domingo, 11 de outubro de 2015

Definições

Definições explícitas: um modo de definir algo por meio de condições necessárias e suficientes. Por exemplo, definir água como h2O é uma definição explícita, já que ser h2O é tanto necessário como suficiente para definir água. Definir gato como animal com 4 patas é uma má definição explícita, já que ter 4 patas é necessário, mas não suficiente para ser gato. Também usamos muitas vezes definições implícitas. Neste caso não definimos por meio de condições necessárias e suficientes, mas pelas características que faz com que compreendamos o que algo é. Por exemplo, podemos definir azul apontando para um objeto da cor azul.
Por que razão é isto importante? Porque quando queremos discutir um problema com rigor, temos de definir os conceitos que envolvem o problema. Um exemplo: se estamos a discutir o problema da existência de Deus temos de definir que Deus pressupomos a existência, pois podemos estar a falar de Deus de modos muito diferentes. Assim, seguindo o nosso exemplo, definimos Deus como uma entidade ominipotente, sumamente boa e ominipresente. E é este Deus que nos propomos a discutir a existência. Como sabemos há outras conceções de Deus diferentes desta. O primeiro passo para fazer filosofia é definir os conceitos que vamos usar nos argumentos. Sem definirmos rigorosamente os conceitos podemos baralhar completamente a discussão. Se queremos discutir argumentos sobre filosofia da arte, da ciência, religião, etc… temos sempre de definir cuidadosamente os conceitos. E agora um desafio: será que podemos ter uma definição explícita (por meio de condições necessárias e suficientes) de filosofia?

As definições envolvem mais subcategorias, mas para já interessa somente distinguir entre as explícitas e as implícitas e ter a noção clara do que estamos a discutir. Agora, se pretendes discutir, por exemplo, o que é uma ação moralmente correta, primeiro tens de saber definir o que é uma ação, distinguindo, por exemplo, do que não é uma ação (por vezes é confuso, acredita) e, depois, o que entendes por correto. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

RTP Madeira - Dia do Professor

Aqui fica o link para o vídeo do passado dia 5, programa Madeira Viva, RTP Madeira, sobre o dia do Professor e com a minha participação.

http://www.rtp.pt/play/p1740/e208900/madeiraviva 
(Atualizado com vídeo no youtube)





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Uma primeira lição de filosofia

Este texto é excelente para iniciares o teu estudo na filosofia. Tens aqui um excerto do texto e se clicares neste link acedes ao texto completo: AQUI.


Provavelmente, estás habituado a definir as ciências como a história ou física em termos de objecto e método. Por exemplo:· A aritmética elementar estuda as principais propriedades da adição, da subtracção, etc. O seu método é a demonstração matemática.
· A biologia estuda as propriedades dos organismos vivos. O seu método é a observação e a elaboração de teorias que depois são testadas, por vezes em laboratórios.
· A economia estuda as relações económicas. O seu método é a análise de dados estatísticos e a tentativa de produzir modelos explicativos das relações económicas.
Também a filosofia tem um objecto e um método de estudo. A filosofia tem como objecto os conceitos mais básicos que usamos nas ciências, nas artes, nas religiões e no dia-a-dia. A filosofia estuda conceitos como os seguintes: o bem moral, a arte, o conhecimento, a verdade, a realidade, etc. O seu método é a troca de argumentos, a discussão de ideias. 

domingo, 13 de setembro de 2015

Refugiados, aceitá-los ou não? Pequeno contributo para uma discussão viável


Sobre o problema do acolhimento de refugiados de guerra

O problema mais discutido neste momento nas redes sociais é o dos refugiados. Neste pequeno post vou tentar dar algumas pistas aos mais novos para organizarem uma discussão, usando este problema como exemplo, poupando-me ao esforço de explicar qual é o problema pressupondo que é conhecido por todos. Há várias questões que se colocam com o problema dos refugiados. Aqui vou usar somente uma entre todas as outras questões que se podem levantar.

Problema: Queremos saber se devemos ou não aceitar refugiados na europa e, mais concretamente, no nosso país.

