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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Duas novidades em formato essencial

Duas novidades que certamente são de todo o interesse para a primeira unidade a ser lecionada no 10º ano, a Lógica e a Unidade, agora obrigatória, a ser lecionada no 11º ano, da filosofia da arte. Conheço já o primeiro, o do Desidério Murcho e o livro está recheado de explicações acessíveis, passo a passo e, muito importante até, exemplos a serem aplicados nas aulas. Brevemente tentarei falar mais destes dois úteis livros. Para além disso serão certamente livros acessíveis a quem quer que se interesse por estes temas. Quem conhece os autores sabe o que esperar: rigor e clareza.


sábado, 14 de setembro de 2019

Mas eu sou aluno, que é que devo ler?

Bem, se para um professor não se pensa em ritmos de leitura já que se pressupõe que todos os professores leem a bom ritmo, já para ti, aluno, não é bem assim. Não te posso recomendar um livro mais denso se não tens hábitos de leitura criados. Do mesmo modo tenho de ter cuidado com o vocabulário usado pelos autores. E não devo recomendar livros que não estejam escritos na tua língua materna. Mas vamos lá a algumas recomendações. Se tens poucos hábitos de leitura mas queres começar a compreender o que é e como se faz a filosofia, recomendo-te este livro que é uma espécie de micro enciclopédia da filosofia. Não é a leitura mais estimulante que se pode fazer em filosofia, mas pelo menos possibilita-te já um amplo conhecimento daquilo que é núcleo desta nova disciplina para ti: Os problemas, as teorias e os argumentos.




Mas se tens algum ritmo de leitura há outras opções que, na minha opinião, são até melhores que a anterior. Não te recomendo que comeces a ler filosofia pelo famoso livro O Mundo de Sofia. É um romance e só aborda a filosofia em termos históricos. Se vais por esse livro não chegas sequer a perceber a essência da filosofia. Deves estar a pensar:  "- Mas esse é o livro que toda a gente fala e leu!" É verdade. Mas esse livro foi publicado há muitos anos e nessa altura não havia grandes opções de escolha. Hoje em dia temos melhores livros para começares a filosofar, que é tudo o que te deve interessar quando começas a estudar filosofia. Do mesmo modo se queres nadar deves começar pelos treinos de natação.  

O livro de Thomas Nagel tem a vantagem de ser pequeno e fazer uma boa abordagem de alguns dos problemas da filosofia. Além disso é um livro barato. Também é verdade que já tem uns anos, mas ainda assim não perdeu o valor. Está bem escrito e é bastante estimulante. Lembra-te que ler filosofia não é como ler romances. Primeiro podes saltar capítulos e ler primeiro o que mais te interessa. Depois ler filosofia é um pouco mais lento do que ler uma história, uma vez que não estás a apenas a seguir acontecimentos. Ler filosofia implica que tu és o protagonista da história. Tu estás a pensar se concordas ou não com o que estás a ler. E depois começas a discutir o que lês. E não esperes que um livro de filosofia te diga o que gostas e o que já sabes. Se a filosofia é estimulante é porque nos desafia permanentemente acerca daquilo que julgamos ser verdadeiro e pensamos já saber. É uma espécie de ginásio intelectual. Tal como vais ao ginásio treinar o corpo, na filosofia o ginásio implica um treinar das ideias. 



Já o livro do Nigel Warburton é bastante completo. É mais volumoso que o de Nagel, mas como te disse antes, não precisas de ler tudo de uma vez já que cada capítulo aborda um problema diferente. Com a vantagem de que a esmagadora maioria dos problemas são abordados na escola. 



Este é escrito por dois autores portugueses que são também autores de manuais. Por isso conhecem bem o que vais aprender. Os capítulos são curtos e interessantes embora a linguagem te possa parecer em alguns momentos um pouco mais pesada que os dois anteriores. Mas foi escrito nativamente isto é, por dois falantes da nossa língua, o que é sempre uma vantagem. 


