quarta-feira, 26 de maio de 2010
Porque é que há sociedades mais cultas que outras?
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Google love story. Como vender publicidade com a filosofia
sábado, 13 de março de 2010
Mas afinal há ou não filosofia em Portugal?
sábado, 9 de janeiro de 2010
A aldrabice da avaliação dos professores
sábado, 19 de dezembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Snobismo
Publiquei na Crítica um pequeno artigo onde exponho a minha crítica aos snobes e ao prejuízo que trazem para a filosofia.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Freedom of speech
Publiquei um texto sobre a liberdade de expressão aplicada ao caso do último livro de Saramago no blog da Crítica. Ler AQUI.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Manuais certificados
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Saber vender livros
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A primeira aula de filosofia
Ouço dizer muitas coisas sobre uma primeira aula. Entre as mais convencionais é que nesta aula as regras devem ser desde logo claras. De acordo. As regras são iguais para todos e é conveniente que se perca algum tempo a explicitá-las. Depois existem outras formalidades que podem ser cumpridas na primeira aula, como as habituais apresentações e enunciação de critérios de avaliação da disciplina. Alguns professores começam logo na primeira aula a fazer uma abordagem ao programa da disciplina. Ontem dei uma primeira aula a uma turma de filosofia do 10º ano ( o ano lectivo na Madeira iniciou esta semana). Alguns destes alunos têm somente 14 anos e frequentam pela primeira vez o ensino secundário. Após o cumprimento de algumas formalidades, comecei por questionar os alunos sobre as suas expectativas quanto à filosofia. É natural que na primeira aula algum silêncio se possa fazer sentir, mas aproveitei o tempo para dar uns lamirés sobre o assunto. Devo dizer que não sou muito formal nem na primeira aula. Tenho lido algumas recomendações no sentido, por exemplo, do professor não se “armar” em engraçadinho. Correcto, mas não dispenso algum humor e boa disposição. Há sempre um ponto de equilíbrio que qualquer professor com bom senso sabe encontrar.
Mas gosto de “entrar a matar” na primeira aula. “Entrar a matar” significa aqui começar logo por mostrar como se discute um problema, ainda que de modo muito prematuro já que os alunos não estão, nesta altura, munidos das ferramentas nem da informação para pensar filosoficamente. Ocorreu-me fazer logo a distinção entre problemas filosóficos e não filosóficos. Peguei num problema da ética aplicada como exemplo, o do aborto. Perguntei aos alunos se lhes parecia certo ou errado uma mulher grávida recorrer ao aborto para interromper uma gravidez. Uma aluna respondeu de imediato que era errado. Questionei a razão que a leva a pensar tal coisa? Respondeu que se está a matar um ser humano. Estamos já no centro do problema, mesmo que com pouquíssima informação para a saber pensar. Ok, próximo passo, definir conceitos. Perguntei à turma como é que se define um ser humano. Entre algumas respostas, surgiu a mais habitual: “é um ser que raciocina”. De imediato perguntei se um feto humano raciocina? Gerou-se o impasse: os alunos estavam neste momento à procura de uma resposta para a minha questão, numa palavra, os jovens de 14 e 15 anos estavam a pensar pela sua cabeça. Meia hora da primeira aula foi passada nesta discussão. Claro que ainda há um trabalho prévio a fazer que iniciarei já amanhã, na segunda aula. Perderei também algum tempo – não muito – para ajudar os alunos a orientar o seu estudo em casa. Mas desta meia hora retiro uma conclusão: os alunos do ensino básico estão também preparados para aprender a filosofar. E há uma outra conclusão também a retirar daqui: não existe razão alguma para pensar que: 1) a filosofia não é atractiva para os estudantes; 2) a disciplina é difícil. Nenhum aluno desta turma achou muito complicado participar numa discussão racional. Alguns alunos provavelmente levaram para casa o pensamento de que têm de rever as suas posições face a um determinado problema. Não interessa: cada um colocará as questões necessárias exigentes para compreender o problema. E não me posso queixar que os alunos tenham achado a filosofia uma seca, pois sei que não é essa a sua opinião.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Mentiras e insultos
sábado, 19 de setembro de 2009
Ensino profissional e CEFs, a verdade!
