sábado, 14 de maio de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
O sentido da existência
Vale a pena visualizar este vídeo da consola de jogos Xbox para começar um bom debate sobre o sentido da vida, um dos temas que pode ser opção para finalizar o 11º ano.
domingo, 10 de abril de 2016
Como captamos o sentido da existência.... a correr
Correr está na moda. Mas talvez seja mais que uma mera moda.
Provavelmente terá a ver com o sentido da existência. X pode ter valor
instrumental ou valor intrínseco. Uma coisa tem valor instrumental se é um meio
para atingir outra coisa com valor intrínseco. Por exemplo, ter saúde é
instrumental uma vez que é uma condição necessária, mas não suficiente para ser
feliz. Se isto for verdade, a felicidade possui valor por si mesma. Dizem os
filósofos que a felicidade tem valor intrínseco. Mark Rowlands, professor de
filosofia na Universidade de Miami, defende, neste ensaio que correr tem valor
intrínseco. Mas Rowlands vai mais longe ao defender que algo com valor
intrínseco tem também valor cognitivo. Traduzido do original inglês por Ana
Pedroso Lima, está agora disponível mais este ensaio em língua portuguesa.
Espero que deixe na corrida filosófica pelo menos tantas pessoas quanto aquelas
que hoje em dia correm por prazer. Edição da Lua de Papel.
Mark Rowlands passou grande parte da sua vida a correr. É também um filósofo profissional. Para ele, cada corrida é um pretexto para filosofar. Correr aproxima-se muito do conceito de liberdade, tal como o defendia Jean-Paul Sartre; as lesões são pretexto para dissertar sobre a morte (e Heidegger); e quando se questiona sobre as razões por que corre está a seguir o trilho percorrido por Aristóteles, na sua insaciável procura da causa das coisas. Em Correr com a Matilha, o autor fala-nos das corridas mais significativas da sua vida . Dias inteiros a percorrer o País de Gales quando era miúdo, as maratonas ao longo das praias francesas ou nas montanhas da Irlanda, na companhia do seu lobo Brenin, ou, mais tarde, com a cadela Nina, nos pântanos da Flórida. A vida do autor de O Filósofo e o Lobo é pois memória e exercício filosófico. A meta é chegar sempre um pouco mais longe, aproximar-se do sentido da existência, desafiar a mortalidade. (Ou, mais prosaicamente, a crise da meia idade.) Obra absolutamente original, por vezes tocante, despertará no filósofo o desejo de correr; e ao corredor mostrará que pode chegar muito mais longe do que pensa – e não estamos apenas a falar de quilómetros.
"A mais original e didática obra de filosofia pop do ano."Financial Times
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Peter Singer, O maior bem que podemos fazer
Será que a motivação para agir não é apenas uma resposta às
nossas emoções inatas? Peter Singer pensa que a razão desempenha um papel
fundamental nas nossas decisões. E também, claro, nas nossas decisões morais. A
base do argumento de Singer neste livro é a seguinte: Se uma ação x produzir um
maior bem para mais pessoas, então é uma ação moralmente correta. E a resposta
de Singer surge sob a forma de um movimento humano, o altruísmo eficaz. De resto
a ideia não é nova para o autor que já a explora desde pelo menos a década de
70. Peter Singer é senão “o”, pelo menos um dos filósofos mais populares da
atualidade. É-o certamente pelos problemas que explora, mas muito mais pela
forma como os pensa e pela clareza com que os transmite. E é também porque a
sua filosofia é de tal modo pública que não falta quem o odeie. Mas é natural
que uma filosofia tornada causa pública produza uma onda irracional de amores e
ódios. Afinal, Sócrates foi condenado à morte exatamente pelas mesmas
irracionalidades.
O maior bem que
podemos fazer, é um dos últimos trabalhos do filósofo de origem
australiana, mas há muitos radicado nos EUA, Princeton. As Edições 70
publicaram o livro em Portugal, numa belíssima edição que ao mesmo tempo renova
a imagem do editor. Para muito melhor. A tradução é de Pedro Elói Duarte que já
nos habituou a um bom trabalho e a edição é de Março de 2016, com prefácio à
edição portuguesa de Pedro Galvão.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Filosofia & matemática
Fica aqui o registo da ação hoje pela manhã a convite dos professores de matemática, nas Jornadas de Matemática da Escola Secundária Jaime Moniz. Obrigado a todos.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
O teste Kantiano para avaliar as ações
Na avaliação moral das ações, para Stuart Mill
o que interessa são as consequências da ação. Pelo contrário, para Kant o que
interessa são os motivos do agente e não as consequências da ação. Analisar os motivos
é ver por que razão o agente realiza uma determinada ação.