(este livro está esgotado no editor mas podes encontrar ainda nas livrarias)
Espero que faças boas leituras. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Ensinar filosofia? Como? Duas leituras para começar...

Primeira leitura

Em início de ano letivo e ainda com tantas questões no ar, próprio de quem ensina filosofia e, eventualmente, um dever de quem ensina seja o que for, nada melhor do que começar com algumas leituras. Sem as leituras tudo se torna um pouco mais superficial, sem norte. A primeira das leituras não é de todo consagrada ao ensino secundário e muito menos ao ensino secundário português. Ainda assim é sempre bom partilhar a experiência de ensino que me parece sincera e sensata de um professor universitário que tem décadas de experiência. Até porque muitas das inquietações do autor são também a dos professores do secundário.



Segunda leitura

Se a dúvida caracteriza parte do que fazemos nas aulas de filosofia, a verdade é que militar na dúvida pode conduzir a uma ideia trapalhona do que é a filosofia. Até a dúvida deve ser arrumada (para aqui arranjar um termo que significa o mesmo que metódica para o nosso colega Descartes). E é exatamente isso que Baggini fez neste majestoso manifesto de como nos posicionarmos face ao carácter mais essencial da nossa disciplina, lidar com o ceticismo. Daqui não vamos retirar ensinamentos diretos para as nossas aulas nem tão pouco estratégias de lecionação. Com este livro raciocinamos o tempo todo acerca das nossas próprias convicções do que fazemos quando entramos numa sala de aula para ensinar filosofia. 

Espero que estas duas leituras sejam um bom auxiliar do nosso trabalho, o de despertar os miúdos para o universo das questões inteligentes e da discussão racional. 



sábado, 20 de julho de 2019

Democracia, conhecimento, liberdade e humanidades

Ao longo da minha carreira já conheci muitos estudantes brilhantes que me disseram não poder seguir filosofia pois filosofia não lhes garante emprego futuro. Esses estudantes fogem para medicina, economia ou áreas tecnológicas ligadas às engenharias. Sem estes talentos nos cursos de filosofia, história ou música dificilmente teremos no país uma cultura forte nestas áreas. Os melhores estudantes que me chegam às mãos com 15 anos já estão formatados para os cursos que devem seguir. Podem-me falar em exceções. Claro que as há. Mas são isso mesmo, exceções. Uma estatística claramente ad hoc diz-me que em cada 10 bons estudantes apenas 2 ou 3 seguem humanidades. Na escola onde trabalho há todos os anos cerca de 30 turmas novas do 10º ano. E basta espreitar as pautas no final do primeiro período para perceber o que aqui refiro. Um aluno de humanidades em regra teve já uma experiência de fracasso, nem que seja a matemática, da qual foge. Há umas semanas estava à conversa com uma colega de trabalho formada em ciências e discutíamos o que seria melhor para um aluno com rendimento fraco. E ela propôs esta solução: se calhar é melhor para ele seguir humanidades. De imediato apontei para a melhor aluna da turma e questionei por que razão não deveria essa seguir humanidades? Os professores sabem que os melhores alunos são os das turmas de ciências e por isso é uma luta nas escolas para ver quem fica com essas turmas. O professor que chega por último à escola fica com o que ninguém quer, no qual se inclui, claro, turmas de humanidades. Em regra dizem-me sempre: “Mas há turmas de humanidades boas”. Só que quem me diz isto quer apenas perpetuar os seus interesses privados. Por essa razão acho bastante pertinente o argumento a favor de uma educação liberal defendido por Martha Nussbaum neste livro. Não, não acho que nele se esteja apenas a fazer um lamento. O que se está a fazer é a argumentar em favor da tese de que sem um sério retorno às humanidades, todo o conhecimento e debate racional fica ameaçado. E eu gostei do livro. É de fácil leitura e promove o debate. Mas há o risco de em Portugal ser pouco lido e , mais grave, nunca ser lido por quem o deverá ler, as pessoas formadas em ciências e não as de humanidades. Para além disso é um livro estimulante para professores em geral, numa altura em que tanto se fala em escola inclusiva ao mesmo tempo que pautamos o ensino a partir de grelhas comparativas de resultados. 

