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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

As proposições sobre valores e a objetividade

Acabei de publicar dois textos para estudar a questão dos valores e da possibilidade dos juízos acerca de valores (proposições sobre valores) possuírem valor de verdade. Apareceram originalmente na Crítica e incluí na coleção de textos deestudo:

Pedro Galvão, Valores e valoração: a questão dos critérios valorativos – Este texto é longo mas serve de estudo para esta matéria e substitui os textos do manual. Acessível aos alunos do secundário.


Bertrand Russell, Os valores são subjetivos – Trata-se de uma defesa de uma posição sobre o problema. É um bom exercício a leitura do texto e responder às questões que se lhe seguem. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O que é o dilema de Hume?


O dilema de Hume é assim conhecido porque foi apresentado pelo filósofo David Hume. Antes disso vamos tentar perceber o que é uma teoria compatível. Por um lado temos a afirmação “há livre arbítrio”. Por outro, a afirmação “somos livres”. Estas duas afirmações são consistentes se podem ser as duas verdadeiras (ou as duas falsas, mas para já consideraremos apenas a verdade). Por isso se diz que são compatíveis. Dito de outro modo, pode ser verdade que exista livre arbítrio, ao mesmo tempo que é verdade que existe determinismo. São inconsistentes se a verdade de uma condiciona (implica) a falsidade da outra. Assim, se for verdade que o livre arbítrio existe, então o determinismo é falso. Mas se o livre arbítrio for uma ilusão, isto é, falso, então segue-se que o determinismo é verdadeiro. Em resumo, duas teorias são compatíveis se a verdade de uma não exclui a verdade da outra. Se exclui, então são incompatíveis.
Em relação ao problema do livre arbítrio, David Hume apresenta um dilema que pressupõe que qualquer teoria incompatibilista não é adequada para resolver o problema. O dilema é apresentado nestes termos:
Se o determinismo for verdadeiro, então aceitamos a causalidade natural e nesse caso o livre arbítrio é uma ilusão. Mas se o determinismo for falso, como explicar então as nossas escolhas? De onde resultam? Parece que sem pressupor uma causalidade que possa explicar as razões de uma escolha, essa escolha só pode resultar por mero acaso, isto é, só compreendemos a liberdade se compreendemos as causas que a produz.
Em conclusão, segundo este dilema, quer o determinismo seja verdadeiro, quer seja falso, parece que o livre arbítrio não existe. Como resolver então este problema? Hume parece sugerir uma teoria compatibilista. Que te parece?

Vamos então estudar uma teoria compatibilista, o determinismo moderado. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Será o determinismo radical uma teoria verdadeira?

Estava a navegar na internet e encontrei uma notícia na Super Interessante, edição brasileira, de Setembro de 2008 e que pode ser acedida AQUI . Resumindo, segundo o artigo, o que um grupo de cientistas defendem é que o livre arbítrio não passa de uma ilusão. Lê parte da notícia que aqui transcrevo e depois responde às questões:


Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido tudo sozinha – e sem lhe avisar. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não? Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o botão, sinais elétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões. “Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. Isso porque a consciência é apenas uma “parte” do cérebro – e, como a experiência provou, outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. Agora os cientistas querem aumentar a complexidade do teste, para saber se, em situações mais complexas, o cérebro também manda nas pessoas. “Não se sabe em que grau isso se mantém para todos os tipos de escolha e de ação”, diz Haynes. “Ainda temos muito mais pesquisas para fazer.” Se o cérebro deles deixar, é claro.

1.      Estudaste uma teoria filosófica que defende precisamente o que defendem os cientistas. Como se chama essa teoria?

2.      Quais as principais objeções que se pode levantar em relação à teoria?

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Filosofia da Ação e Problema do Livre Arbítrio



Vamos começar a estudar Filosofia da Ação. Na filosofia da ação vamos primeiro analisar o problema de saber se todas as nossas ações se traduzem ou não no interesse egoísta pessoal. De seguida analisaremos o que é o determinismo causal, fazendo a distinção entre mero fatalismo. Isto conduzir-nos-á ao problema do livre arbítrio que nos ocupará algumas aulas, dependendo também da vossa reação às discussões propostas.
Para começar a vislumbrar um pouco do problema nada melhor que fazer uma breve pesquisa nestes links.

Link 1 (O que vamos estudar? Filosofia da ação e livre arbítrio)

Link 2 (Dilema do determinismo)

Link 3 (Argumentos a favor do libertismo)

Link 4 (2º teste de Filosofia 2014/15 - Organização)

Link 5 (Dicas para estudar para o teste de Filosofia da Acção)

Link 5 (Somos responsáveis pelo que fazemos?)

