Por estar um pouco desatualizada reescrevi praticamente a página toda referente aos Exames Nacionais. A ideia aqui é sempre simplificar para alunos a linguagem dos documentos que prescrevem os conteúdos de exame, mas que são originariamente pensados para professores e não para alunos. Ano após ano recebo as mesmas dúvidas e assim tenho a resposta sempre visível. Aproveitei também para incluir alguns materiais de estudo úteis. Este é sempre um work in progress, pelo que ainda haverá falhas que, espero, não se notem muito :) Ver AQUI
segunda-feira, 29 de junho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
Algumas notas sobre o Exame Nacional de Filosofia (1.ª fase de 2026)
Tive oportunidade de ler atentamente o Exame Nacional de Filosofia da 1.ª fase de 2026. Globalmente, parece-me uma boa prova: equilibrada, cientificamente sólida e, em muitos aspetos, melhor do que as de alguns anos anteriores. Não é um exame isento de críticas, mas, no conjunto, parece-me claramente conseguido.
Desde logo, merece destaque a cobertura do programa. O exame percorre praticamente todos os grandes domínios da disciplina: lógica, ação humana, ética, filosofia política, teoria do conhecimento, filosofia da ciência, estética e filosofia da religião. Essa diversidade permite avaliar um conjunto muito mais representativo das aprendizagens dos alunos.
Também considero positiva a preocupação em privilegiar a compreensão conceptual e a capacidade de argumentação. Nas questões de desenvolvimento não basta reproduzir definições ou enumerar teorias. Exige-se que o aluno compreenda os problemas filosóficos e saiba mobilizar os conceitos para construir respostas fundamentadas. Essa é, afinal, uma das finalidades essenciais do ensino da Filosofia.
É igualmente interessante que o exame recorra, ainda que de forma pontual, a contextos contemporâneos. Logo na primeira questão surge uma referência à inteligência artificial, utilizada para avaliar a capacidade de distinguir problemas especificamente filosóficos de questões pertencentes a outras áreas do conhecimento. Não se trata de um tema central da prova, mas constitui um exemplo pertinente de aproximação da Filosofia a problemas contemporâneos.
Nem tudo, porém, é irrepreensível.
Existe alguma assimetria entre as perguntas de escolha múltipla e as questões de desenvolvimento. Enquanto as primeiras são, em geral, bastante acessíveis, algumas das segundas exigem um domínio conceptual significativamente mais elevado, sobretudo nos temas relativos a Kuhn, Popper e à filosofia da arte. Para muitos alunos, essa diferença de exigência poderá ter sido difícil de gerir.
Também me parece que alguns itens de escolha múltipla dependem demasiado da forma como estão redigidos. Embora as respostas consideradas corretas sejam defensáveis, uma formulação mais precisa teria reduzido ambiguidades desnecessárias e permitido avaliar de forma mais direta os conhecimentos filosóficos dos alunos.
Outro aspeto que merece referência é o peso relativamente reduzido atribuído à lógica formal. Atendendo à importância deste domínio no programa da disciplina, seria legítimo esperar uma avaliação um pouco mais exigente nesta área.
Entre as questões de desenvolvimento, destacaria particularmente a dedicada ao ceticismo radical, que avalia uma compreensão rigorosa da noção de conhecimento, e a questão sobre Hume, que permite distinguir os alunos que realmente compreenderam a sua crítica da causalidade daqueles que apenas memorizaram alguns conceitos. Também considero particularmente interessante a presença de Kuhn e Popper, autores cuja comparação continua a constituir um excelente exercício de reflexão sobre a natureza da ciência.
Já a questão relativa à possibilidade de defender que «tudo pode ser arte» terá sido, provavelmente, uma das mais exigentes da prova. Não bastava conhecer diferentes teorias estéticas; era necessário construir uma argumentação consistente e filosoficamente fundamentada.
Há, no entanto, uma questão que me suscita algumas reservas: a que incide sobre a noção de consequência lógica.
Não digo que a resposta indicada pelo IAVE seja indefensável. O problema, a meu ver, está na própria formulação da pergunta. Esta permite que um aluno bem preparado, raciocinando de forma consistente e mobilizando legitimamente os conhecimentos adquiridos ao longo da disciplina, seja conduzido a uma resposta diferente da prevista nos critérios de classificação.
Além disso, a noção de «consequência lógica» não surge no programa com a autonomia que esta pergunta parece pressupor. O programa trabalha de forma sistemática a distinção entre argumentos dedutivos e não dedutivos, a validade dedutiva e as diferentes formas de inferência. Já a expressão «consequência lógica», entendida como conceito autónomo, não é objeto de um tratamento suficientemente explícito para justificar uma pergunta tão direta.
Num exame nacional, parece-me desejável evitar itens em que um aluno possa ser penalizado não por desconhecer a matéria, mas por interpretar legitimamente um conceito cuja delimitação não foi objeto de ensino explícito. As perguntas de escolha múltipla devem incidir sobre conhecimentos claramente enquadrados pelo programa e minimizar a possibilidade de respostas alternativas sustentadas por um raciocínio plausível.