sábado, 29 de junho de 2019

Leituras de verão

É já um cliché afirmar que o verão é uma boa altura do ano para deixar algumas leituras em dia ou começar a ler sem ter de ser por obrigação. Nesse sentido deixo aqui algumas sugestões de leitura para miúdos e graúdos que, claro, também refletem um pouco as minhas opções. 

 O último livro de Ian McEwan. Uma ótima referência para pensar a relação que estabelecemos com as tecnologias e até que ponto se pode definir o humano. 
 Numa altura em que as relações com o poder político são postas em causa devido aos populistas e a política espetáculo, este livro de Jack London faz-nos pensar em todas essas relações e os perigos que espreitam a nossa liberdade. 
 Extraordinariamente bem escrito e muito bem pensado. Um dos melhores livros de filosofia sem ser técnico que li nos últimos tempos. 
O próprio Baggini indica no livro anterior que conhecer a vida dos filósofos é muitas vezes um bom caminho para compreender os seus argumentos. Se tal for plausível, então que tal começar pela vida de Stuart Mill? 
Mais um livro que retrata o percurso que podemos fazer desde a curiosidade espontânea até ao pensamento consequente e logicamente organizado. 
É talvez o livro mais acessível da lista, mas também o menos interessante. Apesar disso não deixa de ser estimulante principalmente pela justificação que dá acerca da necessidade de filosofar sobre problemas morais. 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Fazer filosofia

Como modelo para a filosofia, a matemática básica é muito mais útil que o dicionário. Aquilo de que precisamos para raciocinar claramente não são ‹‹verdades por definição››, triviais, mas uma teoria forte, explicitamente articulada. A clareza não aspira a um padrão mítico de indubitabilidade. Ao invés, o propósito é tornar claramente visíveis os erros do nosso raciocínio, como o são na matemática. Se o leitor ouvir alguém negar o valor da clareza, pergunte-se por que razão poderá não desejar que os erros de raciocínio sobressaiam claramente. 


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Até Setembro com BD

As férias começam aqui no FES. Regressamos em Setembro certamente com muito trabalho em cima do joelho para que o ano vá avançando com poucos atropelos a bem da filosofia, do seu ensino e sobretudo do gosto em aprender.Mas as férias são também um tempo ideal para algumas leituras. Deixo a recomendação desta BD publicada há semanas na Gradiva, Hereges. E deixo também uma foto de sol e mar que são os motivos das férias do verão para quem ensina e quem estuda.




segunda-feira, 14 de maio de 2018

Desigualdades

Hoje mesmo a imprensa em Portugal noticiava que os gestores de empresas ganham muito mais que os trabalhadores base. Harry Frankfurt apresenta neste livrinho, publicado na Gradiva, um excelente argumento para justificar a desigualdade que não necessariamente esta desigualdade que as notícias revelam. 

Novidades também em Banda Desenhada

Duas novidades de assinalar, ambas pela Gradiva. A primeira é uma colectânea de pequeníssimos textos introdutórios que dão uma ideia do que e do como se trata na filosofia ao longo da sua história. A segunda ainda não lhe tomei contacto direto, mas adivinho o seu interesse, pelo menos aqui para o escriba que sempre apreciou os livros em quadradinhos.



