sábado, 20 de abril de 2013

Inspectores de circunstâncias

Publiquei no Manual 2.0 da Sebenta Editora um pequeno texto para ajudar a usar os inspectores de circunstâncias no ensino da filosofia. VER AQUI. Qualquer imprecisão ou sugestão agradeço indicações.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Manuais 2013 – como escolher um bom manual


A crítica e análise pública de manuais é uma necessidade. É aí que se joga a qualidade e exigência relativa aos manuais escolares. É com essa análise crítica que se corrigem erros, que se consegue fazer melhor. O meu pequeno trabalho em 2007 e 2008 visava isso mesmo, a melhoria da qualidade geral na concepção de manuais escolares de filosofia. O trabalho foi muito modesto, mas acabou por ser muito usado e discutido pois foi praticamente único e isolado. A ideia é bastante simples: se nos nossos grupos disciplinares analisamos manuais com critérios didácticos e científicos, por que não partilhá-los com autores, colegas, e todos os interessados? Afinal de contas os autores raramente sabem bem as razões que levaram os professores a rejeitar os seus manuais e optar por outros.

Aproxima-se o tempo de adopção de novos manuais do 10º ano para os próximos 6 anos lectivos. Há que discutir antes de tudo se este modelo de adopção de manuais é o mais acertado. Há vários factores a ter em conta para este ponto. Por uma questão de gestão de tempo, abordarei aqui brevemente apenas um, o que interessa ao professor e o que de certo modo mais tem afectado a minha experiência como professor de filosofia. Quase sempre tive maus manuais adoptados. É interessante pensar as razões que explicam que maus manuais sejam sistematicamente adoptados, quando temos desde pelo menos 2003 concorrentes muitíssimo mais competentes e de qualidade incomparável. Para já interessa aqui apenas salientar que um professor que deseje fazer um bom trabalho, tendo adoptado um manual sofrível, está rendido à ditadura do manual, pois não o escolheu e não pode optar por outro. E o problema surge: que fazer? Trabalhar sujeito a um manual que presta uma homenagem patusca à sua disciplina ou pedir aos alunos que guardem o manual no armário e recorrer a outros materiais, muitas vezes roubados a outros manuais que não o adoptado na sua escola? Na verdade é isto que tenho feito nos últimos anos. Nada há a fazer senão explicar aos alunos e aos pais que gastaram cerca de 30€ num mau manual, que o manual é desadequado. O professor menos exigente pensa porventura que tudo não passa de uma questão de gosto pessoal. Mas as coisas não são bem assim. Senão como explicar aos alunos que, afinal, os argumentos podem ter uma só premissa? Como explicar aos alunos que fazer a distinção entre argumentos dedutivos e condicionais é uma distinção inexistente e sem qualquer sentido? Como explicar que um argumento dedutivo nada tem que ver com premissas gerais ou particulares e conclusões mais gerais ou particulares? Como explicar aos alunos que o manual chama argumento a proposições? E mais grave talvez: e se é o próprio aluno a reparar nesses erros? E como explicar ao aluno que a matemática, a física, a biologia também possuem como características a universalidade, a historicidade, a radicalidade e a autonomia? É que essas são tão características da filosofia como de todos os outros saberes? Em alguns casos mais graves como explicar aos alunos que o seu manual comete um erro ao afirmar que a dedução é usada somente nas ciências quando Descartes, Platão ou Russell se fartaram de fazer demonstrações dedutivas? Como explicar David Hume correctamente se nunca se explicou antes o problema da validade não dedutiva? Isto para nem falar que desse modo é pura e simplesmente impensável explicar as razões da teoria de Popper na filosofia da ciência. Como explicar que, afinal, o manual está errado quando afirma que extensão e compreensão de conceitos variam em razão inversa?

Basta começar a pensar um pouco nas coisas para ver que muita coisa não bate certo. Mas além disso, como disse, desde pelo menos 2003 temos outros filtros. Hoje em dia temos a internet e acesso a boas fontes.

Para a adopção cuidadosa dos manuais há que seguir alguns critérios. Faço aqui uma pequena lista que pode ajudar.

  • ·         Em regra os autores cometem falhas em capítulos cruciais. Assim, por exemplo, nos maus manuais aparecem confusões enormes na lógica ou nos instrumentos lógicos do pensamento. Uma boa regra é começar por ler e analisar esses capítulos.

  • ·         Os manuais não são para os professores, mas para os alunos. A clareza da linguagem deve ser, acima de tudo, uma primeira regra de exigência, sem confundir clareza com falta de rigor. Só conheço uma forma de se conseguir ser claro, que é ter um bom domínio das matérias. Um mau domínio faz com que as ambiguidades apareçam com frequência.