Como resposta ao problema fiz um levantamento dos argumentos mais utilizados na imprensa e redes sociais e que sintetizei neste quadro:

Sim, devemos acolher os refugiados
Não, não devemos acolher os refugiados
    ·         Temos obrigação moral de proteger os que fogem da guerra e sofrimento
   ·         Há princípios políticos registados em convenções que nos obrigam a acolher refugiados de guerra
    ·         Os refugiados não são responsáveis pela guerra e pelo que sucede no país deles
   ·         Quem não aceita o acolhimento de refugiados é xenófobo e racista
   ·         Os refugiados constituem uma ameaça pois vem de uma cultura terrorista e de violência
   ·         Os refugiados não aceitam a cultura dos países de acolhimento
  ·         Estamos numa situação de crise e primeiro devemos ajudar os nossos e somente após os outros

É difícil estabelecer quando o problema começa a ser moral e deixa de ser político, ou começa a ser social ou mesmo psicológico. Todos estes campos de leitura se misturam e tomei-os aqui como um todo, embora reconheça que torna a discussão menos clara. Quando perguntamos se temos a obrigação de acolher refugiados, temos de questionar se essa obrigação é moral, política ou outra. Isto é importante pois alguém pode defender que temos a obrigação moral de os acolher, mas não política. Ou o contrário, por respeito a determinadas convenções políticas temos a obrigação política de os acolher, mas não temos moralmente de o fazer. Mesmo alertando para esta confusão, vale sempre a pena dar algum caminho à discussão.
O espaço deste post não pretende analisar exaustivamente cada um dos principais argumentos apresentados. Há muitos mais, mas estes parecem ser os mais representativos segundo a minha experiência subjetiva de leitura). Vou pegar apenas em cada um dos argumentos e tentar mostrar onde podem acertar e falhar. Assim, na parte do “Sim”, pego no argumento que defende:

O Sim
 “Quem não aceita o acolhimento de refugiados é xenófobo e racista”.

O argumento pode ser formalizado logicamente de modos muito diferentes, o que o torna mais complexo. Isto acontece pois pode-se invocar razões diferentes para esta mesma conclusão. No entanto se a forma de um argumento não for explicitada, não o conseguimos discutir. Vale então a pena o esforço de mostrar a sua forma. Quem quiser mostrar a sua forma deve fazer apenas a seguinte pergunta: o que é que me leva a defender isto? Defender sem razões é conversa vazia, o que queremos evitar. Vamos supor que alguém defende esta posição com base nestas premissas:

(P1) Se não aceitar os refugiados então é xenófobo
(P2) E não aceita os refugiados
(c) Logo, é xenófobo

A forma do argumento ainda assim dá uma ideia vaga do que se está a defender, mas pelo menos temos de saber explicar a primeira premissa. Será ela uma premissa verdadeira ou falsa? A verdade ou falsidade da premissa será determinante para o argumento ser bom ou mau, mesmo que ele seja válido. Para saber avaliar a premissa temos de saber as razões pelas quais alguém não aceita o acolhimento dos refugiados e por isso aqui, parece, o «ónus da prova» teria de recair sobre os argumentos do lado do “Não”.
Mas há aqui um aspeto a considerar também. Ser xenófobo é uma coisa boa ou má? E se é má é sempre má? É claro que de uma forma geral ser xenófobo é algo mau, pelo menos moralmente, mas não é difícil encontrar pequenos contra exemplos em que ser xenófobo até pode ter bons resultados. Se avaliarmos uma ação pelas suas consequências, pelo menos temos de admitir essa possibilidade. O que aqui recomendo que se evite é limitar a discussão apenas pelo recurso à acusação, pois já que ela tem uma conotação bastante negativa, em regra, mesmo quem assume posições xenófobas, recusa ser xenófobo, um pouco como o princípio de que “não sou racista pois os ciganos não são uma raça”. O que quero mostrar para o proveito da discussão é que se as posições forem xenófobas as pessoas devem assumir que o são, sem com isso recusar os argumentos, mesmo que discordemos deles. Um argumento pode ser xenófobo e ser um bom argumento. Ou mau. Ou seja, a qualidade do argumento não tem que ver com o ser ou não xenófobo. Vamos supor que era verdade que todos os refugiados são terroristas. Nesse caso ser xenófobo rejeitando o seu acolhimento podia ser uma coisa correta a fazer. Não teríamos de acolher uma comunidade de terroristas que ameaça o bem-estar da nossa comunidade só por não querermos ser xenófobos.

