Foi publicado o meu texto de opinião sobre ensino e chumbos no Funchal Notícias. Este texto é o seguimento de um outro, Ser Professor, a emoção de uma aula, publicado aqui.
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terça-feira, 12 de novembro de 2019
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Aprendizagens Essenciais em Filosofia
Como se lê na página oficial:
“As Aprendizagens Essenciais (AE) são documentos de orientação curricular base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, e visam promover o desenvolvimento das áreas de competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.
Neste sentido, foram concebidos documentos orientadores para todos os níveis de educação e ensino: educação pré-escolar e ensino básico e secundário.
A componente do referencial curricular designada por Aprendizagens Essenciais expressa a tríade de elementos — conhecimentos, capacidades e atitudes — ao longo da progressão curricular, explicitando:
(a) o que os alunos devem saber (os conteúdos de conhecimento disciplinar estruturado, indispensáveis, articulados concetualmente, relevantes e significativos);
(b) os processos cognitivos que devem ativar para adquirir esse conhecimento (operações/ações necessárias para aprender);
(c) o saber fazer a ele associado (mostrar que aprendeu), numa dada disciplina — na sua especificidade e na articulação horizontal entre os conhecimentos de várias disciplinas —, num dado ano de escolaridade.”
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Professor, as aulas de filosofia são confusas!
Quem leciona filosofia certamente já foi confrontado com
observações contraditórias por parte dos seus alunos. De uma mesma aula, alguns
alunos dizem que “a filosofia entende-se
bem”, “o professor é muito claro nas
explicações das teorias” ou, ao invés, “esta
aula é uma confusão”, “o professor é
um confuso”. Do ponto de vista de quem ensina o caminho fácil é considerar
os alunos que fazem o primeiro tipo de afirmações uns amores e os que fazem o
segundo tipo, uns estupores. Mas ensina-nos a vida que o caminho mais fácil
nunca é o melhor e talvez estas afirmações dos alunos mereçam alguma
consideração com detalhe. Ao mesmo tempo sabemos que a referência generalizada
nas dificuldades quanto às aprendizagens na matemática é a conhecida “falta de bases”. Pois, o que me parece
acontecer na filosofia é exatamente o mesmo, falta de bases. Não é por acaso que a filosofia ocorre nos
currículos somente no ensino secundário, ou pelo menos com especial incidência
na adolescência (pese embora experiências paralelas meritórias na filosofia
para crianças). E ocorre nesta etapa da vida dos estudantes precisamente porque
se considera que neste nível o estudante é capaz de abstração. Para compreender
o problema do livre arbítrio, a causalidade não é coisa que se veja com
os olhos. Quando um aluno vê o professor empurrar uma garrafa de água é somente
isso mesmo que vê, muitas das vezes sem compreender que existe ali um fenómeno
físico e material de causalidade. A causalidade
é uma medida que se capta com a mente e não com os olhos. Se este terreno de
base não está preparado, será, assim, muito difícil ao aluno compreender a
relação estabelecida entre causalidade
natural e livre arbítrio e, daí,
captar a essência do problema.
Existe uma tendência para estes alunos com dificuldade de
apreensão abstrata em considerar que as aulas devem ser um despejar de
definições que se decora acriticamente. Claro está que perante alunos com estas
características a filosofia pode ser uma grande desvantagem. E para o professor
sobra trabalho suplementar já que tem de trabalhar em função desta incapacidade,
ou melhor, desta capacidade ainda não treinada. Além de ter de saber resistir
aos comentários dos alunos em relação às matérias que tem para com eles
trabalhar.
Há formas muito simples de compreender se esta base da
abstração está ou não trabalhada. Por exemplo, com a exibição de uma reprodução
da Guernica, uns alunos vão observar
que estão a ver um boi, uma lâmpada, um homem aos berros, quando outros, perante
o mesmo desafio, já observam que estão a ver sofrimento, confusão, caos e
miséria. Roubando um pouco à teoria de Piaget, diria que os primeiros ainda
militam na fase das operações intelectuais concretas, quando os segundos já
estão na fase das operações abstratas.
Os testes diagnóstico podem dar uma primeira imagem ao
professor do estado dos alunos e o que pode esperar das suas aprendizagens. No caso
dos alunos com esta capacidade ainda não trabalhada, o melhor mesmo é avançar
com a leitura de pequenos textos com algum grau de abstração (como qualquer bom
texto de filosofia) e pedir comentário quase linha a linha. Mas no nosso
sistema formal de ensino, não há tempo a perder, pelo que há que procurar o equilíbrio
entre este trabalho e o avanço dos conteúdos. Mas parece claro que os alunos
avançam a ritmos muito diferenciados em virtude da sua capacidade de
compreender o mundo abstratamente. E qualquer professor do secundário está
consciente das dificuldades encontradas nos alunos sem esta base: preguiça,
reacionarismo em relação à disciplina e ao professor, etc. É uma luta dura.
Um trabalho interessante é ter algumas ideias minimamente
sólidas das razões por que estas bases não são consolidadas. E existe muita
literatura interessante sobre o assunto, desde a sociologia até à psicologia e
as neurociências. Mas é difícil atirar com certezas perante esta dificuldade.
Entre as razões mais imediatamente compreensíveis estão as
sociais e familiares. Um aluno médio de 15 anos pode saber perfeitamente o nome
dos defesas centrais do atual plantel do Benfica (e não há mal algum nisso),
mas dificilmente ouviu falar de Picasso. E que razão me leva a pensar que há aqui
um qualquer hiato entre aquilo que a realidade é e aquilo que ela deveria ser?
