domingo, 22 de novembro de 2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Filosofia e WC



Hoje, determinado pela Unesco, comemora-se o dia mundial da filosofia. Mas também se comemora (determinado pela ONU) o dia mundial da casade banho. Esta associação pode conduzir a boas doses de humor e algumas verdades, como a de que muitas vezes a filosofia conduz a ideias da caca. A casa de banho é algo tão trivial na nossa vida. Mas o mesmo não acontece na vida de milhares de pessoas, que vivem condicionadas à extrema pobreza sem as mínimas condições sanitárias. Não sabemos se um dia mundial ajuda muito a melhorar a condição dessas pessoas. Mas se juntarmos um pouco do que sabemos da filosofia ao dia mundial da casa de banho, podemos levantar um problema moral para pensar: será que temos a obrigação moral de ajudar os mais pobres? Peter Singer pensa que sim, que não existe diferença moral entre ajudar o meu vizinho e o pobre de um país distante que eu nunca conhecerei. A melhor forma de organizar os argumentos e os discutir é analisar o livro de Peter Singer, A vida que podemos salvar, Agir para pôr fim à pobreza no mundo, (Gradiva)


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dia da Filosofia na Escola Secundária Jaime Moniz


Libertismo


Libertismo é a perspetiva de que pelo menos algumas das nossas ações são livres porque, na verdade, não estão causalmente determinadas. Segundo esta teoria, as escolhas humanas não estão constrangidas da mesma forma que outros acontecimentos do mundo. Uma bola de bilhar, quando é atingida por outra bola de bilhar, tem de se mover numa certa direção a uma certa velocidade. Não tem escolha. As leis causais determinam rigorosamente o que irá acontecer. Contudo, uma decisão humana não é assim.
Neste preciso momento, o leitor pode decidir continuar a ler ou parar de ler. Pode fazer qualquer uma destas coisas e nada o faz escolher uma delas. As leis causais não têm poder sobre si. Isto não é muito plausível. Ainda assim, esta forma de pensar foi defendida por diversos filósofos e propuseram-se vários argumentos a seu favor.
O argumento da experiência.Podemos começar com a ideia de que sabemos que somos livres porque cada um de nós apercebe-se imediatamente de ser livre cada vez que faz uma escolha consciente. Pense novamente no que está a fazer neste momento: ler uma página que está diante de si. Pode continuar a ler ou parar de ler. O que irá fazer? Pense na sensação que tem agora, enquanto pondera estas opções. Não sente constrangimentos. Nada o impede de seguir numa direção nem o força a fazê-lo. A decisão é sua. A experiência de liberdade, poder-se-á dizer, é a melhor prova que podemos ter. (…).
 O argumento da responsabilidadeO pressuposto de que temos livre-arbítrio está profundamente enraizado nas nossas formas habituais de pensar. Ao reagir a outras pessoas, não conseguimos deixar de as ver como autoras das suas ações. Consideramo-las responsáveis, censurando-as caso se tenham comportado mal e admirando-as caso se tenham comportado bem. Para que estas reações estejam justificadas, parece necessário que as pessoas tenham livre-arbítrio.
 Outros sentimentos humanos importantes, como o orgulho e a vergonha, também pressupõem o livre-arbítrio. Alguém que conquista uma vitória ou tem um sucesso num exame pode sentir-se orgulhoso, enquanto alguém que desiste ou faz batota pode sentir-se envergonhado. Porém, se as nossas ações se devem sempre a fatores que não controlamos, os sentimentos de orgulho e de vergonha são infundados. Estes sentimentos são uma parte inescapável da vida humana. Assim, uma vez mais, parece inescapável que nos concebamos livres.
 

                                                 J. Rachels, Problemas da Filosofia, Gradiva

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Estudar filosofia e ciência é útil

Muitas vezes sou confrontado com a pergunta, “Para que serve a filosofia?”, “Para que preciso de ter conhecimentos de ciência?”. Há muitas respostas diferentes para estas questões. Hoje em dia vivemos na abundância da informação. Temos imensa dificuldade em saber distinguir uma boa teoria de uma intrujice, um produto da ciência de um produto da pseudociência. Tanto a filosofia como a ciência trabalham com método rigoroso. Aprender filosofia ou ciência dá-nos habilidades para saber selecionar a informação, ajudam a descodificar a boa teoria da mera intrujice. Entre muitas, mas mesmo muitas, outras, esta é uma boa razão para estudarmos filosofia e ciência.

O vídeo abaixo é um bom exemplo de intrujice científica. Temos como exemplos de intrujice filosófica a associação de filósofos como Peter Singer ou Nietzche ao nazismo. O último capítulo do livro Ética Prática (Gradiva) de Peter Singer, intitulado "Ser silenciado na Alemanha" revela como a intrujice é o resultado da distorção intencional das teorias. A ignorância científica e filosófica é proporcional à aceitação passiva da intrujice. Karl Popper, um dos filósofos estudados no 11º ano na unidade referente à filosofia da ciência apresenta uma boa teoria esclarecedora desta necessidade de saber distinguir ciência de ciência disfarçada. 


O que é o dilema de Hume?