O Não

Vamos agora analisar, ainda que brevemente, um argumento de quem defende o “Não”.

·         “Os refugiados constituem uma ameaça pois vem de uma cultura terrorista e de violência.”

Parece que aqui há contra exemplos evidentes a este argumento. Os próprios europeus já estiveram no século xx nesta situação de refugiados. Só para citar um exemplo entre centenas senão milhares, Einstein foi para os EUA porque era judeu*. Segundo li numa das suas biografias quando chegou a Princeton o salário oferecido era de longe superior ao esperado. Os EUA têm hoje dos centros universitários mais sofisticados do mundo. Mas eram moribundos antes da segunda grande guerra. E podem agradecer ao nazismo e à guerra que condicionou milhares de pessoas ao refúgio. Não é muito difícil imaginar que do outro lado do atlântico muitas pessoas tivessem uma péssima impressão dos refugiados que iriam chegar, praticamente descalços e sem grandes perspetivas de vida. Claro que nem todos os povos que emigraram para os EUA foram tão bem sucedidos como alguns europeus. Com a emigração forçada também chegaram a máfia italiana, judeus radicais, etc…  O que concluir daqui? Provavelmente que é certa a ideia que muitos refugiados nos vão trazer problemas. Como é certa a ideia que muitos refugiados nos vão trazer coisas boas. Mas o que parece manifestamente improvável é que todos os refugiados nos tragam coisas boas como todos os refugiados nos tragam coisas más. Mas daqui também poderíamos ser levados a outra conclusão curiosa: o acolhimento de refugiados, como acabamos de ver, tem consequências más, mas também tem consequências boas. O mesmo então seria de esperar do não acolhimento. Em ambos os casos, coisas boas e coisas más. O que não parece aceitável na discussão é qualquer uma das posições mais radicais: que só há boas consequências ou que só há más consequências. Para referir uma má consequência: vamos supor que não aceitamos refugiados. Passados 10 anos somos invadidos pelos chineses e a maioria da nossa população terá de fugir para salvar a vida para países como Egito ou Argélia, que, nessa altura, até eram países seguros e pacíficos. Mas porque não os aceitamos no passado, eles agora não nos aceitam e somos obrigados a uma situação de guerra que não escolhemos.
Ainda um contra argumento ao argumento que defende que também os europeus também se refugiaram nos EUA: é que os refugiados desta vaga não tem o nível de instrução que os europeus tinham. Tem uma escolaridade baixa e por isso não tem educação. Ora, parece que este aspeto depende mais da forma como se faz o acolhimento do que do nível de instrução. Mesmo que seja verdade (o que neste momento não sei dizer) tudo depende de como a integração for feita.
Como referi mais acima, não analisei os outros argumentos da tabela. Não interessa tanto esclarecer os argumentos ou, sequer, marcar uma posição. Neste pequeno e modesto trabalho apenas pretendo contribuir com algumas pistas para a condução de uma discussão aberta, racional e inteligente. Espero ter conseguido.

Algumas regras elementares para melhorar a discussão:

1.      Evitar a ofensa deliberada (já que se pode ofender sem ter a intenção de)
2.      Ter algum cuidado com as fontes citadas. Há fontes para todos os gostos disfarçadas de estudos científicos. A esmagadora maioria dos problemas tratados não são sequer tratados cientificamente e os problemas científicos são problemas e não respostas.
3.      Dar especial relevância às premissas (razões) invocadas e menos às conclusões a que se chega, pois só assim é possível um debate produtivo.
4.      Dar a liberdade às pessoas de defender o que quiserem, mesmo que sejam ideias à primeira vista, completamente tolas
5.      Estabelecer um limite a partir do qual a discussão não é mais viável (em regra proponho que esse limite se situe na ofensa direta e deliberada)
6.      Sobretudo testar as nossas próprias ideias em vez de as querer impor aos outros. Quando defendemos que pensamos criticamente queremos dizer que somos capazes de criticar as nossas próprias ideias.

Dada a polémica que este problema suscita, gostaria de deixar um apelo para sugestões e comentários onde eventualmente a exposição do problema possa falhar, pois certamente contém muitas falhas sobre as quais sou o único responsável.