Porque o futebol, pese embora possa ser abstratamente analisado, lida diretamente
com as emoções e é essa a relação mais comum que a esmagadora maioria dos
adeptos de futebol têm com a modalidade. Mas olhar uma obra de Picasso exige
alguma abstração, pelo que o exercício implica algum trabalho intelectual. E é
exatamente este o trabalho que muitas das vezes as famílias, meios de
comunicação e sociedade em geral poderiam fazer de modo mais consistente e que,
na minha opinião, não fazem.
Este trabalho é comunitário no sentido em que não cabe
exclusivamente aos professores, mas a todos. Quando confiamos apenas nos
professores para realizar este trabalho não deveria pelo menos ser estranho que
os alunos muitas das vezes considerem a filosofia confusa quando com ela se
confrontam pela primeira vez.
Link da imagem: (https://gartic.com.br/luchfe/desenho-jogo/confuso)
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Ano letivo 2017/18 - mudanças e filosofia
Em Portugal Setembro é o mês do regresso às aulas. Nos
últimos anos tem sido marcado negativamente em várias frentes: os pais e o
custo financeiro com os manuais e material escolar, os professores com a enorme
instabilidade profissional, a rede escolar com problemas de equilíbrio, etc… de
uma forma resumida o que mais marca o início de cada ano letivo são as
alterações das “regras do jogo”. Mas ao mesmo tempo que alguns aspetos no
ensino mudam de ano para ano (por vezes menos), outros há que não mudam há mais
de uma década. O programa de filosofia vigente data de 2001 (ver
aqui). Muitas mudanças no ensino acontecem porque cada ministro que sucede
o anterior, assim como as novas equipas, têm ideias diferentes e querem assim
imprimir a sua marca, não se dando conta que desse modo estão a estragar mais
do que o que arranjam. Neste sentido, ainda bem que o programa de filosofia não
tem sofrido alterações. Alterar apenas porque sim, não me parece uma boa ideia.
E alterar apenas porque se discorda totalmente também não me parece razoável.
Há um trabalho de base meritório que vale a pena retocar. Afinal de contas,
nós, professores, andamos há tantos anos nisto, a trabalhar um programa que
parece insensato querer alterar tudo de uma só vez. Felizmente as propostas que
entretanto se vão falando não seguem esse sentido, o de tudo alterar. A proposta,
oficial de revisão curricular para a disciplina no 10º ano já circula
livremente (ver
aqui). E ela inclui alguns aspetos muito interessantes, embora, claro,
discutíveis. A inclusão da lógica elementar logo a abrir o 10º ano parece-me
uma opção correta como método de trabalho. Mas é igualmente importante que os
tempos letivos para cada unidade sejam pensados não de modo a explorar os
conteúdos teóricos sem considerar o trabalho e tempo necessário em sala de aula
para trabalhar textos, interpretação aplicando os métodos aprendidos, gerir
comportamento adequado ao trabalho, etc. Claro que começar a disciplina pela
apresentação do método não é, em muitos sentidos, uma opção feliz. Se o que
anima a disciplina, por que não começar logo por debater os problemas? Haveria
algum prejuízo em começar a ensinar astronomia olhando para as estrelas?
É sobretudo importante que as mudanças não impliquem
transformações de fundo constantes, muitas vezes quase ao sabor do vento
ideológico ou de preferências grupais sem atender os muitos e diversos
contextos em que a disciplina se ensina. As mudanças permanentes atrapalham o
trabalho nas escolas e em regra acabam sempre por desmotivar.
Por fim, uma palavra aos professores de filosofia. Segundo percebo
são muitos os professores de filosofia que não ensinam filosofia. Isto acontece
porque os horários têm vindo a diminuir e, entretanto, os disponíveis acabam
todos ocupados por professores de quadro de escola e com mais tempo de serviço.
Por isso mesmo em muitas escolas os professores de filosofia estão a ensinar
disciplinas que não a filosofia. Não considero a filosofia mais essencial que
muitas outras disciplinas que podem ser ensinadas. Afinal, poderíamos ter um
currículo diferente e até melhor com ou sem a filosofia. O ponto aqui é outro. Os
professores de filosofia estudaram filosofia e prepararam-se durante alguns
anos para o domínio científico da filosofia. Por isso mesmo e enquanto cá
andamos e é tempo, esta parece ser uma boa razão para assegurar a disciplina no
ensino geral e obrigatório. Como disse, um bom sistema de ensino pode dispensar
uma outra disciplina ou substituindo-a por outra igualmente importante. Daí não
se segue que a disciplina de filosofia seja dispensável. Acontece que, uma vez
existindo, isso é por si mesmo uma boa oportunidade para fazer um bom trabalho
na sua apresentação.
E ainda antes de terminar. Costumo usar uma hipótese quando
pessoas não ligadas ao ensino criticam de forma geral o trabalho dos
professores: “- Vamos imaginar que é verdade que os professores são todos mesmo
maus. Sendo isso verdade e sabendo disso mesmo, o que é que devemos fazer,
substituir todos os professores por carpinteiros nas escolas?” Invariavelmente
a resposta é não. Isto é, temos de trabalhar com o que somos e temos, saber contar
apenas com o nosso trabalho. Tudo o que vier a mais de positivo será bom. Mas não
podemos esperar que sejam os de fora, mesmo os das universidades, a fazer o
nosso trabalho. Não podemos nem devemos esperar que nos preparem os programas,
as aulas, os materiais que usamos. Dependemos apenas de nós mesmos.
