUI) na Sebenta de Filosofia.
Para já ainda não sabes o que são argumentos válidos e cogentes, pelo que vais
ter alguma dificuldade em interpretar o último período do texto, mas ao longo
da próxima semana vais saber o que isso é.
sábado, 6 de outubro de 2012
Crença
Como referi no post anterior, o termo crença tem em filosofia
um significado diferente do que habitualmente lhe damos. Assim, crença, na
filosofia, exprime a confiança ou convicção que temos que determinada
proposição seja verdadeira ou falsa. Deste modo, crer numa proposição é tomá-la
como verdadeira, ainda que a proposição possa ser falsa. Durante muitos séculos
a proposição: “a terra está no centro do sistema solar”, era tomada por
verdadeira, mesmo sabendo hoje que era falsa.
Proposição
Uma proposição é o conteúdo de pensamento expresso numa
frase. Por exemplo, a proposição “a porta está fechada” exprime o pensamento de
que a porta está fechada. Mas a proposição não é a frase, mas aquilo que a
frase exprime. A proposição “a porta está fechada” é falsa se a porta a que nos
referimos no mundo de coisas estiver aberta. Mas é verdadeira se a porta a que
nos referimos estiver fechada. Se é fácil gerar consenso em relação à verdade
da proposição da porta, o mesmo não podemos pensar que assim seja para a
maioria das proposições. Por exemplo, para a proposição “Deus existe” temos
ampla discussão sobre se é verdadeira ou falsa.
Mas nunca confundir a proposição com a frase. A frase “ a porta está fechada” é diferente da
frase “ the door is closed”, no
entanto ambas as frases exprimem a mesma proposição. As frases são conjuntos de
palavras que descrevem o mundo e exprimem-no com verdade ou falsidade.
Mas nem todas as frases exprimem proposições. Somente as
frases declarativas exprimem proposições. Frases interrogativas, exclamativas
ou declarativas sem qualquer sentido não exprimem proposições, pois não
pretendem referir nenhuma verdade ou falsidade do mundo. Ordens também não
exprimem proposições.
Exercício:
Das frases que te apresento, indica quais são e quais não são
proposições. Se quiseres tirar dúvidas anota-as e leva para as aulas ou usa o
meu e-mail.
1. As nuvens são amarelas
2. O João faltou à aula de filosofia?
3. Será o dengue uma doença perigosa?
4. Vai já imediatamente estudar!
5. Há vida em Marte
6. azul ontem delicioso coração.
1. As nuvens são amarelas
2. O João faltou à aula de filosofia?
3. Será o dengue uma doença perigosa?
4. Vai já imediatamente estudar!
5. Há vida em Marte
6. azul ontem delicioso coração.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Algumas noções para começar
Neste início de aprendizagem de como fazer filosofia é
preciso ter em atenção algumas palavras novas que em filosofia adquirem um
significado muito preciso. Assim, para começar vamos analisar de forma breve
algumas dessas palavras:
Argumento – um argumento também se pode chamar
de raciocínio ou inferência
e consiste em retirar uma conclusão de certas premissas ou, o que é o mesmo, defender uma tese (conclusão)
oferecendo razões para essa defesa.
Vamos imaginar que queremos defender que as touradas são
imorais. Podemos argumentar da forma seguinte:
Premissa:
Qualquer actividade humana que faça sofrer animais não humanos é imoral
Premissa:
As touradas fazem sofrer animais não humanos
Conclusão: Logo, as touradas são imorais
|
Um argumento tem só uma conclusão, mas pode ter uma ou mais
premissas. O exemplo acima mostra um argumento com duas premissas.
O que é característico nos argumentos é que eles preservam a
verdade. Num argumento válido, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão
também o será.
Os argumentos são como as máquinas de fazer salsichas. Se
metermos carne de salsicha, a máquina vai fazer salsichas. Nos argumentos
válidos se metermos premissas verdadeiras, vai sair conclusão verdadeira.
