terça-feira, 15 de setembro de 2009

Como sobreviver no primeiro ano de ensino?

publicityphoto_002 Já avancei o primeiro capítulo do livro de Sue Cowley que menciono dois posts abaixo. Não é um livro técnico e a autora adverte isso logo no prefácio. Mas é bom ler estes livros para percebermos em que é que andamos próximos ou distantes de outros povos e culturas. Em termos de organização nas escolas e do trabalho docente, há muito de comum com a realidade portuguesa. De destacar, não vi nenhuma referência a concursos de professores, sendo que a única referência presente à entrada do professor na escola é feita por entrevista do director. Mas aparece as referências aos departamentos, ao delegado de departamento e ainda a outros elementos que nos são comuns. Dado que o livro se destina àqueles que pela primeira vez ingressam na carreira, há uma referencia curiosa a alguma instabilidade profissional. A autora não lhe chama instabilidade, mas refere que o professor nos primeiros anos pode andar a saltar de escola em escola e tem de lidar com as diferentes formas organizativas de cada escola.

Vou avançando a ritmo lento na leitura, mas já estou a antecipar o filme: no essencial de todo o processo educativo é que vamos encontrar diferenças significativas. Vamos ver.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma obra de arte



Sem dúvida alguma que alguns cineastas nos fazem pensar e crer que o cinema é uma das maiores artes de sempre como criação humana. Como classificar este filme de Maya Daren? Qual das teorias filosóficas da definição da arte mais se aproxima de uma obra como esta?

Nem de propósito!

Já o tinha encomendado há umas duas semanas, mas chegou somente hoje, no dia oficial de abertura do novo ano lectivo. Já dou aulas há mais de uma década, pelo que o título do livro não me é inteiramente dirigido. Mas parece possuir (ainda não li o livro) um bom lote de sugestões que serve para os respectivos reparos e upgrades necessários à profissão e que a formação de professores em regra não consegue oferecer. E já que falo em formação, aproveito o post para comentar brevemente a última formação que fiz, decorria o ano transacto. Essa formação foi dada por um professor universitário que reunia os piores tiques que conheci há anos na universidade. Entre muitos outros, o tique de que não atribuía nota de 20 aos seus alunos. Quando o interpelei por que razão não o fazia, respondeu o habitual: “20 é para alguém melhor que eu”. Chiça, eu não pediria tanto para mim!!! Fiz saber ao mestre que isso não é uma boa razão, mas um preconceito académico. Levei com um, “bem mas vamos avançar que isto não é assunto da formação”. Pois não era. Mas então porque o referiu? Porque, penso, isto está tão enraizado na cultura académica que regra geral nunca há objecções. Outro dos tiques evidentes foi a gabarolice de respeito pelos prazos, de exterminador implacável na hora da entrega das notas e por aí adiante. Desconfiei muito e o tempo deu-me razão. Fiz a formação já no passado ano e ainda aguardo pela classificação. Curiosamente, por comparação, quando fiz a formação com o colega Desidério Murcho, não ouvi qualquer gabarolice que era o campeão da organização e método, mas as notas vieram uma semana após a formação e com os trabalhos entregues completamente corrigidos. Este episódio faz-me crer que este livro que hoje recebi talvez faça falta a muita boa gente que dá aulas há uns anos.

Já agora, vale a pena ler este texto da autoria de Aires Almeida.

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Oscar Brenifier

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Arranca o ano lectivo

Escola Arranca hoje oficialmente (na Madeira arranca uma semana mais tarde) o ano lectivo 2009/10. A palavra a dar neste momento é de felicidades a toda a comunidade escolar. Mas não posso esquecer algumas dificuldades (parte delas expostas na minha série de pequenos artigos Como Ensino Filosofia?) com que professores se deparam logo à partida. Uma delas diz respeito aos horários e o caso do grupo de filosofia não é isolado. Numa boa parte dos casos as escolas entregam os horários aos professores com apenas alguns dias de antecedência. À excepção dos professores de quadro de escola que podem escolher níveis de ensino e parte dos horários, todos os outros, mesmo os de quadro de zona pedagógica, ficam quase até ao dia de início do ano sem ter ideia do que vão ensinar. Assim, um professor, contratado ou de QZP pode saber 3 dias antes do arranque que vai ensinar Cidadania e Mundo Actual ou até Psicologia e pode não ter leccionado essas disciplinas em anos anteriores. Significa isto que o professor tem 3 dias para se inteirar do programa da disciplina (no caso dos profissionais numa boa parte dos casos é o professor quem decide sobre os conteúdos e tem 3 dias para elaborar um programa de raiz), preparar a avaliação, etc. O resultado disto é um início de ano atrapalhado sem que o professor tenha muito claro o que vai ensinar. O caso dos professores contratados ainda me parece mais grave, já que podem andar um ano inteiro a preparar materiais e um programa que no ano seguinte nem sequer dão continuidade. Este aspecto, apesar de me parecer central na organização do ano lectivo, não foi, com efeito, alterado pela maioria das escolas. Mas é um problema que afecta grandemente a qualidade do ensino e das aulas. Todos os anos conheço professores que ainda não têm sequer o manual da disciplina já lá vai o ano com 2 ou 3 semanas de avanço.

