segunda-feira, 18 de março de 2019

Às vezes perguntam-me em que filósofo trabalho, como se isso fosse o que qualquer filósofo tem de fazer. Respondo ao estilo de Oxford: trabalho em problemas filosóficos, não em filósofos.

Timothy Williamson, Filosofar, da curiosidade comum ao raciocínio lógico, Gradiva, 2019, Trad. Vitor Guerreiro, p. 109

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Filosofia com Visão

A divulgação pública da filosofia é tão importante quanto a sua criação. Ocorrem-me dois motivos principais:

1º os problemas filosóficos são (devem ser) quase todos de domínio público
2º sem boa divulgação o interesse pela filosofia acaba por ser reduzida a caricaturas da mesma.

Estas razões são igualmente relevantes para qualquer outra área do saber. Por isso é com graciosidade que recebo cada pedacinho de divulgação da filosofia em espaços públicos e que, de uma assentada, consiga juntar a qualidade, a atualidade e acessibilidade com que problemas difíceis são divulgados e apresentados ao público não especialista. 
Pedro Galvão está a fazer esse trabalho na revista visão. Chama-se Terceiro Excluído e espera-se que venha a publicar com alguma regularidade. Pode ser acessado de forma livre AQUI.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Fazer filosofia

Como modelo para a filosofia, a matemática básica é muito mais útil que o dicionário. Aquilo de que precisamos para raciocinar claramente não são ‹‹verdades por definição››, triviais, mas uma teoria forte, explicitamente articulada. A clareza não aspira a um padrão mítico de indubitabilidade. Ao invés, o propósito é tornar claramente visíveis os erros do nosso raciocínio, como o são na matemática. Se o leitor ouvir alguém negar o valor da clareza, pergunte-se por que razão poderá não desejar que os erros de raciocínio sobressaiam claramente. 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Dica para estudar filosofia

(foto minha)
Quando recebo alunos para apoio ao exame nacional, começo sempre por criar alguns atalhos que evitam desperdiçar tempo e poupam, assim, esforços desnecessários. Um deles é mostrar que, à parte a lógica, em todas as unidades a estudar, a filosofia anda sempre em volta de Problemas, Teorias e Argumentos. Assim, em questões de exame que nos surpreendam, devemos sempre começar por questionar: Que problema se está aqui a discutir? E que teorias conheço que o tentam resolver? Quais os principais argumentos de cada teoria?Quais as objeções possíveis a esses argumentos? 
Não resolve, mas ajuda. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O problema do livre-arbitrío, a resposta compatibilista

Este vídeo é excelente a explicar a resposta compatibilista ao problema do livre arbítrio, incluindo a experiência mental criada por Harry Frankfurt, com a qual pretende argumentar que podemos não ter possibilidades alternativas de escolha e ainda assim sermos livres, ao contrário do que pensavam os compatibilistas "clássicos".


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Festival de Filosofia de Abrantes




A inteligência artificial, o trabalho e o humano:
 automação e organização do trabalho,
primado do instrumental vsdo humano

De 9 a 18 novembro de 2018

Com o alto patrocínio de sua excelência o Presidente da República 

Organização do Município de Abrantes, em parceria com o Clube de Filosofia de Abrantes, o Município de Mação, o Município de Sardoal, a Palha de Abrantes - Associação de Desenvolvimento Cultural e os Agrupamentos de Escolas dos Concelhos de Abrantes, Mação e Sardoal e a Fundação Serralves

Comunitarismo

O comunitarismo é uma teoria da filosofia política que agora aparece para lecionação como obrigatória em resposta ao liberalismo de John Rawls no 10º ano. E é uma teoria bem interessante. Existe um comunitarismo mais progressista e outro mais conservador. Como introdução geral e dado o escasso tempo para preparar as aulas, recomendo esta introdução do Dicionário de Filosofa Moral e  Política do Instituto de Filosofia e Linguagem da FCSH, UNL.

ACEDER AQUI AO ARTIGO



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Olha! Afinal já não somos todos filósofos!

