segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
José Gil e o papel do professor
Fui aluno de José Gil na disciplina de Filosofia Moderna, quando me licenciei em filosofia. Gostei muito do trabalho dele como professor. Já não gosto assim tanto do trabalho dele como filósofo. Mas é verdade que é uma das únicas figuras da filosofia que dá a cara publicamente. Nesta entrevista, José Gil dá a sua versão, próxima da realidade, das razões que levam os bons professores a desejar sair do sistema.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Afinal não há introduções sérias de coisa alguma!!!
Este ano lecciono psicologia ao 12º ano. Fui surpreendido por uma pergunta de uma aluna, habituada que foi a tal tarefa o ano passado quando foi minha aluna em filosofia: “Professor, recomende uma introdução geral à psicologia para lermos?”. De imediato me lembrei da minha pequena biblioteca constituída no meu segundo ano de professor, quando leccionei pela primeira vez esta disciplina. Entre os manuais que comprei na altura, a maioria são demasiado técnicos para seduzir um jovem para a disciplina. Lembrei-me do “Psicologia” de Jorge Correia Jesuíno, que está a meio caminho entre o livro técnico e o livro de divulgação, publicado na altura numa colecção da Difusão Cultural, que também inclui um volume dedicado à filosofia da autoria de Manuel Maria Carrilho. Mas temi que esse livro estivesse já desactualizado já que passaram uns bons anos desde a sua publicação. O mais impressionante é que os escaparates das livrarias estão cheios de livros de pseudo psicologia, os chamados livros de auto ajuda, mas com total ausência de introduções à psicologia que sejam sérias e dignifiquem a disciplina, para além de a divulgar ao público em geral. Isto faz-me crer que a generalidade das pessoas não têm só uma concepção infeliz da filosofia, como também a têm da psicologia e, provavelmente, da ciência em geral. E muitos dos problemas bibliográficos que pensamos ser exclusivos da filosofia, a verdade é que não o são e áreas há em que a fome e miséria é ainda mais aguda. Pelo menos os livros de pseudo filosofia ainda não abundam nos escaparates de filosofia (pese embora para lá vão parar alguns de religião e espiritismo ou patetismo místico). Com efeito, uma busca no Amazon americano e inglês deu-me logo a entender que boas introduções à psicologia abundam no mercado. Nem quero imaginar as outras áreas.
Foucault, O pensamento e a pessoa
A editora Texto & Grafia já publicou entre nós obras de filósofos como Kant e Clive Bell. Desta vez, a aposta vai para um estudo sobre o filósofo francês Michele Foucault.
Refutar o consequencialismo
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Quem deve leccionar Área de Integração
Recentemente iniciei uma troca de argumentos com um colega de outra área disciplinar sobre a disciplina de Área de Integração e a que grupo disciplinar essa disciplina deve ser entregue. A discussão foi aberta e inteligente. Ficaram no ar algumas conclusões e muitas dúvidas. Em causa estão questões como: o programa de AI é disperso, pelo que tem unidades leccionáveis por várias áreas, sendo as principais, filosofia, história, geografia, economia e relações internacionais. Do ponto de vista da organização da carga horária quem mais perde é indubitavelmente a filosofia, por uma razão especial: a filosofia é de carácter obrigatório nos cursos gerais. Nos profissionais não existe filosofia. Com cerca de metade dos alunos do secundário a frequentar o profissional, creio que nem é necessário fazer grandes contas para perceber qual o grupo profissional que mais perde. Depois há ainda a considerar um elemento: se a AI não é filosofia (e não é) então o grupo de filosofia não tem de a ensinar. Mas a AI também não é geografia, nem história, nem nada em especial e tudo ao mesmo tempo. Então qual a razão para os docentes de filosofia ficarem parados a assistir outros grupos a ocupar a disciplina e a criar mais emprego para os seus grupos desse modo? Nos contactos que estabeleci com alguns grupos editoriais pude apurar sem grande esforço que os manuais têm sido elaborados por pessoas de várias áreas, mas maioritariamente por pessoas ligadas à filosofia. Ora, será que os profissionais da filosofia não querem leccionar AI, mas elaboram materiais para outros grupos a leccionar? A páginas tantas parece que o mesmo argumento para não leccionar a disciplina encaixa em todas as áreas e, ao mesmo tempo, o mesmo argumento para a leccionar, também serve aos grupos disciplinares em disputa. Se o critério científico, ao que parece, não pode presidir à escolha do grupo disciplinar para leccionar AI, que critério então deve ser usado? O que pensa o leitor disto? Era importante relançar a discussão. Que critérios devem presidir à atribuição da disciplina de Área de Integração a um grupo disciplinar? Agradeço a colaboração dos leitores.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
DEF – Dicionário Escolar de Filosofia
Acaba de me chegar às mãos a 2ª edição do DEF – Dicionário Escolar de Filosofia (Plátano, 2009), org. Aires Almeida. Tive o prazer de colaborar nesta edição lendo e sugerindo algumas alterações em alguns artigos novos. Ela está muito aumentada em relação à primeira edição e o resultado é o de uma clara melhoria do trabalho anteriormente feito. É uma ferramenta para ter sempre à mão.
