domingo, 26 de setembro de 2021

Entrada na Universidade no curso de Filosofia

 Este é o panorama de entrada no curso de filosofia no ano de 2021. Felicidades a todos os que escolheram esta aventura do filosofar como gente grande. 

Fonte: Jornal Público de 26/09/2021



domingo, 5 de setembro de 2021

Bom ano letivo 2021-22

 


O desejo a todos de um bom ano letivo, especialmente para a filosofia. Mais um ano com o essencial da história a repetir-se: muitos jovens adolescentes entram pela primeira vez no universo histórico e crítico da filosofia. Um dos imperativos para que essa entrada seja cada vez mais valorizada pelos estudantes é nunca esquecer que nós, professores, estamos aqui para os ensinar e não para esperar que eles já saibam o que temos para lhes oferecer. Se a perplexidade inicial da disciplina parece ser um obstáculo, ao mesmo tempo é essa mesma especificidade, a perplexidade  para pensar problemas básicos da nossa passagem pelo cosmos, que é o motor de atração para pensar, construir argumentos, compreender quando falham, apresenta-los publicamente, partilhar as ideias, não ter medo de pensar, ver na excentricidade uma virtude, perceber que por cada passo que damos existe uma implicação moral, epistémica, científica. Este caminho começa a fazer-se no sistema de ensino português, com 15 anos, no 10º ano. E a melhor conquista de um professor é que os alunos gostem de aprender. Mas nada como o gozo vaidoso de quando eles e elas nos dizem nos corredores da escola: “é a minha disciplina favorita!”. Não sejamos modestos nesta tarefa. Eu não sou. Enchemo-nos de vaidade. Nós e os nossos alunos. Se não formos vaidosos nas nossas conquistas, quem o será? Bom ano a todos. 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Newsletter Lyceu

Um novo número fresquinho dos trabalhos de alunos do Liceu Jaime Moniz. Vale a pena espreitar, pois é uma forma para conhecer um pouco melhor esta importante escola. 

Ver Aqui.




segunda-feira, 12 de julho de 2021

Uma citação de honra

 Recentemente Marcelo Fischborn, autor deste canal de YouTube que recomendo aos alunos, professores e demais interessados, destacou, no seu blogue, as aulas que gravei para o Telensino. Agradeço ao Marcelo pois é uma honra o seu reconhecimento dado o respeito que tenho pelo trabalho dele. Pode ser lido aqui o registo



quinta-feira, 27 de maio de 2021

Manuais didaticamente fortes


 


Agora que andamos (professores) a analisar manuais, deixo aqui uma pequena reflexão. Afinal quando é que um manual é didaticamente mais forte que outro? Isto não se mede a régua e esquadro. Se os manuais devem resultar num equilibro entre o que se ensina e quem vai por eles aprender, então temos de ter uma noção de quando um manual é didaticamente forte e didaticamente fraco, ainda que existam casos fronteira, exatamente porque os contextos de aprendizagem são bastante diversos. Por isso o manual X que se adapta bem ao colégio XPTO pode ser desadequado para os miúdos do bairro na minha paróquia. Mas vamos lá ao exemplo. Referem as aprendizagens essenciais de filosofia que a lógica é uma ferramenta que deve ser explorada ao longo de todo o programa. E é uma boa referência, caso contrário não faz sentido ensinar lógica. Acontece que já me deparei com um manual que disseca os argumentos ao tutano e por isso acaba por ser didaticamente fraco ao fazê-lo, pois está a exigir uma leitura pouco razoável da filosofia, dos textos e fá-lo do pior modo que é o de pressupor que toda a análise filosófica se faz esquematizando argumentos em várias premissas e conclusão. Empobrece a análise que se pede e transmite uma ideia errada da filosofia, oferecendo pouca liberdade de análise aos aprendizes. Outros manuais ignoram completamente a lógica e aí continua a cometer-se o mesmo erro de sempre. Mas há pelo meio manuais equilibrados que conseguem mostrar que, por exemplo, na defesa de uma teoria podemos esquematizar o argumento como um modus ponens e assim cumprir um dos requisitos da boa argumentação, que é a de apresentar sempre que possível, argumentos dedutivos válidos. E isto para um nível de 10º ano, faz-se com duas premissas e uma conclusão. E basta arrancar para a teoria a partir daí. Mas deve-se evitar estas duas coisas: 1ª espancar os textos em argumentos de várias premissas e conclusão pois o que se consegue é perder-se na análise dado que a lógica que se ensina não permite avaliar os argumentos dessa maneira; 2º ignorar por completo aquilo que se aprendeu em lógica. Como de resto é notícia eu não fiz qualquer manual desta leva. Se o fizesse a minha proposta iria não no sentido de escancarar todos os argumentos em premissas e conclusão, mas antes propor exercícios aos alunos para esse mesmo fim, exercícios que sejam adequados à lógica que se ensina que é ainda muito elementar, tal como deverá ser num nível que ainda é muito introdutório e para o qual na esmagadora maioria das escolas os alunos têm apenas 3 aulas de 50 minutos cada por semana. Portanto, muito azeite no candeeiro e o pavio não arde. Mas também não arde sem azeite. 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Guia para adoção de manuais de filosofia