Notas:

Para este texto a definição que usei de xenofobia é a que aparece no dicionário Priberam e que serve perfeitamente o propósito.
Xenofobia: aversão aos estrangeiros, ao que vem do estrangeiro e ao que é estranho ou menos comum. Xenófobo: que ou quem detesta os estrangeiros ou manifesta xenofobia.
A definição de Thomas Mautner, Dicionário de Filosofia, Ed.70 de racismo também é interessante para o propósito do texto:
1.      Perspetiva baseada na ideia, em inglês por vezes chamada racialism, de que a humanidade está dividida em raças naturalmente distintas que podem ser classificadas em ordens de superioridade, e que atribui a outra raça qualidades inferiores ou perigosas. Esta perspetiva é frequentemente associada à ideia de que nas relações com a outra raça, a inferioridade ou o caráter perigoso desta justificam a suspensão das restrições morais habituais.
2.      A prática de discriminar com base na raça, com desvantagem dos membros da outra raça.
Os racistas consideram frequentemente a outra raça como biológica, intelectual ou moralmente inferior – mas nem sempre. Os sentimentos hostis contra os judeus, os chineses, etc…, surgiram por vezes do medo da sua suposta superioridade racial em determinados aspetos.


*A saída de Einstein para os EUA não foi inicialmente forçada, mas ameaçada ao próprio que acabou por antecipa-la, sendo mais tarde expulso da academia Alemã. Mesmo assim Einstein pretendia, nos EUA, fundar a Universidade de Jerusalém e usou do seu estatuto para proteger judeus refugiados. Fonte: Johannes Wickert, Albert Einstein, Ed. Sol90, Expresso, 2011 (Prefácio Nuno Crato). 

sábado, 12 de setembro de 2015

Por amor à sabedoria, João Carlos Silva

Por regra não associamos os livros à personalidade dos seus autores, até porque a maioria dos autores são - enquanto pessoas - desconhecidos para os seus leitores. Não é o caso de João Carlos Silva. Conheço a pessoa uma vez tratar-se de um colega professor de filosofia e com quem vou mantendo contacto ao longo dos últimos anos. Ora, tratando-se de um livro de filosofia, conhecer a pessoa, aqui, parece ser uma vantagem prévia. E por quê? Porque, neste caso, posso atestar que o autor é culto, interessado e prima pela honestidade e verdade. Assim, é de esperar que em mais este seu livro (já publicou pelo menos outro) esses valores norteiem a sua escrita. E o valor da verdade é central quando queremos fazer ciência ou filosofia. Deixo aqui o link para saber mais do livro lendo, por exemplo, a sinopse. 


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Filosofia de verão

O verão é, para alunos e professores, a altura do ano em que sobra mais tempo livre. E há quem goste de dedicar algum desse tempo à filosofia. Neste verão encontrei pequenas curiosidades filosóficas que aqui partilho neste post.


Filosofia hoje e já
Aproveitando o verão para visitar mais algumas cidades espanholas, recuperei algumas referências do país vizinho que tinha aqui há alguns anos. Espanha não parece ser, hoje em dia, um país com departamentos académicos avançados em filosofia. Mas é um país com uma escala enorme, com imensas cidades e universidades, um país muito cosmopolita. Talvez isso justifique que possa existir e sobreviver mesmo em tempo de crise uma revista como a Filosofia Hoy. A revista é mensal e é um excelente cartão de visita à filosofia. Com a massificação da internet tenho mesmo dúvidas que muitos países tenham em formato papel uma revista assim de filosofia. Existe uma aplicação para tablets AQUI e também pode ser acedida no seu site AQUI. Aproveitei para comprar 2 números. O preço de capa indica também Portugal, o que significa que chega pelo menos a alguns locais de Portugal continental. Nota-se a preferência editorial pelos temas de ética aplicada, tais como a felicidade, bem estar, competição, etc. mas também são sempre explorados temas como aspetos gerais das teorias de filósofos clássicos, bem como as respetivas bibliografias. O tema de capa é apresentado com leituras de diferentes áreas, desde a física, antropologia, história, filosofia, etc. Graficamente é muito apelativa.



