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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Ensinar filosofia? Como? Duas leituras para começar...

Primeira leitura

Em início de ano letivo e ainda com tantas questões no ar, próprio de quem ensina filosofia e, eventualmente, um dever de quem ensina seja o que for, nada melhor do que começar com algumas leituras. Sem as leituras tudo se torna um pouco mais superficial, sem norte. A primeira das leituras não é de todo consagrada ao ensino secundário e muito menos ao ensino secundário português. Ainda assim é sempre bom partilhar a experiência de ensino que me parece sincera e sensata de um professor universitário que tem décadas de experiência. Até porque muitas das inquietações do autor são também a dos professores do secundário.



Segunda leitura

Se a dúvida caracteriza parte do que fazemos nas aulas de filosofia, a verdade é que militar na dúvida pode conduzir a uma ideia trapalhona do que é a filosofia. Até a dúvida deve ser arrumada (para aqui arranjar um termo que significa o mesmo que metódica para o nosso colega Descartes). E é exatamente isso que Baggini fez neste majestoso manifesto de como nos posicionarmos face ao carácter mais essencial da nossa disciplina, lidar com o ceticismo. Daqui não vamos retirar ensinamentos diretos para as nossas aulas nem tão pouco estratégias de lecionação. Com este livro raciocinamos o tempo todo acerca das nossas próprias convicções do que fazemos quando entramos numa sala de aula para ensinar filosofia. 

Espero que estas duas leituras sejam um bom auxiliar do nosso trabalho, o de despertar os miúdos para o universo das questões inteligentes e da discussão racional. 



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Filosofia com Visão

A divulgação pública da filosofia é tão importante quanto a sua criação. Ocorrem-me dois motivos principais:

1º os problemas filosóficos são (devem ser) quase todos de domínio público
2º sem boa divulgação o interesse pela filosofia acaba por ser reduzida a caricaturas da mesma.

Estas razões são igualmente relevantes para qualquer outra área do saber. Por isso é com graciosidade que recebo cada pedacinho de divulgação da filosofia em espaços públicos e que, de uma assentada, consiga juntar a qualidade, a atualidade e acessibilidade com que problemas difíceis são divulgados e apresentados ao público não especialista. 
Pedro Galvão está a fazer esse trabalho na revista visão. Chama-se Terceiro Excluído e espera-se que venha a publicar com alguma regularidade. Pode ser acessado de forma livre AQUI.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Voltar a estudar? Que tal filosofia?


Voltar a estudar após uma certa idade é uma pratica ainda muito tímida em Portugal. Mas devia acontecer com maior frequência. Estudar é das atividades humanas mais motivadoras. A repetição profissional ao cabo de alguns anos implica desgaste e falta de motivação. Imediatamente pensamos em mais dinheiro como principal foco motivacional. Mas após asseguradas as necessidades básicas não é com mais dinheiro que vamos criar mais motivação. A experiência com a Universidade Senior é uma excelente ideia. Mas o que aqui refiro destina-se mais a pessoas inseridas no mundo profissional e não a reformados. Estudar filosofia aparece aqui com um destaque interessante, senão vejamos rapidamente algumas das principais vantagens de estudar filosofia no mundo de hoje:
Argumentação – é o nervo central da filosofia. Estudar filosofia é entrar no gigantesco diálogo sobre questões básicas. Não são básicas no sentido de serem as mais simples, mas as questões mais essenciais de compreensão da vida humana e do mundo.
Ceticismo – uma boa dose de ceticismo é a base para a análise crítica de problemas e de tentativa de solucioná-los. Sem essa dose certa de ceticismo não se exerce a capacidade crítica e sem ela não se apresenta qualquer tipo de evolução seja em que área for da vida humana.
Abstração – uma capacidade que também se exerce com a arte, matemática, etc. A abstração é uma maneira de compreensão do mundo e dos outros, sem a qual, essa compreensão seria muito mais sujeita a impasses e erros de interpretação. A abstração é o primeiro passo para o rigor.
Comunicação – comunicar é expressar pensamentos e a maneira como estamos a interpretar o mundo. O estudo da filosofia desenvolve bem esta capacidade, já que quem estuda filosofia lida o tempo todo com a necessidade de expressar com clareza o que está a pensar. Esse esforço pode resultar muitas vezes em confusão. Mas quando bem conduzido resulta quase sempre em clareza.
Compreender a ciência – pode-se ser cientista ou fazer ciência sem compreender muito bem o que é a ciência e como se desenvolve ou progride a ciência. Estudar filosofia e principalmente filosofia da ciência é a porta aberta para a compreensão de como e para quê se faz ciência.
Informação – um dos perigos a que mais estamos sujeitos no mundo da informação é o da manipulação. Estudar filosofia dota-nos de capacidade crítica para avaliar e analisar fontes, critérios, etc. É também uma maneira de prevenir contra a má ou enviesada informação.
Política – um sistema mais perfeito é um sistema em constante aperfeiçoamento. Pensar que vivemos no melhor dos mundos possíveis é ao mesmo tempo aceitar que não existe melhor do que o que já temos. Ora esta não é a postura adquirida por quem quer que estude filosofia. Repensar sistemas políticos, compreender porque podem não funcionar, etc é uma das capacidades desenvolvidas pelo estudo da filosofia.
Liberdade – Ousa saber! Os filósofos não tem praticamente limites na abstração. Ou antes diria que os limites são critérios como a clareza. Mas a liberdade crítica é uma prática entre filósofos. E uma prática adquirida por quem estuda filosofia, uma capacidade de não impor nenhuma verdade como incontroversa.