 Desta vez resolvi gravar um vídeo com um pequeno guia que pode servir de auxiliar para adoção de manuais de filosofia. Espero que seja útil e porque é particular tem as suas falhas e omissões da minha responsabilidade. 




domingo, 16 de maio de 2021

Novidades filosóficas pelo YouTube! E em português!!!

Já no Brasil se faziam muitos e bons vídeos de filosofia para a plataforma YouTube (ver secção deste blogue dedicada a vídeos) e nada se encontrava em língua portuguesa. Creio que tal se deve porque não entram no sistema de ensino professores mais jovens, eventualmente aqueles mais sensíveis a estas maneiras de comunicar a filosofia. Recentemente descobri dois canais que abordam o programa de filosofia no ensino secundário português. Podem ser boas ferramentas para estudantes. 

Um desses canais chama-se “A Tua Filosofia” e contém materiais de preparação para exames para além de vídeos que abordam praticamente todos os tópicos das matérias. Pode ser visitado AQUI

No outro canal, “Filosofia Secundário”, os vídeos são mais curtos e sintéticos, mas com uma realização mais sóbria sem a característica do ensinar divertindo do primeiro. Pode ser acedido AQUI. Ainda bem que vão aparecendo caras novas, com ideias novas. Já fazia alguma falta. 





quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ação de formação para professores de filosofia

Tenho agendada para Julho uma formação de professores na qual vou partilhar algumas práticas de ensino da filosofia com as Aprendizagens Essenciais. Muitas vezes a lógica é ensinada como um departamento à parte de tudo o resto. Mas as AE indicam que ela deve ser exercitada ao longo do programa como a ferramenta de decomposição e composição de argumentos e como técnica da discussão filosófica. Atendendo a essa dificuldade e à necessidade de partilha destas práticas, propus esta formação que pretende percorrer todas as unidades do 10º e 11º anos com exemplos práticos de como pode funcionar a lógica enquanto ferramenta e de modo a possibilitar uma leitura integrada e coerente das AE. Para inscrições contactar o Sindicato de Professores da Madeira, a entidade que promove a formação. Esta formação será ministrada em regime online com 15 horas de formação (10h síncronas e 5h assíncronas). Contactar AQUI




terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Dia Mundial da Educação

 O meu contributo para o projeto da minha escola, Escola Jaime Moniz, Escola UNESCO. Com um agradecimento pelo convite aos professores responsáveis, nomeadamente à Professora Ana Kauppila




quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Um best of muito pessoal



Não é muito fácil elaborar um best of do ano no que respeita a livros publicados entre nós. Primeiro porque não são assim tantos os livros que se publica de filosofia em portugal. Depois porque não os leio todos. E depois porque muitas vezes passo mais tempo a ler livros que já tem uns anos do que propriamente livros acabados de sair. Mas a dizer a verdade ainda são muitos os livros que leio num ano. Nem tenho bem a conta feita, mas são mesmo muitos. Gostaria ainda assim de destacar aqui livros que, mesmo não sendo exclusivamente de filosofia, mereceram o meu tempo e destaque. Outros há que não os destaco, mesmo tendo sido lidos este ano e sendo 2020 o ano da sua edição em língua portuguesa. Não gostei deles e por isso soa-me errado estar a fazer-lhes destaque. Isto porque esta pequena lista assume um carácter inteiramente pessoal. Ao contrário do que até fiz em outros finais de ano não estou a fazer a listagem dos livros mais relevantes que saíram ao longo do ano, mas somente a destacar aqueles que mais gostei. 