Link 6 (Libertismo)

 Podes também iniciar o teu estudo sobre o problema do livre arbítrio visualizando este vídeo (legendado)

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Determinismo radical no Sims

Na verdade nunca joguei o Sims, mas sabendo mais ou menos do que que se trata, fiz uma analogia na aula entre o determinismo radical e o jogo Sims. Se o determinismo radical for verdadeiro, comportamo-nos como se fossemos personagens do Sims que pensam que são livres, mas na verdade todas as suas ações estão causalmente determinadas. Claro que não devemos de todo levar esta analogia a sério, pois o determinismo que falamos no problema do livre arbítrio é a causalidade científica.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

O que vamos estudar? Filosofia da ação e livre arbítrio

Neste momento estudamos a ação. Não estamos propriamente a fazer filosofia da ação, mas antes a tentar arranjar uma boa definição de ação que nos permita avançar com alguma segurança para a discussão do problema seguinte, o problema do livre arbítrio.
Assim, começamos por distinguir ações de meros acontecimentos, mesmo que nos tenhamos deparado com algumas situações em que é difícil determinar se estamos perante uma ação ou perante um acontecimento.
De uma forma geral definimos ação como um acontecimento que um agente faz, com intenção. Para determinarmos como saber se uma ação é intencional estabelecemos que tem de obedecer pelo menos a uma descrição verdadeira, isto é, que possamos evidenciar pelo menos uma crença e um desejo de agir, se quisermos, temos de enunciar um motivo. Assim, sabemos que respirar não pode ser uma ação, mas estudar filosofia é uma ação.

Vamos então supor que a Maria está a tocar piano. É simples perceber que tocar piano, ou pelo menos colocar os dedos sobre o piano, é uma ação que a Maria realiza. Vamos imaginar ainda que a Maria acordou os vizinhos com o som produzido pelo seu piano. Será que a Maria praticou uma ou duas ações? O que pensas disto?


Definir a ação vai-nos permitir entrar no problema do livre arbítrio. Se o universo é fisicamente determinado, será que somos livres quando agimos, ou a nossa ação não passa de uma ilusão?
Vamos estudar três respostas a este problema, duas delas incompatibilistas (que defendem que o livre arbítrio é incompatível com o determinismo) e uma delas compatibilista (que defende que o livre arbítrio é compatível com o determinismo)

Incompatibilistas:

·         Determinismo radical
·         Libertismo

Compatibilistas:

·         Determinismo moderado


Estudaremos cada uma destas teorias nas aulas, bem como a sua discussão. 
O vídeo que te é proposto neste post é do filme The Matrix. Nele coloca-se uma situação interessante relacionada com o livre arbítrio. Se puderes ver o filme todo, é interessante. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dicas para estudar para o teste de Filosofia da Acção


Para o segundo teste temos a filosofia da acção. Numa primeira abordagem procuramos compreender o conceito de acção, distinguindo-a dos acontecimentos que não envolvem agentes (todas as acções são acontecimentos que envolvam agentes, mas nem todos os acontecimentos que envolvam agentes são acções). Ao mesmo tempo distinguimos acções intencionais e não intencionais e vimos que um acontecimento é uma acção se for possível pelo menos uma descrição verdadeira.
Uma descrição verdadeira é aquela que pode descrever pelo menos uma crença e um desejo do agente para agir.

E é essa crença e desejo que explicam o Motivo da acção. Seguidamente analisamos uma teoria explicativa do motivo, que é o egoísmo psicológico. Uma das críticas principais ao egoísmo é que o prazer que retiramos de uma acção não pode, segundo os críticos do egoísmo psicológico, ser causa, mas consequência da acção.

Uma vez terminado este primeiro tópico, começamos a discutir um dos principais problemas da filosofia da acção, o de saber se a nossa vontade para agir é livre ou se é determinada. Para tal estudámos o que significa determinismo, distinguindo-o do fatalismo. Compreendemos o alcance do determinismo explicando a causalidade e recorrendo às ciências como a física ou a biologia. Avaliamos o determinismo como uma teoria verdadeira. Mas ao mesmo tempo também apurámos que a nossa intuição é muito forte ao indicar-nos que somos livres de escolher como agir. Encontramos assim o problema do livre arbítrio: se somos livres ao agirmos, de onde vem essa liberdade, pois o determinismo parece indicar que tudo no universo é determinado. Ora, se assim é, as nossas acções também são determinadas e, logo, o determinismo não passa de uma ilusão.

Parte das nossas aulas foram de discussão deste problema. Pelo meio tivemos de resolver alguns outros problemas paralelos, como aquele que apareceu no 10º14, sobre o relativismo da verdade. Nessa aula tentei dar-vos pistas para compreenderem a inconsistência na defesa de uma tese como “a verdade é relativa”, raciocinando que se assim é, 1) pelo menos esta mesma verdade não pode ser relativa e que 2) se a verdade é relativa alguém pode sempre defender que a verdade não é relativa, aproveitando-se da verdade que indica ser a verdade relativa. Confusos? Calma.

Para tentar responder ao problema do livre arbítrio começamos por fazer o mapa do problema:

Ou o livre arbítrio existe e o determinismo é falso
Ou o determinismo existe e o livre arbítrio é uma ilusão
Ou é impossível resolver o problema

Se negamos a existência do livre arbítrio, então apoiamos a tese do determinismo radical. Se negamos o determinismo radical, defendemos a tese do libertismo. Estas teses são incompatibilistas. Mas houve quem sugerisse – e muito bem – que podemos ao mesmo tempo defender o livre arbítrio e o determinismo numa tese compatibilista a que chamamos de determinismo moderado.

Para todas estas teses apresentamos algumas objecções e tentamos inventar outras, umas que funcionaram e outras que ficaram abandonadas pelo caminho já que pouco ajudavam a resolver o nosso problema.
Finalmente analisamos brevemente a posição que defende que não há uma resposta minimamente plausível ao problema.

Agora, toca a rematar todas estas questões, pensar bem nos problemas e analisar bem o problema, as teorias e os argumentos, pois o teste sobre este problema está a chegar.