Um bom ano a todos
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Propostas de reformulação de programa de filosofia
Este post serve para criar links às propostas que entretanto vão chegando às redes e canais online. Entretanto por erro meu publiquei duas vezes a minha proposta e acabei a eliminar sem querer um comentário com uma proposta de um colega e não consegui recuperar o comentário. Peço desculpa por isso. Foi sem intenção, pois todos os comentários são preciosos. Sem isso não conseguimos maior clareza nas nossas próprias propostas, pois é impossível, na minha opinião, elaborar uma qualquer proposta sem o reconhecimento de quem executa os programas de ensino, os professores.
Proposta do Domingos Faria, AQUI
Proposta do Aires Almeida, AQUI
Proposta de Rolando Almeida, AQUI
Assim que chegarem, mais propostas serão adicionadas.
Proposta do Domingos Faria, AQUI
Proposta do Aires Almeida, AQUI
Proposta de Rolando Almeida, AQUI
Assim que chegarem, mais propostas serão adicionadas.
Participação pública informal na reforma do programa de Filosofia
Alguns professores de filosofia têm manifestado nas redes
sociais ou nos fóruns ideias interessantes para a abordagem a uma eventual
reformulação do programa de filosofia. Muitos desses colegas não disponibilizam
canais para publicarem as suas ideias. Assim, disponibilizo este blogue para
quem quiser publicar a sua proposta. Assim, promovemos o debate mais alargado
enquanto continuamos as nossas vidas particulares. Peço apenas que me enviem
para o meu email os vossos textos para publicar com o respetivo nome de autor.
Não há qualquer requisito de formatação de texto.
Email: rolandotavaresalmeida@gmail.com
domingo, 20 de novembro de 2016
Uma proposta para reformulação do programa de filosofia
Recentemente saiu uma notícia no
Jornal Público sobre uma eventual revisão curricular dos ensinos básico e
secundário. Segundo foi noticiado o principal objetivo é dar razão a uma velha
reivindicação dos professores encurtando os conteúdos a explorar nos currículos
das diversas disciplinas. O lado menos bom da notícia citada é que algumas
entidades oficiais com responsabilidade na matéria estariam a ser ignoradas
pelo Ministério. Ora discordo que o Ministério decida sobre um programa
ignorando quer as associações instituídas ao nível científico, quer
profissional. Por isso mesmo um programa elaborado ou reformulado por apenas
uma parte é, quanto a mim, uma péssima ideia. Mas mantenho a esperança que as
coisas não se passem a esse nível e espero também que o resultado de uma
revisão do programa de filosofia seja o resultado do diálogo entre quem melhor
representa os professores e quem representa a disciplina academicamente. Neste momento
as instituições melhor posicionadas para esse efeito na disciplina de filosofia
são a APF e a SPF.
Pressupondo que os professores
gostam e querem ser ouvidos nesta matéria, enquanto professor quero deixar a
minha proposta. Ela é apenas uma ideia, feita com o tempo de que disponho e vai
ser montada sobre a proposta que Aires Almeida fez
aqui. Portanto vou trabalhar a partir do programa e da proposta do Aires.
Algumas ideias para começar.
Reformular em vez de destruir o
trabalho feito
Não defendo que se deva fazer um
programa novo. O programa atual tem pontos positivos e outros que podem ser
melhorados. E esta vai ser a linha condutora para a minha breve apresentação.
Pontos a manter no programa:
O programa de filosofia é
elaborado em torno de problemas e não de filósofos ou filosofias. E assim deve
ser mantido. Por um lado dá alguma liberdade ao professor, o que é sempre de
esperar num programa de ensino, pelo menos de filosofia. Por outro lado, o que
interessa na filosofia são mais os problemas e não propriamente a exposição das
teorias dos autores, ainda que não se satisfaça a primeira condição com a
ausência da segunda.
Pontos a reformular no programa:
Em primeiro lugar parece-me
urgente depurar toda a terminologia do programa. E tenho uma razão para assim
pensar. É que a linguagem do programa é transportada para os manuais, já que os
mesmos seguem naturalmente o programa. Ora, o indice dos manuais, diz-me a
experiência, é ilegível para os alunos e perdemos imenso tempo a traduzir. Ou então
ignoramos. Não há qualquer vantagem em traduzir. Se podemos chamar as coisas
com outros nomes e com o mesmo rigor, porque não adotar essa segunda opção com
a preocupação de tornar a tábua das matérias mais legível para os alunos? Dou aqui
apenas alguns exemplos:
Como aparece
no programa
|
Proposta de
substituição
|
Abordagem introdutória à filosofia e ao filosofar
|
O que é a filosofia?
|
Dimensão discursiva do trabalho filosófico
|
Caixa de ferramentas da filosofia
|
A ação humana – Análise e compreensão do agir
|
Filosofia da ação
|
Os valores – Análise e compreensão da experiência
valorativa
|
Os valores
|
Valores e valoração- A questão dos critérios
valorativos
|
O problema da objetividade de juízos de valor
|
A dimensão ética-política – Análise e compreensão
da experiência convivencial
|
Filosofia política
|
Temas/ problemas do mundo contemporâneo
|
Problemas da filosofia
|
O quadro que apresento é apenas
uma demonstração da depuração que pode ser feita. Estou convencido que tem amplas
vantagens didáticas sem com isso criar qualquer prejuízo científico. Bem pelo
contrário. E outra opção que me parece ser igualmente válida é apresentar os
conteúdos como problemas. Assim, em vez de filosofia da ação, poderia constar:
O que é uma ação? Ou, Será que todos os acontecimentos são ações? Bem mas ainda
assim, isto pode ser igualmente feito mesmo com a proposta que apresento no
quadro, já que um tema da filosofia pode ser apresentado com diferentes
problemas.
