Como estamos na época de Natal deixo aqui o link para dois textos sobre filosofia e natal. O primeiro aborda a questão se é moralmente aceitável mentir sobre o pai natal. O segundo trata de um pequeno livro, que mais não é do que uma excelente introdução à filosofia, cujo tema inspirador é o natal.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
Ensinar Lógica
Aqui está o meu contributo para a discussão sobre o ensino da lógica na filosofia. Ver AQUI.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Manual 2.0 de Filosofia
O manual
escolar 2.0 é um trabalho da Sebenta
Editora, Grupo Leya. Sou co-autor desse
manual onde vou publicando, com a chancela do meu editor, textos sobre
filosofia e ensino. Sou co-autor com os meus colegas de
equipa Domingos Faria e Fernando Janeiro. Podem visitar AQUI.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Dicas para estudar para o teste de Filosofia da Acção
Para o segundo teste temos a filosofia da acção. Numa primeira abordagem procuramos compreender
o conceito de acção, distinguindo-a dos acontecimentos
que não envolvem agentes (todas as
acções são acontecimentos que envolvam agentes, mas nem todos os acontecimentos
que envolvam agentes são acções). Ao mesmo tempo distinguimos acções intencionais e não intencionais
e vimos que um acontecimento é uma acção se for possível pelo menos uma
descrição verdadeira.
Uma descrição
verdadeira é aquela que pode descrever pelo menos uma crença e um desejo do
agente para agir.
E é essa crença e desejo que explicam o Motivo da acção. Seguidamente analisamos uma teoria explicativa do
motivo, que é o egoísmo psicológico.
Uma das críticas principais ao egoísmo é que o prazer que retiramos de uma
acção não pode, segundo os críticos do egoísmo psicológico, ser causa, mas
consequência da acção.
Uma vez terminado este primeiro tópico, começamos a discutir
um dos principais problemas da filosofia da acção, o de saber se a nossa
vontade para agir é livre ou se é determinada. Para tal estudámos o que
significa determinismo,
distinguindo-o do fatalismo. Compreendemos o alcance do determinismo explicando
a causalidade e recorrendo às ciências
como a física ou a biologia. Avaliamos o determinismo como uma teoria
verdadeira. Mas ao mesmo tempo também apurámos que a nossa intuição é muito
forte ao indicar-nos que somos livres de escolher como agir. Encontramos assim
o problema do livre arbítrio: se
somos livres ao agirmos, de onde vem essa liberdade, pois o determinismo parece
indicar que tudo no universo é determinado. Ora, se assim é, as nossas acções
também são determinadas e, logo, o determinismo não passa de uma ilusão.
Parte das nossas aulas foram de discussão deste problema. Pelo
meio tivemos de resolver alguns outros problemas paralelos, como aquele que
apareceu no 10º14, sobre o relativismo da verdade. Nessa aula tentei dar-vos
pistas para compreenderem a inconsistência na defesa de uma tese como “a verdade é relativa”, raciocinando que
se assim é, 1) pelo menos esta mesma verdade não pode ser relativa e que 2) se
a verdade é relativa alguém pode sempre defender que a verdade não é relativa,
aproveitando-se da verdade que indica ser a verdade relativa. Confusos? Calma.
Para tentar responder ao problema do livre arbítrio começamos
por fazer o mapa do problema:
Ou o livre arbítrio existe e o determinismo é falso
Ou o determinismo existe e o livre arbítrio é uma ilusão
Ou é impossível resolver o problema
Se negamos a existência do livre arbítrio, então apoiamos a
tese do determinismo radical. Se negamos o determinismo radical, defendemos a
tese do libertismo. Estas teses são incompatibilistas. Mas houve quem
sugerisse – e muito bem – que podemos ao mesmo tempo defender o livre arbítrio
e o determinismo numa tese compatibilista
a que chamamos de determinismo
moderado.
Para todas estas teses apresentamos algumas objecções e
tentamos inventar outras, umas que funcionaram e outras que ficaram abandonadas
pelo caminho já que pouco ajudavam a resolver o nosso problema.
Finalmente analisamos brevemente a posição que defende que
não há uma resposta minimamente plausível ao problema.
Agora, toca a rematar todas estas questões, pensar bem nos
problemas e analisar bem o problema, as teorias e os argumentos, pois o teste
sobre este problema está a chegar.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Philosophy day
Determinado pela UNESCO comemora-se amanhã o dia mundial da
filosofia. Na escola Jaime Moniz o dia assinala-se com uma breve exposição de
alguns depoimentos de alunos em forma de cartaz. Fica aqui um pequeno registo como lembrança.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Exemplo de aula de filosofia
Não existem
muitos exemplos gravados de aulas de filosofia. O trabalho do Tomás Magalhães
(o professor do vídeo) é, assim, um caso algo isolado. Podes ver um pouco deste
vídeo e tentar perceber o que é que esta aula tem de parecido ou diferente com
as aulas que estás a ter este ano pela primeira vez de filosofia.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Negar proposições Universais e particulares
Estas proposições podem ser classificadas quanto à sua
quantidade (ou são particulares ou universais) e quanto à sua qualidade (são
afirmativas ou negativas), tal como no exemplo a seguir:
Universal
Afirmativa: Todos os alunos
são inteligentes
Universal Negativa: Nenhum aluno é inteligente
Particular
Afirmativa: Alguns alunos
são inteligentes
Particular Negativa: Alguns alunos não são inteligentes
Lembra-te da regra da negação de proposições. A negação
inverte o valor de verdade da proposição que queremos negar. Assim, se uma
proposição é universal afirmativa a sua negação é uma particular negativa.