Este é um problema que devia ser corrigido, a bem de professores, alunos e da qualidade do ensino em geral.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sentido de urgência aplicado ao sistema de ensino.

untitled105 Recomendado pela minha esposa, que é gestora, peguei no livro Sentido de Urgência (Actual Editora, 2009) de John P. Kotter, um prestigiado especialista em liderança e professor do Harvard Business School. No livro o autor começa por explicar a diferença entre complacência e sentido de urgência dentro das organizações. A escola é também uma organização, no sentido técnico da gestão. A meio termo entre a complacência e o sentido de urgência temos, segundo o autor, o falso sentido de urgência. O falso sentido de urgência, grosso modo, é quando temos muita coisa para fazer dentro da organização, mas todo esse trabalho é produtivamente ilusório, já que não produz qualquer urgência dentro da organização, o que implicaria mudança. Este quadro parece-me assentar bem no que é hoje em dia a tarefa de um professor dentro das escolas portuguesas, isto é, vive-se um clima de falso sentido de urgência, com dezenas de tarefas improdutivas para executar, ao passo que se despreza o sentido de urgência, precisamente aquele que constituiria o motor de inovação do ensino. Ainda vou no segundo capítulo do livro, mas não consigo desprender-me de um paralelo que página a página vou fazendo com as escolas e o sistema de ensino. Vamos ver o que dizem os capítulos seguintes.

sábado, 12 de setembro de 2009

Onde é que Popper aparece na ciência?

262414 O Expresso de hoje traz na revista Única uma boa entrevista a Alexandre Quintanilha. Só para perceber o quanto Popper está presente nas mentes dos cientistas, deixo aqui estes pequeninos excertos:

Pode um cientista na área da biologia não acreditar na Teoria da Evolução das Espécies?

Darwin postulou uma hipótese, desde então temos feito tudo para ir à procura da evidência que seja a favor ou contra . Aliás, é mais importante ir à procura da evidência contra porque se a teoria for abaixo haverá outra ainda mais sofisticada.

Nem quando se confirma a hipótese?

(…) todos os grandes avanços na ciência são feitos quando as pessoas, depois de confirmarem a hipótese passam 50 anos a ver se a desaprovam.  As teorias mais robustas são as que resistiram a todas as tentativas de as contraprovar.

É destes que eu gosto

E pronto. Ainda nem o vi, mas conheço bem o autor, para além de algumas recensões. De certeza que entra para a minha lista de referências na ponta da língua, daquelas que estão sempre prontas a sair como recomendação para os que ainda mal entraram na filosofia. Falarei dele certamente mais vezes.

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Stephen Law, Filosofia, Col. Guias Essenciais, Civilização, 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Será um bom princípio?


No final dos anos 60 e princípio dos anos 70 foram escritos diversos livros sobre a auto-estima das crianças. Esses livros tornaram-se a «bíblia» da educação das crianças. Os seus autores defendiam que as crianças só desenvolviam a sua auto-estima se os pais mostrassem respeito por elas. A forma de os pais mostrarem respeito pelos filhos era tratá-los como seus semelhantes. Quer isto dizer que os pais deveriam dar aos filhos o mesmo direito de estabelecer regras, tarefas, privilégios, e por aí adiante. Chegar a um acordo era a maneira prescrita para resolver todas e quaisquer diferenças de opinião. Quando o filho se portava mal, os pais deveriam apelar à sua inte1igência e sentido de responsabilidade, explicando a diferença entre o bem e o mal. Em caso algum deveriam castigar um filho por mau comportamento, pois o castigo violava a premissa fundamental da igualdade.

Estes mesmos autores defendiam também que a única família psicologicamente saudável era a família democrática . Segundo eles, na família democrática ninguém tinha mais poder que o outro. Defendiam a chamada «arte de ouvir activamente», que, essencialmente, proibia os pais de dizerem aos filhos o que deviam fazer. Em vez disso, deveriam ouvir imparcialmente o ponto de vista do filho, comunicar calmamente as suas opiniões e deixar que o filho assumisse a responsabilidade pelos seus próprios actos.

Por melhor que possa parecer, a família democrática era, é e sempre será uma ficção. Se isso o fizer sentir-se melhor pode fingir que tem uma família democrática, mas a pretensão está muito longe da realidade. A ilusão da democracia na chamada família democrática é criada e mantida com muitas palavras, debates de ideias, explicações e auscultações da opinião das crianças. Mas, se puser a retórica de parte e for ao fundo das coisas, descobrirá uma verdade incontestável: na chamada família democrática há sempre alguém que tem a última palavra. Este simples facto destrói toda e qualquer ilusão de democracia. Além disso, é melhor que esse alguém seja um adulto, ou então toda a família fica em apuros.

Caça ao tesouro no espaço

Digitalizar0001 Há uns tempos registei AQUI a publicação de um romance escrito para crianças, mas podendo ser lido por adultos, de Lucy & Stephen Hawking. Saiu este mês, pela Editorial Presença o seguimento desse romance. Já o tenho aí em lista de espera, já que gostei muito do primeiro volume e gosto particularmente deste tipo de livros de divulgação científica. Na filosofia temos algo muito parecido, os Philosohy Files de Stephen Law, que aguarda ainda tradução.