Em relação à proposta do Aires,
uma alteração de fundo. A lógica desaparece do 11º ano e desaparece grandemente
de todo o programa da disciplina. Só faz sentido ensinar lógica como o Aires propõe se depois ela for
aplicada ao longo de todo o programa. Mas a avaliar pelos manuais isso quase
nunca acontece. O que me leva a pensar que uma grande maioria dos professores
não tem optado por ensinar filosofia da ciência ou do conhecimento no 11º ano
com as bases da lógica. E aqui penso que não vale a pena apresentar um programa
que só num ponto varre a maré toda. Depois há outro ponto que me parece
crucial. Vamos considerar que o professor pode ajustar mais ou menos a lógica que
o aluno aprende ao restante programa. E penso que esse deve ser o efeito do
ensino da lógica, caso contrário, empobrece o seu próprio ensino. Mesmo que um
professor tenha essa opção, como faz no 10º ano? Ensina filosofia da arte,
religião, ação sem esses conhecimentos e aplicação da lógica e depois no 11º
ano passa a usar essa ferramenta? Ou seja, ou a lógica aparece logo na tal “dimensão
discursiva do trabalho filosófico” no 10º ano ou não aparece em lado algum quer
do 10º, quer do 11º ou então, em última análise e que me parece ser a pior das
possibilidades, aparece apenas como mera curiosidade e para fornecer ao
estudante algum conhecimento de como se faz filosofia. Posto isto, qual a minha
proposta?
A minha proposta é que a lógica
saia do programa de filosofia, para dar lugar no 10º ano, a uma pequena
introdução à metodologia filosófica que pode e deve incluir breves noções de
lógica. Nessas breves noções, o que deve ser incluído? Vou elencar aqui, sem
grandes preocupações de fundo, o que me parece mais universal e essencial:
·
O que é um argumento?
·
Identificar argumentos
·
Composição de um argumento
·
Premissas e conclusão
·
Lógica formal e informal – validade dedutiva e
indutiva
·
Validade e verdade
·
Validade
·
Solidez
·
Cogência
·
Refutações
·
Definição de conceitos e sua importância
(vagueza e precisão)
Esta alteração implica já uma
reformulação quer ao programa, quer à proposta do Aires. Talvez o requisito
mais rígido que proponho para esta reforma seja o de que todo o programa, quer
de 10º, quer de 11º tem de andar em torno desta ideia:
1. Apresentação
de problemas
2. Defesa
de teorias
3. Discussão
de argumentos
Um aspeto que a proposta do Aires
não refere é a capacidade de execução didática do programa. Nem o programa é
muito centrado nessa preocupação. Se por um lado é verdade que esse é o
trabalho que os professores desenvolvem nos grupos disciplinares, também é
verdade que o programa se pode centrar aí. Afinal o que se pretende de um
programa não é somente o que se quer ensinar, mas a forma como se aprende o que
se pretende ensinar. Vou tentar aqui esboçar um pequeno exemplo:
Unidade: Filosofia da Arte
Problema: Pode a arte ser definida?
|
Estratégias a seguir
|
Conteúdos a explorar:
·
Teoria da imitação e refutações
·
Teoria da expressão e refutações
·
Teoria formalista e refutações
|
1. Apresentação
do problema
2. Tentativa
de encontrar soluções para o problema com a discussão das teorias propostas
pelos alunos. Como podem os alunos propor teorias?
·
Trabalho de grupo (20m de discussão)
·
Discussão individual (45 m)
·
Cada aluno tenta individualmente e em 20 m
escrever uma resposta ao problema elencando sempre as razões que justificam a
sua posição.
3. Discussão
de cada teoria da filosofia. Por exemplo, uma aula para cada uma.
Aqui poderia continuar a apresentar sugestões de
trabalho. Desde como se apresentam refutações, etc. O aluno pode pesquisar
nos materiais de aula (manual, sites de internet, etc… ).
|
Mais uma vez não tenho aqui
preocupações de fundo no elenco que apresento de estratégias, mas espero com
este modelo, que se perceba a minha proposta. Para cada página de conteúdos, 10
de estratégias. E por que razão defendo isto? Por uma razão simples. Com 10
páginas de conteúdos o professor vai passar as aulas a expor matéria. Com 10
páginas de estratégias, o aluno vai passar as aulas com tarefas delimitadas e a
trabalhar. Por conseguinte, a progredir. E o professor consegue trabalhar melhor e
gestão não só do programa como das aulas e das aprendizagens.
Vou então detalhar um pouco
quanto aos conteúdos e usar o trabalho do Aires como base:
10º ano
Alterações:
Como já referi, alteraria o
primeiro módulo. Provavelmente teria de alterar também os tempos de lecionação.
Mas todo o primeiro módulo seria o da apresentação da lógica como referi acima.
E, claro, aumentaria os tempos letivos nesta unidade para poder trabalhar
textos pequenos para alunos de 15 anos, mas textos de filósofos nos quais se
tenha de trabalhar premissas, conclusão, defesa de teorias, etc… as outras
unidades que aparecem neste quadro, não as alteraria.