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Um best of para 2017

Nem só de livros vive a filosofia. Vive, e muito, de artigos, teses académicas, palestras, conferências, vídeo aulas, etc. Mas o formato livro dá conta também do interesse comercial de um determinado saber. Diria que o interesse português pela filosofia é bastante modesto. E desconfio que é assim quanto ao interesse geral pelo conhecimento. Mas também já foi pior. E também não sei dizer que benefício haveria em ter publicações em grande número  todos os meses. Seja como for quando quero fazer a lista dos melhores livros de filosofia publicados em Portugal ao longo de 1 ano apenas, raramente consigo chegar aos 10 livros. Claro que foram publicados mais. Simplesmente aqui o critério da lista é também muito apertado. Eu, como leitor, sou o critério (risos). Assim, de seguida, apresento aqueles que foram para mim as edições mais interessantes no campo da filosofia publicada em Portugal. Pelo meio escolho sempre um ou outro título não diretamente ligado à filosofia, mas pelo menos com algumas conexões indiretas. Finalmente, a filosofia não se lê por anos. Isto significa que um leitor de filosofia não lê um livro em função do ano de publicação, mas do interesse para a discussão de um determinado problema. De salientar que os maiores grupos editoriais portugueses praticamente não publicam filosofia.

1.      Jason Brennan, Contra a Democracia, Gradiva, Trad. Elisabete Lucas

2.      Yuval Noah Harari, Homo Deus, Elsinore, Trad. Bruno Amaral


3.      Peter Singer, Ética no mundo real, Ed. 70, Trad. Desidério Murcho


4.      John E. Roemer, Um futuro para o socialismo marxista, Gradiva, Trad. José S. Pereira


5.      Harry Frankfurt, Sobre a verdade, Gradiva, Trad. Mª Fátima Carmo


6.      Roger Scruton, A natureza Humana, Gradiva, Trad. Mª Fátima Carmo


7.      Bernard Williams, A ética e os limites da filosofia, Documenta, Trad. A. Morão e D. Santos


8.      António Damásio, A estranha ordem das coisas, Temas & Debates, Trad. Luís Oliveira e João Quina



Para 2018 gostaria de ver traduzidos muitos livros. Mas para já ficaria contente com a publicação entre nós de alguns dos livros de Julian Baggini, para mim, provavelmente o melhor escritor de filosofia popular mais estimulante do momento e do qual ainda não temos um único livro traduzido. Gostaria também de ver traduzida a breve introdução à filosofia política muito bem escrita por David Miller. E também agraciava a tradução do livro sobre o problema do livre arbítrio de Ted Honderich, How free are you? The determinismo problema. Apesar de já ter uns anos é um excelente livro. Mas não ficaria triste de ver mais livros de autores como Thomas Nagel, Jason Brennan, Jeff Macmahan ou David Benatar, todos eles autores com livros muito apetitosos. Esperemos que tal aconteça. 
Bom 2018












domingo, 12 de novembro de 2017

Uma breve história do amanhã

Quando, o ano passado por altura do natal estive em Londres, este livro do historiador israelita Yuval Noah Harari fazia montra nas principais livrarias. Isso não atesta por si da qualidade do livro. Mas é prova da ampla curiosidade que o livro desperta. E ainda bem, pois é um livro muito bem escrito e extraordinariamente estimulante. Pese embora o pendor especulativo não é, no entanto, um livro de filosofia. Antes pelo contrário, a preocupação não é defender ou refutar argumentos, mas perspetivar um futuro não muito longínquo. Se em Homo Sapiens a história era contada até ao presente, em Homo Deus, a história conta-se a partir do momento presente. Lúcido e de fácil leitura é, como me dizia um amigo, um livro que qualquer pessoa culta hoje em dia deve ler. 

domingo, 25 de junho de 2017

Sobre a verdade e Contra a democracia

Duas novidades muito interessantes da Gradiva e que são certamente dois relevantes acontecimentos editoriais em língua portuguesa.



Sinopse
Nenhum modelo político deve ser sacralizado, por nenhum ser perfeito e não serem imutáveis as circunstâncias em que algum deles se tenha revelado como o menos mau.