Há vários tipos de argumentos. No 11º ano estudarás quer os
argumentos dedutivos, quer os indutivos. Para já bastam estas noções iniciais.
Em filosofia vamos sempre trabalhar com argumentos, já que é
a ferramenta disponível pelos filósofos para tentarem resolver os problemas
filosóficos, que são problemas conceptuais e não empíricos, como viste nas
aulas.
Os problemas filosóficos são sempre questões e as respostas
são razões que oferecemos para sustentar uma tese. Assim, perante o problema,
por exemplo, da filosofia da arte, se é possível ter uma definição de arte,
seja a resposta sim ou não, temos de apresentar razões em favor da nossa
resposta, que será a conclusão do nosso argumento.
A vantagem do pensamento filosófico, mais que chegar a
conclusões, é começar a compreender que muitas das nossas crenças são mal fundamentadas e muitas vezes também
inconsistentes umas com as outras.
Crença em filosofia não tem o mesmo sentido
que crença no sentido comum, que é a crença em Deus ou numa religião. Do mesmo
modo o conceito de massa em física não significa a massa que comemos ao almoço
ou o dinheiro que temos para comprar o Fifa 2013.
Duas crenças são consistentes
se podem ser ambas verdadeiras, mas são inconsistentes se não podem ser ambas
verdadeiras. Por exemplo a crença que o FC Porto é o melhor clube do mundo é
consistente com a crença de que se estudar muito tiro boas notas, mas a crença
que o FC Porto é o melhor clube do mundo não é consistente com a crença de que
o FC Porto não é o melhor clube do mundo, porque uma tem de ser verdadeira e a
outra falsa e não podem ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo.
Proposição: uma proposição é o pensamento expresso em frases. Por exemplo
a proposição expressa pela frase “a porta
está fechada” é a mesma que pela expressa pela frase “the door is closed”. Ora, o que pensamos pode ser verdadeiro ou
falso, de acordo com o mundo. Se a porta estiver de facto fechada, então a
proposição do exemplo é verdadeira. Não é a frase que é verdadeira ou falsa,
mas o que pensamos e que expressamos pela frase é que é verdadeiro ou falso.
Não podemos dizer que perguntas, admirações ou frases sem sentido exprimem
verdades ou falsidades de pensamento, pelo que na filosofia só nos interessam
as frases declarativas com sentido, aquelas que expressam as proposições. Está
claro?
Nunca dizemos que os argumentos são verdadeiros ou falsos.
Isso seria um erro. As proposições (que no argumento ocupam ora o lugar de premissas
ora o lugar de conclusão) é que são verdadeiras ou falsas. Os argumentos são
válidos ou inválidos
Um argumento é válido quando
se for impossível verdades gerarem falsidades, isto é, se temos verdades nas
premissas e o argumento for válido, vamos ter verdade na conclusão. Há outros
aspectos a estudar sobre os argumentos, mas para já vamos ficar com estas
noções mais básicas que nos servem para seguir em frente.
Os argumentos são centrais na filosofia, pois queremos
discutir e defender posições e para o fazer temos de o fazer com rigor. Ora
argumentar com rigor é um dos objectivos da disciplina de filosofia. Argumentando
bem, treinamo-nos a discutir ideias de forma racional e a evitar o desgaste das
gritarias.
Agora, vamos lá fazer salsichas! (Ups! Verdades….)
terça-feira, 25 de setembro de 2012
O problema da definição
Uma definição é uma maneira de dizer o que uma coisa é. As
definições são muito importantes em filosofia já que nos permitem clarificar os
conceitos presentes nos nossos argumentos. Mas na maioria das vezes temos
dificuldade em definir em filosofia, já que queremos precisar com muito rigor o
que queremos expressar com determinado conceito. A própria definição de
filosofia é difícil de obter. Uma boa maneira de sabermos com maior precisão o
que a filosofia é, é caracterizá-la. Como viste na aula, se queremos definições
de filosofia, quase nunca conseguimos boas definições e quase sempre elas
expressam de modo impreciso o que a filosofia é. É como se fosse um jogo de
tiro ao alvo e acertamos sempre, mas raramente acertamos no centro.
