Há uma nova secção no blogue, a Biblioteca do Educador. Mais uma vez os livros nela referenciados são o reflexo do meu itinerário bibliográfico pessoal. Para já apenas refiro as capas dos livros. Mais tarde consoante a vontade e o tempo disponível, incluirei um breve comentário de cada um deles. Como será de notar, os livros não seguem uma "escola" da educação. Mas quase todos são sugestivos para a discussão do que deve ser a escola e a profissão de professor assim como o lugar dos alunos e das suas aprendizagens. A secção pode ser apreciada Aqui, ou na aba acima na barra de abas.
sábado, 11 de novembro de 2017
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Ano letivo 2017/18 - mudanças e filosofia
Em Portugal Setembro é o mês do regresso às aulas. Nos
últimos anos tem sido marcado negativamente em várias frentes: os pais e o
custo financeiro com os manuais e material escolar, os professores com a enorme
instabilidade profissional, a rede escolar com problemas de equilíbrio, etc… de
uma forma resumida o que mais marca o início de cada ano letivo são as
alterações das “regras do jogo”. Mas ao mesmo tempo que alguns aspetos no
ensino mudam de ano para ano (por vezes menos), outros há que não mudam há mais
de uma década. O programa de filosofia vigente data de 2001 (ver
aqui). Muitas mudanças no ensino acontecem porque cada ministro que sucede
o anterior, assim como as novas equipas, têm ideias diferentes e querem assim
imprimir a sua marca, não se dando conta que desse modo estão a estragar mais
do que o que arranjam. Neste sentido, ainda bem que o programa de filosofia não
tem sofrido alterações. Alterar apenas porque sim, não me parece uma boa ideia.
E alterar apenas porque se discorda totalmente também não me parece razoável.
Há um trabalho de base meritório que vale a pena retocar. Afinal de contas,
nós, professores, andamos há tantos anos nisto, a trabalhar um programa que
parece insensato querer alterar tudo de uma só vez. Felizmente as propostas que
entretanto se vão falando não seguem esse sentido, o de tudo alterar. A proposta,
oficial de revisão curricular para a disciplina no 10º ano já circula
livremente (ver
aqui). E ela inclui alguns aspetos muito interessantes, embora, claro,
discutíveis. A inclusão da lógica elementar logo a abrir o 10º ano parece-me
uma opção correta como método de trabalho. Mas é igualmente importante que os
tempos letivos para cada unidade sejam pensados não de modo a explorar os
conteúdos teóricos sem considerar o trabalho e tempo necessário em sala de aula
para trabalhar textos, interpretação aplicando os métodos aprendidos, gerir
comportamento adequado ao trabalho, etc. Claro que começar a disciplina pela
apresentação do método não é, em muitos sentidos, uma opção feliz. Se o que
anima a disciplina, por que não começar logo por debater os problemas? Haveria
algum prejuízo em começar a ensinar astronomia olhando para as estrelas?
É sobretudo importante que as mudanças não impliquem
transformações de fundo constantes, muitas vezes quase ao sabor do vento
ideológico ou de preferências grupais sem atender os muitos e diversos
contextos em que a disciplina se ensina. As mudanças permanentes atrapalham o
trabalho nas escolas e em regra acabam sempre por desmotivar.
Por fim, uma palavra aos professores de filosofia. Segundo percebo
são muitos os professores de filosofia que não ensinam filosofia. Isto acontece
porque os horários têm vindo a diminuir e, entretanto, os disponíveis acabam
todos ocupados por professores de quadro de escola e com mais tempo de serviço.
Por isso mesmo em muitas escolas os professores de filosofia estão a ensinar
disciplinas que não a filosofia. Não considero a filosofia mais essencial que
muitas outras disciplinas que podem ser ensinadas. Afinal, poderíamos ter um
currículo diferente e até melhor com ou sem a filosofia. O ponto aqui é outro. Os
professores de filosofia estudaram filosofia e prepararam-se durante alguns
anos para o domínio científico da filosofia. Por isso mesmo e enquanto cá
andamos e é tempo, esta parece ser uma boa razão para assegurar a disciplina no
ensino geral e obrigatório. Como disse, um bom sistema de ensino pode dispensar
uma outra disciplina ou substituindo-a por outra igualmente importante. Daí não
se segue que a disciplina de filosofia seja dispensável. Acontece que, uma vez
existindo, isso é por si mesmo uma boa oportunidade para fazer um bom trabalho
na sua apresentação.
