segunda-feira, 15 de março de 2010

Filosofar diverte

Uma das coisas que me apareceram com o tempo foi uma forte vontade de me divertir o máximo tempo possível. Não sei a origem desta vontade nem possuo qualquer explicação técnica para ela. Há quem diga que vem com a idade. Talvez tenha a ver com o local onde vivo que tem 300 dias de sol por ano e um clima ameno. Claro que esta vontade de diversão acarreta alguns sacrifícios intelectuais. Bem, continuo a não gostar dos filmes do Van Damme, mas é verdade que onde antes via uma espécie mística de maior penetração do espírito, agora consigo largar umas folgadas gargalhadas. O benefício mais evidente é a maior abertura social que a diversão traz. O que é que isto tem a ver com a filosofia?  É que esta vontade de me divertir alastra-se à filosofia. É verdade que o estudo pode ser tão divertido quanto outra coisa qualquer. Estudar tem tanto de árduo, como de divertido. Se não esquecêssemos como uma criança aprende a brincar, daríamos maior importância aos aspectos lúdicos do trabalho e do estudo. É por esta razão que muitas vezes dou comigo a procurar sites de chalaças relacionadas com a filosofia. Nestas minhas procuras encontrei o Philosophy On Line. Não é bem um site de humor, mas a verdade é que tem secções muito divertidas como o projecto de escrever uma história da filosofia no Twitter. Vale mesmo a pena passar uns bons momentos com este site que divulga a filosofia de uma forma descomplexada e divertida. Eu vou lá basculhar ainda mais. Visitem a loja de vendas do site. Vai uma cervejinha na caneca do Russell?


sábado, 13 de março de 2010

Manuais lá de fora

Neste site podemos encontrar informação sobre manuais de filosofia para o secundário no reino unido. Trata-se das edições da Routledge. Uma diferença clara dos portugueses, é que neles não existem nem temas ambíguos, nem imagens idiotas que nada tem que ver com o que se deve pretender num bom ensino da filosofia.

Plano inclinado e escolas

Vale a pena ver o Plano Inclinado, com um residente, Nuno Crato e o convidado Carlos Fiolhais. Muita coisa se disse neste programa sobre educação e com pontos de vista que merecem a consideração de todos os leitores. Sobretudo uma ideia aqui é desmontada, a falsidade da aprendizagem centrada no aluno. Diz Carlos Fiolhais, «o centro do ensino é o professor». João Duque, outro residente, coloca um problema muito interessante. Um aluno sem capacidade financeira para estudar numa escola privada, mas numa turma barulhenta, vai ser muito prejudicado. Bem visto. Mário Crespo conduz a conversa.

Mas afinal há ou não filosofia em Portugal?

Abstract


Se o Rolando diz que não há filosofia em Portugal e o Rolando não tem estatuto académico, logo Há filosofia em Portugal.


Se o José Gil diz que não há filosofia em Portugal e o José Gil tem estatuto académico, logo Não há filosofia em Portugal.


