segunda-feira, 11 de outubro de 2010

É a eutanásia moralmente aceitável?

Matthew Donnelly era um físico que trabalhou com raios X durante 30 anos. Talvez devido à exposição excessiva à radiação, contraiu cancro e perdeu parte da sua maxila, o lábio superior, o nariz, a mão esquerda e ainda dois dedos da mão direita. Além disso, ficou cego. Os médicos do Sr. Donnelly disseram-lhe que tinha cerca de um ano de vida, mas ele decidiu que não queria continuar a viver em tal estado. Sentia dores permanentes. Um cronista afirmou que «nos piores momentos, deitado na cama, de dentes cerrados, viam-se gotas de suor a correr-lhe pela fronte». Sabendo que ia morrer de qualquer das maneiras, e desejando escapar à sua desgraça, o Sr. Donnelly pediu aos seus três irmãos para o matarem. Dois recusaram, mas o último não. O irmão mais novo, Harold Donnelly, de 36 anos, levou para o hospital uma pistola de calibre 30 e matou Matthew.
     Isto é, infelizmente, uma história verdadeira, e levanta naturalmente a questão de saber se Harold Donnely fez mal. Por um lado, podemos pensar que foi motivado por sentimentos nobres; amava o irmão e apenas desejava libertá-lo do sofrimento. Além disso, Matthew pedira para morrer. Tudo isto clama por um juízo indulgente. No entanto, segundo a tradição moral dominante da nossa sociedade, o que Harold Donnelly fez é inaceitável.

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Filosofia Aberta, Gradiva (Trad. F J Azevedo Gonçalves)

domingo, 10 de outubro de 2010

Afinar o post anterior

No post anterior afirmei que a negação de uma proposição inverte o seu valor de verdade. Mas, como muito bem me emendou Aires Almeida, tal não é verdade. E não é pois a negação de uma proposição não pode ser a mesma proposição mas com um valor de verdade diferente. Na verdade ao negar uma proposição ficamos com outra proposição diferente. A negação de uma proposição é, em síntese, uma outra proposição.
Por outro lado será também mais correcto afirmar que a negação de proposições é uma boa forma para aprender a refutar argumentos, mas não é estritamente necessária já que podemos refutar argumentos mostrando que os mesmos são inválidos, por exemplo. Agradeço estas precisões a Aires Almeida que as indicou na caixa de comentários do referido post.

sábado, 9 de outubro de 2010

Negar proposições

Por vezes em conversa com alguns professores de filosofia verifico que eles não dão qualquer importância a ensinar os seus alunos a negar proposições. Mas isso é um erro elementar no ensino da filosofia e por uma razão muito simples: é impossível ensinar a pensar sem ajudar os estudantes a refutar argumentos. Ora, para refutar argumentos é necessário saber fazer a negação de proposições, invertendo o seu valor de verdade. Assim, se a proposição de origem for verdadeira, a sua negação é falsa e vice versa. Até aqui nada de especial, não fosse o caso das intuições mais comuns relativas a alguns tipos de negações serem, em geral, erradas. Vejamos os dois casos mais comuns de erro, o das proposições universais e das condicionais.
A negação de uma universal afirmativa, é uma particular negativa. Assim, a negação de “Todos os portistas gostam de futebol” não é “Nenhum portista gosta de futebol”, mas “alguns portistas não gostam de futebol”. Recordo que negar uma proposição é alterar o seu valor de verdade.
A negação de uma condicional como “Se os portistas ganham, então são campeões” não é “Se os portistas não ganham não são campeões”, mas “os portistas ganham, mas não são campeões”. A negação de «Se P, Q» é sempre «P, mas não Q».
Podem parecer pormenores simples para quem está habituado a raciocinar, mas não são simples para estudantes de 15 anos que provavelmente nunca foram confrontados com a questão. 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Stuart Mill de novo em português

Ao navegar nas livrarias on line descobri esta edição de Sobre a Liberdade de Stuart Mill, aqui intitulada Da Liberdade (D. Quixote, 2010). Não sei ainda da tradução, mas penso não ser a das edições 70 de Pedro Madeira. Provavelmente será uma tradução antiga que estava na Europa America. Se alguém souber entretanto, agradeço a notícia. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Exame Nacional de Filosofia? Parte 563

Tem circulado pela net a informação do exame intermédio de filosofia do 10º ano. Em primeiro lugar temos de seguir em frente com calma. É infelizmente normal que o Ministério da Educação invente para depois, logo a seguir, desinventar. É sempre assim. Mas parece-me correcta a reposição do exame nacional de filosofia e é uma notícia eu acolho com agrado. Isto se for verdade que o exame nacional de filosofia vai ser reposto. Por outro lado pode ser sempre uma opção estratégica do ME já que todos os alunos dos cursos gerais tem filosofia como disciplina curricular obrigatória e isso permitirá seleccionar os alunos na entrada da universidade com menos exames. Nunca se sabe o que se passa na cabeça do polvo!




Indicações acerca do teste intermédio de Filosofia do 10º

sábado, 2 de outubro de 2010

Filosofia em saldos

A Gradiva tem novo site. E atenção que os livros da Filosofia Aberta estão praticamente todos a preços de saldo. E bons preços. Começo já a pensar nas compras de natal, sobretudo no Nagel, bom e barato para os mais jovens.
Ver aqui: https://www.gradiva.pt/index.php?q=N/BOOKSCOLLECTION/92&col=21

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Oferta de emprego em filosofia


Não sei bem como estão as coisas para os professores contratados, mas segundo algumas informações, na Região Autónoma da Madeira aparecem ofertas públicas com horários completos para as quais não aparecem candidatos. No ano passado chegaram a aceitar, segundo ouvi dizer – dados não confirmados – licenciados em Psicologia para leccionar no grupo 410. A todos os interessados em busca de um início de carreira, consultem com regularidade as ofertas públicas neste site. Vejam em "Docentes" as ofertas públicas que vão sendo publicadas com muita frequência no início de cada ano lectivo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Derrida para o povo

Este fim de semana estive com este livro na mão e pareceu-me ser de leitura acessível e agradável, ao mesmo tempo que vai iniciando o leitor na filosofia. E é uma edição curiosa, já que se apresenta como um livro de iniciação à filosofia pegando em autores pouco dados à clareza, como Derrida ou Heidegger. O autor vem da universidade de Oxford. Não o comprei ainda, mas ficou na lista para compras até ao Natal.
Mais pormenores AQUI.

domingo, 19 de setembro de 2010

Cinema e Filosofia


A partir do blog A dúvida metódica, descobri que o colega Carlos Café tem um novo blog dedicado ao cinema e filosofia. Pessoalmente gosto muito de cinema (apesar de não ser um devoto) mas sempre defendi que não preciso dos filmes nas minhas aulas de filosofia. Talvez seja preconceito meu, mas nunca vi exemplos significativos de como o cinema possa ajudar nas aulas de filosofia. Por outro lado, creio que a filosofia pode ajudar a compreender melhor o cinema, mas isso porque a filosofia nos ajuda a compreender melhor quase tudo. E acho perfeitamente possível que se criem formas inteligentes de melhor ensinar filosofia com os filmes no meio. E parece ser isso o que propõe Carlos Café com o blog A filosofia vai ao cinema, um blog que promete destruir alguns preconceitos como os meus.