segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Arranca o ano lectivo

Escola Arranca hoje oficialmente (na Madeira arranca uma semana mais tarde) o ano lectivo 2009/10. A palavra a dar neste momento é de felicidades a toda a comunidade escolar. Mas não posso esquecer algumas dificuldades (parte delas expostas na minha série de pequenos artigos Como Ensino Filosofia?) com que professores se deparam logo à partida. Uma delas diz respeito aos horários e o caso do grupo de filosofia não é isolado. Numa boa parte dos casos as escolas entregam os horários aos professores com apenas alguns dias de antecedência. À excepção dos professores de quadro de escola que podem escolher níveis de ensino e parte dos horários, todos os outros, mesmo os de quadro de zona pedagógica, ficam quase até ao dia de início do ano sem ter ideia do que vão ensinar. Assim, um professor, contratado ou de QZP pode saber 3 dias antes do arranque que vai ensinar Cidadania e Mundo Actual ou até Psicologia e pode não ter leccionado essas disciplinas em anos anteriores. Significa isto que o professor tem 3 dias para se inteirar do programa da disciplina (no caso dos profissionais numa boa parte dos casos é o professor quem decide sobre os conteúdos e tem 3 dias para elaborar um programa de raiz), preparar a avaliação, etc. O resultado disto é um início de ano atrapalhado sem que o professor tenha muito claro o que vai ensinar. O caso dos professores contratados ainda me parece mais grave, já que podem andar um ano inteiro a preparar materiais e um programa que no ano seguinte nem sequer dão continuidade. Este aspecto, apesar de me parecer central na organização do ano lectivo, não foi, com efeito, alterado pela maioria das escolas. Mas é um problema que afecta grandemente a qualidade do ensino e das aulas. Todos os anos conheço professores que ainda não têm sequer o manual da disciplina já lá vai o ano com 2 ou 3 semanas de avanço.

Este é um problema que devia ser corrigido, a bem de professores, alunos e da qualidade do ensino em geral.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sentido de urgência aplicado ao sistema de ensino.

untitled105 Recomendado pela minha esposa, que é gestora, peguei no livro Sentido de Urgência (Actual Editora, 2009) de John P. Kotter, um prestigiado especialista em liderança e professor do Harvard Business School. No livro o autor começa por explicar a diferença entre complacência e sentido de urgência dentro das organizações. A escola é também uma organização, no sentido técnico da gestão. A meio termo entre a complacência e o sentido de urgência temos, segundo o autor, o falso sentido de urgência. O falso sentido de urgência, grosso modo, é quando temos muita coisa para fazer dentro da organização, mas todo esse trabalho é produtivamente ilusório, já que não produz qualquer urgência dentro da organização, o que implicaria mudança. Este quadro parece-me assentar bem no que é hoje em dia a tarefa de um professor dentro das escolas portuguesas, isto é, vive-se um clima de falso sentido de urgência, com dezenas de tarefas improdutivas para executar, ao passo que se despreza o sentido de urgência, precisamente aquele que constituiria o motor de inovação do ensino. Ainda vou no segundo capítulo do livro, mas não consigo desprender-me de um paralelo que página a página vou fazendo com as escolas e o sistema de ensino. Vamos ver o que dizem os capítulos seguintes.

sábado, 12 de setembro de 2009

Onde é que Popper aparece na ciência?

262414 O Expresso de hoje traz na revista Única uma boa entrevista a Alexandre Quintanilha. Só para perceber o quanto Popper está presente nas mentes dos cientistas, deixo aqui estes pequeninos excertos:

Pode um cientista na área da biologia não acreditar na Teoria da Evolução das Espécies?

Darwin postulou uma hipótese, desde então temos feito tudo para ir à procura da evidência que seja a favor ou contra . Aliás, é mais importante ir à procura da evidência contra porque se a teoria for abaixo haverá outra ainda mais sofisticada.

Nem quando se confirma a hipótese?