E as livrarias?
Quando era ainda estudante de filosofia, uma deslocação a Espanha implicava sempre a entrada em livrarias. Ficava maravilhado com a quantidade de edições de qualidade ao mesmo tempo que me frustrava por não ter dinheiro para comprar uma boa quantidade de livros. Hoje em dia o mercado espanhol já não é tão fascinante. Não que tenha perdido qualidade, bem pelo contrário. Mas apenas porque a massificação da internet permite-nos o acesso a milhares de obras, artigos, etc… e as edições espanholas deixaram de ser um recurso (menos, claro, para autores espanhóis).


Mais alguma coisa além da filosofia?
Um reencontro fora da filosofia e que me surpreendeu foi a revista de música Rock De Lux (AQUI). Surpreendente porque estava tão convencido que a revista já não existia que nem me dei ao trabalho de fazer uma procura no Google. Felizmente ainda existe e infelizmente não encontrei edição eletrónica. Infelizmente porque continua fiel a si mesma e ao que sempre nela encontrei. A divulgação de artistas e discos de qualidade, entrevistas a músicos ligados a editores mais alternativos, o grafismo entre o underground transitório das fanzines dos anos 80 e o profissionalismo de uma publicação das sérias… tudo nesta revista respira o melhor que há no rock, para quem gosta. Foi um bom reencontro e logo na capa da edição que encontrei, Marc Almond. A tiragem é bimestral.



Além Espanha…
Fora de Espanha, mas ainda nas pequenas descobertas de verão, recomendo a aplicação Filosofia Gratuita que se pode encontrar AQUI para o sistema android na loja de aplicações da Google. A app é o resultado de um trabalho conjunto de 2 filósofos, um deles bastante conhecido nos meios eletrónicos. Serve perfeitamente como introdução básica à filosofia e tem muitas apresentações bibliográficas de filósofos de todos os tempos. Agora, nos tempos mortos, como filas de espera, em vez de Angry Birds, podemos aproveitar o tempo para vasculhar filosofia no nosso samrtphone.





Guia do Filósofo
O Guia do Filósofo Aprendiz na Internet (acessar AQUI) do colega brasileiro Alexandre Noronha Machado e autor do blogue Problemas Filosóficos (AQUI) , foi outra das descobertas no tempo quente de Agosto. O blog ainda está numa fase muito embrionária, mas conhecendo o trabalho apresentado em Problemas Filosóficos, podemos esperar que seja coisa da boa.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Exame de Filosofia e Ensino da Filosofia

Não sou da opinião que o trabalho de um professor esteja relacionado diretamente com os resultados nos exames que os alunos fazem. Há muitas variáveis a ter em conta e muitas das vezes essas variáveis tem um peso demasiado grande nos resultados de exame. Mas sou da opinião que qualquer professor responsável (e há muitos, felizmente) trabalha no sentido de que os seus alunos sejam capazes de realizarem provas externas com êxito. E concordo que esse deva ser um objetivo dos professores. Também não me alarmo com diferenças entre classificações externas e internas. Só no 10º ano, por exemplo, muitas das vezes as classificações no domínio cognitivo não ultrapassam os 70%, ficando para a avaliação cerca de 3 ou 4 valores para outras variáveis que pouco tem que ver com a classificação de exame, embora um aluno que tenha classificação elevada em todas elas seja, em regra, um aluno que tem boa classificação em exame. E também não estou de acordo com os professores que apenas fazem publicidade dos seus êxitos. Mesmo os professores muito bons (e ser muito bom professor, muitas vezes – senão na maioria delas – é estar integrado num bom contexto de trabalho) têm os seus fracassos e todos eles têm alunos que fracassam nos exames e outros até, menos raro talvez, que têm melhores classificações nos exames do que nas classificações internas. No meio de tanta defesa minha (risos) também defendo que devemos ser vaidosos dos bons resultados, tanto professores como alunos. Nestes últimos anos tenho trabalhado com alunos do 10º ano. Em todos eles tive alunos que obtiveram classificações em exame de 17, 18 e 19, classificações muito acima da média. Dos casos que conheço, avaliei estes alunos com médias internas elevadas e o seu desempenho em avaliações externas não desapontou o desempenho na interna. E ainda bem. Fico feliz por isso. No manual do qual sou co-autor, Como Pensar Tudo Isto? (Sebenta, 2014) incluimos na Sebenta do Aluno, dois exemplos de ensaios argumentativos de dois alunos. Estes dois alunos, mesmo não sendo alunos do curso de humanidades, realizaram o exame de filosofia. E ambos obtiveram classificação de 19. Ambos tinham tido classificação de 19 quando fui professor deles. E mantiveram-nas no 11º ano, com outro professor, colega da escola. 
Na escola onde leciono há outros professores com resultados muito semelhantes. Para mim é um bom sinal para continuar a motivar e estimular alunos para o exame nacional de filosofia. Um aluno se sentir confiança no que aprende, decide fazer o exame.