Acho aceitável a mudança da
Estética e Religião para o 11º ano. A vantagem que vejo é a da gestão do tempo
de lecionação do programa. Mas alteraria substancialmente a unidade VI. Ao contrário
do que sugere o Aires estas aulas deviam ser destinadas a:
1º aprender como se redige um
pequeno ensaio
2º Distribuir bibliografia
(pequenos textos de 20 pp a cada aluno)
3º Oficina de redação do ensaio
4º Apresentação oral individual
de todos os ensaios
A redação do ensaio é já proposta
no programa. A vantagem de aprenderem a redigir pequenos ensaios é enorme. Além
de aprenderem a defender ideias e teorias, dão os primeiros passos para
elaborarem trabalhos académicos como pequenos artigos. Em vez daqueles trabalhos
sem pés nem cabeça em que mais ou menos o aluno acaba a copiar qualquer coisa
do google e colocar uma capa, índice, bibliografia, etc…, coisa que já nem
sequer se usa em lado algum, estas últimas aulas (que tem de ser mais de 8)
destinavam-se a criar uma oficina na qual os alunos estão a elaborar os seus
próprios ensaios de 2 páginas no máximo. Como fazer isto num manual? Não se
faz. Mas os editores podem preparar bibliografias pequenas que ajudem os alunos
a decidir. Por exemplo, os alunos podem servir-se de livros como os de Nigel
Warburton e fazer um ensaio de filosofia da religião a partir do capítulo sobre
Deus. Tenho ideias concretas neste ponto, pois é assim que trabalho, mas não me
vou alongar mais, pois o que pretendo aqui é deixar algumas sugestões práticas
para a reforma de um programa de filosofia. Além disso este ensaio teria
ajudado imensos alunos a fazer a última questão do último grupo do mais recente
Exame Nacional de Filosofia. No final do ano é já desejável que os alunos
consigam defender as suas ideias sobre alguns problemas da filosofia.
11º ano
Como disse não tive a preocupação
do Aires em fazer a contagem das aulas, pelo que algumas coisas que aqui vou
apontando poderiam cair por terra (a verdade é que todas vão cair pois eu nada
decido sobre programas). Mas mesmo assim, seguindo a minha proposta, toda a
primeira unidade desaparecia do programa do 11º ano. Sempre defendi que a
filosofia da mente seria interessante, pelo que a introdução de alguns
problemas desta área de forma direta (e não indireta como o caso do problema do
livre-arbítrio que aparece na introdução aos valores e ação humana) talvez não
fosse de descartar. O que menos me agrada nesta proposta do Aires é a última
unidade. A ideia do tema livre deve ser substituída, uma vez mais, talvez, pela
minha ideia já aplicada no 10º ano. O aluno no final do ano deve mostrar que é
capaz de defender publicamente ideias. E isso pode fazer-se com a oficina de
filosofia e a elaboração dos ensaios. Não referi ainda, mas o ensaio deve ser
matéria de avaliação tal como qualquer outro teste e deve ter o mesmo peso na
avaliação final. Por isso o ensaio elaborado no 10º ano pode ser aqui retomado
e reelaborado sem qualquer prejuízo. Isto dá uma liberdade enorme aos alunos. E
aprendem enquanto fazem as coisas que é muito mais interessante que ouvir o
tempo todo e depois terem de passar horas a fio a ler tudo o que ouviram no
sentido de tentar não esquecer para o teste.
Uma palavra final
Sei que estes
apontamentos são ainda uma proposta em muitos aspetos vaga. E sei que o Aires
justificou muito melhor os conteúdos. Porque, nos seus aspetos mais gerais, até
concordo com as justificações do Aires, procurei aqui explorar mais como é que
se pode explorar um programa de filosofia e executá-lo.
Não acho que um
programa tenha de ser um documento muito complexo ou profundo. Profundos são os
conteúdos. Um programa é um guia e deve ser de fácil leitura e muito pragmático.
Afinal de contas os professores não passam o ano a olhar para o programa. Os professores
olham para os manuais e restante material de apoio às aulas. E o programa deve
ser um guia que permita que todos esses materiais possam ser elaborados com
rigor.
Espero que esta
proposta possa, sei lá como, contribuir pelo menos para alguma discussão pois,
como muito bem referiu o Aires, já que está em discussão eu devo também
discutir porque sou parte interessada.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Argumentos contra e a favor do chumbo
A medida para avaliar a aprendizagem dos alunos é a
classificação final. Supostamente o chumbo permite, em teoria, repetir as
aprendizagens para que estas se revelem eficazes. Vou admitir que este
princípio está correto. É assim que aprendemos as tarefas mais básicas desde
pequenos. Mas a realidade nas escolas parece mostrar outros indicadores, a
saber, que o chumbo muitas das vezes, senão mesmo na maioria, não resolve os
problemas de aprendizagem e chega a agravá-los. Assim nasce a discussão entre
os que defendem o chumbo e os que, na outra margem, defendem que o chumbo só em
casos excecionais deve ser aplicado. Vou aqui analisar, não de forma exaustiva,
apenas um argumento para cada lado da discussão.
Argumento a favor do
chumbo – o argumento do laxismo
Este argumento baseia-se no premissa de que passar alunos sem
saber produz uma atitude de laxismo da parte dos mesmos, pelo que é de concluir
que os alunos devem chumbar. O argumento formalizado ficaria assim:
(p1) Se passarmos os alunos sem saber, eles vão achar que a
escola não passa de um lugar de lazer
(p2) mas a escola não é somente um lugar de lazer
(c) Logo, não se deve passar alunos sem saber
Este parece ser o principal argumento contra o chumbo.