O dilema de Hume é assim conhecido porque foi apresentado pelo filósofo David Hume. Antes disso vamos tentar perceber o que é uma teoria compatível. Por um lado temos a afirmação “há livre arbítrio”. Por outro, a afirmação “somos livres”. Estas duas afirmações são consistentes se podem ser as duas verdadeiras (ou as duas falsas, mas para já consideraremos apenas a verdade). Por isso se diz que são compatíveis. Dito de outro modo, pode ser verdade que exista livre arbítrio, ao mesmo tempo que é verdade que existe determinismo. São inconsistentes se a verdade de uma condiciona (implica) a falsidade da outra. Assim, se for verdade que o livre arbítrio existe, então o determinismo é falso. Mas se o livre arbítrio for uma ilusão, isto é, falso, então segue-se que o determinismo é verdadeiro. Em resumo, duas teorias são compatíveis se a verdade de uma não exclui a verdade da outra. Se exclui, então são incompatíveis.
Em relação ao problema do livre arbítrio, David Hume apresenta um dilema que pressupõe que qualquer teoria incompatibilista não é adequada para resolver o problema. O dilema é apresentado nestes termos:
Se o determinismo for verdadeiro, então aceitamos a causalidade natural e nesse caso o livre arbítrio é uma ilusão. Mas se o determinismo for falso, como explicar então as nossas escolhas? De onde resultam? Parece que sem pressupor uma causalidade que possa explicar as razões de uma escolha, essa escolha só pode resultar por mero acaso, isto é, só compreendemos a liberdade se compreendemos as causas que a produz.
Em conclusão, segundo este dilema, quer o determinismo seja verdadeiro, quer seja falso, parece que o livre arbítrio não existe. Como resolver então este problema? Hume parece sugerir uma teoria compatibilista. Que te parece?

Vamos então estudar uma teoria compatibilista, o determinismo moderado. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Filosofia para os mais pequenos

De todos os livros de divulgação da filosofia a tenra idade, destaco dois, um deles, publicado este ano pela Edicare. O livro da Edicare é da responsabilidade de Carme MartinVíctor Escandell. Não é propriamente um livro que incita a filosofar, mas uma pequena enciclopédia da história da filosofia contada de modo divertido. Destaque para as ilustrações, pois o livro resulta muito bem para os mais novos.



O segundo livro é um pouco diferente, já que é escrito por um filósofo profissional e com muita experiência na divulgação da filosofia, o inglês Stephen Law. Já tinha feito referência a este livro, publicado em 2010, pela Leya. 


Será o determinismo radical uma teoria verdadeira?

Estava a navegar na internet e encontrei uma notícia na Super Interessante, edição brasileira, de Setembro de 2008 e que pode ser acedida AQUI . Resumindo, segundo o artigo, o que um grupo de cientistas defendem é que o livre arbítrio não passa de uma ilusão. Lê parte da notícia que aqui transcrevo e depois responde às questões:


Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido tudo sozinha – e sem lhe avisar. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não? Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o botão, sinais elétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões. “Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. Isso porque a consciência é apenas uma “parte” do cérebro – e, como a experiência provou, outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. Agora os cientistas querem aumentar a complexidade do teste, para saber se, em situações mais complexas, o cérebro também manda nas pessoas. “Não se sabe em que grau isso se mantém para todos os tipos de escolha e de ação”, diz Haynes. “Ainda temos muito mais pesquisas para fazer.” Se o cérebro deles deixar, é claro.

1.      Estudaste uma teoria filosófica que defende precisamente o que defendem os cientistas. Como se chama essa teoria?

2.      Quais as principais objeções que se pode levantar em relação à teoria?

sábado, 7 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015

A deliberação racional – Filosofia da ação


Nas aulas aprendemos esta semana um conceito novo e, já agora, uma palavra nova: deliberação. A esta juntamos outra não tanto nova quanto a primeira, racionalidade. O que é que se entende por deliberação racional? As nossas ações envolvem crenças e desejos. Por exemplo, o Luís pode decidir estudar filosofia porque acredita (crença) que isso é importante para passar de ano e sente o desejo de o concretizar (desejo). Esta crença e desejo explica qual o motivo da sua ação. Mas o Luís também acredita que estar com os amigos fomenta relações sólidas e sente o desejo de ir ter com os amigos. No final o Luís decide ficar a estudar filosofia. A isto é o que se chama escolher, isto é, deliberar racionalmente. Estar a tarde x no dia x a estudar ou ir ter com os amigos são desejos incompatíveis, razão pela qual o Luís teve de decidir. Deliberar racionalmente consiste em avaliar bem os desejos e crenças e estabelecer prioridades na ação.
A ação envolve os conceitos de crença, desejo, acontecimentos, intenção.

O estudo da ação é o primeiro passo para o que se segue. Vamos estudar as condicionantes da ação e algumas delas parecem fazer desaparecer este desejo e consequente escolha quando agimos. Estaremos, pois, nessa altura, a discutir o problema do livre arbítrio

Na foto, o filósofo norte americano John Searle, ainda vivo e que escreveu sobre alguns problemas da filosofia da ação.