Para Kant as ações que têm valor moral são realizadas por dever. Agir por dever é agir somente motivado pela razão e não em função de inclinações ou desejos; ou seja, é ter autonomia da vontade. E chama-se a esta vontade que cumpre o dever pelo próprio dever de vontade boa – é este o bem último para Kant.
Ao agirmos exclusivamente pela razão, por dever e com vontade boa, estamos a obedecer ao imperativo categórico, isto é, uma ordem incondicional que nos dá uma obrigação moral. Então, o que faz uma ação ser correta é cumprir o imperativo categórico.
Existem várias formulações deste imperativo categórico. Aqui vamos atender apenas à fórmula da lei universal que nos diz: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.
Para Kant as ações que têm valor moral são realizadas por dever. Agir por dever é agir somente motivado pela razão e não em função de inclinações ou desejos; ou seja, é ter autonomia da vontade. E chama-se a esta vontade que cumpre o dever pelo próprio dever de vontade boa – é este o bem último para Kant.
Ao agirmos exclusivamente pela razão, por dever e com vontade boa, estamos a obedecer ao imperativo categórico, isto é, uma ordem incondicional que nos dá uma obrigação moral. Então, o que faz uma ação ser correta é cumprir o imperativo categórico.
Existem várias formulações deste imperativo categórico. Aqui vamos atender apenas à fórmula da lei universal que nos diz: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.
A ideia é que devemos agir apenas de acordo com
regras que podemos querer que todos os agentes adotem. Isto não consiste em ver
se seria bom ou mau que todos agissem de acordo com uma determinada regra.
Consiste, antes, em mostrar se é ou não possível todos agirem segundo essa
regra.
De uma forma mais prática, o teste para se determinar a moralidade de uma ação é o seguinte:
De uma forma mais prática, o teste para se determinar a moralidade de uma ação é o seguinte:
(1) Que regra (máxima) estamos a seguir se realizarmos esta
ação?
(2) Estamos dispostos a que essa regra (máxima) seja seguida
por todos e em todas as situações?
Sim: essa regra (máxima) torna-se lei universal e, consequentemente, o ato é moralmente permissível.
Não: essa regra (máxima) não pode ser seguida e, consequentemente, o ato é moralmente proibido.
Este teste do imperativo categórico pode tornar-se mais
compreensível com alguns exemplos:
Exemplo 1
A Francisca é dona de um hotel que nunca engana os clientes, fazendo sempre um preço justo. Ela faz isso não por interesse (para não perder os clientes), mas simplesmente por dever de ser honesta. Será que este exemplo passa no teste do imperativo categórico?
A Francisca é dona de um hotel que nunca engana os clientes, fazendo sempre um preço justo. Ela faz isso não por interesse (para não perder os clientes), mas simplesmente por dever de ser honesta. Será que este exemplo passa no teste do imperativo categórico?
► Sim. Porque (1) a máxima é “venderás sempre a um preço
justo, porque é um dever ser honesto”. E (2) é possível todos agirmos segundo
essa máxima e querermos que todos obedeçam a essa máxima.
Exemplo 2
O Gustavo mente ao Joel sobre uma traição da sua namorada Daniela, pois não quer que o Joel sofra (tem assim compaixão por ele). Acontece que o Joel passa a andar traído sem o saber. Será que este exemplo passa no teste do imperativo categórico?
► Não. Porque (1) a máxima é “mentirás porque tens compaixão”. E (2) não poderíamos querer que a mentira fosse uma lei universal, pois isso derrotar-se-ia a si mesmo: as pessoas descobririam rapidamente que não podiam confiar no que os outros disseram, e por isso ninguém acreditaria nas mentiras.
O Gustavo mente ao Joel sobre uma traição da sua namorada Daniela, pois não quer que o Joel sofra (tem assim compaixão por ele). Acontece que o Joel passa a andar traído sem o saber. Será que este exemplo passa no teste do imperativo categórico?
► Não. Porque (1) a máxima é “mentirás porque tens compaixão”. E (2) não poderíamos querer que a mentira fosse uma lei universal, pois isso derrotar-se-ia a si mesmo: as pessoas descobririam rapidamente que não podiam confiar no que os outros disseram, e por isso ninguém acreditaria nas mentiras.
É importante que os alunos não fiquem apenas pela teoria, mas
que saibam também aplicar a teoria a casos concretos do quotidiano, de modo a
determinarem se estão perante uma ação moral ou não de acordo com a ética
deontológica de Kant. Para isso, podem-se utilizar situações parecidas com as
dos exemplos 1 e 2.
Domingos Faria, in, http://manualescolar2.0.sebenta.pt/projectos/fil10/posts/1161
Definir eutanásia
Recentemente ao passar os canais de TV vi um debate
organizado sobre o problema da eutanásia. Não tive oportunidade de assistir a
todo o debate, mas pareceu-me que alguns dos intervenientes confundiam as
definições de eutanásia. É por isso que o trabalho prévio de definir conceitos
é tão relevante em qualquer discussão minimamente organizada. Neste pequeno
apontamento vou registar as principais definições do conceito de eutanásia para
servir de auxiliar à discussão. Com as distinções feitas, a discussão torna-se
mais clara.