Acontece que as premissas são muitíssimo discutíveis, o que faz com que o
argumento, apesar de ser logicamente válido, daí não se segue que seja bom,
isto se conseguirmos mostrar que pelo menos uma das premissas é falsa. Ao mesmo
tempo as premissas parecem conter algum elemento de verdade. Resta, portanto,
questionar se podemos instituir o chumbo como medida de aprendizagem, apenas
com meias verdades? Mas como mostrar que as premissas são falsas? A (p1) é
parcialmente falsa se considerarmos que a condição de aprendizagem de um aluno
não depende apenas do seu esforço individual. Sou tentado a defender que o
esforço será sempre o melhor meio para obter resultados e que sem ele,
resultado algum será meritório se for positivo. No entanto, de que depende,
afinal, o sucesso de um aluno? Depende, como sabemos hoje, de um conjunto de fatores
sociais, económicos e eventualmente também biológicos. Acontece que alunos mais
jovens parecem não ser de todo responsáveis pelo meio social em que vivem, pela
sua própria biologia e também pela sua condição económica. Se isto for verdade,
estamos a chumbar alunos, não em detrimento da sua responsabilidade ou do seu
laxismo, mas por fatores que ele não domina de todo. Será isso justo? Neste
caso, o que a escola indica ao aluno não é que ele não seja capaz por si mesmo,
mas que aquilo que a escola lhe pede, não está em conformidade com o seu
contexto. Mas como pode o aluno mudar o seu contexto? A verdade é que não pode
e somente um número muito reduzido de alunos vão conseguir ultrapassar as
dificuldades contextuais. Nesse caso a escola falha o seu objetivo, que é fazer
com que aqueles que não possuem meios de aprendizagem venham a obtê-los na
escola. E, por conseguinte, a escola acentua as assimetrias sociais e
económicas. Parece que nesta condição os alunos apenas ingressam na escola para
que esta lhes passe um certificado pela sua condição social e biológica da qual
não são grandemente responsáveis.
A (p2) parece ser menos problemática, ainda que o conceito de
lazer possa ser discutível. Mas não me parece necessário entrar por aí. Creio
ter mostrado as insuficiências do argumento apenas derrotando a (p1).
Argumento contra o
chumbo – o argumento da ineficácia
O argumento principal contra o chumbo baseia-se na premissa
de que chumbar não produz melhores efeitos, isto é, que a esmagadora maioria
dos alunos que chumbam, não revelam futuramente melhores resultados por terem
chumbado. Assim, poderíamos formalizar o argumento mais ou menos deste modo:
(p1) se chumbar alunos é eficaz então os alunos que chumbam
produzem melhores resultados
(p2) mas os alunos que chumbam não produzem melhores
resultados
(c) logo, chumbar alunos é ineficaz
Mais uma vez, formalmente o argumento é válido. Segue-se que,
se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também o será. Mas serão as
premissas verdadeiras? Já mostramos na análise do argumento a favor do chumbo
que os dados têm revelado que chumbar não produz melhores resultados. E se tal
for verdadeiro (não possuo dados concretos para analisar com rigor científico o
valor de verdade da premissa), isto é, se for verdade que chumbar alunos não
produz melhores resultados, então, racionalmente, temos de procurar outras
respostas como medidas de aprendizagem. E onde é que elas estão? Na minha
opinião, estas respostas residem em dois fatores principais:
1.
Programas de ensino têm de ser
reformados – os
programas de ensino, em regra, têm uma página de atividades e estratégias de
ensino para cada 10 de conteúdos. Ora, isto transforma a esmagadora maioria das
aulas numa espécie de “debitadora de sabedoria”. O que é que isto quer dizer?
Se o professor se vê a braços com um extenso programa de conteúdos, cheio de
pormenores, a sua preocupação central será o cumprimento do programa,
ensinando-o com a maior correção possível. Talvez por isso em 20 anos de ensino
tenha ouvido muito na sala de professores coisas como “em que parte do programa
vais?”. Mas raramente ou mesmo nunca ouvi qualquer coisa como “os teus alunos
estão a aprender o que tens para lhes ensinar?”. Isto acontece precisamente na
medida em que a confiança no ensino é depositada no que o professor tem de
ensinar e não tanto no modo como o aluno aprende. O aluno passa a ser muito
mais passivo na sua aprendizagem. As recentes reclamações de associações de
professores de matemática em relação aos programas parece vir neste sentido. Ou
seja, muitos conteúdos para ensinar, pouco tempo para aprender. A forma mais
simples e economicamente mais favorável de resolver isto é inverter a tendência
dos programas de ensino. Como? Invertendo a formula de “uma página de
estratégias para a cada 10 de conteúdos”, para “uma página de conteúdos para cada
10 de estratégias”. Isto permitiria aos professores de mais tempo para que os
alunos pratiquem o que aprendem. Ou seja, para que aprendam os conteúdos e
aprendam a aprendê-los, que é coisa raramente vista pelo menos no sistema de
ensino português. A matemática mais uma vez aparece como disciplina exemplar.
Como há muitos conteúdos a desenvolver, os alunos não chegam a praticar o
necessário nas aulas. Por isso pagam explicações privadas para que passem tempo
a fazer o que não fazem nas aulas, a praticar.
2.
Por
outro lado há também um outro fator que reforça esta minha ideia. Hoje em dia o professor já não o único meio de acesso
ao conhecimento para os alunos. A internet mudou a forma como acedemos ao
conhecimento. O que não falta são meios de aprendizagem através das novas
tecnologias. Os alunos têm acesso a
livros, resumos, testes, exames, etc. sem ter de esperar pelo professor como
única fonte de conhecimento. A autoaprendizagem é uma realidade claramente
possível nos nossos dias. Isto porque o acesso ao conhecimento é muitíssimo
mais universal. Ora, esta realidade muda o papel do professor que passa a ser
mais um orientador no modo como se aprende e não como o transmissor em
exclusividade do conhecimento. Resultado disto? Sobra mais tempo para praticar,
para treinar.
3.
As escolas precisam de mais meios – assistimos a um discurso sobre
economia que tem tanto de interessante como de paradoxal. Por todo o lado
representantes políticos e económicos defendem o empreendedorismo, que o investimento
é o fator mais determinante no sucesso de uma economia. As empresas que mais
investem são as que mais sobrevivem às intempéries económicas. Então não se
percebe a razão pela qual o discurso em ensino e educação é exatamente o
contrário, ou seja, que “fazemos mais com menos”, que “quem ensina 10 alunos
também ensina 30”, etc. Mas que investimentos precisamos mais em educação?