  • ·         Muitos manuais, aproveitando um programa aberto, apresentam mais conteúdos de sociologia do que filosofia. Assim, por exemplo, grande parte deles, prefere abordar o sagrado e o profano na filosofia da religião do que propriamente um problema filosófico como o da existência de Deus.

  • ·         A filosofia acima de tudo pratica-se. Há manuais que são expositivos e pouco mais. Limitam-se a expor o que Descartes ou Hume pensaram e não os argumentos que sustentam as suas teses. Um manual que estimule a reflexão crítica inclui objecções às teorias, apresenta não o que os filósofos pensam, mas a discussão filosófica dos problemas. Há que fazer então a seguinte questão: o manual a optar apresenta objecções às teorias apresentadas? Se não como justificar que servirá bem uma correcta aprendizagem da disciplina?

  • ·         É muito importante que o manual tenha um fio condutor e uniforme do princípio ao fim. Um mau manual apresenta algumas noções de lógica no início (argumento, premissas, conclusão, validade, verdade), mas rapidamente abandona essas noções e nunca mais as aplica. Ou seja, o estudante fica mais ou menos como eu quando estudei lógica na universidade, isto é, sem perceber muito bem para que serve aquilo tudo que estudou logo nas primeiras aulas.

  • ·         Os maus manuais defendem que a filosofia é uma actividade crítica, mas depois raramente estimulam a discussão crítica. Os maus manuais apresentam exercícios que mais não são do que interpretação de textos, exercícios não muito diferentes de qualquer manual da disciplina de português.

  • ·         Os bons manuais baseiam-se em boas bibliografias, de filósofos actuais e clássicos. Os maus manuais muitas vezes apresentam textos que não são de filósofos nem apresentam quaisquer teses filosóficas. Muitas vezes os maus manuais também optam por autores com escrita muito ambígua e hoje em dia pouco consensuais nos grandes centros de investigação filosófica. Não há qualquer necessidade de procurar resolver problemas filosóficos fora da filosofia, quando a história da filosofia nos oferece milhares de exemplos excelentes.

  • ·         Um bom manual contém não só textos dos filósofos clássicos como textos de filósofos actuais de expressão inglesa. Os autores de expressão inglesa hoje em dia conseguem ser mais claros e rigorosos e, por isso, muitíssimo mais vantajosos didacticamente. Assim é de longe preferível um manual que apresente alguns textos de autores como Peter Singer ou Thomas Nagel do que Gilles Deleuze ou Heidegger.

  • ·         A formação dos autores é relevante. Onde estudou, o que tem publicado, que conhecimento tem do ensino secundário, etc.. Há bons autores com pouco currículo e maus autores com muito currículo. Mas é mais fácil optar por um manual de um autor que publica com regularidade pois desse modo podemos conhecer o trabalho do autor por outras fontes e no momento da opção conhecemos como escreve, como apresenta a filosofia, se é claro no modo como a apresenta, etc…

  • ·         Ainda mais uma nota à minha lista: hoje em dia temos bom acesso à internet. Há dezenas de manuais de filosofia acessíveis. Que tal conhecer alguns manuais do AS Level inglês, que é o equivalente ao nosso ensino secundário? Que se publica em filosofia para ensinar os jovens nesses países? Claro que é melhor optar pelos bons modelos e é uma opção mais acertada ir de encontro aos manuais ingleses do que aos franceses ou espanhóis. Isto por uma razão: ao passo que tanto em França como em Espanha o ensino da filosofia no secundário está em decadência há anos, em Inglaterra ou Estados Unidos passa-se exactamente o contrário. Pelo que faz sentido espreitar os bons modelos e aprender com eles.

Espero que estas dicas possam constituir uma boa ajuda para a apreciação dos manuais. Mas espero sobretudo que se façam opções acertadas e que de uma vez por todas se opte pela qualidade em vez da mediocridade. Pelas minhas contas vamos ter cerca de 15 manuais diferentes (em 2007 eram 17). Pelo menos 5 são opções seguras. Outros 6 são más opções. 4 ficarão entre o sofrível e o aproveitável. Façam as vossas análises e publiquem-nas.  

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Testes Intermédios 2013


Clicar nos links para aceder aos testes. As análises chegarão quando sobrar um tempinho para esse efeito, já que este ano é de manuais e há sempre qualquer coisa a dizer sobre o assunto



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Formação em Pensamento Crítico na ilha da Madeira


Nos dias 4, 11 e 25 de Maio; 1 e 8 de Junho vou dar uma formação a professores e educadores de infância sobre pensamento crítico e argumentação. A organização é do SIPE – Madeira. Clicar na imagem para ver melhor. As inscrições decorrem até dia 21 de Abril. CLICAR AQUI PARA A INSCRIÇÃO.