A edição deste livro é um contributo para as pessoas livres, que o queiram continuar a ser, debaterem as disfunções crescentes que cada vez mais visivelmente estão a impedir a democracia de realizar alguns dos seus mais importantes ideais. É também um desafio para os que visam aperfeiçoar o seu funcionamento de modo a realizar os seus objectivos essenciais: a liberdade, o progresso social, a dignidade, o desenvolvimento humano.

A maioria das pessoas acredita que a democracia é a única forma justa de governo. Crê que todos temos direito a uma quota igual de poder político. E também que a solução de participação política "um homem um voto" é boa para nós – dá-nos poder, ajuda-nos a conseguir o que queremos e tende a tornar-nos mais inteligentes, virtuosos e atentos uns aos outros.

Mas Brennan, considera que estão erradas, argumentando que a democracia deveria ser julgada pelos seus resultados,apresentando abundantes dados empíricos de que não são bons o suficiente.
Tal como os acusados têm direito a um julgamento justo, os cidadãos têm direito a um governo competente. Mas a democracia é com frequência o domínio do ignorante e do irracional, ficando demasiadas vezes aquém do que se espera. Além disso, uma enorme diversidade de pesquisa em ciências sociais mostra que a participação política e a deliberação democrática parecem tender cada vez mais frequentemente a tornar as pessoas piores – mais irracionais, tendenciosas e más. Considerando esse quadro sombrio, Brennan argumenta que um diferente sistema de governo – a epistocracia, ou governo dos sábios – pode ser melhor do que a democracia, e que é tempo de reflectir seriamente sobre isso.

Longe de se tratar de uma diatribe panfletária, esta é uma relevante obra de filosofia política em que se discute, de forma intelectualmente honesta, cada um dos melhores argumentos a favor da democracia. O resultado é uma crítica séria e uma defesa contemporânea do governo de quem mais sabe, com a resposta aos problemas práticos que tal solução possa levantar.


Uma leitura essencial não apenas para os estudiosos de filosofia e de ciência política, mas também para todos os que consideram que a democracia merece ser discutida, independentemente do que se possa pensar dela, incluindo os que visam aprofundá-la.»

Jason Brennan é uma maravilha: um filósofo brilhante que estuda escrupulosamente os factos antes de moralizar. Em Contra a Democracia, o seu método elegante leva à conclusão inesperada de que a participação democrática impele os seres humanos a esquecer o senso comum e a decência comum. Votar não nos enobrece; testa a virtude dos melhores, e apresenta o pior nos restantes.


Bryan Caplan, autor de The Myth of the Rational Voter

A grande tentação da filosofia política é sacralizar a política, e precisamos urgentemente de um trabalho que nos ensine a não sucumbir. Neste livro valioso e revigorante, Jason Brennan desafia devoções confortáveis e desacredita mitos familiares sobre a vida política em geral e o regime democrático em particular. Prevejo que a maioria dos leitores encontre muita coisa com que discordar – eu certamente encontro –, mas também que a maioria considere os argumentos de Brennan inquietantemente difíceis de resistir com certeza.

Jacob T. Levy, Universidade McGill 

Contra a Democracia apresenta um conjunto útil de desafios tanto para a sabedoria convencional como para as tendências dominantes na filosofia política e na teoria política, particularmente na teoria democrática. Escrito de forma cativante, incentiva uma leitura activa e divertida.

Alexander Guerrero, Universidade da Pensilvânia
Autor(es)
Jason Brennan doutorou-se em filosofia pela Universidade do Arizona, ensinou na Universidade de Brown e é actualmente professor associado de Estratégia, Economia, Ética e Políticas Públicas na Universidade de Georgetown. É autor de Compulsory Voting: For and Against, com Lisa Hill, Libertarianism: What Everyone Needs to Know, The Ethics of Voting e A Brief History of Liberty, com David Schmidtz. A filosofia política e a ética aplicada são as suas duas principais áreas de investigação.