O que é que se passa com estes argumentos? Estamos a aceitar a autoridade sem pensar realmente pela nossa cabecinha. Acontece que as autoridades podem também afirmar falsidades, o que até nem é o caso.
No blog Telegrapho de Hermes, vejo uma citação do professor José Gil (também fui aluno dele), em que este afirma que não existe comunidade filosófica em Portugal pois as pessoas não estão interessadas em discutir os problemas e vivem academicamente isoladas, cada um para si. Isto foi precisamente o conteúdo que afirmei AQUI no blog de ex alunos de Évora, O Café Filosófico de Évora. Na altura os ex alunos de Évora tiveram reacções de protesto face aos meus comentários, sendo alguns até com uma dose de violência que me fez ripostar algumas vezes com igual tom. Mas há aqui uma questão curiosa e que penso que deve ser posta a nú: o que eu contestei na altura é precisamente o que está a ser feito pelo Telegrapho, um blog da autoria de um dos ex alunos de Évora, ou seja, a citar alguém acriticamente. O que é que me faz pensar que a citação é acrítica? Porque foi o professor José Gil a proferi-la. Tenho toda a consideração pelo Renato que tem feito um apreciável trabalho com o Telegrapho, mas que raio de coerência existe em reagir como reagiu quando eu afirmei aquilo que agora o professor José Gil afirma? O que o Renato faz é exactamente aquilo que o José Gil diz que não se deve fazer, sob pena de matarmos de vez (se alguma vez esteve viva) a possibilidade de termos filosofia nas universidades portuguesas, isto é, cita-se porque é o José Gil, porque tem estatuto académico. Claro que o estatuto académico é relevante em certa medida, mostra pelo menos o que um indivíduo faz ao longo da vida por uma determinada área, mas será que isso por si só é condição suficiente para que um individuo com estatuto académico seja citado sem qualquer objecção? Sem que passe o resto da vida sem fazer afirmações palermas?
Parece certo que eu estou mais de acordo com José Gil do que o Renato, mas valia a pena aqui repor alguma justiça no que se passou nos mais de 200 comentários neste post.
Não estou propriamente ressabiado pelo que se passou já há algum tempo na discussão que tive como Renato e com o David no Café Filosófico, mas a verdade é que cheguei a ser acusado (creio que nesse post) de ser seguidista dos analíticos somente porque defendi a ideia de que não existe filosofia feita nas universidades portuguesas, por muitas palestras umbiguistas que nelas se façam. Portanto, esta não é uma resposta pessoal, mas um aproveitamento para voltar a afirmar que não temos filosofia nas universidades portuguesas pela razão apontada pelo José Gil: as pessoas não tem uma cultura de discussão do seu trabalho e fazem-no de forma isolada. Ora precisamente a filosofia é um saber cuja vitalidade depende directamente do trabalho de discussão activa.
Recordo que , entre outros argumentos, um dos argumentos usados pelo Renato e pelo David é que eu não devia falar do curso de filosofia em Évora já que é uma realidade que desconheço pois não estudei em Évora. Já agora, e o professor José Gil o que é que sabe do curso de filosofia dos Açores para poder afirmar o que afirmou?
Bem, e claro que o Renato pode ter citado o José Gil sem no entanto concordar com ele. Pode ser mesmo que a Universidade de Évora tivesse produzido filósofos com discussão activa no panorama internacional.
Já sei que isto me vai dar uma chatice do caraças, mas paciência.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Bibliografia feminina



Por muito estranho que possa parecer à maioria das pessoas, o feminismo é um problema discutido pelos filósofos e pela filosofia política. Deixo aqui 3 sugestões de leituras muito boas para quem se interesse pelo problema. O último capítulo do livro de Jonathan Wolf tem uma unidade toda dedicada ao problema dos direitos das mulheres.  Do mesmo modo o último capítulo do livro de Will Kymlicka é também ele dedicado ao problema. O livro de Mill é um clássico e provavelmente um dos primeiros manifestos filosóficos dedicado em exclusivo às mulheres e a mostrar argumentos de como é moralmente errada a sujeição das mulheres aos homens. Mas com tanto radicalismo que hoje em dia se observa, talvez daqui a uns 150 anos exista a necessidade de escrever algo como, “A sujeição dos homens”.

Informação recebida da Gradiva


«Uma obra única e imprescindível»
«Um acontecimento editorial»


Lançamentos em Abril, Junho, Setembro e Novembro (4 volumes) - Traduzida por especialistas da área sob a direcção do professor Aires Almeida


«A primeira razão pela qual esta impressionante obra é um acontecimento editorial é que os leitores têm agora acesso a uma história da filosofia que apresenta os problemas, teorias e argumentos da área com aquela intensidade própria de quem os conhece por dentro, ao invés de os olhar de longe como artificialismos académicos ou escolares, descritos muitas vezes em linguagem pomposa e vazia.

A segunda razão é que o conhecimento que temos hoje da história da filosofia é muito mais rigoroso e vasto do que o que tínhamos há trinta ou quarenta anos, e Sir Anthony está a par desses desenvolvimentos – tendo até sido protagonista de alguns deles. Não se trata por isso de mais uma história da filosofia que repete os lugares-comuns infelizmente endémicos nas zonas mais fracas da cultura escolar e académica.

Por estas razões, entre outras – incluindo a iconografia inovadora – esta brilhante história da filosofia é leitura obrigatória e entusiasmante para estudantes e professores de filosofia, assim como para qualquer pessoa que queira conhecer um pouco mais esta imensa tradição intelectual com dois mil e quinhentos anos de existência, e que novos desenvolvimentos continua a trazer-nos hoje. A Gradiva e a «Filosofia Aberta» continuam assim a prestar ao país um serviço cultural e educativo mais importante do que quaisquer míticas avaliações de professores.»

Desidério Murcho, Universidade Federal de Ouro Preto

«Esta é uma obra que pouquíssimos se atreveriam a escrever. Sir Anthony Kenny, um dos mais reputados filósofos actuais, dedicou alguns anos a ler directamente os grandes filósofos e a acompanhar os debates por eles suscitados, daí resultando uma história da filosofia verdadeiramente filosófica, informativa e refrescante, onde não se encontram os lugares-comuns e as ideias feitas do costume.