Programa da Formação

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Filosofia Política para principiantes


Para os meus alunos reproduzo aqui uma muito breve exposição dos problemas de filosofia política que estudamos nas aulas, um texto assinado pelo meu amigo Domingos Faria que trabalha comigo no manual on-line da Sebenta Editora. O texto está alojado AQUI.


(I)
Os dois principais problemas de filosofia política estudados no ensino secundário são os seguintes:
Problema da justificação do Estado

Será que a autoridade do Estado é legítima? Ou seja, num Estado os cidadão são obrigados a obedecer às leis, às sentenças dos juízes, às ordens da polícia, etc. Caso desrespeitem isso, são forçados a pagar coimas ou a ir para a prisão. Mas por que razão cidadãos autónomos devem ser tratados desta forma?

A este problema os anarquistas respondem negativamente: a autoridade do Estado é uma mera violação ilegítima da liberdade das pessoas.
                                                                                         
Porém, existem respostas positivas ao problema de dois tipos:

Por um lado, naturalistas, como Aristóteles, defendem que o ser humano não se desenvolve isoladamente, mas em comunidade; sobretudo na comunidade mais completa e perfeita que é a “polis” (cidade-estado), a qual visa assegurar a vida boa. Assim, a vida na “polis” corresponde a uma necessidade natural dos seres humanos, pelo que o Estado tem uma justificação natural.

Por outro lado, contratualistas, como Locke, defendem que o Estado tem origem num contrato celebrado entre pessoas livres de forma a proteger as suas vidas e propriedades. A ideia é que no estado de natureza (numa situação sem Estado politicamente organizado) existem problemas, como a questão da administração da justiça. Para que a propriedade não fique ameaçada, as pessoas celebram tacitamente um contrato social e aceitam livremente a origem do governo.
Problema da justiça social

Será justa uma sociedade na qual a distribuição de rendimentos e riqueza é desigual? Ou apenas será justa se tal distribuição for igual? Imaginemos uma sociedade em que grande parte das pessoas vive em grande pobreza, apesar de existir uma pequena elite de pessoas multimilionária. Será esta sociedade justa? Imaginemos outra sociedade em que as pessoas têm exatamente a mesma riqueza e em que tudo é distribuído igualitariamente. Será justa uma tal sociedade onde todos têm o mesmo, independentemente do que trabalhem, do que se esforcem ou dos dons que tenham? Afinal, o que é efetivamente uma sociedade justa?

A este problema Rawls responde, numa perspetiva tendencialmente mais igualitarista, que numa sociedade justa deve-se assegurar iguais liberdades e oportunidades para todos e que a redistribuição do rendimento e da riqueza deve ser feito à luz deste objetivo. Por isso, não aceita distribuições muito desiguais, uma vez que limitam consideravelmente as liberdades e as oportunidades dos mais pobres. Aliás, as desigualdades na distribuição só são aceitáveis se trouxerem benefícios para todos, de modo especial para os mais desfavorecidos. Se não for esse o caso, então o Estado deve intervir, por exemplo, com impostos e outras tributações, de modo a manter este padrão de justiça que assegure iguais oportunidades e liberdades para todos.

Já Nozick considera que esta interferência do Estado é eticamente inaceitável, pois viola direitos de propriedade e desrespeita a liberdade individual de cada um gerir o seu rendimento e riqueza como bem entender. Por isso, Nozick avança com uma conceção alternativa de justiça que é libertista.

(II)
Além destes problemas, existem outros interessantes que se podem tratar com os alunos, como é o caso do “problema da desobediência civil” (existirão casos em que violar a lei é moralmente aceitável?) ou do “problema da descriminação positiva” (serão justas as leis que favorecem umas pessoas em relação a outras, como o caso da lei da paridade?).

Perante estes problemas e teorias os professores devem estimular o pensamento crítico dos alunos de modo a que eles assumam uma decisão e posição fundamentada. Em relação a muitos problemas filosóficos, não decidir pode ser uma posição respeitável. Porém, em política, a indiferença é uma posição autorrefutante, pois não decidir ou não ter posição é deixar que outros decidam por nós (seja o que for que decidam). Como alerta o filósofo Jonathan Wolff, na introdução do livro An Introduction to Political Philosophy (tradução portuguesa na Gradiva),
(…) pode não interessar se uma sociedade não tem uma política oficial sobre a solução para o problema do livre-arbítrio, mas em todas as sociedades há alguém que detém o poder político e a riqueza encontra-se distribuída de uma forma ou de outra. (…) Aqueles que preferem não participar verão as decisões políticas serem tomadas por si, quer gostem delas quer não. Nada dizer ou fazer é, na prática, dar aval à situação atual, por insatisfatória que seja.