Começo por destacar o livro de Pedro Galvão, Três diálogos sobre a morte (Gradiva). É provavelmente o melhor livro de filosofia que me recordo ter lido escrito por um português. Porque os problemas tratados são de difícil argumentação há passagens mais sofisticadas, mas da maneira como está escrito, numa engenhosa trama de diálogos, acaba por transformar algo bem sofisticado num desafio intelectual em que o leitor sai claramente a ganhar. 



Mas Galvão não se ficou por aí este ano. Além de ter também publicado um livro de ficção, uma estreia, que ainda não li, publicou também uma tradução revista do seminal texto de Stuart Mill, Utilitarismo. Para enriquecer esta edição, adicionou um conjunto de ensaios de Mill sobre Bentham e ainda uma extensa e útil introdução aos textos e à filoosfia de Mill. A edição é da Primatur.




Ainda que o livro sobre a morte de Pedro Galvão seja a todos os níveis o melhor livro de filosofia lido este ano, não poderia esquecer a importância da edição, na mesma coleção da Gradiva, a Filosofia Aberta, do livro de John Searle, Da realidade física à realidade humana. Este livro foi publicado na língua portuguesa mesmo antes de ser publicado no original em inglês, o que revela uma perspicácia pouco habitual numa área como a filosofia, principalmente de Aires Almeida, o diretor desta coleção e que tem feito um trabalho soberbo. É uma espécie do melhor da filosofia de Searle. Publicar filosofia em Portugal é muito complicado. Primeiro porque quem se interessa a valer pela área acaba por aprender a ler em inglês e traduzir determinados títulos para a nossa língua é sempre um risco demasiado elevado para os editores. Afinal, quem os vai comprar? Os mais especialistas compram em inglês e os menos especialistas não os compram. Ora, neste contexto, conseguir o que se tem feito com a Filosofia Aberta, só mesmo com muito amor à camisola. 




Destacaria dois livros que não são de filosofia, mesmo que neles se refira muitas vezes filósofos. São eles o livro de Tim Harford, O que os números escondem (Objetiva) e o de Anne Applebaum, O crepúsculo da democracia (Bertrand). E porque destaco estes dois livros? O primeiro porque é uma maneira bastante interessante de nos alertar dos vieses cognitivos que constantemente cometemos na interpretação que fazemos dos acontecimentos e do modo de os evitar. E o segundo porque, também fruto desses vieses, alerta para o perigo que corremos em eleger partidos extremistas para os governos. A autora serve-se do caso da ascensão da extrema direita na Polónia e passa pelo Brexit, Trump, entre outros casos de extremismo populista. São livros bem documentados e que nos enquadra os riscos do nosso comportamento na sociedade moderna. 





O meu último destaque não é tanto dirigido ao livro, mas à ciência em geral. Nos tempos que vivemos, a força da crença irracional, o negacionismo, o erro político de manter a esperança nos extremismos populistas ocupam um destaque social crescente. O recente livro da dupla portuguesa Carlos Fiolhais e David Marçal é mais que um livro apenas sobre a pandemia. É um livro que mostra os erros que se comete constantemente na avaliação dos acontecimentos. Mas é um livro que tem o foco na importância capital que a ciência tem nos nossos dias e no impacto que acaba também por ter nas nossas vidas. Mas como a ciência é contraintuitiva talvez afaste as pessoas do que ela é e como funciona. Por isso estes livros são tão importantes. Porque este ano de 2020 é, para mim, definitivamente o ano da ciência. E o meu maior destaque de 2020 vai mesmo para a ciência.  

Em 2021 continuarei certamente a ler livros de 2020. Alguns estão aí em lista de espera. Haja saúde e paz. 



Outros Best Of meus: AQUI e AQUI