Aliando o melhor rigor académico à clareza de exposição e à capacidade para envolver o leitor nas discussões filosóficas, esta obra revela-nos uma história de cerca de dois mil e quinhentos anos que, ao contrário do que tantas vezes parece, está longe de ser uma mera colecção de ideias de museu.

O autor não se limita a apresentar e explicar as ideias e teorias dos filósofos, inserindo-as de forma esclarecedora no seu contexto histórico e cultural. Isto constitui uma das duas partes em que cada um dos quatro volumes está dividido. A segunda parte é dedicada à elucidação, discussão e avaliação dos argumentos que sustentam essas ideias e teorias, adoptando-se aí um tratamento temático e estritamente filosófico. Assim, esta história da filosofia consegue ser útil tanto para quem está interessado numa abordagem mais histórica das ideias filosóficas como para quem está interessado numa discussão filosófica mais aprofundada.

Por isso se trata de uma obra única e imprescindível que, muito justamente, se está a tornar uma verdadeira referência na área.»

Aires Almeida, Professor de Filosofia

quarta-feira, 3 de março de 2010

Neil DeGrasse Tyson

Este foi a minha mais recente aquisição. São mais de 450 páginas, mas após ter lido as primeiras páginas fiquei com a sensação que poderiam ser bem mais que não me assustava por aí além. Até breve que tenho o tempo muito ocupado e esta obra de Tyson será lida de fio a pavio.

terça-feira, 2 de março de 2010

Alguém conhece este livro?

 Desconheço o autor e a obra. Já o apanhei na livraria, mas está embalado em plástico e não me apeteceu pedir para retirar o plástico, nem me apeteceu eu próprio fazê-lo. Agradeço indicações sobre o conteúdo da obra. O autor é Jean Clet-Martin e a edição portuguesa é da Teorema.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Apelo aos estudantes

No site da Gradiva, Guilherme Valente, o editor faz um apelo aos estudantes universitários que aqui reproduzo. É importante ter consciência que para reforçar o mercado de edições em Portugal é preciso fazer um esforço para investir nos livros. Somente desse modo é possível pagar aos tradutores e todo o trabalho que envolve a edição.
APELO AOS ESTUDANTES
Por favor, não fotocopiem os livros.
Se o fizerem estarão a pôr em risco seriamente a continuidade da edição das grandes obras que precisam de ler para realizarem cursos universitários dignos desse nome.
Além disso devem ler as obras na íntegra. Só assim descobrirão o prazer do conhecimento. Depois de ler um grande livro, quem não sentirá que ficou diferente, muito mais rico intelectualmente, um cidadão mais crítico, mais livre? 

SE NÃO TIVEREM DISPONÍVEL O DINHEIRO NECESSÁRIO PARA PAGAR UMA OBRA QUE PRECISEM DE LER OU QUE DESEJEM TER, DIRIJAM-SE A MIM DIRECTAMENTE, PARA LHES FAZERMOS O DESCONTO QUE PRATICAMOS PARA OS QUADROS DA GRADIVA (desde que essa obra não esteja abrangida pelo período determinado na Lei do Preço Fixo)

 
O editor
Guilherme Valente
gvalente@gradiva.mail.pt


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ainda sobre a tragédia da ilha da Madeira



O problema da ilha da Madeira levanta algumas questões pertinentes. Continuo convencido que o factor humano é mínimo nesta tragédia que afectou meios rurais onde a intervenção humana é mínima. A questão talvez seja a de saber se um outro ordenamento do território na zona urbana do Funchal poderia ter minimizado danos. É perfeitamente possível que sim. O problema é que não podemos pensar o problema somente com os dados da geografia ou da meteorologia, mas temos também de o pensar à luz da ética, da economia e da própria economia. O problema do ordenamento do território é um problema que cresce com o desenvolvimento económico da ilha, como uma série de outros fenómenos. Na minha escola organizamos, há dois anos, as Jornadas da Filosofia, onde se debateram as perspectivas éticas em torno do progresso. O filósofo Peter Singer tem bibliografia adequada publicada em português, principalmente o Ética Prática e o Um só Mundo, ambos publicados pela Gradiva.
Finalmente agradeço ao colega geógrafo Vitório, que me indicou o vídeo que anexo neste post e com quem mantenho vivas e interessantes pontos de vista sobre este e outros problemas.