Hoje em dia está na moda no sistema educativo português os cursos CEF (de educação e formação), também conhecidos por cursos profissionais. Não sei se há muitos leitores deste blog que sejam engenheiros, médicos ou gestores. Mas esta minha pergunta é-lhes dirigida: metiam os vossos filhos a estudar nestes cursos? Por quê? Recordo no ano passado estar à conversa com um director de cursos profissionais e quando este elogiava o ensino profissional, interrompi-o subitamente com a pergunta “colocavas os teus filhos a estudar no profissional?”. Após um pequenino momento de silêncio a resposta foi que não, já que desejava que os seus filhos seguissem a universidade. Ripostei que mesmo com o profissional podiam candidatar-se à universidade e até com a probabilidade de o fazer com melhores classificações. A verdade velada é que este director de cursos profissionais não quer os filhos neste tipo de cursos pois sabe da sua falta de qualidade científica em relação aos cursos de formação geral do ensino regular. Quando faço estas observações em regra as pessoas pensam que sou contra a existência de ensino profissional. Mas não sou. O que defendo é que os cursos profissionais não têm de ser diminuídos de formação científica em relação aos cursos do regular. Quem destrói o ensino profissional não sou eu, mas o próprio sistema de ensino que transforma o profissional num tipo de ensino vazio de conteúdos academicamente relevantes e indiscutivelmente importantes para a formação de qualquer pessoa. e como assim é, as pessoas sabem que o profissional é dirigido aos mais aleijadinhos, aos filhos dos intelectualmente incapacitados (julga a ideologia reinante) ou pouco ambiciosos na vida. Ora isto é tudo aquilo que um sistema de ensino deveria evitar pressupor, a de que há seres humanos que não precisam de saber pitada de ciência, de filosofia, de artes, música, etc. para serem felizes. Isto sim é um sistema de ensino elitista no fraco sentido, e marcadamente ideológico contribuindo de forma significativa para a reprodução do estatuto social das classes mais favorecidas. É tudo aquilo que não deve ser um sistema de ensino numa sociedade livre. Ensino profissional sim, mas com rigor e excelência.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Bem vindo à barafunda
Ora bem, o ano lectivo começa por estas bandas na segunda feira. Soube hoje ao fim da manhã o meu horário. Ao fim de 13 anos a ensinar soube que vou ser professor de Cidadania e Mundo Actual a uma turma CEF do 3º ciclo (ou 2º, nem sei bem), vou ensinar Psicologia B e, imagine-se, nem contava, Filosofia a uma turma do 10º. Continuo delegado de disciplina e acumulo funções de director de turma, e tenho no horário horas infinitas para reuniões em regra bastante produtivas em termos de ensino.
Bem, mas não me posso alongar no post, já que tenho de preparar aulas de 3 níveis de ensino, mais uma reunião de grupo e uma outra de Director de Turma (incluindo recortar fotografias e colar nos cartões dos alunos). Só me está aqui a dar comichão uma perguntinha que gostaria que os colegas leitores me ajudassem a responder: é a isto que se chama qualidade do ensino? É que não estou a topar onde é que está a qualidade do ensino nesta coisa toda? Chamar-lhe-ia antes, sei lá, um ensino sem rei nem rock. Mas certamente tenho aqui a dar uma palavra de profundo agradecimento a toda a impostura política que anda em volta do ensino. E tenho uma certeza: este blog já anda pobrezito, mas vai ficar ainda mais pobrezito ao longo deste ano. Raios partam.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Arranca o ano lectivo
Arranca hoje oficialmente (na Madeira arranca uma semana mais tarde) o ano lectivo 2009/10. A palavra a dar neste momento é de felicidades a toda a comunidade escolar. Mas não posso esquecer algumas dificuldades (parte delas expostas na minha série de pequenos artigos Como Ensino Filosofia?) com que professores se deparam logo à partida. Uma delas diz respeito aos horários e o caso do grupo de filosofia não é isolado. Numa boa parte dos casos as escolas entregam os horários aos professores com apenas alguns dias de antecedência. À excepção dos professores de quadro de escola que podem escolher níveis de ensino e parte dos horários, todos os outros, mesmo os de quadro de zona pedagógica, ficam quase até ao dia de início do ano sem ter ideia do que vão ensinar. Assim, um professor, contratado ou de QZP pode saber 3 dias antes do arranque que vai ensinar Cidadania e Mundo Actual ou até Psicologia e pode não ter leccionado essas disciplinas em anos anteriores. Significa isto que o professor tem 3 dias para se inteirar do programa da disciplina (no caso dos profissionais numa boa parte dos casos é o professor quem decide sobre os conteúdos e tem 3 dias para elaborar um programa de raiz), preparar a avaliação, etc. O resultado disto é um início de ano atrapalhado sem que o professor tenha muito claro o que vai ensinar. O caso dos professores contratados ainda me parece mais grave, já que podem andar um ano inteiro a preparar materiais e um programa que no ano seguinte nem sequer dão continuidade. Este aspecto, apesar de me parecer central na organização do ano lectivo, não foi, com efeito, alterado pela maioria das escolas. Mas é um problema que afecta grandemente a qualidade do ensino e das aulas. Todos os anos conheço professores que ainda não têm sequer o manual da disciplina já lá vai o ano com 2 ou 3 semanas de avanço.