Para começar, o melhor mesmo é consultares o DEF (Dicionário
Escolar de Filosofia), na sua versão on-line e começares por ver o que
significa: “Definição”, “Definição Explícita” e “Definição Implícita”. Procura clicando AQUI. E já agora, já te sentes capaz de caracterizar a filosofia?
terça-feira, 18 de setembro de 2012
O que é a filosofia?
Ao longo
deste ano lectivo vou postar alguns textos para os meus alunos de Filosofia dos
10º 14, 20, 30 e 32 da Escola Secundária Jaime Moniz. Grande parte deste espaço
irá doravante ser ocupado com materiais de estudo de complemento às aulas. Naturalmente
ao estudante do 10º ano interessa saber respostas a algumas questões,
nomeadamente:
1) O que é a filosofia?
2) Como estudar filosofia?
3) É a filosofia difícil?
Como
complemento há ainda outras informações a aprender, principalmente as
relacionadas com a história da filosofia
e as principais áreas de estudo desta disciplina nova.
Para começar
deixo aqui o link para um texto belíssimo de Nigel Warburton. O teu estudo deve
iniciar-se pela leitura deste pequeno, mas motivador texto.
Nigel
Warburton é professor de filosofia e autor de muitos livros de filosofia,
grande parte deles destinado a jovens estudantes. O texto que apresento no link
a seguir tenta responder à questão 1) O que é a filosofia?
Todas as
entradas destinadas aos alunos do 10º ano serão arrumadas na etiqueta com o
nome “10º” para facilitar a procura de artigos para posterior estudo.
Bom ano e
bom estudo.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Pensar de A a Z
A Bizâncio acaba de anunciar a edição para Setembro do livro de Nigel Warburton, Pensar de A a Z, na colecção Filosoficamente, dirigida por Desidério Murcho. A tradução é de Vitor Guerreiro, com introdução e notas de Desidério Murcho. Mais um livro disponível na nossa língua e que tem todo o interesse para o ensino secundário.
sábado, 8 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Really Really Big Questions. About Me
A ideia de divulgar a filosofia e a ciência é muito popular
em alguns países. Esta divulgação – ainda morna em Portugal – aparece como
central a muitos autores, pois é de pequenino que se torce o pino. Além disso é
certo que é tentadora a ideia da publicação. Se um livro tiver sucesso,
enriquece o autor, o que é justo, apesar de muito distante da nossa realidade.
Mas tanto em Inglaterra como nos EUA ou em Portugal há sempre um bom motivo
comum, que é a paixão de trazer mais pessoas ao saber, à ciência e à filosofia.
Não há outra explicação para trabalhos tão intensos e de qualidade suprema como
os de Carl Sagan, por exemplo. Na esmagadora maioria dos casos é errado ficar
com a ideia de que os divulgadores só se dedicam à divulgação. Em regra, um bom
autor de divulgação é também um bom mestre na sua arte. E assim percebemos o
caso de A C Grayling (este fim de semana estará em Lisboa nos encontros nacionais de
professores de filosofia) que, ao mesmo tempo que manifesta preocupações
com a qualidade sofisticada da filosofia (ver
aqui), também publica livros de divulgação. Apesar de salvas as diferenças,
atrevo-me a colocar no mesmo lote o nome de Stephen Law que além de editor da
prestigiada revista de filosofia Think tem publicado com regularidade livros de filosofia de divulgação e alguns outros
para os adolescentes e crianças. Descobri por acaso um desses livros felizmente
traduzidos para português quando procurava livros para o meu filho numa secção
de livros para crianças (ver
aqui). Hoje mesmo tive a notícia da publicação de um
outro volume. Resta esperar que o editor português esteja atento e
manifeste interesse na sua tradução.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Os putos
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