Principalmente o investimento no tempo que os professores dispõem para
acompanhar as aprendizagens. Os professores precisam de tempo para poderem
ponderar avaliações para além dos testes. Um professor que tenha uma média de
100 alunos e que peça um trabalho escrito de 2 páginas (no secundário, por
exemplo) fica com 200 páginas para corrigir (fora testes e todos os outros
trabalhos burocráticos). Os testes e exames são instrumentos úteis às
aprendizagens. Mas não têm de ser os mais importantes. Quando trabalhei durante
quatro anos em exclusivo numa escola profissional privada foi isso que percebi.
Os alunos não eram nem mais nem menos capazes que os outros. Mas tinham mais
sucesso, apesar de uma boa maioria ter alguma história de insucesso no ensino
regular. A diferença é que, sendo a avaliação modular, um módulo podia
avaliar-se com uma exposição oral e um outro com um teste escrito e ainda um
outro com um trabalho prático e de grupo. Por outro lado as avaliações tendiam
a ser realizadas em espaços de tempo mais curtos.
A discussão que aqui proponho está longe de ter um fim. Inclino-me
a pensar que chumbar não é a melhor resposta da escola. E isto porque de todas
as estratégias possíveis, o chumbo é aquela que melhor conheço. No sistema de
ensino português ( e provavelmente da maioria dos países) não são testadas
outras respostas ao problema do insucesso. É obvio que se levantam inúmeros
problemas quando se fala em experimentar soluções quando estamos a falar da
vida das pessoas. Mas precisamente por isso valeria a pena arriscar um pouco
mais. Isto porque acaso se descubra um dia que a figura do chumbo é inadequada,
a verdade é que passamos séculos de história a recorrer ao chumbo sem sequer
testar modelos alternativos. Quantas vidas se prejudicou? Em educação requer-se
verdade e honestidade. Mas uma e outra não vivem pacificamente sem algum risco.
Porque educar não é um lugar seguro.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Ensinar filosofia? O que dizem os filósofos.
Acaba de me chegar mais um volume publicado pelo Centro de Filosofia da Universidade de
Lisboa, com o título Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos,
coordenado por Maria Vaz Pinto e Maria Luísa Ferreira. O volume está organizado
por filósofos de todas as épocas, desde Platão, Derrida ou Searle. Cada autor
contribui com um texto de um filósofo e a devida contextualização. O volume é
interessante pois confronta posições muito diversas sobre o ensino da
filosofia. Pode ser encomendado no próprio centro que o publica ou diretamente
na livraria do centro, em Lisboa. Especialmente interessante para professores
de filosofia do ensino secundário.
“A obra Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos integra-se no Projecto O Ensino / Aprendizagem da Filosofia(PTDC/FIL-FIL/102893/2008) coordenado por Maria Luísa Ribeiro Ferreira, em que participam investigadores de várias nacionalidades, abrangendo quatro áreas principais, com objectivos distintos: 1. A Didáctica da Filosofia: a filosofia ensina-se e aprende-se. 2. O que os filósofos pensaram sobre o ensino da Filosofia. 3. Os programas de Filosofia em Portugal. 4. Novas metodologias do ensino da Filosofia. Relativamente à área temática - a Didáctica da Filosofia -, foi publicado Ensinar e Aprender Filosofia num Mundo em Rede (Lisboa, CFUL, 2012), que reúne um conjunto de textos elaborados quer por membros do Projecto quer por especialistas convidados. Este primeiro volume centra-se sobre questões fulcrais da didáctica da Filosofia e sobre a especificidade da mesma, abrindo-se de modo particular à discussão de novas metodologias acessíveis ao ensino / aprendizagem da filosofia na era digital. O presente livro - Ensinar Filosofia? O que dizem os filósofos - é coordenado por Maria José Vaz Pinto e Maria Luísa Ribeiro Ferreira. Recorrendo a diferentes pensadores e pensadoras ao longo dos tempos, é seu objectivo mostrar que o ensino da filosofia é um problema eminentemente filosófico.”
Mais informações, clicar na imagem do livro.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Ensino Público da Filosofia em Livro
Especialmente para professores, este volume é provavelmente
o único documento compilado que temos sobre o ensino da filosofia em Portugal e
a sua longa história até aos dias de hoje. A edição é do Centro de Filosofia da
Universidade de Lisboa e é indispensável para professores do ensino secundário.
Pode ser adquirido diretamente na Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa
ou então encomendar no site do Centro, AQUI.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Método de estudar filosofia
Um dia um pai perguntou-me como é que a filha deveria estudar
filosofia. Respondi que o melhor a fazer seria ler atentamente os textos
fornecidos pelo professor. O pai ripostou questionando: “ E se não compreender o que leu?”. Respondi: “Terá de ler outra vez”, ao que o pai retorquiu: “E se ainda assim não compreender?”.
Respondi: “Tem de ler outra vez”.
Este episódio é real. Claro que não me fiquei por aqui, mas a
conversa teve mesmo este início. Na verdade não existe qualquer magia para se
estudar filosofia. Tudo o que há a fazer é ler. O maior obstáculo é que a
maioria dos alunos praticamente aprendem o que se deu nas aulas sem fazer
qualquer estudo de consolidação. E assim as coisas tornam-se muito mais
difíceis e incompreensíveis, para além de passarem a ser uma maçada com pouco
sentido na cabeça dos estudantes.