domingo, 25 de junho de 2017

Ética na imprensa

Um dos filósofos mais populares e, talvez por isso, mais incómodos da atualidade para os mais conservadores, numa entrevista à revista semanal Sábado, nº 686, de 21 a 28 de Junho de 2017. Por Vanda Marques. Nesta pequena entrevista, Singer aborda alguns dos problemas reunidos no livro Ética no Mundo Real - 82 breves ensaios sobre coisas realmente importantes , publicado entre nós pelas Ed. 70 e traduzido por Desidério Murcho.  Um facto curioso que vale a pena mencionar: Peter Singer é atualmente o filósofo que mais ódios suscita. Quando refiro "ódio" é em sentido literal. Claro que no mundo da filosofia existem filósofos que procuram objetar as posições de Singer, como o seu conterrâneo David Oderberg. Numa versão menos racional, abundam as tiradas anti Peter Singer. Curioso é que as posições de Singer nem sequer são as mais radicais em relação a alguns dos problemas éticos que aborda. E mais curioso ainda é que muitos filósofos do passado, hoje unanimemente idolatrados, foram mais radicais que Singer. Neste como muitos outros casos, Singer paga o preço da fama. 


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Citações polémicas

Muitas das afirmações dos filósofos são polémicas. Todas elas são, por natureza do saber e conhecimento, arriscadas. E por isso, em regra, pouco consensuais com a nossa visão comum do mundo e das coisas. Mas será que entre essas citações não haverão outras ainda mais arriscadas, verdadeiramente polémicas contrariando-se até a si mesmas? É isso que este livro recém-chegado ao mercado português promete oferecer, uma boa coleção de citações verdadeiramente polémicas. Do autor Victor Correia, com edição da Verso da Kapa. Mais informações AQUI. À venda nas livrarias a partir do dia 13 deste mês. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Filosofia & matemática

Fica aqui o registo da ação hoje pela manhã a convite dos professores de matemática, nas Jornadas de Matemática da Escola Secundária Jaime Moniz. Obrigado a todos.






quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Novos textos na nova secção

Recentemente abri uma nova secção no blogue, "Textos Por Unidade". Nesta secção reunem-se textos organizados por unidade dos programas de ensino em Portugal da filosofia. Torna-se, assim, mais simples procurar materiais úteis ao estudo dos alunos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Filosofia e WC



Hoje, determinado pela Unesco, comemora-se o dia mundial da filosofia. Mas também se comemora (determinado pela ONU) o dia mundial da casade banho. Esta associação pode conduzir a boas doses de humor e algumas verdades, como a de que muitas vezes a filosofia conduz a ideias da caca. A casa de banho é algo tão trivial na nossa vida. Mas o mesmo não acontece na vida de milhares de pessoas, que vivem condicionadas à extrema pobreza sem as mínimas condições sanitárias. Não sabemos se um dia mundial ajuda muito a melhorar a condição dessas pessoas. Mas se juntarmos um pouco do que sabemos da filosofia ao dia mundial da casa de banho, podemos levantar um problema moral para pensar: será que temos a obrigação moral de ajudar os mais pobres? Peter Singer pensa que sim, que não existe diferença moral entre ajudar o meu vizinho e o pobre de um país distante que eu nunca conhecerei. A melhor forma de organizar os argumentos e os discutir é analisar o livro de Peter Singer, A vida que podemos salvar, Agir para pôr fim à pobreza no mundo, (Gradiva)


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Filosofia para os mais pequenos

De todos os livros de divulgação da filosofia a tenra idade, destaco dois, um deles, publicado este ano pela Edicare. O livro da Edicare é da responsabilidade de Carme MartinVíctor Escandell. Não é propriamente um livro que incita a filosofar, mas uma pequena enciclopédia da história da filosofia contada de modo divertido. Destaque para as ilustrações, pois o livro resulta muito bem para os mais novos.



O segundo livro é um pouco diferente, já que é escrito por um filósofo profissional e com muita experiência na divulgação da filosofia, o inglês Stephen Law. Já tinha feito referência a este livro, publicado em 2010, pela Leya. 


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Filosofia de verão

O verão é, para alunos e professores, a altura do ano em que sobra mais tempo livre. E há quem goste de dedicar algum desse tempo à filosofia. Neste verão encontrei pequenas curiosidades filosóficas que aqui partilho neste post.