Estou confiante que pelo país fora, há centenas de professores de filosofia com estas experiências. E por isso mesmo, interessa-me mais saber destas experiências e divulga-las do que propriamente passar o óbito à disciplina de filosofia, sem que ele ainda tenha sequer acontecido. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Livros Novos

Este mês saíram no mercado português duas traduções com interesse.



Stewart Shapiro, Filosofia da Matemática, Ed 70, Trad. Augusto J. Franco Oliveira

"Este é um livro de filosofia, sobre matemática. Há, primeiro, questões de metafísica: de que trata a matemática? Tem um conteúdo? Qual é esse conteúdo? O que são números, conjuntos, pontos, linhas, funções, e por aí adiante? E depois há questões semânticas: o que significam as proposições matemáticas? Qual a natureza da verdade matemática? E de epistemologia: como se conhece a matemática? Qual a sua metodologia? Está envolvida a observação, ou trata-se de um exercício puramente mental? Como são adjudicadas as disputas entre matemáticos? O que é uma demonstração? As demonstrações são absolutamente certas, imunes à dúvida racional? O que é a lógica da matemática? Há verdades matemáticas incognoscíveis?
O filósofo da matemática tem de dizer algo sobre a própria matemática, algo sobre o matemático humano, e algo sobre o mundo onde a matemática é aplicada. Uma tarefa de vulto."



Nigel Warburton, Liberdade de Expressão, Uma Breve Introdução, Gradiva, Trad. Vitor Guerreiro
Um livro dezenas de vezes citado aqui no blogue.


"A liberdade de expressão deve ter limites ou, pelo contrário, ser total? Este é um livro essencial de análise dessa questão.

Acessível. Actual. Interessante. Esta obra analisa os principais argumentos a favor e contra o direito a manter a liberdade de expressão. «Desprezo o que dizes mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo.» A afirmação, atribuída a Voltaire, é frequentemente citada pelos defensores da liberdade de expressão. Porém, é difícil encontrar alguém preparado para defender toda a expressão em qualquer circunstância.

Num contexto em que cada vez mais o cidadão comum tem à sua disposição veículos de transmissão de opinião e de acesso à informação, este é um tema desafiante. Até onde pode ir a liberdade de expressão? Como se define? Será independente do contexto? O livro analisa temas que vão do Holocausto à pornografia. Apresentando argumentos filosóficos e casos de estudo actuais, combina áreas tradicionais de debate com novas áreas ou novos desafios à liberdade de expressão, decorrentes, por exemplo, da tecnologia digital e da internet. 

A liberdade de expressão é considerada um direito fundamental, estando no coração da democracia e sendo a sua protecção vista como marca das sociedades civilizadas. Mas o tema nada tem de simples. 
O autor analisa nesta obra importantes questões que a sociedade moderna enfrenta sobre o valor e os limites à liberdade de expressão. Onde deve ser desenhada a linha? O que veio a Internet mudar?
Este pequeno, mas entusiasmante livro, que às vezes assume um tom às vezes provocador, destina-se a um público vasto, onde se inserem leitores generalistas, mas também estudantes e professores, de filosofia e não só."

Ambos os textos de sinopse são retirados dos sites das editoras. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Exame Nacional de Filosofia 2015

Exame Nacional de Filosofia 2015



Critérios de correção

Uma nota para os meus alunos do 10º ano: podem tirar o exame e reparem como estão preparados para responder às questões das matérias referentes ao 10º ano. Não tenho uma bola mágica em casa para adivinhar, mas a última questão (em opção com a filosofia da arte) sobre a filosofia da religião é praticamente igual à questão de desenvolvimento que saiu no último teste que fizemos. Podem começar a praticar para o ano.