Estudar e aprender exige uma certa rotina. Ir às aulas e
estar atento é, já por si, cansativo. O estudo em casa deve, num nível como o secundário,
implicar pelo menos 20% do esforço. A melhor estratégia para começar a ter
êxito é ler e compreender as teorias que os textos explicam. Em filosofia o
ritmo é sempre o mesmo: Problema – teorias – argumentos: para cada problema há
várias teorias em disputa. E cada uma delas apresenta os seus argumentos. Num
período inicial os estudantes são confrontados com a forma de fazer filosofia.
Depois estão aptos a fazê-la, lendo os argumentos e os textos propostos e discutindo-os.
Esta ferramenta desenvolve capacidades extraordinárias nos estudantes,
principalmente a de saber raciocinar com consequência sobre os problemas.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Muito obrigado
A Elize Kawauchi foi minha aluna
no longínquo ano de estágio profissional na Escola Secundária de Miraflores, em
Oeiras. O que dá sentido à existência de um professor são depoimentos como o
que ela recentemente fez. É com muita gratidão que faço este post, pois este
feedback é muito relevante. Um ser humano que já viveu em vários lugares e
países diferentes neste planeta, deve ser muito completo. E eu fico imensamente
feliz com a notícia de que fui uma pessoa importante com o que saber que lhe
transmiti. Esta é a magia que alimenta milhares de professores neste planeta.
Deixo então o depoimento da Elize, escrito em inglês, e o vídeo que ela me
enviou. Obrigado
“A lot of people talking about teacher's day on facebook and I usually
don't go out writing about each celebratory date they put here, but to me, this
is a special one, so bear with me.
I'm not saying this because this is the profession I chose for myself, but I do believe that Teachers are the most important professionals of all. Without them, doctors couldn't be doctors, lawyers couldn't be lawyers, and well... English (as a second language) teachers wouldn't speak English ;)
My special thank you goes to some people that definitely shaped the person I am today, thank you for your patience and your guidance (even if you weren't *my* teacher hihihi)
To my primary school teacher Bela, my 6th grade Portuguese teacher Ana do Ó,Natasja Deschoolmeester, Susana Barreto, Lurdes Gonilho, Rolando Almeida andAlda Calado :)”
I'm not saying this because this is the profession I chose for myself, but I do believe that Teachers are the most important professionals of all. Without them, doctors couldn't be doctors, lawyers couldn't be lawyers, and well... English (as a second language) teachers wouldn't speak English ;)
My special thank you goes to some people that definitely shaped the person I am today, thank you for your patience and your guidance (even if you weren't *my* teacher hihihi)
To my primary school teacher Bela, my 6th grade Portuguese teacher Ana do Ó,Natasja Deschoolmeester, Susana Barreto, Lurdes Gonilho, Rolando Almeida andAlda Calado :)”
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Manual 2.0 e powerpoint sobre Kant
No site da Sebenta
Editora (Grupo Leya), continuo com o meu colega de trabalho Domingos Faria,
a publicar posts no manual
2.0 de Filosofia que podem ser úteis à compreensão do que é a filosofia e a
sua aplicação no ensino secundário. Publiquei recentemente um powerpoint para
ensinar Kant que eu próprio elaborei e utilizei nas minhas aulas do 10º ano
deste ano. Espero que façam bom proveito. Clicar na imagem para aceder ao manual 2.0 de Filosofia.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Para começar o ano lectivo
Neste post
do Manual 2.0,
da Sebenta Editora dou uma sugestão para arrancar um ano lectivo em filosofia.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Olimpíadas Nacionais de Filosofia
A PROSOFOS -
Associação para a Promoção da Filosofia, tem como objetivo essencial promover
atividades de valorização da Filosofia no Ensino Secundário junto das entidades
públicas e privadas nacionais, bem como junto do público interessado,
nomeadamente através de:
- Realização de Olimpíadas Nacionais
de Filosofia (ONF);
-
Promoção de palestras, encontros, colóquios, pareceres e outras atividades que
sejam aprovadas pelos órgãos sociais da PROSOFOS.
Esta foto é dos vencedores deste ano. É dignificante para a
disciplina de filosofia e é importante a promoção deste prémio.
terça-feira, 26 de março de 2013
Que ensino se ensina em Portugal?
Recentemente
conheci parte do trabalho de Adonai Sant`Anna. Professor Associado do Departamento de Matemática da UFPR (Universidade
Federal do Paraná). Autor de dois livros sobre lógica publicados no Brasil, e
de dezenas de artigos publicados em periódicos especializados de matemática,
física e filosofia, no Brasil e no exterior. Actualmente está trabalhando em
dois projectos cinematográficos, sendo que um deles visa uma crítica inédita às
universidades federais brasileiras.
A convite do autor redigi um primeiro texto de uma série que espero
continuar sobre o ensino em Portugal. Pode ser lido AQUI.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Exame Nacional de Filosofia 2013
Já há datas para o Exame Nacional de Filosofia 2013. Os prazos de inscrição decorrem até 1 de Março para a 1ª Fase. Os conteúdos a estudar respeitam os programas do 10º e 11º anos (verificar a matriz de exame com todos os conteúdos). Trata-se de um exame opcional e não obrigatório. Aqui ficam as datas:
1ª fase:
20 de Junho de 2013, às 9:30.
2ª fase:
16 de Julho de 2013, às 17:00.
1ª fase:
20 de Junho de 2013, às 9:30.
2ª fase:
16 de Julho de 2013, às 17:00.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Como usar textos (ou não) nas aulas de filosofia
Neste texto (clicar em cima) dou sugestões sobre como desenrolar uma aula de filosofia com recurso (ou não) aos textos. Post direccionado para professores.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Exame Nacional de Filosofia
No site do GAVE já está disponível o exame de Filosofia, 2012. Consultar aqui.
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