Etimologicamente o termo eutanásia deriva de duas palavras
gregas (eu e thanatos) que significam morte boa ou suave. Em muitos casos o
termo eutanásia também significa morte misericordiosa dado que a motivação é
agir humanamente para com uma pessoa que está a sofrer.
A segunda distinção a ter em conta é entre o que é legal e o
que é moral. Muitas vezes, como vi acontecer programa de TV, associamos o legal
e o moral. E é verdade que muitas das leis são derivações da racionalidade
moral. Mas o que é moral é muito diferente do que é legal. Para o perceber
basta pensar que nem tudo o que é de lei é necessariamente moral, como o que é
moral não tem de ser necessariamente legal. A escravatura foi durante muito
tempo legal e daí não se segue necessariamente que seja moral. Do mesmo modo
ajudar uma pessoa pobre pode ser considerado moral sem que existam leis que nos
obriguem a ajudar os mais pobres. O que é de lei é estabelecido pelo Estado ou
organização política. Já o carácter moral ou imoral de um ato depende das
razões que são oferecidas e sujeitas à racionalidade crítica, isto é, à discussão
ativa dos argumentos.
Ao mesmo tempo muitas leis acabam por influenciar o nosso
comportamento moral. E talvez daí resulte uma ligação entre legalidade e
moralidade. Com efeito, para começar a discussão com clareza, esta distinção
deve ser tida em conta na elaboração dos argumentos.
Outra distinção importante é entre eutanásia ativa e
eutanásia passiva. Se pela primeira entendemos matar deliberadamente, já pela
segunda entendemos deixar morrer. Daqui resulta uma outra distinção entre
eutanásia voluntária e involuntária. Vamos brevemente explicar cada uma das
definições, recorrendo a um exemplo para cada uma delas.
Eutanásia ativa
Morte deliberada do paciente levada a cabo por um médico ou
auxiliar e que implica, entre outros métodos, uma injeção letal seguida de um
agente paralisante o que implica uma morte sem dor física.
Eutanásia passiva
Implica deixar morrer o paciente omitindo passos necessários
para prolongamento da vida. Por exemplo, não ressuscitando um paciente de uma
paragem cardíaca. Se um médico desligar as máquinas que mantém vivo um
paciente, estará a realizar uma atividade, mas é geralmente considerado com
eutanásia passiva.
O que é relevante para a discussão é saber exatamente se a
morte é o resultado da intervenção do médico ou de alguém (eutanásia ativa) ou
apenas de deixar a natureza seguir o seu curso sem ativar meios de manter vivo
o paciente (eutanásia passiva)
Eutanásia voluntária
Implica o consentimento explícito por parte do paciente. Aqui
entra a questão do testamento vital.
Eutanásia involuntária
Implica a decisão de alguém que não o paciente sobre a sua
morte. Temos como exemplo os doentes em coma (no caso de não ter dado esse
consentimento antes) e as crianças
Quer a eutanásia voluntária, quer a involuntária pode ser
ativa ou passiva.
Os casos de eutanásia ativa (voluntária e involuntária) são
os mais discutidos hoje em dia e são legalmente proibidos em Portugal.
Muitas pessoas pensam que a eutanásia ativa não é imoral em
circunstâncias muito específicas, ao passo que outras a consideram imoral seja
qual for a circunstância. E é aqui que começa a discussão.
Deixo a sugestão de um filme que serve como partida para a
discussão. Mar Adentro (2004)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Filosofia e Matemática - Semana da Matemática da Escola Jaime Moniz
No próximo dia 23, às 10horas, no auditório da Escola
Secundária Jaime Moniz, terei o prazer de, em colaboração com os professores de
matemática da escola, apresentar uma aula para demonstrar como se aplicam
algumas regras da lógica a argumentos, principalmente as regras da lógica
clássica a argumentos dedutivos. Esta pequena grande iniciativa é, para mim,
especial, pois uma das minhas batalhas pessoais é combater a estigmatização a
que o saber fica sujeito quando pressupomos que quem sabe ciências exatas não
tem de saber ciências humanas (ou o contrário). Aliás, esta divisão acaba por
não fazer qualquer sentido. Partindo deste pressuposto exposto por C. P. Snow,
em As duas culturas (1959), darei o
mote para uma pequena aula na qual explicarei com exemplos práticos como se
parte de argumentos na linguagem natural para a sua tradução na linguagem
lógica e posterior teste com inspetores de circunstâncias.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Kant e Mill
Um interessante vídeo para perceber de modo breve as principais diferenças entre a filosofia moral de Kant e Mill. Ativar as legendas para ler.
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