A primeira aula de filosofia
Ouço dizer muitas coisas sobre uma primeira aula. Entre as mais convencionais é que nesta aula as regras devem ser desde logo claras. De acordo. As regras são iguais para todos e é conveniente que se perca algum tempo a explicitá-las. Depois existem outras formalidades que podem ser cumpridas na primeira aula, como as habituais apresentações e enunciação de critérios de avaliação da disciplina. Alguns professores começam logo na primeira aula a fazer uma abordagem ao programa da disciplina. Ontem dei uma primeira aula a uma turma de filosofia do 10º ano ( o ano lectivo na Madeira iniciou esta semana). Alguns destes alunos têm somente 14 anos e frequentam pela primeira vez o ensino secundário. Após o cumprimento de algumas formalidades, comecei por questionar os alunos sobre as suas expectativas quanto à filosofia. É natural que na primeira aula algum silêncio se possa fazer sentir, mas aproveitei o tempo para dar uns lamirés sobre o assunto. Devo dizer que não sou muito formal nem na primeira aula. Tenho lido algumas recomendações no sentido, por exemplo, do professor não se “armar” em engraçadinho. Correcto, mas não dispenso algum humor e boa disposição. Há sempre um ponto de equilíbrio que qualquer professor com bom senso sabe encontrar.
Mas gosto de “entrar a matar” na primeira aula. “Entrar a matar” significa aqui começar logo por mostrar como se discute um problema, ainda que de modo muito prematuro já que os alunos não estão, nesta altura, munidos das ferramentas nem da informação para pensar filosoficamente. Ocorreu-me fazer logo a distinção entre problemas filosóficos e não filosóficos. Peguei num problema da ética aplicada como exemplo, o do aborto. Perguntei aos alunos se lhes parecia certo ou errado uma mulher grávida recorrer ao aborto para interromper uma gravidez. Uma aluna respondeu de imediato que era errado. Questionei a razão que a leva a pensar tal coisa? Respondeu que se está a matar um ser humano. Estamos já no centro do problema, mesmo que com pouquíssima informação para a saber pensar. Ok, próximo passo, definir conceitos. Perguntei à turma como é que se define um ser humano. Entre algumas respostas, surgiu a mais habitual: “é um ser que raciocina”. De imediato perguntei se um feto humano raciocina? Gerou-se o impasse: os alunos estavam neste momento à procura de uma resposta para a minha questão, numa palavra, os jovens de 14 e 15 anos estavam a pensar pela sua cabeça. Meia hora da primeira aula foi passada nesta discussão. Claro que ainda há um trabalho prévio a fazer que iniciarei já amanhã, na segunda aula. Perderei também algum tempo – não muito – para ajudar os alunos a orientar o seu estudo em casa. Mas desta meia hora retiro uma conclusão: os alunos do ensino básico estão também preparados para aprender a filosofar. E há uma outra conclusão também a retirar daqui: não existe razão alguma para pensar que: 1) a filosofia não é atractiva para os estudantes; 2) a disciplina é difícil. Nenhum aluno desta turma achou muito complicado participar numa discussão racional. Alguns alunos provavelmente levaram para casa o pensamento de que têm de rever as suas posições face a um determinado problema. Não interessa: cada um colocará as questões necessárias exigentes para compreender o problema. E não me posso queixar que os alunos tenham achado a filosofia uma seca, pois sei que não é essa a sua opinião.
Por que não conhecemos a dimensão do universo?
Reedito aqui um texto meu publicado no De Rerum Natura, em Fevereiro de 2008.
O post do Desidério "A Nossa Dimensão", chamou-me a atenção para um aspecto relacionado com o ensino em geral e com as ciências em particular.
O que sei de ciência é muito pouco e, em grande parte, é saber proveniente dos livros de introdução às várias áreas da ciência — desde a química à física, biologia, etc. — que vou lendo. Sem esses livros o meu conhecimento seria muito menor e isto porque já no meu tempo de secundário a escola que tive não me forneceu uma base sólida em matéria de ciência.
LER TEXTO INTEGRAL.(clicar)