E ainda antes de terminar. Costumo usar uma hipótese quando
pessoas não ligadas ao ensino criticam de forma geral o trabalho dos
professores: “- Vamos imaginar que é verdade que os professores são todos mesmo
maus. Sendo isso verdade e sabendo disso mesmo, o que é que devemos fazer,
substituir todos os professores por carpinteiros nas escolas?” Invariavelmente
a resposta é não. Isto é, temos de trabalhar com o que somos e temos, saber contar
apenas com o nosso trabalho. Tudo o que vier a mais de positivo será bom. Mas não
podemos esperar que sejam os de fora, mesmo os das universidades, a fazer o
nosso trabalho. Não podemos nem devemos esperar que nos preparem os programas,
as aulas, os materiais que usamos. Dependemos apenas de nós mesmos.
Um bom ano a todos
quarta-feira, 28 de junho de 2017
terça-feira, 27 de junho de 2017
domingo, 25 de junho de 2017
Ética na imprensa
Um dos filósofos mais populares e, talvez por isso, mais incómodos
da atualidade para os mais conservadores, numa entrevista à revista semanal
Sábado, nº 686, de 21 a 28 de Junho de 2017. Por Vanda Marques. Nesta pequena
entrevista, Singer aborda alguns dos problemas reunidos no livro Ética no Mundo Real - 82
breves ensaios sobre coisas realmente importantes , publicado entre
nós pelas Ed. 70 e traduzido por Desidério Murcho. Um facto curioso que vale a pena mencionar: Peter Singer é atualmente o filósofo que mais ódios suscita. Quando refiro "ódio" é em sentido literal. Claro que no mundo da filosofia existem filósofos que procuram objetar as posições de Singer, como o seu conterrâneo David Oderberg. Numa versão menos racional, abundam as tiradas anti Peter Singer. Curioso é que as posições de Singer nem sequer são as mais radicais em relação a alguns dos problemas éticos que aborda. E mais curioso ainda é que muitos filósofos do passado, hoje unanimemente idolatrados, foram mais radicais que Singer. Neste como muitos outros casos, Singer paga o preço da fama.
Pensamento Crítico na Imprensa
Em Novembro de
2016 promovi, com o Sindicato de Professores da Madeira, uma ação de formação
sobre pensamento crítico e como o usar na sala de aula. Sugeri que parte de
trabalhos de formandos fossem publicados. E aqui está o resultado na edição
xxxviii i nº100 do jornal
Prof, do SPM, Diretor Francisco Silva.
Esta ação irá
repetir-se no Porto Santo nos próximos dias 10 e 11 de Julho. Uma segunda parte
desta ação está a ser preparada.
Sobre a verdade e Contra a democracia
Duas novidades
muito interessantes da Gradiva e que são certamente dois relevantes
acontecimentos editoriais em língua portuguesa.
Sinopse
Nenhum modelo político deve ser sacralizado, por nenhum ser perfeito e não
serem imutáveis as circunstâncias em que algum deles se tenha revelado como o
menos mau.
A edição deste livro é um contributo para as pessoas livres, que o queiram
continuar a ser, debaterem as disfunções crescentes que cada vez mais
visivelmente estão a impedir a democracia de realizar alguns dos seus mais
importantes ideais. É também um desafio para os que visam aperfeiçoar o seu
funcionamento de modo a realizar os seus objectivos essenciais: a liberdade, o
progresso social, a dignidade, o desenvolvimento humano.
A maioria das pessoas acredita que a democracia é a única forma justa de
governo. Crê que todos temos direito a uma quota igual de poder político. E
também que a solução de participação política "um homem um voto" é
boa para nós – dá-nos poder, ajuda-nos a conseguir o que queremos e tende a
tornar-nos mais inteligentes, virtuosos e atentos uns aos outros.
Mas Brennan, considera que estão erradas, argumentando que a democracia
deveria ser julgada pelos seus resultados,apresentando abundantes dados
empíricos de que não são bons o suficiente.