Este é um problema que devia ser corrigido, a bem de professores, alunos e da qualidade do ensino em geral.
domingo, 13 de setembro de 2009
Sentido de urgência aplicado ao sistema de ensino.
Recomendado pela minha esposa, que é gestora, peguei no livro Sentido de Urgência (Actual Editora, 2009) de John P. Kotter, um prestigiado especialista em liderança e professor do Harvard Business School. No livro o autor começa por explicar a diferença entre complacência e sentido de urgência dentro das organizações. A escola é também uma organização, no sentido técnico da gestão. A meio termo entre a complacência e o sentido de urgência temos, segundo o autor, o falso sentido de urgência. O falso sentido de urgência, grosso modo, é quando temos muita coisa para fazer dentro da organização, mas todo esse trabalho é produtivamente ilusório, já que não produz qualquer urgência dentro da organização, o que implicaria mudança. Este quadro parece-me assentar bem no que é hoje em dia a tarefa de um professor dentro das escolas portuguesas, isto é, vive-se um clima de falso sentido de urgência, com dezenas de tarefas improdutivas para executar, ao passo que se despreza o sentido de urgência, precisamente aquele que constituiria o motor de inovação do ensino. Ainda vou no segundo capítulo do livro, mas não consigo desprender-me de um paralelo que página a página vou fazendo com as escolas e o sistema de ensino. Vamos ver o que dizem os capítulos seguintes.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Moralidade e limpeza da escola
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Pais avaliam escolas no i: Ensino está demasiado fácil
O ensino nas escolas está demasiado fácil e os últimos quatro anos acentuaram o problema. Para a maioria dos 45 pais ouvidos pelo i, os problemas pioraram com a crispação entre professores e Governo, que criou instabilidade nas escolas. E dão exemplos "O estatuto do aluno é um desastre e uma ofensa aos alunos cumpridores. Valores e atitudes como o trabalho, o mérito, a assiduidade, o comportamento, a aprendizagem, o conhecimento, foram postos em causa e de repente considerados antiquados e conservadores", diz Manuel Marques, economista nas Caldas da Rainha, pai de um aluno matriculado no 8º ano. "O estatuto do aluno privilegia o facilitismo e desresponsabiliza os alunos", acrescenta Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE). "Esta norma de os alunos não poderem reprovar até ao 10º ano é um verdadeiro disparate. Desmotivador para alunos, pais e professores. O que sente um professor quando no 9º ano encontra um aluno que nem sabe conjugar os verbos?", questiona Maria Castelo Branco, 53 anos, mãe do Gonçalo, que vai frequentar o 10º ano. "A exigência académica é cada vez menor", remata Teresa dos Santos Paiva, mãe de um aluno do 10º ano e de duas filhas gémeas no 6º ano, que logo a seguir dispara contra um regime de faltas pouco rigoroso e que iliba os mais faltosos: "Os mais espertos olham para o regime de faltas como uma brincadeira. De que serve dizer-se que os alunos não podem faltar se sabem que estudam um pouco, fazem um teste de recuperação e já está, voltam a ficar sem faltas ou com elas todas justificadas?" LER O RESTO
Afinal parece que há mais pessoas quem pensam que uma boa reforma de ensino começa pela reforma curricular bem feita, isto é, dotar os programas de conteúdos claros, plausíveis e rigorosos, isto mesmo antes de qualquer estatuto do aluno ou reforma de corte nos vencimentos dos profissionais da educação. Recentemente quando defendi isto no blog SIMPLEX, Porfírio Silva acusou-me de ter a verdade na mão. Não estou certo se a acusação resultou do tom como o disse ou do que disse. Mas fico mais descansado de saber que há mais pessoas a partilhar da mesma ideia. É confortável, pelo menos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ciber anonimato e palermice