Uma palavra, ainda, sobre o peso relativamente elevado das perguntas de escolha múltipla. Sei que este aspeto é frequentemente criticado, mas parece-me que importa reconhecer as suas vantagens. A investigação em avaliação educacional tem mostrado que este tipo de itens proporciona níveis elevados de fiabilidade na classificação, reduzindo significativamente a influência da subjetividade dos corretores e contribuindo para uma maior equidade na classificação dos candidatos. Além disso, permite avaliar, numa única prova, um número mais alargado de conteúdos do programa. Naturalmente, estas vantagens não dispensam a existência de questões de desenvolvimento, indispensáveis para avaliar competências como a argumentação e a construção de raciocínios. Parece-me, por isso, que o equilíbrio entre ambos os tipos de itens continua a ser a solução mais adequada.
Mais difícil de compreender é que o IAVE tenha divulgado uma primeira versão dos critérios de classificação com um erro na correção de uma pergunta de escolha múltipla, justificando posteriormente que se tratava de uma gralha nos critérios. Contudo, basta comparar as duas versões para verificar que a pergunta e as respetivas opções de resposta permanecem exatamente iguais, o que sugere que a origem do problema estará na própria construção do item e não apenas nos critérios de classificação. Não consigo perceber muito bem como é que este tipo de erros acontece quando existe tanto tempo para conceber e rever um exame nacional. Felizmente, neste caso não houve qualquer prejuízo para os alunos. Ainda assim, trata-se de uma ponta solta numa prova em que o rigor deve constituir uma exigência permanente.
No conjunto, considero que este exame consegue avaliar aquilo que verdadeiramente importa em Filosofia: a compreensão dos problemas, o domínio dos conceitos e a capacidade de argumentar de forma clara e fundamentada.
Se tivesse de lhe atribuir uma classificação global, dar-lhe-ia 8,5 em 10. Trata-se de um exame exigente, mas equilibrado, que tende a distinguir os alunos que compreenderam os conteúdos da disciplina daqueles que se limitaram a memorizar matéria.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
domingo, 25 de maio de 2025
Uma aula de filosofia política - John Rawls e as objeções
Ocasionalmente vou gravando aulas para os meus alunos reverem os conteúdos. Esta sobre filosofia política tem já 2 anos e estava a aguardar uma edição melhor. Resolvi publicar mesmo assim enquanto não edito novamente uma outra. Os materiais de suporte são uma compilação de outros trabalhos e seguem as Aprendizagens Essenciais. Espero que seja uma aula útil especialmente aos alunos que vão realizar exame de filosofia.
terça-feira, 27 de junho de 2023
Exame Nacional Filosofia 2023
Acabei de publicar na secção "Exames" as duas versões do Exame + critérios de correção.
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Exame de filosofia, como estudar?
Nesta altura recebo imensos pedidos de ajuda para a preparação do exame de filosofia. Bem, a única resposta possível é, estudar. Mas muitos estudantes sentem-se algo perdidos sem saber como organizar o estudo para exame. Em primeiro lugar tenho de saber quais as matérias testadas. E em segundo que materiais vou usar. Neste blogue há uma pequena secção que ajuda nessa organização. Acrescentei ainda as aulas no Youtube do Professor Manuel Cruz que gentilmente disponibiliza explicações on-line. Além disso as aulas que gravei para a RTP Madeira, por ocasião dos confinamentos da pandemia também ajudam em algumas matérias e estão disponíveis neste blogue na secção Teleensino. Estes materiais são muito úteis. Para além disso todos os estudantes devem procurar nas suas escolas que apoios são dados para exame. Muitas escolas oferecem aulas específicas de preparação para exame. Bom exame a todos.
segunda-feira, 27 de junho de 2022
Atualização de páginas
Olá a todos. Este blogue está organizado por abas, que são páginas para uma navegação mais acessível. Na página "Exames Nacionais" tens todas as orientações básicas para o exame nacional de filosofia. Na página "Aprendizagens Essenciais" tens os documentos orientadores com os conteúdos que são testados em exame. Esta secções são habitualmente atualizadas.
Bom estudo
E bom exame
quarta-feira, 8 de julho de 2020
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Exame Nacional Explicações
sábado, 11 de abril de 2020
Exame Nacional de filosofia 2020
terça-feira, 17 de março de 2020
Exames nacionais na Escola Jaime Moniz
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Como estudar para exame nacional de filosofia?
domingo, 27 de outubro de 2019
Exame de Filosofia 2020
terça-feira, 18 de junho de 2019
Exame nacional, é preciso?
segunda-feira, 17 de junho de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Dica para estudar filosofia
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Informações Exame Nacional 2019
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Como compreender o exame de filosofia comparando com a realidade da matemática e da física?
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Exames Nacionais de Filosofia
VER AQUI
quinta-feira, 16 de junho de 2016
O exame nacional de filosofia na imprensa, 2016
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