Domingos Faria

terça-feira, 9 de abril de 2013

Filosofia Política - John Locke

No pequeno capítulo de filosofia política estudamos dois problemas:

1) Como se legitima a existência do estado?
2) Qual a forma justa de distribuir a riqueza?

No problema 1) estudaremos duas teorias que tentam responder ao problema, a naturalista de Aristóteles e a contratualista de John Locke. Veremos as teorias apenas nos seus aspectos mais gerais, até porque o tempo que dispomos não permite voos maiores. Fica aqui um excerto de um texto de Anthony Kenny que resume bem o aspecto central da teoria de Locke. Pode ser lido integralmente clicando AQUI.

No estado de natureza, contudo, o homem apenas tem um domínio precário sobre qualquer propriedade mais substancial do que a sombra que partilha com os outros animais. Qualquer pessoa pode aprender os ensinamentos da Natureza; e quem transgride a lei da Natureza merece ser punido. Mas, no estado de natureza, cada um tem de ser o juiz do seu próprio caso, e poderá não existir alguém com poder suficiente para punir os prevaricadores. É isto que conduz à instituição do estado. "O grande e principal objectivo dos homens que se unem em comunidades e se submetem aos governos é a preservação da sua propriedade; e ao estado de natureza poderão faltar muitas coisas para se cumprir este desígnio."


O estado é criado recorrendo a um contrato social, em que os homens entregam a um governo os seus direitos, para se assegurarem de que a lei natural é levada à prática. Entregam a um poder legislativo o direito de fazer leis tendo em vista o bem comum e a um poder executivo o direito de executar estas leis. (Locke tem consciência da existência de boas razões para separar estes dois ramos do poder.) A decisão acerca da forma particular de poder legislativo e executivo deve ser tomada pela maioria dos cidadãos (ou, pelo menos, pela maioria dos detentores de propriedade).

sábado, 6 de abril de 2013

Razões de Ser


O Razões de Ser (Porto Editora) é um dos novos manuais que aguardo com grande expectativa. A expectativa é criada pela qualidade do trabalho dos autores envolvidos.  Mais informações AQUI

Manuais 2013


Este é o ano de adopção de novos manuais de filosofia para o 10º ano. Previsivelmente vamos ter um bom lote de manuais maus e um lote mais pequeno de manuais competentes. Até agora pouco ou nenhum trabalho tem sido divulgado na internet, com algumas excepções de alguns editores que vão enviando informação aos professores. Depois, como sempre, os prazos de adopção tornam-se apertados e só quem tem uma boa dose de força de vontade é que vai para casa ao fim do dia de trabalho estudar pelo menos alguns capítulos centrais dos manuais que entretanto vai conhecendo e recebendo para análise. Seja como for o 50 Lições tem feito esse trabalho prévio de divulgação, a partir do blogdo projecto. Estive a ver com alguma atenção o powerpoint de apresentação do manual e recomenda-se a sua análise, pois é, a todos os níveis, uma boa apresentação. O powerpoint pode ser visto AQUI.  

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ensaios filosóficos 2013


Os problemas para os ensaios filosóficos são os que se seguem. Vão ser avaliados com entrega do ensaio por e-mail e na apresentação oral (5 a 8 minutos). Os critérios de avaliação são os que foram expostos na aula e que vos enviei por e-mail. Podem consultar alguns exemplos de ensaios de alunos neste LINK. 


  • Será que temos obrigação moral de ajudar os mais pobres?
  • Será o aborto eticamente permissível?
  • Podemos ter uma definição de arte?
  • Será que Deus existe?
  • Qual a forma mais justa para distribuir a riqueza?
  • Será que os animais não humanos devem ter direitos morais?




BOM TRABALHO E DIVIRTAM-SE COM SERIEDADE. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Para estudar filosofia política


Neste início do terceiro e último período vamos terminar o estudo da ética com a consolidação das duas perspectivas teóricas, a deontológica de Kant e a utilitarista de Stuart Mill. A ética procura responder a questões como a de como havemos de viver bem? Mas a filosofia política responde a problemas como: como organizar melhor uma sociedade? E qual a forma mais justa de o fazer? Para te preparares para este estudo que nos vai ocupar entre 2 a 4 aulas de 90 minutos, nada melhor que veres este vídeo. Vai de certeza ajudar-te muito a começares a compreender as importantes questões de que trata a filosofia política.

Dos dois problemas a analisar vamos apoiar-nos em algumas teorias. Assim:

Problema um: qual a origem do Estado como organização política?

Analisaremos as respostas naturalista de Aristóteles e contratualista de John Locke.

Problema dois: qual a forma mais justa de distribuir a riqueza?

Analisaremos as respostas de John Rawls e Robert Nozick.

Todas estas perspectivas estão muito bem explicadas no vídeo. A autora foi aluna de Rawls e Nozick em Harvard, provavelmente a melhor universidade do mundo.