Repara: se temos uma universal afirmativa como a indicada
acima “Todos os alunos são inteligentes”
a sua negação não pode ser uma universal negativa como “Nenhum
aluno é inteligente”, isto por uma razão muito simples: podem
ser – e são – ambas falsas. Assim, a negação de “Todos
os alunos são inteligentes” é “alguns
alunos não são inteligentes” pois não podem ser ambas nem
verdadeiras nem falsas. A verdade de uma implica a falsidade da outra e
vice-versa.
Ficas aqui com o quadrado de negação de proposições para que
compreendas melhor como se processam as negações de proposições universais e particulares.
Negação de conjunções e disjunções
A negação de uma proposição composta de duas proposições
simples unida pela conjunção “e”
faz-se negando cada uma das partes da proposição e substituindo o “e” pelo “ou”.
A negação de uma proposição composta de duas proposições
simples unidas pela disjunção “ou”,
faz-se, negando cada uma das partes da proposição e substituindo o “ou” pelo “e”.
Assim, se pretendemos negar a proposição:
“O Luís é do Benfica e a Anabela do Sporting”
Negada fica:
“O Luís não é do Benfica ou a Anabela não é do
Sporting”
Se tivermos a proposição:
“O Luís é do Benfica ou a Anabela é do Sporting”
A sua negação é:
“O Luís não é do Benfica e a Anabela não é do
Sporting”
O método das tabelas de verdade permite-nos verificar como
funcionam todas as negações, mas não faz parte do programa do 10º ano ensinar
pelas tabelas de verdade. Para já interessa que fiques com uma pequena ideia
que funcione e que mostre como se negam proposições. Não esqueças que negar
proposições é importante como forma de refutar argumentos, apesar de nem sempre
precisarmos de negar proposições para refutar argumentos.
Negação de proposições condicionais
Hoje na aula do 10º30, inicialmente apareceram algumas
confusões sobre a negação de proposições condicionais. Mas a confusão apareceu
pois alguns alunos da turma pensavam que a negação deveria incidir sobre cada
proposição simples. Acontece que uma proposição condicional é composta, isto é,
resulta da junção de duas proposições simples. Mas vamos pegar num pequeno
exemplo que clarifique todas as dúvidas:
Temos duas proposições:
Proposição P: “Está sol”
Proposição Q: “Vou à praia”
Se juntarmos P e Q através de uma condição obtemos qualquer
coisa como:
“Se estiver sol então vou à praia. (Se P então
Q”)
A confusão que surgiu é que alguns alunos sugeriam que a
negação seria:
“Se não fizer sol, então não vou à praia.
(Senão P então não Q)”
Mas esta não é a negação correcta. Vamos ver por que razão:
A negação de uma proposição dá origem a outra proposição
diferente. Se a proposição a negar for Verdadeira, a proposição negada tem de
ser falsa. E se a proposição a negar for falsa, a proposição negada tem de ser
verdadeira. Isto é, a negação de uma proposição inverte o seu valor de verdade.
Negar uma proposição simples é um processo relativamente
fácil. Se quisermos negar a proposição: “Está sol”, basta acrescentar um “não” e ficará “Não está sol”. Ora, se a proposição “Está sol” for verdadeira, a proposição “Não está sol” tem de ser falsa e vice-versa.
Acontece que a proposição que queremos negar é uma proposição
composta de duas proposições simples e expressa numa condicional. Ora uma
condicional implica que uma verdade não pode implicar uma falsidade, ainda que
uma falsidade possa implicar, quer a verdade, quer a falsidade. Em resumo, a
condicional só é falsa se a proposição simples que antecede a condicional for verdadeira
e a que a sucede for falsa. Mas para já isto nem interessa assim tanto saber. O
que temos de compreender é que não queremos negar cada uma das proposições
simples que compõem a condicional, mas queremos negar a própria condição expressa pela condicional. Assim, se a
condicional do nosso exemplo, for verdadeira a sua negação terá de ser falsa e
se for falsa, a sua negação terá de ser verdadeira.
Se negarmos a condicional “Se
estiver sol então vou à praia.” por
“Se não fizer sol, então não vou à praia”,
estamos a negar erradamente, pois não podemos negar uma condicional com outra
condicional. Repare-se: pode ser verdade que se fizer sol eu vou à praia. Mas também
pode ser verdade que se se não fizer sol eu não vou à praia. Ou seja, as
condicionais podem ser ambas verdadeiras. Logo, não estamos a negar a
condicional.