Algumas vezes pode não ser simples estabelecer uma barreira que nos diga quando é que se começa a ser cientista ou quando é que se começa a fazer filosofia. Mas do mesmo modo que ninguém se pode considerar a si mesmo matemático porque quando vai às compras faz contas de cabeça, também ninguém se deve considerar filósofo apenas porque escreveu duas linhas desarticuladas sobre problemas fundamentais da vida humana, como a morte, o sentido da existência ou a justiça. Infelizmente não é de todo incomum entrar numa livraria e ver livros de autoajuda no lugar da psicologia ou livros de religião e espiritualidades no lugar da filosofia. Isto é apenas querer vender o que uma população incauta e desinformada compra. Já me deparei, a este propósito, com situações caricatas, como a de entrar em casa de alguém que não leu mais do que 2 livros na vida e encontrar O Sentido na vida de Susan Wolf (Bizâncio, 2011) numa prateleira. Claro que a pessoa que o comprou não sabia o que estava a comprar, pois o livro devia estar à venda entre livros de autoajuda ou espiritualidades. Com efeito trata-se de um denso ensaio de filosofia e quem não tem uma preparação base não irá avançar mais que duas ou três páginas. E este ainda que denso não é dos tecnicamente mais sofisticados. Ocasionalmente revistas e jornais lançam coleções de clássicos da filosofia, mas tenho muitas dúvidas do êxito comercial de livros de David Hume, Kant ou mesmo Platão. Talvez eu esteja enganado. Era bom era. Mas penso que estas coleções são material barato que se lança para o mercado. A ideia não é vender um livro de David Hume, mas com ele vender outras publicações. 
Mas regressando à ideia inicial, não basta pensar para ser filósofo. Já vi uma vez uma profissional da filosofia explicar a miúdos adolescentes que filosofar é pensar. Ora se pensar é uma condição necessária à filosofia, também é à matemática ou à química ou à própria vida. O meu avô foi mineiro e não consta que não pensasse, mas nunca foi tido como filósofo. Vem isto a propósito que a imagem que o senso comum guarda do filósofo é mais ou menos aquela que guarda do cientista, um tipo meio louco com umas ideias muito malucas e muito à frente, que não servem para nada e que somente ele e uns ilustres compreendem. E, pior ainda, até nas academias há quem se sirva bem desta imagem e a use sistematicamente. Mas isto acontece em regra como forma de disfarçar a ignorância. Não que um filósofo não possa ser meio louco. Mas não é por ser filósofo que é meio louco pois isso sempre o seria mesmo sem ser filósofo. Recordo que pelo menos por duas vezes na vida me disseram que eu era uma pessoa de filosofia normal. Ora, pessoalmente nem gostei muito do normal, pois sempre achei que o normal não é nada de especial. Mas penso ter percebido a associação da filosofia e da normalidade pois são duas categorias que no senso comum não costumam encaixar bem. Isso não é culpa das pessoas que não têm formação alguma em filosofia. Na verdade a ideia do intelectual de esquerda pós moderno que fala de modo tão sofisticado que ninguém o entende foi muito bem divulgada entre nós, provavelmente influência dos pós modernos franceses. Assim é, para muitas pessoas, incluindo muitas de formação filosófica, muito difícil aceitar que se seja lúcido, claro, sem recorrer ao terrorismo verbal e ao mesmo tempo rigoroso e, ei lá, filósofo. Essa é, penso, uma das razões que incita tanto ódio à filosofia de expressão anglo saxónica, vulgo filosofia analítica. Nesta o filósofo deixou de ser um malabarista da linguagem, uma espécie de rebelde intelectual que ninguém entende muito bem mas toda a gente gosta de ouvir sem perceber o que ouve. Deixa de ser um teórico da desconstrução e da teoria sistemática da suspeita, para ser alguém que raciocina com clareza, que desmonta com clareza os argumentos, que os analisa com rigor e que é capaz de espremer a suposta filosofia pós moderna mostrando que dali não vai surgir sumo algum. A filosofia analítica aproxima não só a filosofia do seu lugar mais tradicional, mas devolve-lhe vitalidade e coloca-a de novo a par e par com a ciência sem contudo se confundir com essa. 
Sempre gostei muito do trabalho dos Gato Fedorento. Souberam como poucos apanhar estes tiques culturais e expressá-los através da sua arte, o humor. Por isso vale a pena rever como os Gato Fedorento caricaturaram exatamente isto que aqui abordei neste texto de opinião. 


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Alteração da data da formação em Lógica

A data de início da formação em lógica marcada para amanhã foi alterada para dia 26 à mesma hora. Assim mais colegas podem fazer a inscrição e planificar a sua agenda com maior antecedência.