Tal como os acusados têm direito a um julgamento justo, os cidadãos têm
direito a um governo competente. Mas a democracia é com frequência o domínio do
ignorante e do irracional, ficando demasiadas vezes aquém do que se espera.
Além disso, uma enorme diversidade de pesquisa em ciências sociais mostra que a
participação política e a deliberação democrática parecem tender cada vez mais
frequentemente a tornar as pessoas piores – mais irracionais, tendenciosas e
más. Considerando esse quadro sombrio, Brennan argumenta que um diferente
sistema de governo – a epistocracia, ou governo dos sábios – pode ser melhor do
que a democracia, e que é tempo de reflectir seriamente sobre isso.
Longe de se tratar de uma diatribe panfletária, esta é uma relevante obra
de filosofia política em que se discute, de forma intelectualmente honesta,
cada um dos melhores argumentos a favor da democracia. O resultado é uma
crítica séria e uma defesa contemporânea do governo de quem mais sabe, com a
resposta aos problemas práticos que tal solução possa levantar.
Uma leitura essencial não apenas para os estudiosos de filosofia e de
ciência política, mas também para todos os que consideram que a democracia
merece ser discutida, independentemente do que se possa pensar dela, incluindo
os que visam aprofundá-la.»
Jason Brennan é uma maravilha: um filósofo brilhante que estuda
escrupulosamente os factos antes de moralizar. Em Contra a Democracia, o seu
método elegante leva à conclusão inesperada de que a participação democrática
impele os seres humanos a esquecer o senso comum e a decência comum. Votar não
nos enobrece; testa a virtude dos melhores, e apresenta o pior nos restantes.
Bryan Caplan, autor de The Myth of the Rational Voter
A grande tentação da filosofia política é sacralizar a política, e precisamos urgentemente de um trabalho que nos ensine a não sucumbir. Neste livro valioso e revigorante, Jason Brennan desafia devoções confortáveis e desacredita mitos familiares sobre a vida política em geral e o regime democrático em particular. Prevejo que a maioria dos leitores encontre muita coisa com que discordar – eu certamente encontro –, mas também que a maioria considere os argumentos de Brennan inquietantemente difíceis de resistir com certeza.
A grande tentação da filosofia política é sacralizar a política, e precisamos urgentemente de um trabalho que nos ensine a não sucumbir. Neste livro valioso e revigorante, Jason Brennan desafia devoções confortáveis e desacredita mitos familiares sobre a vida política em geral e o regime democrático em particular. Prevejo que a maioria dos leitores encontre muita coisa com que discordar – eu certamente encontro –, mas também que a maioria considere os argumentos de Brennan inquietantemente difíceis de resistir com certeza.
Jacob T. Levy, Universidade McGill
Contra a Democracia apresenta um conjunto útil de desafios tanto para a sabedoria convencional como para as tendências dominantes na filosofia política e na teoria política, particularmente na teoria democrática. Escrito de forma cativante, incentiva uma leitura activa e divertida.
Contra a Democracia apresenta um conjunto útil de desafios tanto para a sabedoria convencional como para as tendências dominantes na filosofia política e na teoria política, particularmente na teoria democrática. Escrito de forma cativante, incentiva uma leitura activa e divertida.
Alexander Guerrero, Universidade da
Pensilvânia
Autor(es)
Jason Brennan doutorou-se em filosofia
pela Universidade do Arizona, ensinou na Universidade de Brown e é actualmente
professor associado de Estratégia, Economia, Ética e Políticas Públicas na
Universidade de Georgetown. É autor de Compulsory Voting: For and
Against, com Lisa Hill, Libertarianism: What Everyone Needs to
Know, The Ethics of Voting e A Brief History of Liberty,
com David Schmidtz. A filosofia política e a ética aplicada são as suas duas
principais áreas de investigação.
Qual é o problema em desprezar a
verdade? A verdade é algo assim tão importante
e valioso porquê?
Estas são algumas das perguntas que Frankfurt procura esclarecer e às quais dá resposta em Sobre a Verdade.