No blog De Rerum Natura, ocasionalmente relança-se a discussão sobre o anonimato, isto é, os leitores que não assinam com a verdadeira identidade nas caixas de comentários. Este não é um problema inteiramente novo. Quando o telefone se massificou em casa das pessoas, choviam os telefonemas anónimos com toda a espécie de gozo e brincadeira. A maioria dos anónimos nas caixas de comentários dos blogs têm essa mesma atitude, ataques pessoais, gozo pelo trabalho dos outros e tentativa de bloquear o trabalho das pessoas. Alguns defensores do anonimato cibernético defendem que não vale de nada assinar já que na internet a identidade é residual. Isso não é bem assim. Depende do compromisso que se vai tendo dentro da rede. Por exemplo, a minha identidade do Google facilmente prova que tenho uma identidade uniforme e verdadeira. Pelo menos é fácil perceber que sou tratado na maioria das circunstâncias por Rolando Almeida. Se eu quiser privacidade posso ficar em casa. Por exemplo, a partir da minha identidade do Google qualquer pessoa conectada à rede fica a saber que tenho um blog de filosofia, que sou assistente editorial de uma revista de filosofia, que participo em mais outro blog, que sou professor do ensino secundário, que trabalho na ilha da Madeira. Com um pouco mais de esforço pode até saber há quantos anos trabalho, qual a minha graduação nas listas de professores, etc. E pode ir mais longe: pode saber se sou devedor ao fisco, se tenho antecedentes criminais, etc. Tudo isto porque exponho a minha identidade. Mas a minha opção não se encontra entre expor a identidade e o anonimato. Ela encontra-se entre expor ou não expor a identidade. E esta é a confusão elementar proposta pelos defensores do anonimato.
Quem não quer expor a sua identidade, ou quer preservá-la o mais possível, só tem de proceder de um modo muito simples: não aparece.
Claro que os defensores do anonimato apresentam as razões em sua defesa. Só não me parecem ser razões plausíveis ou fortes.
Mas o indício mais forte das intenções da generalidade do anonimato tem um apoio forte da experiência para as compreender. É que a esmagadora maioria dos anónimos que escrevem nas caixas dos comentários o fazem para poderem, sem receios, fazer ataques pessoais, insultos, etc.
Ainda há uma outra questão que creio ser de interesse considerar. Por suposto, creio que verdadeiro, a maioria dos frequentadores de blogs como o Rerum Natura são pessoas com alguma formação e interesse. Não estou a ver que a maioria dos trabalhadores das minas ou da construção civil visitem o blog, ainda que tal fosse desejável. E é notável verificar como as supostas elites de conhecimento se comportam nas caixas de comentários como as do Rerum Natura. Esse comportamento não seria de esperar de pessoas com mais interesses de conhecimento criado. Talvez isto signifique uma certa desorientação de muitas pessoas que estudam, que tiram habilitações, etc. Não me estou a referir ao insulto em si, já que esse nem sequer me inquieta por aí além. O mais admirável é o insulto gratuito, sem direcção, irracional. Insulta-se porque não se concorda com o que é afirmado. O insulto anónimo surge no lugar onde deviam estar os argumentos. E, por essa razão também, os defensores do anonimato deixam cair por terra a sua defesa.
E depois a mais velha questão que consiste em perceber por que razão as pessoas que defendem o anonimato na internet quando a usam para expor as suas ideias, não fazem na vida extra internet? Está ainda por explicar porque é que a realidade fora da internet é mais real que a realidade da internet. E por que razão na vida fora da net as pessoas se identificam com o nome verdadeiro e não o fazem na internet? É também possível, cá fora, alguém estar à janela ou escondido a insultar um grupo de pessoas (com o inconveniente de que se for apanhado habilita-se a levar duas rabanadas na testa). Talvez seja isto que os anónimos temem. O anonimato na internet faz sentido em algumas ocasiões. Noutras, como a participação em blogs de discussão, é pura palermice.