(…) todos os grandes avanços na ciência são feitos quando as pessoas, depois de confirmarem a hipótese passam 50 anos a ver se a desaprovam.  As teorias mais robustas são as que resistiram a todas as tentativas de as contraprovar.

É destes que eu gosto

E pronto. Ainda nem o vi, mas conheço bem o autor, para além de algumas recensões. De certeza que entra para a minha lista de referências na ponta da língua, daquelas que estão sempre prontas a sair como recomendação para os que ainda mal entraram na filosofia. Falarei dele certamente mais vezes.

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Stephen Law, Filosofia, Col. Guias Essenciais, Civilização, 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Será um bom princípio?


No final dos anos 60 e princípio dos anos 70 foram escritos diversos livros sobre a auto-estima das crianças. Esses livros tornaram-se a «bíblia» da educação das crianças. Os seus autores defendiam que as crianças só desenvolviam a sua auto-estima se os pais mostrassem respeito por elas. A forma de os pais mostrarem respeito pelos filhos era tratá-los como seus semelhantes. Quer isto dizer que os pais deveriam dar aos filhos o mesmo direito de estabelecer regras, tarefas, privilégios, e por aí adiante. Chegar a um acordo era a maneira prescrita para resolver todas e quaisquer diferenças de opinião. Quando o filho se portava mal, os pais deveriam apelar à sua inte1igência e sentido de responsabilidade, explicando a diferença entre o bem e o mal. Em caso algum deveriam castigar um filho por mau comportamento, pois o castigo violava a premissa fundamental da igualdade.

Estes mesmos autores defendiam também que a única família psicologicamente saudável era a família democrática . Segundo eles, na família democrática ninguém tinha mais poder que o outro. Defendiam a chamada «arte de ouvir activamente», que, essencialmente, proibia os pais de dizerem aos filhos o que deviam fazer. Em vez disso, deveriam ouvir imparcialmente o ponto de vista do filho, comunicar calmamente as suas opiniões e deixar que o filho assumisse a responsabilidade pelos seus próprios actos.

Por melhor que possa parecer, a família democrática era, é e sempre será uma ficção. Se isso o fizer sentir-se melhor pode fingir que tem uma família democrática, mas a pretensão está muito longe da realidade. A ilusão da democracia na chamada família democrática é criada e mantida com muitas palavras, debates de ideias, explicações e auscultações da opinião das crianças. Mas, se puser a retórica de parte e for ao fundo das coisas, descobrirá uma verdade incontestável: na chamada família democrática há sempre alguém que tem a última palavra. Este simples facto destrói toda e qualquer ilusão de democracia. Além disso, é melhor que esse alguém seja um adulto, ou então toda a família fica em apuros.

Caça ao tesouro no espaço

Digitalizar0001 Há uns tempos registei AQUI a publicação de um romance escrito para crianças, mas podendo ser lido por adultos, de Lucy & Stephen Hawking. Saiu este mês, pela Editorial Presença o seguimento desse romance. Já o tenho aí em lista de espera, já que gostei muito do primeiro volume e gosto particularmente deste tipo de livros de divulgação científica. Na filosofia temos algo muito parecido, os Philosohy Files de Stephen Law, que aguarda ainda tradução.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Moralidade e limpeza da escola

O leitor e colega Daniel enviou um link para um video que dá que pensar. Nele vemos jovens estudantes que após as aulas, limpam a escola e a sala de aulas. Para nós esta realidade é estranha, mas pensemos lá um pouco. Como pais investimos muito a ensinar os nossos filhos a arrumar e limpar aquilo que sujam e desarrumam. Mas fora de casa, esse hábito não é continuado e rapidamente os mais pequenos aprendem que podem sujar à vontade que há sempre quem limpe por eles. Será que o hábito dos japoneses é moralmente aceitável ou condenável? Será que se também na escola ensinarmos as crianças, desde pequeninas, a arrumar e limpar o que sujam não estamos a responsabilizá-los e a respeitar os outros? Fica o video.


Indispensáveis

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Para a reentré 2009-2010, é impensável não ter estas ferramentas de trabalho à mão.