A resposta de Frankfurt, exposta numa linguagem despojada de jargão filosófico e centrada na noção mais comum de verdade, é que a nossa vida seria impossível sem ela, tanto na prática como intelectual e psicologicamente. Na prática, porque a distinção entre verdadeiro e falso é pressuposta nas situações mais banais da vida mesmo por aqueles que dizem recusá-la. Intelectual e psicologicamente, por ser necessária para a compreensão de nós mesmos como indivíduos diferentes dos outros, para a nossa relação com eles, e para a mais elementar compreensão da realidade, seja ela qual for.
e valioso porquê?
Estas são algumas das perguntas que Frankfurt procura esclarecer e às quais dá resposta em Sobre a Verdade.
A resposta de Frankfurt, exposta numa linguagem despojada de jargão filosófico e centrada na noção mais comum de verdade, é que a nossa vida seria impossível sem ela, tanto na prática como intelectual e psicologicamente. Na prática, porque a distinção entre verdadeiro e falso é pressuposta nas situações mais banais da vida mesmo por aqueles que dizem recusá-la. Intelectual e psicologicamente, por ser necessária para a compreensão de nós mesmos como indivíduos diferentes dos outros, para a nossa relação com eles, e para a mais elementar compreensão da realidade, seja ela qual for.
Autor(es)
Harry G. Frankfurt é Professor Emérito
de Filosofia na Princeton University. A sua importante obra filosófica
reparte-se principalmente pelas áreas da filosofia moral, da filosofia da mente
e da filosofia da acção. Os seus contributos para a discussão do problema do
livre-arbítrio fazem dele uma referência nesse domínio. Da sua obra,
destacam-se ainda os sucessos de vendas On Bullshit (Da Treta) e The
Reasons of Love.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Novos Ensaios de Peter Singer
Peter Singer é o filósofo da atualidade que suscita maiores
hostilidades em relação às suas ideias, ou pelo menos à caricatura que habitualmente
delas se faz. Isto acontece não pela radicalidade dos seus argumentos (há
filósofos mais radicais, mas que raramente são mencionados nas frentes mais
hostis), mas antes pela sua popularidade. A que se deve a popularidade de
Singer? À forma pouco comum como expõe os argumentos que os torna acessíveis mesmo
aos leitores filosoficamente menos informados. Juntando isso aos temas e
problemas que aborda (moralidade do aborto, eutanásia, etc…) temos os
ingredientes necessários para conservadores hostis destilarem os mais variados
insultos. O irónico é que Singer aceita o aborto ou a eutanásia com muitas
restrições, o que até faz dele, em certo sentido, algo conservador. Mais conservador
talvez é ainda em relação à defesa dos direitos morais dos animais não humanos,
uma das mais radicais teses de Singer. Curiosamente os hostis costumam estar-se
nas tintas para os animais e não pegam neste ponto com Singer. Do meu ponto de
vista a popularidade de Singer passa por uma certa injustiça, provavelmente
própria de toda e qualquer popularidade, a de ser superficial. Por essa razão
os ataques dos hostis são todos sem exceção vagos e absurdos, para além de
revelarem manifesta ignorância em relação aos argumentos do filósofo
australiano, professor nos EUA. A melhor forma de conhecer os ataques a Singer
que estão para além dos insultos gratuitos é conhecer a obra de filósofos como David
S. Oderberg, tendo duas obras publicadas em português. Uma delas, Ética
Aplicada, Uma abordagem não utilitarista (Principia, 2009, Trad. M
José Figueiredo), é um ataque ao utilitarismo de Singer. Espero que esta
nova tradução em português, do qual se apresenta aqui a capa, motive mais a
discussão racional que o orgulho irracional. De resto como se espera de toda a
atividade filosófica. A edição é das Ed.70.
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Citações polémicas
Muitas das afirmações dos filósofos são polémicas. Todas elas
são, por natureza do saber e conhecimento, arriscadas. E por isso, em regra,
pouco consensuais com a nossa visão comum do mundo e das coisas. Mas será que
entre essas citações não haverão outras ainda mais arriscadas, verdadeiramente
polémicas contrariando-se até a si mesmas? É isso que este livro recém-chegado
ao mercado português promete oferecer, uma boa coleção de citações verdadeiramente
polémicas. Do autor Victor Correia, com edição da Verso da Kapa. Mais informações
AQUI.
À venda nas livrarias a partir do dia 13 deste mês.
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