Filosofia hoje e já
Aproveitando o verão para visitar mais algumas cidades espanholas, recuperei algumas referências do país vizinho que tinha aqui há alguns anos. Espanha não parece ser, hoje em dia, um país com departamentos académicos avançados em filosofia. Mas é um país com uma escala enorme, com imensas cidades e universidades, um país muito cosmopolita. Talvez isso justifique que possa existir e sobreviver mesmo em tempo de crise uma revista como a Filosofia Hoy. A revista é mensal e é um excelente cartão de visita à filosofia. Com a massificação da internet tenho mesmo dúvidas que muitos países tenham em formato papel uma revista assim de filosofia. Existe uma aplicação para tablets AQUI e também pode ser acedida no seu site AQUI. Aproveitei para comprar 2 números. O preço de capa indica também Portugal, o que significa que chega pelo menos a alguns locais de Portugal continental. Nota-se a preferência editorial pelos temas de ética aplicada, tais como a felicidade, bem estar, competição, etc. mas também são sempre explorados temas como aspetos gerais das teorias de filósofos clássicos, bem como as respetivas bibliografias. O tema de capa é apresentado com leituras de diferentes áreas, desde a física, antropologia, história, filosofia, etc. Graficamente é muito apelativa.



E as livrarias?
Quando era ainda estudante de filosofia, uma deslocação a Espanha implicava sempre a entrada em livrarias. Ficava maravilhado com a quantidade de edições de qualidade ao mesmo tempo que me frustrava por não ter dinheiro para comprar uma boa quantidade de livros. Hoje em dia o mercado espanhol já não é tão fascinante. Não que tenha perdido qualidade, bem pelo contrário. Mas apenas porque a massificação da internet permite-nos o acesso a milhares de obras, artigos, etc… e as edições espanholas deixaram de ser um recurso (menos, claro, para autores espanhóis).


Mais alguma coisa além da filosofia?
Um reencontro fora da filosofia e que me surpreendeu foi a revista de música Rock De Lux (AQUI). Surpreendente porque estava tão convencido que a revista já não existia que nem me dei ao trabalho de fazer uma procura no Google. Felizmente ainda existe e infelizmente não encontrei edição eletrónica. Infelizmente porque continua fiel a si mesma e ao que sempre nela encontrei. A divulgação de artistas e discos de qualidade, entrevistas a músicos ligados a editores mais alternativos, o grafismo entre o underground transitório das fanzines dos anos 80 e o profissionalismo de uma publicação das sérias… tudo nesta revista respira o melhor que há no rock, para quem gosta. Foi um bom reencontro e logo na capa da edição que encontrei, Marc Almond. A tiragem é bimestral.



Além Espanha…
Fora de Espanha, mas ainda nas pequenas descobertas de verão, recomendo a aplicação Filosofia Gratuita que se pode encontrar AQUI para o sistema android na loja de aplicações da Google. A app é o resultado de um trabalho conjunto de 2 filósofos, um deles bastante conhecido nos meios eletrónicos. Serve perfeitamente como introdução básica à filosofia e tem muitas apresentações bibliográficas de filósofos de todos os tempos. Agora, nos tempos mortos, como filas de espera, em vez de Angry Birds, podemos aproveitar o tempo para vasculhar filosofia no nosso samrtphone.





Guia do Filósofo
O Guia do Filósofo Aprendiz na Internet (acessar AQUI) do colega brasileiro Alexandre Noronha Machado e autor do blogue Problemas Filosóficos (AQUI) , foi outra das descobertas no tempo quente de Agosto. O blog ainda está numa fase muito embrionária, mas conhecendo o trabalho apresentado em Problemas Filosóficos, podemos esperar que seja coisa da boa.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Compêndio em linha de Problemas de Filosofia Analítica

O Compêndio Em Linha de Problemas de Filosofia Analítica é um volume, em língua portuguesa e de acesso inteiramente livre, que consiste em ensaios especializados sobre questões e problemas pertencentes a um conjunto de áreas nucleares da Filosofia Analítica contemporânea. Num primeiro momento, a ênfase é colocada em áreas que tratam da natureza da linguagem, mente e cognição. O volume está organizado em torno de três grandes domínios:
  • Lógica e Linguagem, incluindo a Filosofia da Linguagem, a Lógica Filosófica, a Filosofia da Matemática, etc.
  • Mente e Cognição, incluindo a Epistemologia, a Filosofia da Mente, os Fundamentos da Ciência Cognitiva, etc.
  • Metafísica, incluindo a Ontologia, a Filosofia da Ciência, etc
Os artigos do Compêndio em Linha são ensaios de estado da arte sobre tópicos salientes na reflexão e investigação filosófica actuais. Tipicamente, cada artigo formula e caracteriza um tópico segundo o estado corrente da sua discussão, introduz as concepções principais e os argumentos associados acerca do tópico e examina criticamente os prós e os contras de cada uma dessas concepções e argumentos.
O volume é uma colecção do Repositório da ULisboa: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/15845
Novo site AQUI

sexta-feira, 1 de maio de 2015