Um dos modos de negar uma condição expressa numa condicional
é fazendo uma conjunção. Assim, a negação da condição expressa pela proposição:
“Se estiver sol então vou à praia” terá de
desfazer essa condição, negando-a. Ficará:
“Está sol, mas não vou à praia”
Como se vê, na negação da condicional, a condição desaparece.
E não pode ser verdade que “se estiver sol eu vou à praia” e também verdade que
“está sol e não vou à praia”. A verdade de uma implica a falsidade da outra.
Espero ter clarificado como se faz a negação de uma condicional.
Podes ver melhor como se negam condicionais lendo este pequeno texto neste
blogue de filosofia: CLICA AQUI.
sábado, 13 de outubro de 2012
Aula Questionário
Aula
Questionário
Para
terminar esta primeira parte da disciplina de filosofia, ainda falta estudar dois
pontos: negação e refutação de proposições. Para debater com as ferramentas
certas problemas da filosofia terás de dominar razoavelmente estes dois
aspectos. Nas aulas desta semana vou ensinar a negar e refutar proposições. Nem
sempre é fácil, mas a experiência diz-me que com algum treino qualquer aluno
consegue compreender como se fazem tais tarefas.
Após isso
vamos ainda testar mais 2 ou 3 exemplos de argumentos para compreenderes ainda
melhor a importância da validade como uma condição necessária (mas não suficiente)
da boa argumentação.
Finalmente
vamos responder a esta aula questionário. Se quiseres adiantar trabalho para a
semana, aproveita e, em uma hora apenas, tenta responder às questões que se
seguem. Neste momento qualquer estudante de filosofia tem de saber responder a
este questionário pois o teste incidirá sobre estas matérias.
Depois deste
passo inicial estamos em condições de discutir com os filósofos os vários
problemas que são propostos no programa. O primeiro problema a debater será o
da liberdade e determinismo na acção humana. Mas isso veremos após o teste.
Bom estudo!
Tema: O que
é a filosofia; As ferramentas da filosofia
Parte i
1. Apresenta duas razões pelas quais é
difícil dar uma definição explícita de filosofia?
2. Por que razão clarificar conceitos é
uma parte importante do trabalho em filosofia?
3. A definição etimológica de filosofia
é vaga. Explica o que isto quer dizer.
4. Qual é o objecto da filosofia e o seu
método?
5. A filosofia é discussão crítica de
ideias. Esclarece esta ideia.
6. “ser crítico é dizer mal”. Concordas?
Porquê?
7. Dá 2 exemplos de problemas empíricos e outros
dois de problemas conceptuais ou filosóficos?
8. “a observação e a experiência podem ajudar
a resolver problemas conceptuais; mas a observação e experiência não chegam
para os resolver” Concordas? Justifica.
9. “a matemática procura, tal como a
filosofia, resolver problemas conceptuais; logo, não há diferença entre as duas”
Estás de acordo? Porquê?
10. Por que razão precisámos de
argumentos em filosofia?
11. “Em filosofia cada um tem a sua
opinião. Não devemos discutir as ideias dos outros” Concordas? Porquê?
12. “A filosofia é inevitável”.
Concordas? Porquê?
13. “A filosofia não serve para coisa
alguma, porque em filosofia, nunca se chega a qualquer conclusão” Estás de
acordo? Porquê?
14. O que é uma crença?
15. “As grandes questões da filosofia são
questões em aberto.” Esclarece esta ideia.
Parte ii
1. O que é um argumento?
2. O que é uma premissa?
3. Num argumento, a que chamamos “conclusão”?
4. Por que razão precisámos de
argumentos em filosofia?
5. “É legítimo termos determinadas
crenças ainda que não tenhamos razões para as sustentar.” Concordas? Porquê?
6. Nem todos os conjuntos de afirmações
são argumentos. Porquê?
7. O que é um entimema?
8. Formula as premissas omitidas nos
seguintes argumentos:
a) “as drogas deviam ser proibidas,
porque provocam a morte”
b) “torturar animais é imoral. Logo, a
tourada devia ser proibida.
9. Por que razão as frases declarativas
com sentido são importantes para a filosofia?
10. Uma frase como “Deus existe” não
exprime uma proposição, porque não podemos saber se é verdadeira ou falsa.
Concordas? Porquê?
11. Qual a diferença entre uma frase e
uma proposição?
12. Poderá uma proposição ser válida? Porquê?
13. Poderá um argumento ser verdadeiro? Porquê?
14. Poderá um argumento válido ter
conclusão falsa? Porquê?
15. “Basta que um argumento tenha
premissas e conclusão verdadeiras para que seja válido” concordas? Porquê?
16. Será possível concordar com a
conclusão de um argumento válido e não concordar com as premissas? Porquê?
17. O que é um argumento sólido?
18. Poderá um argumento sólido ter
conclusão falsa? Porquê?
19. “Se um argumento for sólido será bom”
Concordas? Porquê?
Nota: grande
parte destas questões aparecem no manual da Porto Editora, Criticamente, ed.
2007. Algumas foram ligeiramente alteradas.
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