Qual é o problema em desprezar a verdade? A verdade é algo assim tão importante
e valioso porquê?

Estas são algumas das perguntas que Frankfurt procura esclarecer e às quais dá resposta em Sobre a Verdade.

A resposta de Frankfurt, exposta numa linguagem despojada de jargão filosófico e centrada na noção mais comum de verdade, é que a nossa vida seria impossível sem ela, tanto na prática como intelectual e psicologicamente. Na prática, porque a distinção entre verdadeiro e falso é pressuposta nas situações mais banais da vida mesmo por aqueles que dizem recusá-la. Intelectual e psicologicamente, por ser necessária para a compreensão de nós mesmos como indivíduos diferentes dos outros, para a nossa relação com eles, e para a mais elementar compreensão da realidade, seja ela qual for.

Autor(es)
Harry G. Frankfurt é Professor Emérito de Filosofia na Princeton University. A sua importante obra filosófica reparte-se principalmente pelas áreas da filosofia moral, da filosofia da mente e da filosofia da acção. Os seus contributos para a discussão do problema do livre-arbítrio fazem dele uma referência nesse domínio. Da sua obra, destacam-se ainda os sucessos de vendas On Bullshit (Da Treta) e The Reasons of Love.




quinta-feira, 27 de abril de 2017

Novos Ensaios de Peter Singer

Peter Singer é o filósofo da atualidade que suscita maiores hostilidades em relação às suas ideias, ou pelo menos à caricatura que habitualmente delas se faz. Isto acontece não pela radicalidade dos seus argumentos (há filósofos mais radicais, mas que raramente são mencionados nas frentes mais hostis), mas antes pela sua popularidade. A que se deve a popularidade de Singer? À forma pouco comum como expõe os argumentos que os torna acessíveis mesmo aos leitores filosoficamente menos informados. Juntando isso aos temas e problemas que aborda (moralidade do aborto, eutanásia, etc…) temos os ingredientes necessários para conservadores hostis destilarem os mais variados insultos. O irónico é que Singer aceita o aborto ou a eutanásia com muitas restrições, o que até faz dele, em certo sentido, algo conservador. Mais conservador talvez é ainda em relação à defesa dos direitos morais dos animais não humanos, uma das mais radicais teses de Singer. Curiosamente os hostis costumam estar-se nas tintas para os animais e não pegam neste ponto com Singer. Do meu ponto de vista a popularidade de Singer passa por uma certa injustiça, provavelmente própria de toda e qualquer popularidade, a de ser superficial. Por essa razão os ataques dos hostis são todos sem exceção vagos e absurdos, para além de revelarem manifesta ignorância em relação aos argumentos do filósofo australiano, professor nos EUA. A melhor forma de conhecer os ataques a Singer que estão para além dos insultos gratuitos é conhecer a obra de filósofos como David S. Oderberg, tendo duas obras publicadas em português. Uma delas, Ética Aplicada, Uma abordagem não utilitarista (Principia, 2009, Trad. M José Figueiredo), é um ataque ao utilitarismo de Singer. Espero que esta nova tradução em português, do qual se apresenta aqui a capa, motive mais a discussão racional que o orgulho irracional. De resto como se espera de toda a atividade filosófica. A edição é das Ed.70.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Citações polémicas

Muitas das afirmações dos filósofos são polémicas. Todas elas são, por natureza do saber e conhecimento, arriscadas. E por isso, em regra, pouco consensuais com a nossa visão comum do mundo e das coisas. Mas será que entre essas citações não haverão outras ainda mais arriscadas, verdadeiramente polémicas contrariando-se até a si mesmas? É isso que este livro recém-chegado ao mercado português promete oferecer, uma boa coleção de citações verdadeiramente polémicas. Do autor Victor Correia, com edição da Verso da Kapa. Mais informações AQUI. À venda nas livrarias a partir do dia 13 deste mês.